[Bancariosdebase] contribuição MR

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Quinta Dezembro 15 21:16:29 UTC 2011


  Olá comp em s [1] do BdB
 Segue no corpo do e-mail o texto do MR para o Encontro, assinado pelo
Bancários de Base do RS e parte da diretoria do RN. Eles propõem
unificar as duas contribuições num mesmo documento.
 O texto deles traz mais elementos da greve nacional, mas não traz
resoluções detalhadas como o nosso.
 O texto terá que ser fechado esta noite para que haja tempo hábil
para imprimir cópias para todos os participantes.
 Seguiremos em contato telefônico com Matheus e Marta ao longo da
noite para fechar o documento.
 Daniel
 _________________________________________ 
 “So, understand! You waste your time always searching for those
wasted years! Face up! Make your stand! And realize your living in the
golden years!” 
 “Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles
anos perdidos! Encare! Tome uma posição! E perceba que você está
vivendo nos anos dourados!” 
 Iron Maiden, “Wasted Years” 
 _________________________________________ 
	DEFENDER OS BANCÁRIOS É CONSTRUIR UM SINDICALISMO DE BASE,
DEMOCRÁTICO, COMBATIVO, INDEPENDENTE E ANTIGOVERNISTA. 
	1 - BANCáRIOS: UMA CATEGORIA CADA VEZ MAIS PAUPERIZADA! 

	No virada do ano, daqui a poucos dias, os bancários ganharão mais
duas péssimas notícias de “ano-novo”. Dois dados importantes e
negativos farão parte da realidade já massacrante dos bancários
brasileiros.  

	Um deles é que, com o já previsto reajuste do salário mínimo para
R$ 625 a partir de 1ode janeiro, o piso dos bancários estará em seu
menor patamar, relativamente ao salário mínimo, em mais de 20 anos.
Bancários estarão ganhando apenas 2,24 salários mínimos! Fazendo
graça a partir da desgraça, muitos colegas lembram que estamos quase
na “linha de corte” do abono do PIS.  

	Longe desta defasagem se justificar pelo aumento do salário mínimo,
como alguns imaginam, tal rebaixamento é explicado, mesmo, pelo
arrocho de nossos salários. Isso fica provado na comparação com o
salário mínimo necessário, calculado pelo Dieese, por exemplo, o
que mostra que nosso salário também vem sendo achatado no que se
refere ao poder de compra, ano após ano. 

	O outro dado lamentável é que, ainda no início de janeiro,
estaremos com mais perdas salariais do que tínhamos quando entramos
na campanha salarial de 2011. Em nossa data-base, ao final de agosto,
a inflação acumulada era de 7,23%, e tivemos um reajuste de 9%.
Porém, de lá para cá, em apenas 3 meses, já foram outros 1,48% de
inflação. Isso quer dizer que já não há mais “ganho” nenhum,
sem nem contarmos a inflação de dezembro. Como a previsão é de
cerca de 0,5% no IPCA deste mês, já vamos entrar 2012 no prejuízo! 

	Contabilizamos perdas salariais, desde o Plano Real em 1994, que
chegam a mais de 100%, dependendo do banco. Pior do que isso, porém,
é que, à medida que o tempo passa, a maioria dos colegas que viveram
na própria pele este rebaixamento de salário vão se aposentando, e
aumenta o discurso de “deixar para lá” as perdas e considerar
todo aumento da inflação como “ganho real”. 

	Hoje, a maioria dos funcionários da CEF, por exemplo, já são
pós-98 e não tem os direitos que a isonomia reivindica. A balança
inverteu e na categoria como um todo a situação é semelhante. Nos
bancos privados, com alta rotatividade, é pior ainda, e a grande
maioria dos colegas entrou nos bancos muito depois de 1994.  

	O resultado é que há um descolamento da consciência dos
trabalhadores de seu passado muito recente; e a patronal, os governos
e a Contraf “esquecem” as perdas, que cada vez menos gente lembra,
prejudicando cada vez mais a luta pela sua recuperação. 

	O mesmo acontece com os direitos históricos dos trabalhadores, como
os abonos anuais, licenças-prêmio, aquênios, adesão à planos de
saúde e/ou previdência mais vantajosos, etc. A bandeira da isonomia,
que é fundamental, em poucos anos já não vai fazer mais nenhum
sentido, se não conseguirmos avanços o quanto antes. 

	Para completar o quadro, os bancários seguem recordistas em lesões
por esforço repetitivo e doenças relacionadas ao trabalho
(LER/DORT). Os afastamentos e as doenças “físicas” se somam à
depressão crescente, aos danos psicológicos, aos suicídios e ao
sofrimento em geral, que se torna ainda mais constante na vida de
tantos colegas.  

	O assédio, as metas, a terceirização, a privatização, a
competição selvagem por uma função que “salve” o bancários da
pobreza do salário básico, etc., são elementos de estresse,
humilhação, infelicidade e mal-estar crescentes entre os
trabalhadores; e esta realidade é completamente ignorada pelas
entidades sindicais. 

	O bancário, abandonado, empobrecido e cada vez mais cansado, ainda
assim produz lucros fantásticos, que, somente em 2011 já chega a
quase R$ 40 bilhões entre os principais bancos. 

	Há muito tempo ser bancário já deixou de ser algo valorizado.
Muitos jovens que ingressam em bancos, sejam privados ou públicos,
logo tentam outro emprego. No entanto, esta saída individual não é
possível a todos, e nem sequer a uma minoria relevante. O emprego
fora do sistema financeiro também vê o poder aquisitivo estagnado ou
rebaixado, e apenas poucos conseguem “fugir” dos bancos rumo a
algo melhor. A maioria, além da vida deteriorada no banco, acumula
uma “dupla jornada” em cursinhos, estudando em casa, investindo
dinheiro e tempo, para “fugir” dos bancos. 
	2 - A CRISE ECONôMICA, O GOVERNO DILMA E OS ATAQUES QUE DEVEM VIR. 

	A economia brasileira, apesar dos discursos otimistas oficiais, já
está com a recessão batendo à porta. NO 3OTRIMESTRE DESTE ANO, A
ECONOMIA Já TEVE CRESCIMENTO ZERO!A média de crescimento dos 9 anos
petistas vai fechar 2011 com pouco mais de 3% ao ano, o que não
difere muito da média dos 8 anos de FHC. 

	Estão sendo, como se rotulou a década de 80, “anos perdidos”,
em que alguns até estão ganhando muito, e houve um pouco de
benefícios à população miserável; mas, por outro lado, setores
médios estão sendo completamente empobrecidos, e tanto estes
trabalhadores como os pobres em geral têm acumulado dívidas até o
pescoço. 

	O pouco que a economia cresce, e o pouco que “melhorou a vida” de
alguns setores de trabalhadores é, na verdade, uma bomba-relógio,
artificialmente armada sobre a multiplicação do crédito e das
dívidas. São consignações que pularam de 36 ou 60 meses para 72,
96 e agora 120 meses. Carros financiados em 10 anos, casas em 30 e
volumes no cartão de crédito, cheque especial e empréstimos
pessoais absurdos, comprometendo todo o salário das pessoas. 

	Pelo 10omês consecutivo, a inadimplência tem subido, e já bateu
níveis recordes. Já não há mais quase margem para o aumento do
crédito, e, ao mesmo tempo, a inflação voltou com tudo. As metas
oficiais, de 4,5% anuais, com tolerância até 6,5% devem ser
extrapoladas além do teto! E a inflação dos assalariados é muito
maior, já que o IPCA manipula os dados considerando a renda de
famílias que ganham até 40 salários mínimos (R$ 21.800,
atualmente). 

	Não somos unilaterais e catastrofistas ao dizer que é inevitável
uma crise “a la Europa” no Brasil, mas tampouco podemos descartar
este cenário. Na Europa, benefícios sociais de 60 anos, instituídos
no pós-guerra no chamado “Estado de bem-estar social” estão
vindo abaixo. Países como Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e
Espanha (os Piigs) vivem recessões violentas, em que a conta já foi
jogada para os trabalhadores. Na Grécia, direitos como o 14osalário
(que existe lá e é pago em abril) foram cortados, junto com o 13o.
Salários não apenas foram congelados, como foram reduzidos! A idade
para se aposentar aumentou em todos os lugares, e a França e Portugal
aumentaram a jornada de trabalho. As mulheres são os alvos principais
das reformas, sendo as primeiras a serem demitidas e tendo os maiores
aumentos de idade para aposentar-se. 

	NãO DEVE SER SURPRESA QUE OS BANCáRIOS ESTãO ENTRE OS
TRABALHADORES QUE MAIS TêM SOFRIDO TODOS ESTES ATAQUES, E é EVIDENTE
QUE O BRASIL NãO ESTá LIVRE DE SER ATINGIDO POR ESTA SITUAçãO, O
QUE INCLUI OS BANCáRIOS.Na década de 90 já vivemos esta realidade,
acumulando as perdas atuais. Um novo período de arrocho deste tipo
levaria à destruição de nossas condições de vida, e não podemos
descartar que isso ocorra. 

	O governo Dilma, sabendo disso e comprometido com os empresários e
banqueiros, jogou duro com os bancários em 2011, levando a greve do
Basa ao TST e aos 77 de paralisação; e cortando o ponto no BB e nas
bases da CEF que permaneceram mais um dia em greve. Esta é a postura
que deve pautar 2012, e o movimento sindical e bancário tem a
responsabilidade de reagir a isto. 

	NãO PODEMOS ACEITAR NEM A CRIMINALIZAçãO NEM A JUDICIALIZAçãO
DAS GREVES, E NãO PODEMOS SER NEM OMISSOS NEM CORPORATIVOS E FAZER DE
CONTA QUE NãO Há UMA LUTA POLíTICA CONTRA O GOVERNO, EM QUE NOSSA
ISONOMIA, NOSSO SALáRIO, NOSSA CONDIçãO DE TRABALHO E, INCLUSIVE,
NOSSOS EMPREGOS DEPENDEM DE DERROTARMOS O PROJETO DOS BANQUEIROS E DO
GOVERNO DILMA. 

	AS NEGOCIAçõES FáCEIS NãO EXISTEM MAIS, E DAQUI POR DIANTE CADA
1% A MAIS VAI EXIGIR UMA GUERRA. O Basa e os Correios mostraram o que
nos espera a todos e precisamos ser firmes no enfrentamento para o
qual devemos nos preparar. 
	3 - Já PREPARAR A GREVE DE 2012! 
	3.1 - O MéTODO DA GREVE TEM SIDO O MAIS IMPORTANTE, TANTO PARA
RESISTIR COMO PARA CONQUISTAR.  

	Desde o ano e 2003, os bancários brasileiros deflagram greve entre
os meses de setembro e outubro. Foram 9 greves em 9 anos. Se não
conseguimos grandes conquistas em todos estes anos, ao menos deixamos
de acumular as enormes perdas salariais havidas na década de 90. Nos
anos 90, as privatizações, mudanças de planos de previdência,
ataques aos planos de carreiras e retirada de direitos puderam existir
porque não existiram greves nem uma resistência mais forte, fruto da
derrota dos ativistas ao final dos anos 80, e do medo e apatia que
contaminaram os bancários.  

	NOS úLTIMOS ANOS, AS GREVES ESTãO MUITO MAIS FORTES E MAIS
DISSEMINADAS. Categorias sem estabilidade nenhuma e cujas greves são
até mesmo ilegais, como policiais militares e bombeiros, fizeram
greves heróicas em 2011. Entre os bancários, apesar das traições
da direção da Contraf/CUT, que já fez ou tentou tudo, como acordos
válidos por 2 anos, fraudes em votações, golpes em assembléias,
etc., as greves estão cada vez mais fortes. 
	3.2 - BALANçO DA GREVE DE 2011 

	Muito se falou que a greve de 2011 foi a “maior em 20 anos”.
Deixando de lado as bravatas dos cutistas, que inflam as greves quando
lhes convém e transformaram a luta num negócio, “alugando”
piqueteiros, e se preocupando mais com o número de agências fechadas
do que com a participação efetiva dos trabalhadores, ainda assim,
temos de observar que, de fato, a greve bancária de 2011 foi muito
forte. 

	Tivemos outra greve enorme na CEF, um aumento considerável na greve
do BB e um ascenso histórico nos bancos públicos “menores”,
incluindo aí os federais Basa e BNB, e também os regionais BRB,
Banrisul e Banpará. Mesmo com os bancos privados mantendo uma greve
essencialmente de fachada, onde as portas das agências são fechadas
por acordo com os gerentes mas os bancários seguem trabalhando
normalmente, no somatório geral, a greve foi realmente maior em 2011.


	Quem foi responsável por esta realidade, no entanto, foi a base.
Não foi a Contraf/CUt quem foi responsável por fortalecer a greve.
Pelo contrário: a base está cada vez mais cansada das traições dos
governistas. MILHARES DE BANCáRIOS SE DESSINDICALIZAM, DEIXAM DE
PARTICIPAR DAS ASSEMBLEIAS E, MUITOS, INCLUSIVE DAS GREVES. Aí SURGE
E SE DESENVOLVE A CHAMADA “GREVE DE PIJAMA”,este ano ainda mais
alastrada. 

	Porém, apesar da descrença dos bancários na participação
sindical, por um justo e compreensível sentimento de que os fóruns
convocados pelos sindicatos cutistas não têm nada de democráticos e
só servem como um teatro velho e já conhecido, a base tem conseguido
dar cada vez mais trabalho aos banqueiros e governo. 

	São menos pessoas votando nas eleições sindicais e muita gente se
recusando a reunir nas assembleias convocadas pela burocracia. Isso é
agravado pelos golpes e crescente grau de manobras, golpes e fraudes
por parte dos governistas, que precisam aprofundar seus ataques à
democracia para manter seu poder, cada vez mais ameaçado pela base. 

	Apesar disso, fenômenos como a rebelião de base dos funcionários
do Banrisul e do Basa, que atropelaram as direções dos sindicatos do
RS e PA (ambos dirigidos da DS) e a orientação do comando nacional e
Contraf quanto à condução destas greves mostram que há espaço
para desmontar a direção da Contraf. Nestes mesmos estados, a greve
da CEF seguiu um dia a mais, derrotando a burocracia da DS, que
tentava encerrá-la, mas teve de se relocalizar para trair logo em
seguida.  

	COMO UM TODO, A GREVE MOSTROU AMPLO APOIO àS PROPOSTAS DA
OPOSIçãO, FORMULADAS NOS ENCONTROS ANTERIORES DA FNOB, ATRAVéS DE
NOSSA PAUTA GERAL E DAS ESPECíFICAS, ASSIM COMO AO NOSSO íNDICE DE
REAJUSTE PROPOSTO E AO CALENDáRIO ANTECIPADO DE LUTA QUE
PROPUSEMOS.Nas nossas bases conseguimos ganhar a categoria para esta
campanha alternativa, e, onde houve debate sobre isto, como no RS,
estivemos muito perto de aprovar nosso calendário. 

	Em SP, aprovamos resoluções em assembleia, que acabaram não sendo
implementadas pela burocracia, mas já mostraram que há algo novo no
cenário político. Em muitos outros estados, ficou claro que
podíamos ganhar a base para uma campanha por fora do esquema
repudiado da Contraf, e isso só não avançou por falta de estrutura,
pernas e recursos. 

	NO FINAL DA GREVE, A CATEGORIA AMARGOU MAIS UMA DERROTA ECONôMICA,
com um reajuste pífio, que se somou a um ataque ao plano de carreira
da CEF e a implantação ainda maior de medidas de negociação de
direitos trabalhistas, como as “negociações prévias” entre
sindicatos e banqueiros. 

	POLITICAMENTE, PORéM, ESPECIALMENTE A PARTIR DAS NEGOCIAçõES
PRóPRIAS QUE SE ESTABELECERAM NO BRB, BANPARá E BANRISUL, ALéM DA
CONTINUIDADE DAS GREVES NO BNB E BASA, OBTIVEMOS UMA VITóRIA PARCIAL
HISTóRICA, QUE FOI A IMPLOSãO DA MESA úNICA! 

	Não foi numa vitória completa, pois a traição das direções
sindicais tratou de isolar alguns desses bancos, para serem
derrotados, e de esconder as conquistas de outros. Mas é uma vitória
que, depois de 9 anos de mesa única, com os governos escondidos
atrás da mesa única e os bancários reféns de negociações com a
Fenaban que refletem uma greve semi-fantasma nos bancos privados,
finalmente se começou a romper este esquema trágico. 

	O fim da mesa única, na prática, já garantiu conquistas a
bancários do BRB e do Banpará (embora este último tenha desmentido
o acordo logo em seguida). E permitiu que as negociações tenham se
dado de maneira mais soberana e tendo criado um precedente
importantíssimo no Basa, BNB e Banrisul para o ano que vem. Mesmo na
CEF e BB estes exempos serviram para impulsionar ainda mais a greve, e
em 2012 será mais difícil conter a pauta destes bancos atrás da
Fenaban. 

	ALéM DE ENFRAQUECER A MESA úNICA, UM DOS EIXOS DO ARROCHO AOS
BANCáRIOS NOS úLTIMOS ANOS, A GREVE DE 2011 ACENTUOU A POLITIZAçãO
DA LUTA,o que é fundamental. Diferentemente de “partidarizar” e
“aparelhar” a greve, que é o que fazem as direções da
Contraf/CUT, a politização da greve é extremamente desejável, pois
discute nosso salário e direitos no âmbito de um enfrentamento a um
governo e ao sistema financeiro, que se organizam e se articulam para
nos atacar. EM 2011, A LUTA FOI BEM MENOS “INGêNUA” OU MANIPULADA
PELOS SINDICATOS, E FICOU MAIS NíTIDO O PAPEL DO GOVERNO AO IMPEDIR
AS NEGOCIAçõES, AMEAçAR COM CORTE DE PONTO, FORçAR PARA DAR
SOMENTE A INFLAçãO, TENTAR CRIMINALIZAR A GREVE E LEVá-LA AO
TST,etc. 

	Para a oposição, que precisa demonstrar o quanto é nociva a
relação promíscua entre governos e sindicatos pelegos, é um enorme
avanço que, diferente dos outros anos em que nossas críticas eram
ouvidas por um pequeno setor, neste ano um setor muito expressivo,
senão majoritário, dos bancários, compreendeu ou discutiu
abertamente a necessidade de se enfrentar e derrotar o plano de Dilma
e seus seguidores sindicais na greve dos bancários. 

	Por último, A GREVE DO BASA FOI ALGO TRANSCENDENTE. Foram quase 80
dias, em que a base praticamente “tomou o poder da greve”. Em 3
oportunidades, a base derrotou a burocracia sindical e a Contraf,
quando tentavam encerrar a greve. Dilma, a direção do Basa, a
Justiça através do TST e os pelegos da Contraf e sindicatos cutistas
fizeram um grande bloco para sabotar a greve, mas foram surpreendidos
pela determinação dos grevistas. 

	Tentaram derrotar a greve, pela concessão de reajustes diferenciados
ao piso, para dividir a categoria; pela ameaça do isolamento; pelo
cansaço ao nunca marcar o julgamento do TST. Ao final, nada foi
suficiente e os bancários do Basa deram um show, saindo da greve de
cabeças erguidas, com um reajuste superior ao da Fenaban, CEF e BB,
sem desconto de nenhum dia parado, com anistia de metade dos dias, que
não precisarão ser compensados, e ainda com uma pequena concessão
econômica extra. 

	O exemplo que fica é que o TST não é nenhum “bicho de 7
cabeças” e que esta ameaça não vai colar tão fácil em 2012.  

	Assim, A GREVE DE 2011 FOI: MAIS FORTE, COM REBELIõES DE BASE E
CONTESTAçõES FORTES àS DIREçõES SINDICAIS, MAIS CRíTICA AOS
GOVERNOS, COM A MESA úNICA BASTANTE ABALADA E DESMORALIZADA E COM O
ENFRENTAMENTO VITORIOSO AO TST NO BASA; POR PRATICAMENTE, TODOS ESTES
ELEMENTOS, PODEMOS ESPERAR UMA GREVE E UMA LUTA AINDA MAIS FORTES E
COM MAIS ESPAçO PARA UMA ALTERNATIVA DE OPOSIçãO EM 2012. 

	Não nos esqueçamos que a crise econômica, e a intenção de
arrocho, seja por parte dos banqueiros privados, seja do governo
Dilma, serão ainda maiores. Sendo assim, muita luta e muitas
oportunidades esperam a FNOB no ano que vem.  
	3.3 - O PAPEL DA CONTRAF 

	A Contraf/CUT é cada vez mais a principal aliada e cúmplice dos
banqueiros e do governo contra os bancários. A Contraf/CUT é hoje
uma entidade mais patronal que dos trabalhadores e tanto sua
política, como seus fóruns são irreversivelmente antidemocráticos,
governistas e inimigos dos bancários. Através do imposto sindical,
que movimenta milhões nos cofres da Contraf e de seus inúmeros
sindicatos, além de verbas diretamente vindas dos banqueiros, e da
corrupção sem limites, a Contraf se transformou numa quadrilha
patronal.  

	Seus diretores são remunerados com “jettons” e benesses que,
somadas a afastamentos da base de mais de 20 anos em muitos casos, faz
destes indivíduos qualquer coisa, menos bancários. A Contraf é uma
ante-sala dos ministérios, secretarias, diretorias de bancos
públicos e outros cargos mais baixos, de acordo com o talento e
prestígio dos burocratas traidores. Os cargos da Contraf são
definidos à revelia da base e sua gestão é controlada diretamente a
partir das diretorias dos banqueiros e palácios do governos. Não há
representação classista por parte da Contraf/CUT, e não há outra
opção que não seja a ruptura e boicote a esta entidade por parte
dos lutadores.  

	É a realidade prática, e não algum desejo ou concepção
política, que nos obriga a, para defender um movimento independente e
realmente dos bancários, construir outra direção para o movimento.
A GREVE DESTE ANO MOSTROU DE MODO AINDA MAIS EVIDENTE QUE A CONTRAF é
UMA Só, COM CORRENTES COMO A CTB E A DS SENDO AINDA MAIS CRIMINOSAS,
OPORTUNISTAS E TRAIDORES DO QUE NUNCA. 

	A DS militou dia e noite para destruir a greve do Basa, colaborou e
defendeu em bloco com a Articulação absolutamente tudo que era
relevante na campanha salarial (mesmo índice, mesmo calendário,
mesma condução, mesmo comando). Além disso, esta corrente vê seu
campo de manobras diminuir, pois a radicalização da base impede que
apenas discursos sirvam para acalmar a luta, como em outros anos.
Assim, correntes como a CTB e DS ficam no vazio, sem conseguir se
diferenciar o suficiente da Articulação e sendo atropeladas, como
ocorreu no PA e RS.  

	NO BASA, A COISA FOI TãO LONGE QUE O PRóPRIO TST DESAUTORIZOU A
CONTRAF E A AEBA ASSUMIU O CONTROLE DA GREVE E A DIREçãO DO
MOVIMENTO, NA PERCEPçãO DA BASE.Os camaradas da associação
conseguiram uma autoridade e respeito históricos, e estiveram à
frente de 3/4 do período que a greve durou, e apesar do boicote da
imprensa e das entidades sindicais, se tornaram referência para o
país inteiro. A FNOB tem o orgulho de ter sido a única que apoiou,
com militantes e materialmente, a greve em todos os momentos e no
máximo que foi possível, dadas as limitações que temos. Nos
sentimos parte da vitória do Basa e esta é a verdadeira
“unidade” que queremos: entre os lutadores, com democracia e
contra o governismo. 

	NO BANRISUL NãO SE FOI TãO LONGE, MAS A FNOB, ATRAVéS DO
BANCáRIOS DE BASE, ENTROU NO COMANDO NACIONAL DE GREVE E FOI A úNICA
CORRENTE QUE DEFENDEU A CONTINUIDADE DA GREVE NO COMANDO. Na primeira
votação, com 10 dias de greve e uma proposta até então superior à
da Fenaban, conseguimos derrotar todo o sindicato, fura-greves e
setores oportunistas que abandonaram a defesa da greve. A greve,
depois disso, cresceu ainda mais, conduzida por uma nova vanguarda. Na
segunda “operação desmonte”, aí com o apoio explícito de todas
as correntes de oposição à proposta do
sindicato/governo/Contra-CUT, exceto nós, a greve acabou, mas não
sem antes ter 1/3 dos votos ainda por sua continuidade. 

	ESTá PROVADO QUE Há ESPAçO E é UMA OBRIGAçãO DA OPOSIçãO
DENUNCIAR E COMBATER OS FóRUNS DA CONTRAF E APOSTAR COM TUDO NUMA
ALTERNATIVA NACIONAL, DEMOCRáTICA, CLASSISTA, INDEPENDENTE E
ANTIGOVERNISTA. A FNOB estreou em 2011 com este perfil e sai bastante
vitoriosa do processo. 
	3.4 - O ESPAçO DA OPOSIçãO 

	Os trabalhadores já não aguentam mais os sindicatos pelegos e suas
manobras e falta de democracia. Os colegas, abertamente, criticam os
privilégios e a corrupção dos dirigentes, suas relações e
subordinação aos governos, os conchavos com os banqueiros. Há um
repúdio muito grande, aliado ao ceticismo e à descrença em
relação ao movimento sindical como um todo. 

	Neste cenário, a maioria da oposição bancária tem preferido, nos
últimos anos, pegar um “atalho” para ganhar a direção da
categoria. Ao invés de construir uma plataforma alternativa,
trabalhar cotidianamente para traduzir os anseios da base e ir
angariando respeito à medida que luta e mostra que há opções à
burocracia, as principais correntes bancárias tentam o caminho mais
fácil, por meio de coligações oportunistas com os traidores e
governistas, ou do desmoralizado e lamentável retorno aos fóruns da
Contraf/CUT. 

	Numa sanha por aparatos, vale se juntar à DS, à CTB e até à
Articulação. Os argumentos surrados sempre falam que “a
contradição é deles” (como se um governista achasse
contraditório seguir tão governista como antes com o apoio agora de
quem antes o criticasse); que “é tático” (como se deixar a base
órfã e conchavar com quem trai fosse pouco importante); ou que
“não podemos nos isolar”, sendo que o caminho do isolamento é
justamente não ser nem oposição nem governo, num pântano
oportunista de “assessores de esquerda” dos governistas traidores.


	Infelizmente, estas mesmas correntes que defendem as táticas mais
vergonhosas de “unidade” com o que há de pior no movimento
sindical, são as mesmas que são sectárias e se recusaram a compor a
verdadeira unidade possível entre os bancários: com os lutadores de
base, associações independentes, oposições regionais e grupos
combativos.  

	ESTES SETORES INDEPENDENTES, DE BASE OU DE ARGUMENTOS REGIONAIS DE
OPOSIçãO, MESMO QUE MAIS DESORGANIZADOS, MAIS DIFíCEIS DE UNIFICAR
E SEM UM APARELHO VISTOSO, CHEIO DE RECURSOS E LIBERADOS SINDICAIS, é
MUITAS VEZES MAIOR E MAIS COERENTE COM NOSSO PROJETO QUE A
SUPERESTRUTURA FALIDA LIGADA à DS E CTB, POR EXEMPLO. 

	Lamentavelmente, nos últimos anos, a alternativa de muitos que hoje
compõem a FNOB construíram, o MNOB, perdeu a oportunidade de ocupar
este espaço de uma alternativa nacional combativa e democrática. Em
poucos anos, uma a uma as correntes e independentes que o compunham
foram se retirando, pela absoluta falta de condições de respirar ar
puro, elaborar democraticamente e com confiança uns nos outros.  

	A POLíTICA DEFENDIDA ANTERIORMENTE, DE OPOSIçãO FRONTAL à
CONTRAF, SEUS FóRUNS E O QUE ELA REPRESENTAVA; E DE INDEPENDêNCIA E
CHAPAS ANTIGOVERNISTAS DO MNOB FOI SUBSTITUíDA PELO RETORNO à
CONTRAF PELAS PORTAS DOS FUNDOS, SE ESGUEIRANDO AOS POUCOS E,
HUMILHANTEMENTE, TENDO QUE RETROCEDER EM TUDO O QUE SE FEZ EM 6 OU 7
ANOS, DANDO RAZãO AOS QUE ACUSARAM A PRóPRIA ESSêNCIA DO MNOB DE
“SECTáRIA”, “DIVISIONISTA” E “ULTRAESQUERDISTA”. 

	Nesta greve de 2011, assistimos à completa paralisia do MNOB. Ele
soube atuar em unidade com o calendário, pauta e índice votados pelo
FNOB, o que foi bastante importante e resultou de um esforço da nossa
parte por esta unidade para lutar; mas, por outro lado, não teve
papel algum de destaque na disputa da direção bancária. 

	Sua representatividade, abrangência e influência despencaram no
último período e a última greve expressou isso. Os últimos
resultados eleitorais do RJ, SP e RS também são exemplos
contundentes dessa realidade. 

	Mas esta situação não é negativa apenas ao pouco que restou no
MNOB, praticamente restrito ao PSTU. Toda a oposição perde ao nos
fragmentarmos e à medida que a política da conciliação com os
governistas ganha espaço entre quem deveria combatê-los. 

	A FNOB SURGE, PORTANTO, COMO UMA TáTICA INDESEJADA, PORéM
NECESSáRIA DE TER QUE REFUNDAR, EM CERTO SENTIDO, E REUNIFICAR AS
OPOSIçõES BANCáRIAS COMBATIVAS E ANTIGOVERNISTAS.Criticando o
método predominante no MNOB e Intersindical de disputa “por cima”
através de alianças eleitorais com parte das correntes do governo, a
FNOB deixou as portas abertas aos que se dispusessem a fazer este
debate internamente, mesmo que com outras posições. O MNOB, neste
sentido, sempre foi benvindo, assim como todos os setores
independentes e antigovernistas, quer ex-menbros do MNOB, ou não.  

	O MNOB cometeu um grave erro, depois de tantos nos últimos anos, que
foi votar seu afastamento e recusa de construir junto a FNOB,
priorizando as alianças com setores da Contraf. A greve de 2011
mostrou, pela milésima vez, que não se pode confiar em nenhum setor
do governismo, pois todas suas correntes sobrevivem das migalhas do
dinheiro e estrutura estatais. Assim, fazemos um chamado a que os
companheiros revejam sua posição, e desfaçam a política de retorno
aos fóruns da CUT em bancários, justamente no momento em que se abre
um grande espaço à oposição consequente. A FNOB será mais forte
com as contribuições destes companheiros, mas, para isso, são os
companheiros quem devem mudar e atitude, já que a FNOB sempre deixou
claro o interesse em contar com os companheiros ajudando de dentro, ao
invés de desconstruindo por fora.  

	INDEPENDENTEMENTE DE ADESõES DE CORRENTES, CONTUDO, A FNOB DEVE
SEGUIR PRIORIZANDO GANHAR A BASE E OS ATIVISTAS QUE ESTãO à FRENTE
DAS LUTAS.O resultado desta compreensão, até o momento, é que, em
poucos meses e praticamente sem recursos, a FNOB dá um exemplo de
democracia realizando seu 3 encontro nacional, mais uma vez aberto e
plural.  

	Grupos como o Espaço Socialista, Bancários de Base-SP, GAS e MR,
afastados ou alijados internamente no MNOB, voltaram a se unificar; em
comum com setores importantíssimos como a UCS, que, aliás, foi a
primeira a defender um encontro e uma unidade como veio a ser a FNOB.
Mais tarde, oficialmente a Anberr (Associação Nacional dos
Beneficiários do Reg-Replan, plano de previdência da CEF), entidade
seríissima e cada vez mais representativa, também se somou a este
projeto, assim como muitos independentes e grupos que foram se
consolidando e crescendo, como o Bancários de Base – RS,
companheiros do PI, etc. 

	Foi dessa forma, com todos estes grupos e militantes e com os
sindicatos do RN e MA, que conseguimos dar visibilidade a uma
alternativa nacional bancária, democrática e pela base, de
oposição para valer contra o governismo e a Contraf. Disputamos
inúmeras assembleias, apresentando um outro caminho e, além de
nossas vitórias, plantamos uma semente fundamental para 2012. Mas
ainda temos muito o que melhorar. 

	NESTE MOMENTO, TEMOS O GRANDE DESAFIO DE INCORPORAR OS COLEGAS DA
OPOSIçãO DO PA E DA AEBA, QUE PROTAGONIZARAM A MAIOR LUTA DE 2011.
Estes ativistas atuaram ombro a ombro com a FNOB à medida que
defenderam um conteúdo e um método de luta que coincide
absolutamente com o que a FNOB se propõe a generalizar em todo o
país. Os colegas são mais que benvindos à FNOB: são necessários e
podem representar um salto gigantesco na consolidação de uma
alternativa muito forte no Norte e Nordeste do Brasil, ajudando a
tornar ainda mais viável e conhecida esta opção, e fortalecendo o
caminho para desmontar a mesa única em 2012. 

	A AFBNB TAMBéM DEVE SER DISPUTADA PARA A FRENTE, TAMBéM TENDO SIDO
PARTE DE GRANDE CONFRONTOS COM O GOVERNO.No BNB, a greve também
sofreu o boicote da Contraf, e é necessário romper com os fóruns
que até agora foram construídos pelos governistas e apostar na
organização independente do BNB, junto da oposição nacional e da
FNOB. Estes lutadores também são valiosíssimos para construirmos um
instrumento nacional de oposição ainda mais forte. 

	DEVEMOS FORTALECER A UNIDADE COM QUEM MAIS VIER A SE ENGAJAR NA FNOB,
COM SEUS MESMOS PRINCíPIOS E PERFIL, QUE AO MESMO TEMPO QUE NOS
UNIFICA E Dá UMA MESMA IDENTIDADE GERAL, VALORIZA E RECONHECE TODAS
AS DIFERENçAS, CONTRIBUIçõES E POLêMICAS TáTICAS INTERNAS, QUE
Só NOS ENRIQUECEM. E, AO MESMO TEMPO, TEMOS QUE NOS ORGANIZAR MUITO
MELHOR. 

	Ainda que, em pouco tempo, tenhamos conseguido fazer inúmeros
materiais políticos, adesivos, faixas, encontros e reuniões virtuais
nacionais, onde exaustivamente sempre se consultou todos os estados e
discutimos com um grau de democracia raramente visto mesmo na
esquerda, ainda há muito para avançar, se quisermos derrotar a
burocracia cutista e da Contec. 

	Precisamos estabelecer um funcionamento executivo, sem poder de
deliberação e sem estar acima da coordenação nacional, mas que
sirva para executar as tarefas do dia-a-dia da FNOB com mais
agilidade, como o site, a distribuição de materiais, a preparação
e socialização de informes das diferentes bases, etc.  

	E, COMO CENTRO DA CONDUçãO DA FNOB, PROPOMOS UMA COORDENAçãO
NACIONAL, COM REUNIõES VIRTUAIS REGULARES, QUE SERIA RESPONSáVEL POR
ARTICULAR OS TRABALHOS QUE CADA SINDICATO, ENTIDADE, GRUPO OU
OPOSIçãO REGIONAL Já DESENVOLVE NUMA POLíTICA DE OPOSIçãO
NACIONAL. TAL COORDENAçãO ELABORARIA E GARANTIRIA A REGULARIDADE DO
“SAI DA FRENTE”, JORNAL DA FNOB, E DISCUTIRIA CADA UMA DE NOSSAS
INICIATIVAS, INCLUINDO O APOIO àS OPOSIçõES, A EXPANSãO DA FNOB,
AS FORçAS-TAREFAS PARA AS ELEIçõES SINDICAIS QUE VENHAMOS A
PARTICIPAR, ETC. 

	A Coordenação seria composta por todos os grupos, oposições e
entidades componentes da FNOB, de forma proporcional e democrática, e
dirigiria a executiva que teria a tarefa de colocar em prática as
deliberações da coordenação. 

	Não estamos propondo nenhum engessamento ou aparelhamento da Frente,
com contribuições percentuais mensais dos sindicatos; profissionais
liberados; aparatos com estrutura física, nem nada. Entendemos que a
consolidação e organização da FNOB dependem de irmos ainda mais à
base e não de nos enfurnarmos em medidas administrativas e de
aparelho. A estrutura da FNOB evidentemente deve aumentar, mas isso
deve ocorrer à medida que avance nossa influência real, a partir da
base e sem artificialismos. 

	Esse modelo, por sua vez, certamente nos exigirá um grau de
compromisso e seriedade muito grandes em relação à FNOB, pois todos
serão decisivos para que ela funcione. Não pagaremos ninguém para
fazer, então todos devem colaborar com matérias ao site, com
recursos financeiros aos encontros e disputas sindicais e cotidianas
que tenhamos, etc.  
	3.5 - O TRABALHO DE BASE 

	TEMOS QUE NOS JOGAR COM TUDO NA DISPUTA DA CONSCIêNCIA DA BASE, QUE
Há MUITOS ANOS VEM SE DESILUDINDO COM O MOVIMENTO SINDICAL. Há
inúmeros colegas mais antigos que não suportam mais comparecer às
assembleias, devido às manipulações por parte da burocracia. Alguns
não fazem mais greve, mas a maioria ainda faz, só que “de
pijama”. Nas bases em que dirigimos o sindicato, a bronca não é
com o sindicato, mas o efeito de apatia e descrença é semelhante,
por conta de não se acreditar que no restante do país a greve vá
ser a valer.  

	Combinado com o desgaste de muitos funcionários mais velhos, os mais
novos também enfrentam muitos dilemas. Para começar, muitos
bancários já entram no banco pensando em sair. Por causa da baixa
remuneração e péssimos planos de carreira, tanto concursados de
bancos públicos como bancários privados, investem em cursos
superiores e cursinhos para concurso para deixar de ser bancários.
Esse quadro se soma à ideologia de “crescimento na empresa” para
os que ficam, e que tem um apelo bem maior entre os novos
funcionários, mais dispostos a se engajar no cumprimento das metas,
custe o que custar. 

	Por isso, há uma grande dificuldade em estabelecer contato com toda
a base, incluindo as milhares de agências, postos, áreas internas;
de bancos privados e públicos; com pessoal de diferentes
composições econômicas, sociais e etárias. NãO DEVE ADMIRAR QUE
TANTAS CORRENTES DEIXEM ESTE TRABALHO DE LADO E SE DEDIQUEM àS
NEGOCIAçõES “POR CIMA”, COM BUROCRATAS DE OUTRAS CORRENTES. MAS
NóS NãO TEMOS OUTRA OPçãO: TEMOS QUE JOGAR TODAS NOSSAS FICHAS NO
TRABALHO DE BASE, QUE SIGNIFICA DISPUTAR OS ANTIGOS ATIVISTAS E
TAMBéM DIALOGAR COM A RENOVAçãO DO MOVIMENTO SINDICAL E AS NOVAS
VANGUARDAS QUE SURGEM. 

	NOSSOS MILITANTES DEVEM SER OU CONSTRUIR DELEGADOS SINDICAIS,
CIPEIROS E REPRENTANTES, FORMAIS OU INFORMAIS, EM TODAS AS UNIDADES
QUE PUDERMOS. Contra o “poder institucional” dos sindicatos
burocáticos, temos que opor um “poder da base”, que, pouco a
pouco, vá abrindo brechas e impondo outra dinâmica ao movimento, a
partir de cada local de trabalho. 

	É por meio deste contato direto com a base que poderemos lutar
contra o assédio moral e por reivindicações presentes em cada
unidade, até darmos consistência a bandeiras nacionais como a
reposição das perdas, isonomia, estabilidade no emprego para todos,
desfiliação dos sindicatos da Contraf/CUT, etc. 

	A FNOB DEVE SER PORTA-VOZ DESSAS INICIATIVAS E DAR ESPAçO A ESTE
TIPO DE ORGANIZAçãO DE BASE, COMO FORMA DE ROMPERMOS A MARGINALIDADE
DA OPOSIçãO BANCáRIA E CONSEGUIRMOS GANHAR A MAIORIA DA CATEGORIA. 
	4 - A NECESSIDADE DE CONSOLIDAR E EXPANDIR A FRENTE NACIONAL DE
OPOSIçãO BANCáRIA 

	Uma das lições que devemos tirar da greve de 2011 e destes
primeiros meses da existência da FNOB é que estamos no caminho
certo, mas é preciso bem mais organização entre nós. 

	Com a construção de uma coordenação política, uma comissão
executiva para as tarefas práticas administrativas e a cooperação
de todos os setores integrantes, podemos dar um salto no sentido de
polarizarmos o movimento bancário em 2012 contra a Contraf/CUT.  

	A FNOB ainda não expressa o conjunto dos que podem e devem coordenar
as lutas dos bancários. Tampouco temos a paixão por uma sigla ou
entendemos que inevitavelmente vai ser a FNOB quem vai cumprir este
papel. Porém, temos absoluta convicção que hoje em dia é a FNOB
quem representa, ainda que embrionariamente, este caminho.  

	Os erros e acertos que cada experiência tomada pela oposição nos
últimos anos, seja de forma unificada ou dispersa, mostrou que o
momento não é de recuo e sim de avançar. A desfiliação do
sindicato do MA da CUT, a força das greves dos últimos anos e o
cenário político de luta antiburocrática, existente dentro e fora
dos bancários, são partes de uma coisa só: um deslocamento, lento
mas profundo, da base em direção a algo novo.  

	Há um vazio a ser ocupado e a base precisa de uma organização
plural e democrática, ao mesmo tempo que firme e com princípios
claros. Juntos, podemos avançar neste sentido. 
-------------- Próxima Parte ----------
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