[Bancariosdebase] contribuição MR

Mÿffffe1rcio Cardoso da Silva marciocarsi em yahoo.com.br
Quinta Dezembro 15 22:55:44 UTC 2011


Prezados  Companheiros, manos e minas.

A minha contribuição ao texto dos companheiros é a supressão do seguinte trecho por entender que as presepadas do PSTU não são erros, mas uma política deliberada para sabotar qualquer alternativa que não esteja sob o comando deles e a serviço da construção do "partido revolucionário". Portanto sou pela SUPRESSÃO da parte do texto que faz chamado à estes camaradas, o que não significa fechar as portas para eles. Mas a intenção de sabotar a Frente Nacional torna qualquer chamado a estes camaradas com temeroso.

Para ser mais prático, apresento aqui, e no corpo do e-mail, o trecho a ser suprimido, que o seguinte: Assim, fazemos um chamado a que os companheiros revejam sua posição, e desfaçam a política de retorno aos fóruns da CUT em bancários, justamente no momento em que se abre um grande espaço à oposição consequente. A FNOB será mais forte com as contribuições destes companheiros, mas, para isso, são os companheiros quem devem mudar e atitude, já que a FNOB sempre deixou claro o interesse em contar com os companheiros ajudando de dentro, ao invés de desconstruindo por fora..

Retirando esta parte, está tudo certo para mim fazer um documento conjunto com os companheiros.

Atenciosamente.

Márcio




________________________________
 De: Daniel <tzitzimitl em terra.com.br>
Para: bdbase lista <bancariosdebase em lists.aktivix.org> 
Enviadas: Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011 19:16
Assunto: [Bancariosdebase] contribuição MR
 

 Olá comp em s do BdBas 

Segue no corpo do e-mail o texto do MR para o Encontro, assinado pelo Bancários de Base do RS e parte da diretoria do RN. Eles propõem unificar as duas contribuições num mesmo documento.

O texto deles traz mais elementos da greve nacional, mas não traz resoluções detalhadas como o nosso.

O texto terá que ser fechado esta noite para que haja tempo hábil para imprimir cópias para todos os participantes.

Seguiremos em contato telefônico com Matheus e Marta ao longo da noite para fechar o documento.

Daniel

_________________________________________ 
“So, understand! You waste your time always searching for those wasted years! Face up! Make your stand! And realize your living in the golden years!” 

“Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles anos perdidos! Encare! Tome uma posição! E perceba que você está vivendo nos anos dourados!” 

Iron Maiden, “Wasted Years” 
_________________________________________ 



DEFENDER OS BANCÁRIOS É CONSTRUIR UM SINDICALISMO DE BASE, DEMOCRÁTICO, COMBATIVO, INDEPENDENTE E ANTIGOVERNISTA.

1 - Bancários: uma categoria cada vez mais pauperizada!
No virada do ano, daqui a poucos dias, os bancários ganharão mais duas péssimas notícias de “ano-novo”. Dois dados importantes e negativos farão parte da realidade já massacrante dos bancários brasileiros. 
Um deles é que, com o já previsto reajuste do salário mínimo para R$ 625 a partir de 1ode janeiro, o piso dos bancários estará em seu menor patamar, relativamente ao salário mínimo, em mais de 20 anos. Bancários estarão ganhando apenas 2,24 salários mínimos! Fazendo graça a partir da desgraça, muitos colegas lembram que estamos quase na “linha de corte” do abono do PIS. 
Longe desta defasagem se justificar pelo aumento do salário mínimo, como alguns imaginam, tal rebaixamento é explicado, mesmo, pelo arrocho de nossos salários. Isso fica provado na comparação com o salário mínimo necessário, calculado pelo Dieese, por exemplo, o que mostra que nosso salário também vem sendo achatado no que se refere ao poder de compra, ano após ano.
O outro dado lamentável é que, ainda no início de janeiro, estaremos com mais perdas salariais do que tínhamos quando entramos na campanha salarial de 2011. Em nossa data-base, ao final de agosto, a inflação acumulada era de 7,23%, e tivemos um reajuste de 9%. Porém, de lá para cá, em apenas 3 meses, já foram outros 1,48% de inflação. Isso quer dizer que já não há mais “ganho” nenhum, sem nem contarmos a inflação de dezembro. Como a previsão é de cerca de 0,5% no IPCA deste mês, já vamos entrar 2012 no prejuízo!
Contabilizamos perdas salariais, desde o Plano Real em 1994, que chegam a mais de 100%, dependendo do banco. Pior do que isso, porém, é que, à medida que o tempo passa, a maioria dos colegas que viveram na própria pele este rebaixamento de salário vão se aposentando, e aumenta o discurso de “deixar para lá” as perdas e considerar todo aumento da inflação como “ganho real”.
Hoje, a maioria dos funcionários da CEF, por exemplo, já são pós-98 e não tem os direitos que a isonomia reivindica. A balança inverteu e na categoria como um todo a situação é semelhante. Nos bancos privados, com alta rotatividade, é pior ainda, e a grande maioria dos colegas entrou nos bancos muito depois de 1994. 
O resultado é que há um descolamento da consciência dos trabalhadores de seu passado muito recente; e a patronal, os governos e a Contraf “esquecem” as perdas, que cada vez menos gente lembra, prejudicando cada vez mais a luta pela sua recuperação.
O mesmo acontece com os direitos históricos dos trabalhadores, como os abonos anuais, licenças-prêmio, aquênios, adesão à planos de saúde e/ou previdência mais vantajosos, etc. A bandeira da isonomia, que é fundamental, em poucos anos já não vai fazer mais nenhum sentido, se não conseguirmos avanços o quanto antes.
Para completar o quadro, os bancários seguem recordistas em lesões por esforço repetitivo e doenças relacionadas ao trabalho (LER/DORT). Os afastamentos e as doenças “físicas” se somam à depressão crescente, aos danos psicológicos, aos suicídios e ao sofrimento em geral, que se torna ainda mais constante na vida de tantos colegas. 
O assédio, as metas, a terceirização, a privatização, a competição selvagem por uma função que “salve” o bancários da pobreza do salário básico, etc., são elementos de estresse, humilhação, infelicidade e mal-estar crescentes entre os trabalhadores; e esta realidade é completamente ignorada pelas entidades sindicais.
O bancário, abandonado, empobrecido e cada vez mais cansado, ainda assim produz lucros fantásticos, que, somente em 2011 já chega a quase R$ 40 bilhões entre os principais bancos.
Há muito tempo ser bancário já deixou de ser algo valorizado. Muitos jovens que ingressam em bancos, sejam privados ou públicos, logo tentam outro emprego. No entanto, esta saída individual não é possível a todos, e nem sequer a uma minoria relevante. O emprego fora do sistema financeiro também vê o poder aquisitivo estagnado ou rebaixado, e apenas poucos conseguem “fugir” dos bancos rumo a algo melhor. A maioria, além da vida deteriorada no banco, acumula uma “dupla jornada” em cursinhos, estudando em casa, investindo dinheiro e tempo, para “fugir” dos bancos.
2 - A crise econômica, o governo Dilma e os ataques que devem vir.
A economia brasileira, apesar dos discursos otimistas oficiais, já está com a recessão batendo à porta. No 3otrimestre deste ano, a economia já teve crescimento zero!A média de crescimento dos 9 anos petistas vai fechar 2011 com pouco mais de 3% ao ano, o que não difere muito da média dos 8 anos de FHC.
Estão sendo, como se rotulou a década de 80, “anos perdidos”, em que alguns até estão ganhando muito, e houve um pouco de benefícios à população miserável; mas, por outro lado, setores médios estão sendo completamente empobrecidos, e tanto estes trabalhadores como os pobres em geral têm acumulado dívidas até o pescoço.
O pouco que a economia cresce, e o pouco que “melhorou a vida” de alguns setores de trabalhadores é, na verdade, uma bomba-relógio, artificialmente armada sobre a multiplicação do crédito e das dívidas. São consignações que pularam de 36 ou 60 meses para 72, 96 e agora 120 meses. Carros financiados em 10 anos, casas em 30 e volumes no cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais absurdos, comprometendo todo o salário das pessoas.
Pelo 10omês consecutivo, a inadimplência tem subido, e já bateu níveis recordes. Já não há mais quase margem para o aumento do crédito, e, ao mesmo tempo, a inflação voltou com tudo. As metas oficiais, de 4,5% anuais, com tolerância até 6,5% devem ser extrapoladas além do teto! E a inflação dos assalariados é muito maior, já que o IPCA manipula os dados considerando a renda de famílias que ganham até 40 salários mínimos (R$ 21.800, atualmente).
Não somos unilaterais e catastrofistas ao dizer que é inevitável uma crise “a la Europa” no Brasil, mas tampouco podemos descartar este cenário. Na Europa, benefícios sociais de 60 anos, instituídos no pós-guerra no chamado “Estado de bem-estar social” estão vindo abaixo. Países como Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha (os Piigs) vivem recessões violentas, em que a conta já foi jogada para os trabalhadores. Na Grécia, direitos como o 14osalário (que existe lá e é pago em abril) foram cortados, junto com o 13o. Salários não apenas foram congelados, como foram reduzidos! A idade para se aposentar aumentou em todos os lugares, e a França e Portugal aumentaram a jornada de trabalho. As mulheres são os alvos principais das reformas, sendo as primeiras a serem demitidas e tendo os maiores aumentos de idade para aposentar-se.
Não deve ser surpresa que os bancários estão entre os trabalhadores que mais têm sofrido todos estes ataques, e é evidente que o Brasil não está livre de ser atingido por esta situação, o que inclui os bancários.Na década de 90 já vivemos esta realidade, acumulando as perdas atuais. Um novo período de arrocho deste tipo levaria à destruição de nossas condições de vida, e não podemos descartar que isso ocorra.
O governo Dilma, sabendo disso e comprometido com os empresários e banqueiros, jogou duro com os bancários em 2011, levando a greve do Basa ao TST e aos 77 de paralisação; e cortando o ponto no BB e nas bases da CEF que permaneceram mais um dia em greve. Esta é a postura que deve pautar 2012, e o movimento sindical e bancário tem a responsabilidade de reagir a isto.
Não podemos aceitar nem a criminalização nem a judicialização das greves, e não podemos ser nem omissos nem corporativos e fazer de conta que não há uma luta política contra o governo, em que nossa isonomia, nosso salário, nossa condição de trabalho e, inclusive, nossos empregos dependem de derrotarmos o projeto dos banqueiros e do governo Dilma.
As negociações fáceis não existem mais, e daqui por diante cada 1% a mais vai exigir uma guerra. O Basa e os Correios mostraram o que nos espera a todos e precisamos ser firmes no enfrentamento para o qual devemos nos preparar.
3 - Já preparar a greve de 2012!

3.1 - O método da greve tem sido o mais importante, tanto para resistir como para conquistar. 
Desde o ano e 2003, os bancários brasileiros deflagram greve entre os meses de setembro e outubro. Foram 9 greves em 9 anos. Se não conseguimos grandes conquistas em todos estes anos, ao menos deixamos de acumular as enormes perdas salariais havidas na década de 90. Nos anos 90, as privatizações, mudanças de planos de previdência, ataques aos planos de carreiras e retirada de direitos puderam existir porque não existiram greves nem uma resistência mais forte, fruto da derrota dos ativistas ao final dos anos 80, e do medo e apatia que contaminaram os bancários. 
Nos últimos anos, as greves estão muito mais fortes e mais disseminadas. Categorias sem estabilidade nenhuma e cujas greves são até mesmo ilegais, como policiais militares e bombeiros, fizeram greves heróicas em 2011. Entre os bancários, apesar das traições da direção da Contraf/CUT, que já fez ou tentou tudo, como acordos válidos por 2 anos, fraudes em votações, golpes em assembléias, etc., as greves estão cada vez mais fortes.

3.2 - Balanço da greve de 2011
Muito se falou que a greve de 2011 foi a “maior em 20 anos”. Deixando de lado as bravatas dos cutistas, que inflam as greves quando lhes convém e transformaram a luta num negócio, “alugando” piqueteiros, e se preocupando mais com o número de agências fechadas do que com a participação efetiva dos trabalhadores, ainda assim, temos de observar que, de fato, a greve bancária de 2011 foi muito forte.
Tivemos outra greve enorme na CEF, um aumento considerável na greve do BB e um ascenso histórico nos bancos públicos “menores”, incluindo aí os federais Basa e BNB, e também os regionais BRB, Banrisul e Banpará. Mesmo com os bancos privados mantendo uma greve essencialmente de fachada, onde as portas das agências são fechadas por acordo com os gerentes mas os bancários seguem trabalhando normalmente, no somatório geral, a greve foi realmente maior em 2011.
Quem foi responsável por esta realidade, no entanto, foi a base. Não foi a Contraf/CUt quem foi responsável por fortalecer a greve. Pelo contrário: a base está cada vez mais cansada das traições dos governistas. Milhares de bancários se dessindicalizam, deixam de participar das assembleias e, muitos, inclusive das greves. Aí surge e se desenvolve a chamada “greve de pijama”,este ano ainda mais alastrada.
Porém, apesar da descrença dos bancários na participação sindical, por um justo e compreensível sentimento de que os fóruns convocados pelos sindicatos cutistas não têm nada de democráticos e só servem como um teatro velho e já conhecido, a base tem conseguido dar cada vez mais trabalho aos banqueiros e governo.
São menos pessoas votando nas eleições sindicais e muita gente se recusando a reunir nas assembleias convocadas pela burocracia. Isso é agravado pelos golpes e crescente grau de manobras, golpes e fraudes por parte dos governistas, que precisam aprofundar seus ataques à democracia para manter seu poder, cada vez mais ameaçado pela base.
Apesar disso, fenômenos como a rebelião de base dos funcionários do Banrisul e do Basa, que atropelaram as direções dos sindicatos do RS e PA (ambos dirigidos da DS) e a orientação do comando nacional e Contraf quanto à condução destas greves mostram que há espaço para desmontar a direção da Contraf. Nestes mesmos estados, a greve da CEF seguiu um dia a mais, derrotando a burocracia da DS, que tentava encerrá-la, mas teve de se relocalizar para trair logo em seguida. 
Como um todo, a greve mostrou amplo apoio às propostas da oposição, formuladas nos encontros anteriores da FNOB, através de nossa pauta geral e das específicas, assim como ao nosso índice de reajuste proposto e ao calendário antecipado de luta que propusemos.Nas nossas bases conseguimos ganhar a categoria para esta campanha alternativa, e, onde houve debate sobre isto, como no RS, estivemos muito perto de aprovar nosso calendário.
Em SP, aprovamos resoluções em assembleia, que acabaram não sendo implementadas pela burocracia, mas já mostraram que há algo novo no cenário político. Em muitos outros estados, ficou claro que podíamos ganhar a base para uma campanha por fora do esquema repudiado da Contraf, e isso só não avançou por falta de estrutura, pernas e recursos.
No final da greve, a categoria amargou mais uma derrota econômica, com um reajuste pífio, que se somou a um ataque ao plano de carreira da CEF e a implantação ainda maior de medidas de negociação de direitos trabalhistas, como as “negociações prévias” entre sindicatos e banqueiros.
Politicamente, porém, especialmente a partir das negociações próprias que se estabeleceram no BRB, Banpará e Banrisul, além da continuidade das greves no BNB e Basa, obtivemos uma vitória parcial histórica, que foi a implosão da mesa única!
Não foi numa vitória completa, pois a traição das direções sindicais tratou de isolar alguns desses bancos, para serem derrotados, e de esconder as conquistas de outros. Mas é uma vitória que, depois de 9 anos de mesa única, com os governos escondidos atrás da mesa única e os bancários reféns de negociações com a Fenaban que refletem uma greve semi-fantasma nos bancos privados, finalmente se começou a romper este esquema trágico.
O fim da mesa única, na prática, já garantiu conquistas a bancários do BRB e do Banpará (embora este último tenha desmentido o acordo logo em seguida). E permitiu que as negociações tenham se dado de maneira mais soberana e tendo criado um precedente importantíssimo no Basa, BNB e Banrisul para o ano que vem. Mesmo na CEF e BB estes exempos serviram para impulsionar ainda mais a greve, e em 2012 será mais difícil conter a pauta destes bancos atrás da Fenaban.
Além de enfraquecer a mesa única, um dos eixos do arrocho aos bancários nos últimos anos, a greve de 2011 acentuou a politização da luta,o que é fundamental. Diferentemente de “partidarizar” e “aparelhar” a greve, que é o que fazem as direções da Contraf/CUT, a politização da greve é extremamente desejável, pois discute nosso salário e direitos no âmbito de um enfrentamento a um governo e ao sistema financeiro, que se organizam e se articulam para nos atacar. Em 2011, a luta foi bem menos “ingênua” ou manipulada pelos sindicatos, e ficou mais nítido o papel do governo ao impedir as negociações, ameaçar com corte de ponto, forçar para dar somente a inflação, tentar criminalizar a greve e levá-la ao TST,etc.
Para a oposição, que precisa demonstrar o quanto é nociva a relação promíscua entre governos e sindicatos pelegos, é um enorme avanço que, diferente dos outros anos em que nossas críticas eram ouvidas por um pequeno setor, neste ano um setor muito expressivo, senão majoritário, dos bancários, compreendeu ou discutiu abertamente a necessidade de se enfrentar e derrotar o plano de Dilma e seus seguidores sindicais na greve dos bancários.
Por último, a greve do Basa foi algo transcendente. Foram quase 80 dias, em que a base praticamente “tomou o poder da greve”. Em 3 oportunidades, a base derrotou a burocracia sindical e a Contraf, quando tentavam encerrar a greve. Dilma, a direção do Basa, a Justiça através do TST e os pelegos da Contraf e sindicatos cutistas fizeram um grande bloco para sabotar a greve, mas foram surpreendidos pela determinação dos grevistas.
Tentaram derrotar a greve, pela concessão de reajustes diferenciados ao piso, para dividir a categoria; pela ameaça do isolamento; pelo cansaço ao nunca marcar o julgamento do TST. Ao final, nada foi suficiente e os bancários do Basa deram um show, saindo da greve de cabeças erguidas, com um reajuste superior ao da Fenaban, CEF e BB, sem desconto de nenhum dia parado, com anistia de metade dos dias, que não precisarão ser compensados, e ainda com uma pequena concessão econômica extra.
O exemplo que fica é que o TST não é nenhum “bicho de 7 cabeças” e que esta ameaça não vai colar tão fácil em 2012. 
Assim, a greve de 2011 foi: mais forte, com rebeliões de base e contestações fortes às direções sindicais, mais crítica aos governos, com a mesa única bastante abalada e desmoralizada e com o enfrentamento vitorioso ao TST no Basa; Por praticamente, todos estes elementos, podemos esperar uma greve e uma luta ainda mais fortes e com mais espaço para uma alternativa de oposição em 2012.
Não nos esqueçamos que a crise econômica, e a intenção de arrocho, seja por parte dos banqueiros privados, seja do governo Dilma, serão ainda maiores. Sendo assim, muita luta e muitas oportunidades esperam a FNOB no ano que vem. 

3.3 - O papel da Contraf
A Contraf/CUT é cada vez mais a principal aliada e cúmplice dos banqueiros e do governo contra os bancários. A Contraf/CUT é hoje uma entidade mais patronal que dos trabalhadores e tanto sua política, como seus fóruns são irreversivelmente antidemocráticos, governistas e inimigos dos bancários. Através do imposto sindical, que movimenta milhões nos cofres da Contraf e de seus inúmeros sindicatos, além de verbas diretamente vindas dos banqueiros, e da corrupção sem limites, a Contraf se transformou numa quadrilha patronal. 
Seus diretores são remunerados com “jettons” e benesses que, somadas a afastamentos da base de mais de 20 anos em muitos casos, faz destes indivíduos qualquer coisa, menos bancários. A Contraf é uma ante-sala dos ministérios, secretarias, diretorias de bancos públicos e outros cargos mais baixos, de acordo com o talento e prestígio dos burocratas traidores. Os cargos da Contraf são definidos à revelia da base e sua gestão é controlada diretamente a partir das diretorias dos banqueiros e palácios do governos. Não há representação classista por parte da Contraf/CUT, e não há outra opção que não seja a ruptura e boicote a esta entidade por parte dos lutadores. 
É a realidade prática, e não algum desejo ou concepção política, que nos obriga a, para defender um movimento independente e realmente dos bancários, construir outra direção para o movimento. A greve deste ano mostrou de modo ainda mais evidente que a Contraf é uma só, com correntes como a CTB e a DS sendo ainda mais criminosas, oportunistas e traidores do que nunca.
A DS militou dia e noite para destruir a greve do Basa, colaborou e defendeu em bloco com a Articulação absolutamente tudo que era relevante na campanha salarial (mesmo índice, mesmo calendário, mesma condução, mesmo comando). Além disso, esta corrente vê seu campo de manobras diminuir, pois a radicalização da base impede que apenas discursos sirvam para acalmar a luta, como em outros anos. Assim, correntes como a CTB e DS ficam no vazio, sem conseguir se diferenciar o suficiente da Articulação e sendo atropeladas, como ocorreu no PA e RS. 
No Basa, a coisa foi tão longe que o próprio TST desautorizou a Contraf e a AEBA assumiu o controle da greve e a direção do movimento, na percepção da base.Os camaradas da associação conseguiram uma autoridade e respeito históricos, e estiveram à frente de 3/4 do período que a greve durou, e apesar do boicote da imprensa e das entidades sindicais, se tornaram referência para o país inteiro. A FNOB tem o orgulho de ter sido a única que apoiou, com militantes e materialmente, a greve em todos os momentos e no máximo que foi possível, dadas as limitações que temos. Nos sentimos parte da vitória do Basa e esta é a verdadeira “unidade” que queremos: entre os lutadores, com democracia e contra o governismo.
No banrisul não se foi tão longe, mas a FNOB, através do Bancários de Base, entrou no comando nacional de greve e foi a única corrente que defendeu a continuidade da greve no comando. Na primeira votação, com 10 dias de greve e uma proposta até então superior à da Fenaban, conseguimos derrotar todo o sindicato, fura-greves e setores oportunistas que abandonaram a defesa da greve. A greve, depois disso, cresceu ainda mais, conduzida por uma nova vanguarda. Na segunda “operação desmonte”, aí com o apoio explícito de todas as correntes de oposição à proposta do sindicato/governo/Contra-CUT, exceto nós, a greve acabou, mas não sem antes ter 1/3 dos votos ainda por sua continuidade.
Está provado que há espaço e é uma obrigação da oposição denunciar e combater os fóruns da Contraf e apostar com tudo numa alternativa nacional, democrática, classista, independente e antigovernista. A FNOB estreou em 2011 com este perfil e sai bastante vitoriosa do processo.
3.4 - O espaço da oposição
Os trabalhadores já não aguentam mais os sindicatos pelegos e suas manobras e falta de democracia. Os colegas, abertamente, criticam os privilégios e a corrupção dos dirigentes, suas relações e subordinação aos governos, os conchavos com os banqueiros. Há um repúdio muito grande, aliado ao ceticismo e à descrença em relação ao movimento sindical como um todo.
Neste cenário, a maioria da oposição bancária tem preferido, nos últimos anos, pegar um “atalho” para ganhar a direção da categoria. Ao invés de construir uma plataforma alternativa, trabalhar cotidianamente para traduzir os anseios da base e ir angariando respeito à medida que luta e mostra que há opções à burocracia, as principais correntes bancárias tentam o caminho mais fácil, por meio de coligações oportunistas com os traidores e governistas, ou do desmoralizado e lamentável retorno aos fóruns da Contraf/CUT.
Numa sanha por aparatos, vale se juntar à DS, à CTB e até à Articulação. Os argumentos surrados sempre falam que “a contradição é deles” (como se um governista achasse contraditório seguir tão governista como antes com o apoio agora de quem antes o criticasse); que “é tático” (como se deixar a base órfã e conchavar com quem trai fosse pouco importante); ou que “não podemos nos isolar”, sendo que o caminho do isolamento é justamente não ser nem oposição nem governo, num pântano oportunista de “assessores de esquerda” dos governistas traidores.
Infelizmente, estas mesmas correntes que defendem as táticas mais vergonhosas de “unidade” com o que há de pior no movimento sindical, são as mesmas que são sectárias e se recusaram a compor a verdadeira unidade possível entre os bancários: com os lutadores de base, associações independentes, oposições regionais e grupos combativos. 
Estes setores independentes, de base ou de argumentos regionais de oposição, mesmo que mais desorganizados, mais difíceis de unificar e sem um aparelho vistoso, cheio de recursos e liberados sindicais, é muitas vezes maior e mais coerente com nosso projeto que a superestrutura falida ligada à DS e CTB, por exemplo.
Lamentavelmente, nos últimos anos, a alternativa de muitos que hoje compõem a FNOB construíram, o MNOB, perdeu a oportunidade de ocupar este espaço de uma alternativa nacional combativa e democrática. Em poucos anos, uma a uma as correntes e independentes que o compunham foram se retirando, pela absoluta falta de condições de respirar ar puro, elaborar democraticamente e com confiança uns nos outros. 
A política defendida anteriormente, de oposição frontal à Contraf, seus fóruns e o que ela representava; e de independência e chapas antigovernistas do MNOB foi substituída pelo retorno à Contraf pelas portas dos fundos, se esgueirando aos poucos e, humilhantemente, tendo que retroceder em tudo o que se fez em 6 ou 7 anos, dando razão aos que acusaram a própria essência do MNOB de “sectária”, “divisionista” e “ultraesquerdista”.
Nesta greve de 2011, assistimos à completa paralisia do MNOB. Ele soube atuar em unidade com o calendário, pauta e índice votados pelo FNOB, o que foi bastante importante e resultou de um esforço da nossa parte por esta unidade para lutar; mas, por outro lado, não teve papel algum de destaque na disputa da direção bancária.
Sua representatividade, abrangência e influência despencaram no último período e a última greve expressou isso. Os últimos resultados eleitorais do RJ, SP e RS também são exemplos contundentes dessa realidade.
Mas esta situação não é negativa apenas ao pouco que restou no MNOB, praticamente restrito ao PSTU. Toda a oposição perde ao nos fragmentarmos e à medida que a política da conciliação com os governistas ganha espaço entre quem deveria combatê-los.
A FNOB surge, portanto, como uma tática indesejada, porém necessária de ter que refundar, em certo sentido, e reunificar as oposições bancárias combativas e antigovernistas.Criticando o método predominante no MNOB e Intersindical de disputa “por cima” através de alianças eleitorais com parte das correntes do governo, a FNOB deixou as portas abertas aos que se dispusessem a fazer este debate internamente, mesmo que com outras posições. O MNOB, neste sentido, sempre foi benvindo, assim como todos os setores independentes e antigovernistas, quer ex-menbros do MNOB, ou não. 
O MNOB cometeu um grave erro, depois de tantos nos últimos anos, que foi votar seu afastamento e recusa de construir junto a FNOB, priorizando as alianças com setores da Contraf. A greve de 2011 mostrou, pela milésima vez, que não se pode confiar em nenhum setor do governismo, pois todas suas correntes sobrevivem das migalhas do dinheiro e estrutura estatais. Assim, fazemos um chamado a que os companheiros revejam sua posição, e desfaçam a política de retorno aos fóruns da CUT em bancários, justamente no momento em que se abre um grande espaço à oposição consequente. A FNOB será mais forte com as contribuições destes companheiros, mas, para isso, são os companheiros quem devem mudar e atitude, já que a FNOB sempre deixou claro o interesse em contar com os companheiros ajudando de dentro, ao invés de desconstruindo por fora. 
Independentemente de adesões de correntes, contudo, a FNOB deve seguir priorizando ganhar a base e os ativistas que estão à frente das lutas.O resultado desta compreensão, até o momento, é que, em poucos meses e praticamente sem recursos, a FNOB dá um exemplo de democracia realizando seu 3 encontro nacional, mais uma vez aberto e plural. 
Grupos como o Espaço Socialista, Bancários de Base-SP, GAS e MR, afastados ou alijados internamente no MNOB, voltaram a se unificar; em comum com setores importantíssimos como a UCS, que, aliás, foi a primeira a defender um encontro e uma unidade como veio a ser a FNOB. Mais tarde, oficialmente a Anberr (Associação Nacional dos Beneficiários do Reg-Replan, plano de previdência da CEF), entidade seríissima e cada vez mais representativa, também se somou a este projeto, assim como muitos independentes e grupos que foram se consolidando e crescendo, como o Bancários de Base – RS, companheiros do PI, etc.
Foi dessa forma, com todos estes grupos e militantes e com os sindicatos do RN e MA, que conseguimos dar visibilidade a uma alternativa nacional bancária, democrática e pela base, de oposição para valer contra o governismo e a Contraf. Disputamos inúmeras assembleias, apresentando um outro caminho e, além de nossas vitórias, plantamos uma semente fundamental para 2012. Mas ainda temos muito o que melhorar.
Neste momento, temos o grande desafio de incorporar os colegas da oposição do PA e da AEBA, que protagonizaram a maior luta de 2011. Estes ativistas atuaram ombro a ombro com a FNOB à medida que defenderam um conteúdo e um método de luta que coincide absolutamente com o que a FNOB se propõe a generalizar em todo o país. Os colegas são mais que benvindos à FNOB: são necessários e podem representar um salto gigantesco na consolidação de uma alternativa muito forte no Norte e Nordeste do Brasil, ajudando a tornar ainda mais viável e conhecida esta opção, e fortalecendo o caminho para desmontar a mesa única em 2012.
A AFBNB também deve ser disputada para a Frente, também tendo sido parte de grande confrontos com o governo.No BNB, a greve também sofreu o boicote da Contraf, e é necessário romper com os fóruns que até agora foram construídos pelos governistas e apostar na organização independente do BNB, junto da oposição nacional e da FNOB. Estes lutadores também são valiosíssimos para construirmos um instrumento nacional de oposição ainda mais forte.
Devemos fortalecer a unidade com quem mais vier a se engajar na FNOB, com seus mesmos princípios e perfil, que ao mesmo tempo que nos unifica e dá uma mesma identidade geral, valoriza e reconhece todas as diferenças, contribuições e polêmicas táticas internas, que só nos enriquecem. E, ao mesmo tempo, temos que nos organizar muito melhor.
Ainda que, em pouco tempo, tenhamos conseguido fazer inúmeros materiais políticos, adesivos, faixas, encontros e reuniões virtuais nacionais, onde exaustivamente sempre se consultou todos os estados e discutimos com um grau de democracia raramente visto mesmo na esquerda, ainda há muito para avançar, se quisermos derrotar a burocracia cutista e da Contec.
Precisamos estabelecer um funcionamento executivo, sem poder de deliberação e sem estar acima da coordenação nacional, mas que sirva para executar as tarefas do dia-a-dia da FNOB com mais agilidade, como o site, a distribuição de materiais, a preparação e socialização de informes das diferentes bases, etc. 
E, como centro da condução da FNOB, propomos uma coordenação nacional, com reuniões virtuais regulares, que seria responsável por articular os trabalhos que cada sindicato, entidade, grupo ou oposição regional já desenvolve numa política de oposição nacional. Tal coordenação elaboraria e garantiria a regularidade do “Sai da Frente”, jornal da FNOB, e discutiria cada uma de nossas iniciativas, incluindo o apoio às oposições, a expansão da FNOB, as forças-tarefas para as eleições sindicais que venhamos a participar, etc.
A Coordenação seria composta por todos os grupos, oposições e entidades componentes da FNOB, de forma proporcional e democrática, e dirigiria a executiva que teria a tarefa de colocar em prática as deliberações da coordenação.
Não estamos propondo nenhum engessamento ou aparelhamento da Frente, com contribuições percentuais mensais dos sindicatos; profissionais liberados; aparatos com estrutura física, nem nada. Entendemos que a consolidação e organização da FNOB dependem de irmos ainda mais à base e não de nos enfurnarmos em medidas administrativas e de aparelho. A estrutura da FNOB evidentemente deve aumentar, mas isso deve ocorrer à medida que avance nossa influência real, a partir da base e sem artificialismos.
Esse modelo, por sua vez, certamente nos exigirá um grau de compromisso e seriedade muito grandes em relação à FNOB, pois todos serão decisivos para que ela funcione. Não pagaremos ninguém para fazer, então todos devem colaborar com matérias ao site, com recursos financeiros aos encontros e disputas sindicais e cotidianas que tenhamos, etc. 
3.5 - O trabalho de base
Temos que nos jogar com tudo na disputa da consciência da base, que há muitos anos vem se desiludindo com o movimento sindical.Há inúmeros colegas mais antigos que não suportam mais comparecer às assembleias, devido às manipulações por parte da burocracia. Alguns não fazem mais greve, mas a maioria ainda faz, só que “de pijama”. Nas bases em que dirigimos o sindicato, a bronca não é com o sindicato, mas o efeito de apatia e descrença é semelhante, por conta de não se acreditar que no restante do país a greve vá ser a valer. 
Combinado com o desgaste de muitos funcionários mais velhos, os mais novos também enfrentam muitos dilemas. Para começar, muitos bancários já entram no banco pensando em sair. Por causa da baixa remuneração e péssimos planos de carreira, tanto concursados de bancos públicos como bancários privados, investem em cursos superiores e cursinhos para concurso para deixar de ser bancários. Esse quadro se soma à ideologia de “crescimento na empresa” para os que ficam, e que tem um apelo bem maior entre os novos funcionários, mais dispostos a se engajar no cumprimento das metas, custe o que custar.
Por isso, há uma grande dificuldade em estabelecer contato com toda a base, incluindo as milhares de agências, postos, áreas internas; de bancos privados e públicos; com pessoal de diferentes composições econômicas, sociais e etárias. Não deve admirar que tantas correntes deixem este trabalho de lado e se dediquem às negociações “por cima”, com burocratas de outras correntes. Mas nós não temos outra opção: temos que jogar todas nossas fichas no trabalho de base, que significa disputar os antigos ativistas e também dialogar com a renovação do movimento sindical e as novas vanguardas que surgem.
Nossos militantes devem ser ou construir delegados sindicais, cipeiros e reprentantes, formais ou informais, em todas as unidades que pudermos.Contra o “poder institucional” dos sindicatos burocáticos, temos que opor um “poder da base”, que, pouco a pouco, vá abrindo brechas e impondo outra dinâmica ao movimento, a partir de cada local de trabalho.
É por meio deste contato direto com a base que poderemos lutar contra o assédio moral e por reivindicações presentes em cada unidade, até darmos consistência a bandeiras nacionais como a reposição das perdas, isonomia, estabilidade no emprego para todos, desfiliação dos sindicatos da Contraf/CUT, etc.
A FNOB deve ser porta-voz dessas iniciativas e dar espaço a este tipo de organização de base, como forma de rompermos a marginalidade da oposição bancária e conseguirmos ganhar a maioria da categoria.

4 - A necessidade de consolidar e expandir a Frente Nacional de Oposição Bancária
Uma das lições que devemos tirar da greve de 2011 e destes primeiros meses da existência da FNOB é que estamos no caminho certo, mas é preciso bem mais organização entre nós.
Com a construção de uma coordenação política, uma comissão executiva para as tarefas práticas administrativas e a cooperação de todos os setores integrantes, podemos dar um salto no sentido de polarizarmos o movimento bancário em 2012 contra a Contraf/CUT. 
A FNOB ainda não expressa o conjunto dos que podem e devem coordenar as lutas dos bancários. Tampouco temos a paixão por uma sigla ou entendemos que inevitavelmente vai ser a FNOB quem vai cumprir este papel. Porém, temos absoluta convicção que hoje em dia é a FNOB quem representa, ainda que embrionariamente, este caminho. 
Os erros e acertos que cada experiência tomada pela oposição nos últimos anos, seja de forma unificada ou dispersa, mostrou que o momento não é de recuo e sim de avançar. A desfiliação do sindicato do MA da CUT, a força das greves dos últimos anos e o cenário político de luta antiburocrática, existente dentro e fora dos bancários, são partes de uma coisa só: um deslocamento, lento mas profundo, da base em direção a algo novo. 
Há um vazio a ser ocupado e a base precisa de uma organização plural e democrática, ao mesmo tempo que firme e com princípios claros. Juntos, podemos avançar neste sentido.


_______________________________________________
Bancariosdebase mailing list
Bancariosdebase em lists.aktivix.org
https://lists.aktivix.org/mailman/listinfo/bancariosdebase
-------------- Próxima Parte ----------
Um anexo em HTML foi limpo...
URL: <https://lists.aktivix.org/pipermail/bancariosdebase/attachments/20111215/39379326/attachment-0001.htm>


Mais detalhes sobre a lista de discussão Bancariosdebase