[Bancariosdebase] CARTILHA - Oficina de Bancários

Mÿffffe1rcio Cardoso da Silva marciocarsi em yahoo.com.br
Sábado Fevereiro 26 00:41:24 UTC 2011


Prezados companheiros, manos e minas.

Segue o arquivo da cartilha cujo conteúdo é enfrentar a ideologia de que 
bancário é vendedor.

A idéia é apresentá-lo como uma proposta do BDB para o encontro nacional das 
Oposições para que seja distribuída nacionalmente. Portanto, deem os seus 
pitacos o mais rápido possível.

Um forte abraço.

Márcio.

OFICINA DE BANCÁRIOS – crítica à ideologia de equiparação dos bancários à 
vendedores.
 
 
I- ATAQUES DOS BANQUEIROS CONTRA A CATEGORIA NOS ÚLTIMOS 20 ANOS
 
1.1.  Desemprego em massa.
Uma característica dos bancos é a composição orgânica do capital, isto é, a 
relação do capital variável (salário) face ao capital fixo (imóveis, máquinas, 
computadores, terminais eletrônicos, etc), que é muito alto. Nestas 
circunstâncias,, o setor é altamente informatizado, carecendo de pouca 
mão-de-obra. Na medida em que se avança na informatização de serviços, menos 
necessário é o trabalho vivo, prestado pelos bancários. Por isso que a cada 
reestruturação produtiva/administrativa vem sempre acompanhada de demissões em 
massa.
 
Isso foi um movimento muito intenso na década de 1990, com a abertura do mercado 
nacional e, ao mesmo tempo, reestruturação produtiva das empresas de forma mais 
radica; isto é, aumentar o capital. Ocorre que as empresas não tinham 
capital-dinheiro para investir, daí ser necessário para financiar a 
reestruturação produtiva brasileira, era necessário readaptar o sistema 
financeiro e os bancos. Para isso foi necessário diversas adaptações 
corporativas, ou seja, mais capital. Este processo foi intensificado ainda mais 
após a implantação do Plano Real, que tornou ainda mais obsoleto a quantidade de 
agências e atendimento de balcão. Havia a necessidade de “enxugar a estrutura 
corporativa”
 
O resultado disso foi um forte processo de demissão em massa, principalmente 
após 1994. Diversos planos de demissão voluntária , em que milhares de bancários 
se desligaram da categoria. Este processo foi ainda mais radical nos bancos 
estatais, sobre tudo no Banco do Brasil, no governo do PSDB, em que além dos 
PDVs, o banco simplesmente demitia sem justa causa
 
1.2.  fusões e incorporações
 
Ao contrário do que pregam os teóricos burgueses, a livre-concorrência tende 
para a concentração de capital e ao monopólio/oligopólio. Com o perecimento das 
instituições financeiras após a reestruturação financeira, alguns bancos 
fecharam e outros foram adquiridos pelas instituições maiores. Nos últimos 20 
anos podemos aqui citar as principais aquisições: O BRADESCO adquiriu, o BCN, 
FINASA, etc; o ITAÚ adquiriu o BANERJ, UNIBANCO, BANK BOSTONo Santander adquiriu 
o Noroeste, o Banespa, o Real.  O Banco do Brasil comprou o BEP, o BESC, a Nossa 
Caixa e ultimamente adquiriu 49% do Banco Votorantim.
 
Para cada fusão/aquisição há mais uma nova necessidade de reestruturação 
corporativa para viabilizar retornos e maximizar lucros. Daí a necessidade de 
demitir em massa, aposentadorias “compulsórias”, precarização das relações 
trabalhistas além da intensificação de sobretrabalho. Com a diminuição de 
funcionários e a intensificar a exploração, a saída foi fraudar a a jornada de 6 
horas mediante a criação de funções de “gerência” para justificar isso.
 
1.3.  Rebaixamento do nível dos salários
 
 A)-Segmentação da categoria entre novos e antigos, b)-terceirizações, 
c)-correspondentes bancários;
 
A segmentação da categoria é mais uma pérola dos neoliberais para “modernizar as 
relações de trabalho”. Trata de excluir juridicamente, mas não na prática, 
 determinados trabalhadores com os bancos. No início, esta ficção se restringia 
às atividades que não eram a finalidade da atividade bancária, como serviços de 
copa, segurança, e telefonistas, secretaria, etc. Todos os trabalhadores destes 
setores deixaram de ser bancários ainda que trabalhem no banco e continuem a 
contribuir para com os lucros bilionários das instituições financeiras. A medida 
serve para afundar o nível dos salários da categoria e maximizar os lucros. Os 
trabalhadores terceirizados recebem até ¼ dos salários dos  bancários de vinculo 
direito.
 
Ainda no governo de FHC, o Banco Central a Resolução nº 2.707/2000 permitiu que 
os bancos terceirizassem atividades-fim como processamento de envelopes de 
depósito e de abertura de contas, com trabalhadores recebendo um salários muito 
inferior em relação aos bancários de vinculo direto formal.
 
Por último, os bancos montam estabelecimentos inteiros para conceder crédito 
pessoal, ou para atender os “usuários” (dentro daquilo que os gestores entendem 
por usuários), isto é, os trabalhadores com a finalidade de pagar suas contas e 
resolver pendências administrativas 

 
 
1.4.  Desdobramentos práticos em ser um “vendedor” (comerciário);
 
Conforme vimos, nos últimos 20 anos, os banqueiros fizeram de tudo que foi 
possível para afundar o nível dos salários e aumentar a jornada de trabalho. 
Depois de excluir juridicamente o vínculo com os bancos de quase 200.000 
(http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:lYTU9n38bzAJ:jus.uol.com.br/revista/texto/13517/empresarios-e-trabalhadores-diante-da-regulamentacao-da-terceirizacao-no-brasil+numero+terceirizados+bancos&cd=3&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&source=www.google.com.br)
 de empregados terceirizados com salários rebaixados 

 
Agora a “moda” é bombardear ideologicamente o bancário para fazê-lo acreditar 
que não é bancário, mas um vendedor de produtos, como se fosse comerciário. Mas 
caso os banqueiros consigam convencer os bancários de que são vendedores, isso 
trará desdobramentos práticos desastrosos: os bancários poderiam ser equiparados 
à comerciários. Isso implica  trabalhão aos finais de semana e feriados, 
jornadas infindáveis de trabalho e condições de trabalho ainda piores, salários 
rebaixados, etc. a meta é acabar com a categoria do ponto de vista jurídico, 
ainda que, na pratica, todos trabalham em banco. Esta é a última fronteira para 
acabaria com a categoria
 
 
 
 
II-DINHEIRO COMO MERCADORIA DOS BANCOS.
 
2.1. O que é dinheiro;
 
O dinheiro é,  antes de mais nada, uma relação social em que se cristaliza numa 
mercadoria. Na civilização antiga, o dinheiro poderia ser qualquer coisa que 
viabilizasse a troca de produção excedente por produtos que faltava. Todas as 
outras mercadorias podiam ser reduzidas a uma quantidade de  dinheiro. Os metais 
preciosos são os exemplos mais notórios do emprego da mercadoria como dinheiro.
 
Com o desenvolvimento do capitalismo, o dinheiro passou a ser capital também. 
Mas um sistema socioeconômico fundado na desigualdade a quantidade de dinheiro 
(meio de circulação) começava a ser um entrave para dar vazão a produção e 
acumulação capitalista., seja pelo esgotamento das minas de metais preciosos, 
seja pelo desgastes das moedas metálicas (os valores das moedas eram medidas 
pelo seus pesos), o que possibilitaria a fraudes. Daí a necessidade de se 
substituir os metais preciosos por meio de papel moeda junto com o 
desenvolvimento do sistema de crédito. A emissão de papel moeda tinha 
corresponder à quantidade de metal precioso depositado no Tesouro. Assim, o 
papel-moeda não é dinheiro, mas seu símbolo.
 
Não adentraremos nos pormenores da relação do papel-moeda com o seu lastro, que 
acabaria por desviar do objetivo central deste material. Assim, para fins 
didáticos, adotaremos o papel-moeda como dinheiro propriamente dito, bem como os 
créditos e débitos de acertos contábeis.
 
 
2.2funções do dinheiro a) meio de compra e b) meio de pagamento;
 
Vimos que, antes do capitalismo, o dinheiro era uma mercadoria cuja única 
utilidade era viabilizar as  trocas de outras mercadorias. Todas elas eram 
mensuráveis em  dinheiro. Neste sistema de produção e circulação das 
mercadorias, o movimento era a seguinte: M-D-M. Traduzindo: as pessoas de posse 
das mercadorias excedentes, confrontavam-se comprador e vendedor. Um com 
dinheiro e outro com a mercadoria, no momento em que se dá a metamorfose em que 
a mercadoria vira dinheiro e o dinheiro se converte em mercadoria ao mesmo 
tempo. Mas a preocupação de tanto do comprador quanto do vendedor não era de 
fazer da troca um negócio. No presente caso ninguém obteve lucro com a 
transação. A preocupação de ambos era resolver uma questão prática da vida 
cotidiana numa sociedade pré-capitalista: Ambos tinham excedentes e ambos 
precisavam de uma mercadoria específica.
 
Com  surgimento do capitalismo, o movimento da riqueza mudou de qualidade. 
Antes, o detentor da mercadoria o convertia em dinheiro para conseguir uma outra 
mercadoria de sua necessidade. Agora, o movimento de circulação é D-M-D’, em  
que D’= d + m, em que m= mais-valia ou lucro. O burguês com  dinheiro, adquire 
mercadorias para vendê-las para extrair da circulação mais dinheiro do que 
investiu. Com este montante, o burguês reinveste na produção  e a circulação 
recomeça o seu ciclo. Nesta situação de circulação simples, o dinheiro é 
empregado como meio de circulação, ou trocado em miúdos, um “toma-lá-dá-cá”. É 
também conhecido como meio de compra, ou seja, quando a metamorfose de dinheiro 
em mercadoria e vice-versa (e ao mesmo tempo) é instantâneo, cortando encerrando 
a efêmera relação comercial. Aqui não há qualquer preocupação de ambos sobre o 
que os detentores de dinheiro e da mercadoria vão fazer com o resultado da 
transação. Porém, para facilitar os nossos estudos, o meio de compra , ou meio 
de circulação é o emprego de recursos próprios   para pagamento à vista, na 
“bucha”, “uma em cima da outra”.
 
Ocorre que no processo de circulação e acumulação de capital não funciona como 
um reloginho, de sincronia perfeita entre oferta e procura, Seja porque as 
mercadorias ficam distantes do mercado consumidor, seja porque  o processo de  
produção de determinadas mercadorias demanda um longo tempo,etc. Assim, é comum 
que os compradores não tenham as mercadorias a sua disposição, ou ainda que as 
tenham, não possuem dinheiro para adquiri-las. Daí, houve-se a necessidade de se 
vender sem comprar, que necessariamente significa comprar sem vender, que na 
pratica significa pagar ou receber a mercadoria antes da venda ou compra, 
formalizado em algum título (duplicata, por exemplo). Um atacadista compra um 
lote de refrigerantes diretamente da industria, mas não dispõe de dinheiro para 
efetuar a transação. No meio comercial, o negócio é fechado e o produtor entrega 
o lote pedido de bebidas e emite uma duplicata com vencimento futuro ( 30 dias, 
por exemplo) sem ter recebido um centavo sequer no ato da entrega das 
mercadorias para o comerciante. O pagamento se dará no termo final da duplicata. 
Muitas vezes, o prazo para o pagamento leva-se em consideração as possibilidades 
de escoamento das mercadorias para que elas “se paguem”. O nosso comerciante 
(nas condições “normais de temperatura e pressão”) vende todo  o lote de 
refrigerentes e com o montante obtido das vendas paga as mercadorias, já 
deduzidos todas as despesas inerentes (funcionários, aluguéis, etc).
 
Por outro lado, o industrial entregou as mercadorias, mas o dinheiro que se 
espera obter com a venda para o atacadista só ingressará após 30 dias, sem, no 
entanto, cessar a produção e satisfazer todas as despesas ordinárias recorrentes 
para permitir que se venda mais lotes de refrigerantes, isto é, é necessário 
capital, que pode ser alienando as duplicatas a receber das emitidas, recorrer a 
um fundo de reserva da fábrica (uma espécie de “poupança”), ou ainda, poderá se 
recorrer aos empréstimos bancários. Isso também serve para o nosso atacadista 
caso ele não consiga vender o lote de refrigerantes até o vencimento da 
duplicata, isto é, quando as vendas “não se pagam”.
 
Assim, vender sem comprar e comprar sem vender significa necessariamente 
falarmos de crédito. E nestes casos, o dinheiro tem a função de meio de 
pagamento, pois uma das partes do pólo da metamorfose da circulação  D-M-D’ foi 
feita antes de se completar o seu movimento inverso correspondente: o fabricante 
entrega a mercadoria (M) antes de receber a quantia correspondente pelo 
atacadista (D, mas face ao fabricante, é D’). Caso ambos movimentos se dão de 
forma simultânea, o dinheiro teria função de meio de circulação, que foi objeto 
de nosso estudo acima.
 
O dinheiro como meio de pagamento também é usado pelo consumidor final para 
compras à prazo e financiamentos. Este crédito pode ser obtido diretamente com o 
vendedor, ou também recorrendo aos bancos mediante crédito direto ao consumidor, 
por exemplo. Mas nesses casos o dinheiro cumpre as duas funções e ao mesmo 
tempo. Os recursos levantados no banco para a compra de uma tevê de plasma é 
meio de compra face a loja e o banco entra no lugar desta relação que seria da 
loja.Assim, as prestações a serem pagas pelo feliz proprietário do aparelho  
seria meio de pagamento face à instituição financeira que concedeu o crédito
 
Daí que se conclui que o crédito é um milagre do capitalismo, pois permite-se 
circular as mercadorias sem lastro correspondente . Isso faz com que se acelere 
a circulação  das mercadorias e permite maior crescimento econômico....embora 
fictícia, pois o desenvolvimento do mercado de crédito é acompanhado pelo 
desenvolvimento do endividamento, que é uma contradição. A sustentação deste 
processo é a          capacidade de saldamento das dívidas. Uma vez esgotada 
esta capacidade interrompe-se bruscamente o processo de circulação e não há mais 
escoamento de marcadorias, compromentendo todo o sistema produtivo. São as 
crises econômicas como esta que vivenciamos desde finais de 2007 em escala 
mundial.
 
2.3 movimento simples do dinheiro nos bancos DàD’
 
No item anterior começamos a ver como os bancos são importantes para o 
desenvolvimento do sistema de crédito e para o funcionamento do processo de 
circulação  e acumulação  do capital. Também vimos qual a função do dinheiro no 
processo de circulação. Agora estudaremos a relação dos bancos com o dinheiro.
 
Como já foi dito, o processo de circulação e acumulação não funciona em 
sincronia fina, como um relógio, ou guiadas por uma “mão-invisível”. Muitas 
vezes, ainda que haja oferta e demanda, pode haver outros elementos que 
perturbem este processo, como quebra de safra, problemas climáticos, falta de 
infraestrura., taxas alfandegárias,etc. Pode inclusive, ao contrário, algumas 
(ou todas ) condições mudem favoravelmente de forma que a oferta seja exaurida 
muito mais rápido do que se esperava. Assim, haverá ocasiões que setores no 
processo de circulação terão sobra de capital-dinheiro, bem como haverá ocasiões 
que necessitará recorrer a uma fonte externa de recursos para manter o processo 
em funcionamento. Desta forma, quando se sobra capital-dinheiro, deposita-se no 
banco. Mas quando falta, recorre-se aos bancos para levantar capital-dinheiro 
para dar continuidade ao processo. É esta entrada e saída de dinheiro que 
carcateriza o setor bancário: recebe e repassa. De um lado, os depositantes 
confiam no banqueiro para que guardem o vil metal; do outro lado, o banqueiro 
concede empréstimos (com garantia ou não) utilizando os mesmos recursos 
depositados na sólida instituição financeira.
 
No papel que cabe aos bancos no processo de circulação e acumulação do capital, 
a mercadoria utilizada é o dinheiro, dentro daquele movimento D-M-D’. Como o “M” 
aqui é nada mais do que dinheiro, isto é “D”, então a movimentação é D-D-D’. 
Simplificando a movimentação acima, então temos DàD’, em  que D’= d+l, em que 
“l” é o lucro do banqueiro.
 
Trata-se do supra-sumo do fetiche capitalista: captar dinheiro para emprestar 
para fazer mais dinheiro mediante cobrança de juros. Capta dinheiro barato e 
“vende-lo” mais caro. É a tudo isso que se resulta o trabalho bancário de 
intermediação financeira. Se não tivesse um propósito ideológico, a afirmação de 
que o bancário não é um prestador de serviços financeiros, mas de um vendedor, 
não passa de um devaneio, de uma ignorância sem precedentes. Primeiro porque 
banco não produz mercadorias físicas; segundo, exatamente por isso que os bancos 
não produzem mais-valia. O lucro dos bancos está na agiotagem e não na produção 
ou circulação.
 
Agora convém saber o que determina o lucro dos bancos, isto é, o juro. Do ponto 
de vista da aparência, basta jogar uma percentagem sobre a base de cálculo do 
montante e a partir daí teríamos o juro. Ocorre que não nos contentamos com as 
aparências. Queremos chegar à essência das coisas. Diante disso, surge outra 
pergunta: o que determina que num determinado tempo e espaço a taxa de juros 
seja “x”, “y”, ou “z” ? O que determina que alguém fixe um número como parâmetro 
para servir de taxa de juros?
 
A resposta é a taxa de lucro, ou lucratividade média dos setores produtivos  de 
um determinado país ou grupo de países. Quanto maior é a taxa de lucro realizada 
pelos patrões , maior é a taxa de juros. Mas isso serve apenas para períodos de 
estabilidade econômica. Isso explica, por exemplo, porque as  taxas de juros 
praticadas pelos bancos aqui no Brasil são muito maiores do que qualquer país 
desenvolvido, pois aqui a taxa de lucro é maior do que nos países desenvolvidos. 
É evidente que em tempos de crise cíclica ou estrutural (como a atual)  há 
outros fatores que também influenciam a alta ou a baixa dos juros. Em épocas de 
crise, por exemplo, o dinheiro é escasso de forma que as pessoas estão dispostas 
a pagar juros maiores para captação da capital-dinheiro, e os bancos, por sua 
vez elevam as taxas de juros pelo fato do meio circulante estar escasso.
 
Até agora, explicamos o movimento simplificado do dinheiro nos bancos. Capta-se 
para depois emprestar. Como o desenvolvimento do sistema financeiro, as formas 
de captação  e de empréstimos são múltiplas . Porém apenas vamos deter nossas 
atenções para as formas de captação de recursos pelos banqueiros, que podem ser 
públicos  e privados. Por ora, não consideraremos os recursos públicos (como o 
Fundo de Amparo ao Trabalhador, que curiosamente é utilizado para o patrão obter 
lucros) e privados (como fundos de pensão). Trabalharemos com as formas de 
captação de capital-dinheiro surgidas no dia-dia das agências, causa de tantas 
doenças e sofrimentos psíquicos a que estamos submetidos
 
..
 
III – “PRODUTOS” BANCÁRIOS (captação)
 
3.1. impropriedade o termo “produto”;
 
Nas linhas acima vimos, de forma simplificada, que os bancos captam dinheiro 
barato e emprestam mediante juros, auferindo, assim, um lucro. Os banqueiros não 
colocam a mão no bolso para fazer funcionar o seu negócio. Os recursos 
utilizados para tal mister são oriundos, em boa parte, de sua base própria de 
clientes depositários. Esta entrada e saída de dinheiro (seja para meio de 
compra ou meio de pagamento) são serviços bancários executados pelos 
trabalhadores dos bancos. Logo, o termo utilizado pelos administradores de 
“produto” aos serviços prestados de intermediação financeira pelos bancários ser 
inapropriado.
 
Isso significa  que os banqueiros e sua tropa de choque de administradores são 
burros? Não, pelo simples fato de quererem convencer o bancário de que não é um 
prestador de serviços, de que não é um bancário, e, a partir deste 
convencimento, retirar todos os direitos conquistados com muita luta, como, por 
exemplo, a jornada de seis horas. Também pode estar por trás, classificar como 
bancários apenas aqueles que nas agências celebram o contrato de captação 
diretamente com o cliente, excluindo todos  os bancários que não trabalham nas 
agências, embora dêem todo o suporte necessário para a viabilidade do serviço de 
captação, como, por exemplo, análise de documentos para contratação de crédito 
imobiliário.
 
Portanto, não são os nomes que determinam o que o bancário faz, mas é o que ele 
faz é que determina os nomes, por mais que os banqueiros e o governo digam o 
contrário. Por isso, que os meios de captação nas agências executados por nós 
SÃO SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA e que nós bancários SOMOS PRESTADORES 
DE SERVIÇOS, SIM
 
 
3.2. O que está por trás do assédio para a contratação de serviços bancários 
(fidelização)
 
Com o desenvolvimento do sistema financeiro, combinando com o processo de 
concentração de mercados é muito comum que as instituições financeiras façam 
algum teatro de uma fictícia concorrência. No setor bancário  as formas de 
captação são exatamente iguais. Os serviços existentes em um, há no outro. Todo 
e qualquer instituição financeira tem título da capitalização, seguros, planos 
de previdência, consórcio, investimentos, etc, etc, etc, Todos os dias somos 
assediados para “vender”, bater metas (muitas vezes pelos métodos mais 
questionáveis e ilegais) para alavancar os resultados do banco no qual a gente 
trabalha. Mas se observarmos bem, os resultados financeiros advindos da 
prestação destes serviços é muito pouco ou irrisório. O grosso do lucro dos 
bancos é a concessão de crédito. Daí vem a óbvia pergunta: Por que massacrar os 
bancários com metas “inúteis” tendo em vista que o impacto das contratação de 
tais serviços nos lucros bancários é insignificante?
 
Tendo em vista que se é muito fácil abrir e fechar conta-corrente, ou então, ter 
diversas contas em diversos bancos, os serviços de captação são usados como 
laços para dificultar um possível quebra de vínculo com a instituição bancária 
em questão, ao mesmo tempo que torna o cliente como uma fonte de captação de 
recursos por um longo tempo. Por exemplo. A “venda” de um título da 
capitalização em 48 mensalidades transforma o cliente numa fonte permanente de 
captação de recursos  por 4 anos com uma única simples assinatura do correntista 
para que o banco possa especular para obter lucros no mercado de crédito ou 
ainda na bolsa. O raciocínio serve para os demais serviços de captação prestados 
por nós bancários, dentro das características peculiares de cada serviço.
 
Assim, o que está por trás de toda e qualquer meta é transformar cada 
correntista em uma fonte mais duradoura possível de recursos, também conhecido 
pelo simpático nome de “fidelização”. Mas na verdade trata-se de lançar ao 
cliente diversos grilhões para servir aos bancos. O lucro não está no serviço de 
captação em si, mas o que se faz com o resultado dele no ato do recebimento dos 
juros dos empréstimos concedidos
 
Vejamos a seguir as principais formas de captação dos banqueiros, bem como as 
suas peculiaridades.
 
3.3. Titulo de capitalização;
 
Trata-se de um contrato bancário em que o correntista se compromete a fazer 
depósitos periódicos (mas pode ser depósito único também) na instituição 
financeira e em troca, concorre a prêmios em dinheiro, como se fosse uma 
loteria. Caso o correntista não seja sorteado até o final do plano contratado, 
ele receberá, ou não, o valor corrigido apenas pela TR, isto é, uma 
rentabilidade menor do que a poupança. Logo que é evidente que o atrativo do 
plano só poder ser a POSSIBLIDADE de ser sorteado para ganhar uma bolada em 
dinheiro, pois como investimento é um péssimo negócio.
 
O fato dos depósitos serem corrigidos apenas pela TR faz com que sejamos 
diariamente bombardeados com metas envolvendo este tipo de contrato. Afinal. O 
dinheiro é captado para que o banqueiro empreste a juros exorbitantes . Ademais, 
o Título de Capitalização tem sua liquidez mitigada em relação à poupança. Os 
planos costumam desencorajar a desistência do correntista antes do final do 
prazo retendo parte dos depósitos efetuados. Por exemplo. Num plano de 36 
depósitos mensais caso o correntista queira sair do plano depois de efetuado 15 
depósitos, ele apenas levantará o equivalente à 10 depósitos. Desta forma, os 
bancos “convencem” os correntistas  a ficarem até o final. Na poupança, o 
correntista faz os depósitos quando quiser, saca quando quiser e o quanto puder, 
e permanece com a conta até quando quiser. Os bancos tendo menos controle sobre 
os correntistas com a poupança, faz do título de capitalização uma de suas 
alternativas preferidas...de captação de recursos, fonte de tantos adoecimentos 
da categoria.
 
3.4. Seguros;
 
Trata-se de um contrato de serviços em que o segurado se compromete a pagar um 
prêmio à seguradora, para que receba alguma indenização, caso haja algum 
sinistro com o bem segurado, que pode ser bem diverso (vida, automóvel, imóveis, 
etc). Em outras palavras: o pagamento do prêmio é certo, mas a indenização não . 
Além do mais, as seguradoras lançam mão da “franquia” como forma de dificultar o 
pagamento da indenização. A franquia nada mais é do que a participação do 
segurado no pagamento de sua própria indenização.
 
Hoje, o mercado de seguros desenvolveu tanto a ponto de poder mapear as 
possibilidades de risco a partir das características individuais do bem segurado 
e os hábitos de vida da pessoa do segurado. Conforme for o maior a possibilidade 
de sinistro, maior é o prêmio que o segurado deverá pagar.
 
Esta forma de captação pelos bancos é ainda mais vantajosa, pois os banqueiros 
não tem de dar satisfação ao segurado com o que faz com os recursos recebidos 
como prêmio (enquanto que no título de capitalização, há o compromisso de 
devolver o valor depositado pelo correntista, ainda que  parcialmente) . Findo o 
prazo do contrato de seguro e não aconteceu sinistro algum, o banco não tem a 
obrigação de devolver os valores pagos como prêmio. Ou se haver sinistro, a 
indenização somente será efetuada se o segurado pagar a tal franquia. 

 
Uma vez que os pagamentos dos prêmios são a única certeza neste tipo de 
contrato, o banco não tem obrigação alguma de dar satisfação sobre os recursos 
recebidos dos segurados. Se o banco quiser especular na bolsa, pode. Se quiser 
emprestar a juros exorbitantes, também pode. Se quiser dar 152% de aumento para 
os diretores da instituição financeira (como aconteceu no BB no início da década 
de 2000, quando o funcionalismo já sofria com 6 anos de congelamento salarial) 
também pode.
 
É por todas estas vantagens para os bancos é que somos obrigados a cumprir metas 
interplanetárias de contratação de seguro. O lucro obtido com este tipo de 
contrato é irrisório frente o lucro conseguido com os juros dos empréstimos. Por 
ser praticamente de graça a captação de recursos, os seguros também são fontes 
de adoecimentos dos bancários .
 
 
3.5. Previdência Privada;
 
Primeiramente, só há mercado para planos de previdência privada diante da 
conveniente falência da previdência pública e do ataque ideológico da afirmação 
falsa de “rombo da previdência” como resultado do aumento vertiginoso de 
beneficiários. Mas na verdade, tal rombo é feito a partir de desvio de recursos 
para pagamento de juros da dívida pública, sem dizer que o Estado não dá a sua 
contrapartida na contribuição da Seguridade Social como está determinado na 
Constituição. Por outro lado, a mesma mídia que propaga a mentira do “rombo da 
previdência” omite a informação que as próprias estatais, assim como os bancos 
privados, estão entre as maiores devedoras do INSS(Os cinco 
maioresbancos privados do país: “Bradesco, Itaú, Unibanco, Santander e ABN-Amro 
Real) devem, juntos, R$ 135,9 milhões. Os dois maioresbancos estatais (Banco do 
Brasil e Caixa Econômica Federal) são responsáveis por R$ 293,6 milhões em 
dívidas” (Folha de São Paulo de 17/05/2009). Assim, o mercado para o plano de 
previdência privada é convenientemente criada pelo Estado. 

 
Feitas estas considerações, passemos a estudar o plano de previdência privada.
 
Diferentemente do previdência pública em que a geração da ativa banca a 
aposentadoria da geração inativa, no plano de previdência privada o próprio 
cliente banca a sua própria aposentadoria por meio de  formação de uma poupança. 
Os recursos depositados são administrados pelos bancos de acordo com o permitido 
no contrato e do gosto do cliente. Até o início da década de 2000, os planos 
eram de Benefício Definido, isto é, os bancos se responsabilizavam por garantir 
a o valor da pensão contratado no final de um período longo (de 20 a 30 anos, 
por exemplo). Depois, com a mudança muito conveniente em favor dos bancos, só 
passou a ser oferecido o PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres) e do VGBL 
(Vida Gerador de Benefícios Livres), cuja diferença entre os dois é de ordem 
tributária. O termo “Livre” significa “livre de responsabilidades com o 
cliente”. Desde então, a única coisa certa é a contribuição do cliente, e os 
bancos não tem qualquer responsabilidade de garantir a pensão do beneficiário 
caso haja problemas de ordem conjuntural, como queda da bolsa, ou desvalorização 
dos títulos públicos. Em outras palavras: os bancos transferiram o ônus da 
administração dos recursos para os clientes.
 
Diferentemente dos seguros, aqui os bancos tem de dar alguma satisfação do 
dinheiro depositado pelos clientes. Via de regra, são aplicados em fundos de 
renda  fixa, fundo de ações, ou ainda em fundos mistos (mescla de renda fixa com 
ações). Todo o dinheiro suado do trabalhador é torrado para especulação de 
papéis. E por incrível que pareça, os bancos  cobram uma taxa de administração 
para isso sobre o patrimônio do fundo, que geralmente é milionário e é rateado 
entre os felizes poupadores dos planos.
 
Por ser um contrato de longo prazo ele é um excelente produto para “fidelização” 
do correntista, isto é,  torna-se mais difícil a quebra do vínculo do cliente 
com o banco. Um plano de 20 anos, por exemplo, garante que este mesmo 
correntista se endivide no cartão de crédito, no cheque especial, faça 
financiamentos, etc, etc,. O cliente pode até usar o montante do dinheiro 
depositado no plano de previdência, mas as alíquotas de IR  incidentes no ato do 
saque desencorajam tais possibilidades. Ademais, o cliente não pode fazer 
quantos saques forem necessários. Sempre há um período longo permitido entre um 
saque e outro (6 meses, por exemplo)
 
 
 
 
 
3.6.Consórcio;
 
O consórcio não é uma fonte de captação tão interessante quanto as opções 
anteriores, exceto pelo fato de também ser um contrato de longo prazo. Consórcio 
nada mais é do  que uma associação de pessoas para adquirir um bem, de forma 
parcelada, porém sem pagar juros. É isso que os administradores chamam de 
“produto”. Tendo em vista que um grupo de consórcio autônomo é inviável do ponto 
de vista legal e burocrático, os bancos cedem toda a sua estrutura para formação 
mais prática e simplificada de grupos e cobram uma taxa para isso.
 
As pessoas do grupo contribuem periodicamente até formar um montante mínimo para 
aquisição do bem. A partir daí, o integrante recebe o bem por uma das duas 
hipóteses: 1-por meio de sorteio, ou 2-por meio de um lance (tal e qual um 
leilão). Tanto num caso quanto no outro, o consorciado, embora com o bem em 
posse, pagará o saldo parceladamente sem juros.
 
Como visto, o consórcio é um contrato que a pessoa não tem pressa para receber o 
bem. Na cabeça do cliente é como se estivesse fazendo uma poupança vinculada a 
compra do bem desejado (um automóvel, por exemplo)
 
3.7. AINDA SOBRE OS SERVIÇOS BANCÁRIOS.
 
Acabamos por desdobre em linhas gerais os “produtos” mas comuns no meio 
bancário, mas explica-las de forma sistemática ainda não caracteriza os 
bancários como bancários. Nosso serviço, de maneira simplificada, resume a 
captar recursos para cedê-los cobrando o juro. Agora veremos de forma mais 
inequívoca, que os ‘produtos” não são produtos, além de trazer uma série de 
desdobramentos práticos depois de celebrados,ao contrário da venda em que a 
relação prática entre vendedor e comprador se encerra no ato do que os juristas 
costumam de chamar de tradição ou traditio; isto é, quando a mercadoria passa 
das mãos do vendedor para as do comprador.
 
No meio financeiro, para cada “produto” vendido cria uma possibilidade de 
prestação de diversos serviços para a manutenção de cada contratação específica.
 
Ao “vender” um título da capitalização, poder criar uma série de demandas como 
saque parcial, encerramento prematuro do contrato,...Sobre seguros o cliente 
pode fazer endosso, pode aumentar ou reduzir a base de cobertura.... Na 
previdência privada, o cliente pode aumentar ou reduzir o prazo de contribuição, 
aumentar ou diminuir a contribuição, fazer contribuição esporádica. Pode até 
suspender e sacar a reserva monetária, etc, etc, etc....
 
Diante disso, a quem o cliente procurará nas agências bancárias, senão o 
bancários para executar cada um destes serviços? O “vendedor”? Não. O BANCÁRIO. 
Para cada contrato celebrado implica necessariamente numa série de serviços que 
o circunda. É necessário ter alguém de carne e osso para executar esses 
serviços. Os banqueiros e o governo querem nos convencer dizendo que estamos ali 
para vender e não para prestar serviços. Assim cada contrato firmado implica 
mais serviços a ser executados por nós, bancários. Significa que o ato de 
assinar um contrato de seguro, abertura de conta corrente, capitalização, etc... 
é, na verdade, o INÍCIO de uma relação comercial-financeira com os clientes e 
não o seu final. Para cada “produto” vendido terá um cliente que procurará a 
agência bancária para executar algum serviço correlato com o contrato. Diante 
disso, para cada conta aberta, haverá a possibilidade de rever, por exemplo, 
aumento ou redução de limite de conta; para cada seguro o cliente poderá 
renová-lo ou alterar alguns (senão todos) aspectos norteadores do contrato....e 
assim por diante. Certamente não é o empregado do comércio e/ou correspondentes 
bancários que as executará. É justamente por isso que os banqueiros e o governo 
se esforçam tanto para nos convencer que somos vendedores, pois tal discurso 
esconde o fato de que cada contrato firmado demanda uma série de serviços para a 
sua manutenção, que justificaria a contratação de mais bancários e redução da 
jornada de trabalho.
 
IV. CONCLUSÃO.
 
Como se nota, máxima que o bancário é vendedor e que os serviços prestados são 
“produtos” não resistem ao menor questionamento de seus fundamentos. Vimos que 
os trabalhadores bancários são sim prestadores de serviços de intermediação 
financeira, o que permite que os bancos captem recursos junto à sua base de 
clientes (evidentemente que não computamos aqui os recursos públicos jorrados do 
erário). Em outras palavras: é o bancário de, um modo geral, que é a força 
motriz do movimento da mercadoria dinheiro em DàD’. No entanto, os banqueiros e 
o Estado fazem uma verdadeira campanha ideológica sobre a categoria de que 
bancário é vendedor de “produtos”. Mais do que subestimar a nossa inteligência, 
os patrões querem, pelo menos, três coisas:1-que percamos a identidade enquanto 
categoria para assim criar um cenário subjetivo para:2- retirar direitos, 
reduzir o nível dos salários; e 3-promover uma luta fraticida de todos contra 
todos, intensificando o estranhamento entre os colegas de trabalho e a divisão 
da categoria.


      
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