[Bancariosdebase] Tese do Bancários de Base para o Congresso Nacional do BB

Mÿffffe1rcio Cardoso da Silva marciocarsi em yahoo.com.br
Sábado Junho 4 02:53:28 UTC 2011


Prezados companheiros, manos  e minas.

Tardamos, mas não falhamos.

Boa leitura!

Márcio Cardoso 
Bancarios de Base - SP
Frente Nacional de Oposição.
_______________________________________________

COMBATER O GOVERNISMO E O PROCESSO DE PRIVATIZAÇÃO DO BANCO DO BRASIL-TESE DO 
COLETIVO BANCÁRIOS DE BASE.
CONGRESSO NACIONAL DOS FUNCIONÁROS DO BANCO DO BRASIL 2011
 
APRESENTAÇÃO
 
A crise econômica iniciada em 2008 tem novos desdobramentos no início de 2011. 
Os povos árabes do norte da África e do Oriente Médio respondem com a derrubada 
dos governos aos sofrimentos agravados pela crise em países governados há 
décadas por servos do imperialismo. Desemprego para quase metade dos 
trabalhadores, falta de expectativa de uma vida melhor para a juventude, 
temperados pela xenofobia dos países da União Européia, que fecharam suas 
fronteiras para a imigração; são alguns elementos que contribuíram para onda da 
abertura democrática no mundo árabe. No plano mais geral, vemos a contradição da 
desvalorização do dólar empurrando o mundo lentamente para um cataclismo 
econômico.
No plano nacional, o “jeito PT de governar” é aplaudido pela burguesia nacional 
e internacional, que, ao mesmo tempo, já engatilhou uma possível substituta: 
Marina Silva do PV, que soube muito bem trabalhar o mote da ecologia entre os 
trabalhadores. Seria cômico se não fosse trágico e irônico, pois o PV apóia os 
transgênicos e também o aumento das áreas apara desmatamento nas propriedades na 
Amazônia prevista no projeto do Novo Código Florestal.
Nesta conjuntura nacional e internacional está inserido o presente Congresso, 
inspirado pelos ares de mudança que sopram do Oriente. Este é um momento muito 
importante para o sindicalismo bancário brasileiro, pois devemos discutir os 
meios de retirar o controle da campanha salarial das mãos da CONTRAF-CUT, o que 
só pode ser feito se anteciparmos a preparação da campanha. Precisamos derrubar 
a ditadura dos governistas da CONTRAF-CUT, que são os maiores obstáculos, a 
serviço do governo e dos banqueiros, para as conquistas dos bancários públicos e 
privados. O maior exemplo disso é a tática “imexível” da mesa única.
A finalidade da mesa única é evitar o questionamento do governo do PT, partido 
dos dirigentes sindicais cutistas, componentes da CONTRAF-CUT, e também 
responsável por cargos chaves nos bancos federais. E assim as necessidades da 
categoria são colocadas em último plano. É por isso que não se luta por 
estabilidade nos bancos privados; não se luta pela instituição do delegado 
sindical EM TODA A CATEGORIA; nem se cogita a reposição das perdas salariais 
experimentadas principalmente pelos bancários do setor público por conta de 10 
anos de congelamento salarial; também pelo mesmo motivo os dirigentes cutistas 
não lutam pela isonomia de direitos entre os bancários novos e os antigos. Isso 
só para citar alguns exemplos...
 
1. CONJUNTURA
 
1.1 Internacional
 
1.1.1 Continuidade da crise e crise da alternativa socialista
 
A crise mundial iniciada em 2008 ainda não está superada no plano da economia. 
Há sinais de recuperação da produção e do comércio nos Estados Unidos e na 
Europa, mas que ainda não chegaram aos níveis pré-crise. Além disso, a crise que 
estamos atravessando não é apenas uma crise econômica, mas uma crise societal, 
ou seja, uma crise do modo de produção social em suas várias esferas (ambiental, 
energética, alimentar, cultural, etc.), a qual se localiza num contexto geral de 
crise estrutural do capital. Os impactos sociais, políticos e culturais da crise 
econômica são por demais severos para que se possa dizer que o mundo retornou à 
“normalidade” pré-crise. Seguiremos convivendo com esses impactos no próximo 
período.
A crise atual já fez com que, numa série de países fortemente afetados, o grau 
de insatisfação social chegasse ao ponto de colocar milhões de pessoas nas ruas 
para derrubar os governos. A diferença é que, desta vez, os povos se levantam 
contra governos muito mais duros, ditaduras que já duravam décadas, que pareciam 
sólidas e inquestionáveis, em países com uma enorme importância estratégica para 
o imperialismo
Além disso, no próprio coração do imperialismo, o ataque às condições de vida 
dos trabalhadores, necessário para que os governos possam recompor os orçamentos 
dilacerados pelo salvamento da burguesia, colocou esses trabalhadores nas ruas 
também nos países centrais. A Europa já enfrentou greves gerais na França, 
Espanha e Portugal, mobilizações em diversos países, e um estado quase 
permanente de enfrentamento na Grécia, em que quase dez greves gerais 
fortíssimas se sucederam desde meados de 2010. Agora, a classe trabalhadora 
começa a se mover até mesmo nos Estados Unidos, que há décadas, desde o início 
do governo Reagan, não assistiam a processos de mobilização tão grandes como o 
que está acontecendo nos estados de Wisconsin, Minnesota, Ohio, Indiana e 
Pensilvania, com marchas de dezenas de milhares de funcionários, apoiados pela 
população.
Assim, por mais que os lucros da burguesia tenham retornado, e que aos poucos, 
nos próximos anos, se reinicie um novo ciclo de crescimento, o que ainda não 
está claramente colocado, as conseqüências da crise continuarão provocando um 
acirramento da luta de classes, com dificuldades políticas enormes para a 
burguesia seguir administrando a crise estrutural. O mundo já não é o mesmo 
depois do retorno das lutas sociais nos países imperialistas e da colossal 
revolução democrática em processo por parte dos povos árabes. Houve uma mudança 
de qualidade importante, o retorno das mobilizações de massa dos povos e da 
classe trabalhadora, que derrubam governos e chegam a fazer tremer as estruturas 
do regime burguês em vários países.
A questão fundamental, que apesar de estar presente, não foi devidamente 
considerada, e que determina a realidade mundial, é a contradição entre os 
elementos objetivos e subjetivos, materializada na crise de alternativa. A falta 
de resposta política revolucionária do proletariado permitiu que a situação se 
estabilizasse logo após a eclosão da crise, no marco de que a tendência à 
instabilidade confirmou-se nas lutas que começaram a espocar e no surgimento de 
movimentos/ações da ultra-direita.
Desde a queda da URSS e dos Estados do leste europeu, o socialismo foi alvo de 
uma violenta campanha política e ideológica de desmoralização, de tal sorte que 
a idéia de uma alternativa socialista ao capitalismo está ausente ou 
desacreditada na consciência da maioria dos trabalhadores. Sem um projeto 
alternativo de sociedade a ser apresentado em substituição ao capitalismo, a 
luta acaba se limitando a medidas defensivas que não rompem com a ordem 
estabelecida. O discurso dos trabalhadores em mobilização na Europa, por 
exemplo, é tão somente contra a “injustiça” das medidas de austeridade, por meio 
das quais os governantes querem obrigá-los a pagar pelos “erros” dos 
especuladores. Esse discurso não se eleva ao nível da consciência de que não se 
trata de erros “acidentais” de gestores mal-intencionados e de injustiças 
eventuais, mas de uma lógica social capitalista que inevitavelmente produz 
crises. Essa lógica social não pode ser atenuada ou controlada por medidas 
parciais, nem muito menos “humanizada”, pois a alienação está na sua própria 
essência.
 
1.1.2 As revoluções democráticas nos países árabes
 
Está em curso no norte da África e Oriente Médio um processo de revoluções 
democráticas com a queda de ditaduras de décadas sustentadas pelo imperialismo e 
ao mesmo tempo seus agentes na região. Os elementos desse ciclo, com expressões 
mais ou menos avançadas de país para país, são: a) a queda brusca de ditaduras 
históricas a partir da ação direta e da organização das massas; b) participação 
dos setores da classe trabalhadora no processo; c) crise e divisão das forças 
armadas com a dificuldade para a repressão direta aos movimentos; d) a conquista 
de várias liberdades democráticas e de organização dos trabalhadores e das 
massas em geral; e) a transição mais ou menos rápida para regimes 
democrático-burgueses com a realização de eleições (mesmo no caso do Egito, em 
que as forças armadas assumem o poder político através da junta militar, estão 
marcadas eleições para a constituição de um governo civil e para o parlamento).
Mesmo estando desprovido de uma consciência socialista e de direções 
revolucionárias, esse processo abre uma nova situação nesses países do Oriente 
Médio e Norte da África, com melhores condições para a luta e a organização dos 
trabalhadores, agora diretamente contra a burguesia e a dominação imperialista 
que tende a permanecer. Os problemas estruturais, contudo, não foram resolvidos. 
A partir de agora as lutas tendem a se travar entre os trabalhadores e a 
burguesia, com a polarização de classe tomando uma dimensão maior, que combinado 
às liberdades democráticas conquistadas, tende a desenvolver um processo de 
organização da classe trabalhadora e seus organismos de luta, como sindicatos, 
etc.
No entanto, a caracterização de que se trata de revoluções democráticas ao mesmo 
tempo busca apontar os limites desse processo. Com a mudança para regimes 
democrático-burgueses combinada com a profunda crise de alternativas 
socialistas, tende a haver a divisão dos setores que protagonizaram essas 
revoluções democráticas, devido à capacidade da democracia burguesa de diluir, 
cooptar e se contrapor às necessidades de luta da classe trabalhadora contra a 
burguesia.
As tarefas democráticas, apesar de conquistadas em boa medida, não estão 
consolidadas e nem foram plenamente atingidas, assim como outras revoluções 
democráticas na América Latina, por exemplo. Assim, colocam-se as seguintes 
tarefas para o próximo período: a) consolidar e expandir ao máximo o processo de 
conquistas democráticas a partir da manutenção da mobilização das massas; b) 
avançar num processo de lutas e organização independentes da classe trabalhadora 
por suas demandas direcionadas contra a burguesia e o Estado burguês; c) a 
necessidade de uma nova revolução, desta vez socialista, sustentada nos 
organismos da classe trabalhadora.
As lutas dos trabalhadores contra o capitalismo em crise precisam passar da 
defensiva para a ofensiva. Os planos dos governos capitalistas precisam ser 
derrotados e revertidos pela ação organizada da classe trabalhadora. É preciso 
romper com os limites políticos e os obstáculos organizativos das atuais 
direções reformistas e burocráticas dos partidos e sindicatos. A luta em defesa 
das condições de vida e contra os ataques da burguesia precisa se desenvolver em 
direção a uma alternativa de poder dos trabalhadores, que apresente um projeto 
socialista de reorganização da vida social, contra a barbárie capitalista.
 
1.2 Nacional
 
A eleição de Dilma é a vitória do modo petista de governar, isto é, o governo em 
favor da burguesia, tendo o controle dos organismos de luta dos trabalhadores e 
outros setores oprimidos. O governo Dilma representa uma continuidade em relação 
aos dois mandatos de Lula, no sentido de que o PT segue sendo o instrumento 
político mais adequado para a aplicação do projeto da burguesia e do 
imperialismo para o país. O PSDB-DEM seguirá aparecendo como uma alternativa de 
direita e pressionando o PT a ser mais servil à burguesia, pois essa é a única 
forma de se manter no controle do aparato do Estado, vital para sua sustentação 
enquanto burocracia.
No entanto, dentro dessa continuidade, manifestam-se alguns elementos de 
descontinuidade, que têm a ver com as necessidades do capital para o próximo 
período. Essas necessidades se organizam em torno de alguns eixos:
- Aumento da competitividade da economia. Dado que o crescimento mundial deve 
seguir sendo lento no próximo período e a disputa de mercado mais acirrada 
(demanda frágil nos países imperialistas, guerra cambial, medidas 
protecionistas, etc.), o capital que opera no Brasil terá que aprofundar 
(contra)reformas no sentido de ampliar a competitividade da economia. Deve ser 
retomada uma ofensiva ideológica em torno de medidas como: a) ataque sobre a 
legislação trabalhista e sindical; b) reforma da previdência; c) (contra)reforma 
tributária;
- Cortes de gastos para reequilibrar o orçamento. O governo brasileiro também 
precisou jogar dinheiro na economia e agora terá que reequilibrar o orçamento, 
por meio de cortes nos gastos sociais, atacando o salário dos funcionários 
públicos e precarizando os serviços.
- Reestruturação do Estado, enxugamento do quadro funcional, meritocracia e 
avaliações de desempenho como medida de achatamento salarial do funcionalismo, 
ataques à estabilidade, etc.
- Desenvolvimentismo e incentivos às empresas. Com base no discurso de que “o 
que é bom para o capital é bom para o Brasil”, o governo deverá seguir dando 
incentivos para a burguesia, na forma de: a) renúncias fiscais; b) empréstimos a 
juros baixos; c) desregulamentação ambiental; d) grandes obras de 
infra-estrutura;
Na prática trata-se de uma política semelhante à que acontece nos países 
imperialistas, em que o Estado transfere dinheiro para o capital, às custas de 
ataques sobre os trabalhadores. Mas aqui essa política aparece mediada pelo fato 
de que o processo da crise foi muito mais suave sobre o Brasil, e as medidas são 
de muito menor porte, tanto no plano dos ataques como no das concessões à 
burguesia. Essa política será legitimada pelo discurso de que o Brasil está no 
caminho certo, está crescendo de uma forma que beneficiará a todos, tende a ter 
um papel de destaque no mundo, o que será sacramentado pelos mega-eventos da 
Copa do Mundo e Olimpíadas.
Esses elementos tendem a fazer com que o governo Dilma apresente um perfil mais 
à direita do que o de Lula, com um perfil menos político, demagógico-carismático 
como era o de Lula, e mais tecnocrático, gerencial, economicista. Isso se dará 
pela opção do próprio PT, que seguirá priorizando o controle do aparato do 
Estado, das empresas estatais, fundos de pensão, etc.; e desempenhando o papel 
de sustentar ideologicamente o governo através do controle do movimento e das 
organizações dos trabalhadores.
Está em jogo uma grande operação política e sindical no sentido de construir-se 
a imagem de um país que caminha em direção ao futuro próspero e que para tanto é 
preciso apostar no crescimento econômico e na democracia burguesa. Esse projeto 
está sendo apresentado pelo PT a partir da exploração do petróleo do Pré-Sal, do 
crescimento econômico e de um maior peso do Brasil no plano internacional. Porém 
tudo isso é apresentado condicionado ao interesse do capital, ou seja, para que 
o país cresça, o capital tem que crescer.
 
2. QUESTÕES GERAIS DO SETOR BANCÁRIO
 
2.1 Tendências de concentração do setor bancário
Ao mesmo tempo em que a burocracia petista no governo manobrou os bancos 
federais como um dos seus instrumentos para a administração da crise, o conjunto 
do setor bancário avançou no seu processo de concentração e monopolização. Toda 
crise capitalista produz uma espécie de seleção em que apenas os capitais mais 
fortes sobrevivem e os menores são absorvidos. Esse processo se manifesta por 
meio de fusões de empresas, aquisições e incorporações.
No setor bancário, tivemos a compra do Unibanco pelo Itaú (apresentada como uma 
fusão) e a compra do ABN Real pelo Santander. A concentração de capitais tem 
conseqüências trágicas para os trabalhadores, pois permite que os capitalistas 
dispensem mão de obra “excedente” nos setores em que passa a haver sobreposição 
de funções. A economia dos gastos com mão de obra e os ganhos de escala são os 
objetivos visados pela burguesia no processo de concentração, de modo que cada 
fração do capital possa se reposicionar mais favoravelmente no jogo da 
concorrência. Os bancos privados tiveram aumento de 24% nos seus lucros em 2009, 
em pleno auge da crise.
A novidade histórica do período recente foi a entrada dos bancos federais nesse 
jogo, com as compras do BESC e Nossa Caixa pelo Banco do Brasil (e de parte da 
BV Financeira) e a compra de parte do Panamericano pela Caixa Econômica Federal. 
Ainda no âmbito dos bancos federais, foi anunciada a construção da chamada 
“Cidade Digital” em Brasília, integrando os sistemas de informação do BB e da 
CEF. A integração criará uma plataforma comum para os setores de tecnologia dos 
dois bancos, o que nos permite vislumbrar no horizonte uma possibilidade de 
fusão entre os dois gigantes estatais como culminação desse processo de 
concentração.
Ainda dentro deste processo de concentração de capital, destaca-se o movimento 
de extinção das áreas-meio dos bancos. Há uma orientação generalizada de fechar 
complexos e setores inteiros, demitindo o excedente, ou terceirizando os 
serviços. Exemplo disso é o que acontece com o serviço de compensações dos 
bancos.
No Bradesco, os funcionários da compensação no complexo da Cidade de Deus, em 
Osasco (maior concentração de trabalhadores bancários do Brasil, com mais de 
10.000 funcionários) já estão sendo deslocados para as agências, com a promessa 
(em acordo entre o banco e a burocracia do Sindicato dos Bancários de São Paulo, 
Osasco e Região) de que não vai haver demissões nem alteração de salários a 
curto prazo e de que vai ser mantido o adicional noturno. Os funcionários da 
compensação estão sendo forçados a se deslocar para as agências de toda Grande 
São Paulo para dar treinamento aos funcionários das agências no uso do sistema 
de compensação eletrônica. A longo prazo, conforme o serviço for incorporado 
pelas agências esse pessoal vai se tornar “supérfluo” para o banco. O serviço 
nas agências vai aumentar sem que haja o aumento no número de trabalhadores.
No Banco do Brasil as agências já estão municiadas com “scanners” para 
digitalização dos documentos, para que seja possível, entre outras coisas, a 
compensação de cheques sem a cópia física de documentos. O banco estatal já 
sinalizou que pretende fechar o Complexo Andaraí, no Rio de Janeiro; e o serviço 
que não puder ser repassado para as agências será centralizado em São Paulo. Os 
funcionários teriam que escolher dois caminhos: procurar realocação na rede de 
agências, ou trabalharem na mesma função em São Paulo.
Essas medidas viabilizam a rotatividade da mão de obra, movimento pelo qual as 
empresas descartam os bancários com mais tempo de trabalho e melhores salários 
para contratar novos trabalhadores com salários menores. Funcionários 
qualificados que se dedicaram à empresa por muitos anos são friamente 
desprezados. Instala-se uma situação de permanente insegurança para os 
trabalhadores, que vão trabalhar de manhã sem saber se continuarão empregados à 
tarde. A digitalização da compensação e dos documentos em geral é mais uma 
medida do processo geral de automação bancária, que reduz custos e aumenta os 
lucros para os banqueiros. É preciso desfazer a ilusão de que medidas desse tipo 
podem de alguma forma beneficiar os trabalhadores, diminuir a carga de serviço, 
etc. Ao contrário, o que acontece é o aumento do volume de serviço e a 
diminuição do número de trabalhadores.
 
2.2 Reestruturação dos bancos federais e privatização
 
É nesse contexto que deve ser interpretado o processo de reestruturação da Caixa 
Econômica Federal, que está sendo desencadeado pelo governo cerca de 3 anos 
depois da reestruturação do Banco do Brasil (a qual por sua vez segue se 
aprofundando). A burocracia petista, em seu papel de ocupante do Estado, não se 
contenta em ser simples gestora dos interesses da burguesia, mas procura se 
comportar ela própria como burguesia, como empresariado, como ente patronal e 
personificação do capital voltada para a reprodução ampliada do valor. Desse 
modo, a gestão das empresas estatais subordinadas ao governo federal segue uma 
estratégia tipicamente empresarial de concorrência e maximização dos lucros a 
qualquer custo.
A transformação de Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil em bancos de 
mercado deve ser chamada por seu nome, ou seja privatização. A privatização não 
consiste apenas numa simples mudança jurídica da propriedade. O Estado pode 
continuar sendo o acionista majoritário dessas empresas, mas o que é decisivo 
para caracterizar uma empresa privada é a sua forma de gestão, a sua lógica 
interna de funcionamento, o seu projeto essencial. E nesse aspecto, os bancos 
federais caminham para se transformar em empresas puramente privadas, 
desprovidas de qualquer função social. Isso é inteiramente compatível com a 
concepção ideológica da burocracia petista e seu projeto geral de administração 
do capitalismo brasileiro.
Cabe ainda o adendo de que, em relação ao aspecto da propriedade jurídica, o 
governo anunciou a oferta pública de mais um lote de ações do Banco do Brasil, 
ou seja, um avanço na sua privatização formal. Esse anúncio foi feito um dia 
antes do Congresso dos Funcionários do Banco em 2010, um Congresso em que a 
burocracia sindical da Articulação aprovou o apoio à candidatura de Dilma 
Roussef-PT, precisamente sob a alegação de que em seu governo não haveria 
privatização...
Definido esse caráter geral do projeto de privatização em curso, resta 
ulteriormente determinar o encaminhamento objetivo que terá o processo, ou seja, 
por quanto tempo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal vão concorrer entre 
si (com as suas respectivas camadas gerenciais querendo mostrar ao 
patrão-governo quem é mais eficiente no mercado e a burocracia petista 
assistindo de camarote), quanto tempo vai transcorrer até que sejam fundidos num 
só empresa, se vai haver desmembramento da Caixa Econômica Federal e repartição 
de suas funções sociais, etc.
Qualquer que seja o formato objetivo do projeto, os trabalhadores dos dois 
bancos precisam ter consciência do que está em jogo e organizar uma luta de 
resistência contra a privatização. Não há qualquer aspecto positivo possível nas 
reestruturações dos bancos federais, não há o que negociar e muito menos o que 
especular em relação a esse projeto, que precisa ser combatido duramente em sua 
totalidade. Com ou sem transferência jurídica formal da propriedade, a 
privatização trará mudanças negativas em todos os aspectos da vida dos 
trabalhadores, desde as demissões, descomissionamentos, fechamento dos setores, 
transferências forçadas, aumento da exploração e da carga de trabalho, assédio 
moral sistemático, obstrução da organização no local de trabalho.
 
2.3 O funcionalismo do Banco do Brasil
 
Ano após ano o funcionalismo do BB sofre diversos ataques do governo federal por 
meio da direção do banco. É bom lembrar que há diretores do Banco oriundos do 
movimento sindical, que nada fizeram para melhorar as condições de trabalho. 
Pelo contrário, implementam uma política que deteriora ainda mais as condições 
de trabalho via medidas como o avanço da terceirização, com as conseqüentes 
fraudes aos direitos trabalhistas.
Em 2007, o governo aplicou uma reestruturação administrativa no banco que:
- provocou o desligamento de mais de 7.000 funcionários por meio do PAA;
- impôs a “lateralidade”, acabando com a remuneração das substituições, o que na 
prática significa o império o desvio de função, já que os Assistentes de 
Negócios, que não são administradores, passaram a ter responsabilidades de 
gerente, sem, no entanto, ganharem para isso;
- deteriorou o ambiente de trabalho dos Caixas Executivos ao reduzir pela metade 
a quantidade destes profissionais na rede de agências nas grandes cidades;
- fechou prédios inteiros do banco, como a GERIE Campinas, cujos funcionários 
trabalham na capital, a 100 km de seus lares (o Banco se recusa a pagar 
vale-transporte para os companheiros);
- precarizou as relações trabalhistas através da terceirização das 
atividades-fins do Banco, como é o caso do processamento de envelopes e de 
malotes (USO-PSO); e das transações no cartão de crédito via central de 
atendimento telefônico, e também (pasmem) abertura de contas. Destacamos aqui a 
luta dos companheiros trabalhadores da Central de Atendimento de Cartões da 
empresa terceirizada “Montana” de São Paulo, que fizeram greve no início de 2009 
pelo recebimento de seus direitos;
- implantação do “Projeto BB 2.0”, que nada mais é do que mais um plano de 
reestruturação (privatização) do BB, que visa, entre outras coisas, o fechamento 
e redução de pessoal na área meio e realoca-los na rede de atendimento ao 
público; reconfigurar a ambiência das agências com o absurdo da retirada da 
porta giratória; além de submeter o funcionalismo ao terror do 
descomissionamento nas dependências em que ficou com dotação excedida.
Todas essas medidas da reestruturação foram implantadas com a chancela dos 
nossos sindicatos, da CONTRAF e da CUT. Não podemos esquecer o lamentável papel 
destas mesmas entidades sindicais na campanha pelo “sim”, para a aprovação da 
proposta do Banco e do governo de mudança estatutária da CASSI (Caixa de 
Assistência dos Funcionários dos Banco do Brasil). O governo queria (e 
conseguiu) com isso transferir o ônus das péssimas condições de trabalho (fonte 
de doenças ocupacionais) para os trabalhadores, por meio da co-participação nos 
exames, da contribuição para a CASSI sobre o 13º salário e do não questionamento 
dos mais de 500 milhões de reais de dívidas que o Banco tem junto à CASSI por 
conta do calote que o governo FHC deu em nossa Caixa de Assistência em 1998 (na 
ocasião, o governo contribuía com 4,5% sobre a folha de salários e depois passou 
a recolher apenas 3 %), e principalmente pela política de congelamento salarial 
de 10 anos do funcionalismo enquanto as despesas médicas não pararam de crescer. 
O argumento que a direção sindical utilizava para “convencer” os bancários (que 
foi o mesmo usado pelo governo) era de que se o estatuto não fosse alterado, o 
Banco acabaria com a nossa Caixa de Assistência, e de que Banco se comprometeria 
a liberar 300 milhões de reais para a CASSI sair do colapso financeiro.
Na PREVI, são cada vez mais freqüentes as ingerências do BB nos recursos dos 
funcionários. Em 2010 o governo abocanhou R$ 7,5 bilhões da PREVI numa “ação 
entre amigos”, ou seja, entre o governo e as entidades sindicais ligadas 
politicamente à CUT. Nos últimos anos veio se consolidando tal “tungada” como 
forma do BB maquiar o seu balanço para estar entre os bancos que mais lucram no 
país. Por “ironia”, os funcionários do BB são responsáveis por duas vezes pelo 
lucro. Uma vez com as suas forças e outra com a poupança que o funcionalismo faz 
para garantir uma velhice segura. Os diretores da Previ oriundos do movimento 
sindical não organizaram a base para lutar contra mais este abuso do governo. 
Não há lutas para acabar com o Plano 2 e unificar todos os funcionários no Plano 
1.
A PREVI tem assento de decisão em diversas empresas, entre as quais, a EMBRAER, 
e também não fez nada no sentido de evitar os cortes de pessoal naquela empresa. 
Fica aqui mais uma vez a evidência de que lado o movimento sindical cutista 
está.
Não podemos esquecer a condução pela CONTRAF-CUT do processo de incorporação do 
BESC e da Nossa Caixa ao BB. No primeiro caso, os funcionários foram obrigados a 
optar pelo plano de carreira do BB, pior que o do banco catarinense, como 
condição para continuar empregados no BB, e a confederação nada fez para evitar 
o assédio. No caso da Nossa Caixa, a atuação do sindicato foi ainda mais 
vergonhosa, pois o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região fez 
campanha pela incorporação do banco estadual paulista ao BB, ao invés de 
organizar os bancários da Nossa Caixa para lutar pela manutenção do último banco 
público paulista e pela manutenção de seus empregos.
Em 2010, as entidades sindicais ligadas à CUT aprovaram uma espécie de 
“indenização” aos funcionários egressos da Nossa Caixa pelo fato de terem 
prejuízo por optarem pelo plano de carreira do Banco do Brasil (que não existe). 
Porem tal pagamento só se refere aos últimos 5 anos de serviço. Assim, quem 
optou pela carreira do BB e tem mais de 5 anos na categoria ficou no prejuízo 
com relação ao saldo acima dos 5 anos.
 
2.4 Pauta específica dos funcionários do BB
 
Diante de todo o exposto no geral para a categoria bancária, há de se construir 
uma pauta de reivindicações para o funcionalismo do BB. Ocorre, porém, que não 
adianta apenas uma pauta que atenda os interesses do funcionalismo, mas sim que 
a campanha salarial seja ANTECIPADA, isto é, que as mobilizações por reajuste 
dos salários e melhores condições de trabalho ocorram ANTES do termo final de 
nossa data-base (31 de agosto). Esta campanha ainda deve ser conduzida com 
independência frente ao governo e aos patrões. Os representantes dos 
trabalhadores tem que estar a serviço dos trabalhadores e não do seu partido 
político. Por isso, o comando de negociação deve ser eleito em assembléias de 
base.
 
·         Comando de negociação eleito em assembleias de base!
·         Que a campanha salarial comece de fato antes da data base!
 
1 - Remuneração e Jornada.
 
Entra ano e sai ano ... e o Banco do Brasil bate recordes de lucratividade. No 
entanto, a riqueza produzida por meio da exploração sobre os bancários não lhes 
é repassada, pois a direção cutista sempre assina acordos rebaixados que mal 
repõem a inflação. Ainda no que diz respeito à remuneração, os salários do 
funcionalismo estão profundamente defasados, pois o poder de compra dos salários 
está abaixo dos proventos recebidos até julho de 1994, quando o governo federal 
(na época, era o PSDB) impôs o congelamento salarial que perduraria até agosto 
de 2003. Mesmo após 7 anos seguidos de reajustes nominais, os proventos do 
funcionalismo ainda representam praticamente a metade do que valiam antes do 
período do congelamento. É mais do que urgente a aplicação de um plano de 
reposição de perdas salariais para recompor o poder de compra perdido.
Em 2007, o governo do PT impôs ao funcionalismo a lateralidade, isto é, acabou 
com a remuneração por substituição, oficializando o desvio de função. Neste 
caso, os bancários assumiam responsabilidades de suas chefias, sem, no entanto, 
receberem por isso. É necessária a volta das substituições como forma de fazer 
justiça ao funcionalismo e para que o governo arque com os ônus da falta de 
funcionários.
Em 2010, os dirigentes cutistas, no afã de encerrar a greve, apresentaram a 
proposta do governo de Plano de Comissionamento e Remuneração (PCR) como uma 
vitória do movimento. Ocorre que o “vitorioso” plano é pior do que o PCS na 
época existente, pois exclui os escriturários e os caixas do plano de promoção 
por mérito; beneficia os administradores (pois quanto maior for o salário, mais 
rápido é promovido por “mérito”). Trata-se de um prêmio justamente para o o 
setor do funcionalismo que comparece às assembléias para votar o fim das greves 
e encerrar as campanhas salariais a pedido do governo e em acordo com a 
complacência da CONTRAF-CUT, que marca as assembléias em horários adequados aos 
fura-greves. São também os promotores diretos do individualismo nos locais de 
trabalho e aplicadores do assédio moral.
A reivindicação histórica do funcionalismo é o retorno do PCS antes de 1998, 
isto é, o retorno do anuênio e dos interstícios de 12 e 16% a cada 3 anos de 
empresa. Também deve ser incorporado ao salário 10% da comissão por ano do 
efetivo exercício da função para evitar ser refém das comissões. É esta bandeira 
que o movimento deve erguer para atender os anseios do funcionalismo. O Banco 
tem condições de atender tais reivindicações se considerarmos os bilionários 
lucros obtidos na última década. Pelos mesmos motivos, nenhum bancário deve 
receber menos do que o piso do DIEESE, que está em torno de R$ 2.200,00.
Vários sindicatos de luta, ou ainda aqueles pressionados pelas suas bases, 
conquistaram no Judiciário o respeito à jornada legal de 6 horas para os 
bancários. No entanto, são movimentos difusos e ainda dentro da lógica burguesa, 
que pode sair do controle dos trabalhadores à qualquer momento. Não há um 
movimento nacional organizado neste sentido. A situação hoje é somente os 
trabalhadores das bases que obtiveram vitória nos tribunais gozam desse direito. 
É necessário que se estenda o benefício para toda a categoria pela força da 
mobilização organizada e independente do governo
      • Piso salarial do DIEESE !
      • Pontuação de Carreira e Mérito de forma clara, objetiva e sem 
privilégios para administradores!
·         Retorno do antigo PCS, isto é, reajuste de 12 e 16% a cada três anos 
de empresa!
·         Incorporação de 10% da comissão por ano efetivo na função!
·         Respeito à jornada de 6 horas para todas as funções, sem distinção!
·         Isonomia entre os funcionários pré e pós 1998!
·         Volta do anuênio!
·         Plano de reposição de perdas a fim de recuperar o poder de compra do 
funcionalismo de julho de 1994!
 
2 - Saúde:
 
O tema “saúde” não é apenas o acesso ao atendimento médico de uma ampla rede 
credenciada de médicos e hospitais. A saúde compreende toda uma totalidade como 
o estilo de vida, alimentação, as condições de trabalho, etc. E principalmente 
sobre este último quesito, a direção petista do Banco do Brasil tem contribuído 
de duas formas: 1-precarização do ambiente de trabalho diminuindo o número de 
funcionários, assédio moral para cumprimento de metas, ameaças de 
descomissionamento, sobretrabalho, etc; e 2-transferência da responsabilidade 
pela saúde dos funcionários para os próprios funcionários, quando deveria ser 
assumida pelo patrão-governo. Os colegas afastados por motivos de saúde, seja 
por doenças ocupacionais, seja por acidente de trabalho são ainda mais 
penalizados com perdas do vale alimentação e vale refeição, além de perderem a 
função com a consequente diminuição do salário, tornando a vida do bancário 
insuportável.
Este ambiente altamente insalubre foi estendido para os bancários dos bancos 
incorporados do BESC, Nossa Caixa e do Banco do Estado do Pará. No caso 
específico dos bancários do BNC, o acesso à rede credenciada fora do Estado do 
São Paulo causou a morte de uma colega que se encontrava a serviço do Banco em 
Brasília.
Todos os bancários incorporados estão sob as mesmas condições insalubres de 
trabalho, mas têm tratamentos diferentes. É necessário que a melhor assistência 
médica seja estendida para todos os bancários sem exceção e em todo o território 
nacional, sem co-participação e que o o Governo Federal quite a dívida de mais 
de 500 milhões de reais em face a nossa Caixa de Assistência.
O sucateamento da CASSI é mais uma prova de que o governo petista não tem 
responsabilidade com a saúde do funcionalismo. Porém o que mais chama atenção 
deste processo de sucateamento é o apoio das “entidades representativas” da 
CONTRAF-CUT às medidas do governo. Foi assim na reforma estatutária da CASSI em 
2007 em que a CUT fez campanha para que o funcionalismo aceitasse a proposta do 
governo de mudança estatutária da CASSI, onerando ainda mais o funcionalismo, 
instituindo a co-participação e esquecendo do calote de mais de 500 milhões de 
reais que o banco tem com a Caixa de Assistência
Ainda sobre a desoneração da responsabilidade do Banco com o funcionalismo, o 
governo faz parceria com o Bradesco sob a alegação de estarem atendendo uma 
reivindicação antiga de plano odontológico. O que surgiu deste “acordo” foi a 
criação de mais um produto para que os bancários “vendam” no balcão, que é o 
engodo do “Brasil Dental”, que só cobre serviços elementares de limpeza e 
obturação. Qualquer outro procedimento um pouco mais complexo deverá ser pago 
pelo bancário por meio da co-participação.
Para reverter o atual estado é necessário que o plano odontológico seja feita 
pela CASSI e sob responsabilidade integral do Governo, sem a co-participação.
·         Que a melhor assistência médica seja estendida para o funcionalismo em 
geral e sem distinção!
·         Fim da co-participação em exames e procedimento médicos!
·         Fim do consórcio entre o governo e o Bradesco, isto é, fim do Brasil 
Dental e que a assistência odontológica seja prestada pela operadora da saúde do 
funcionalismo!
·         Que o banco pague o calote de mais de 500 milhões de reais com a Caixa 
de Assistência!
·         Que o governo assuma todos os ônus dos afastamentos médicos, seja por 
doenças ocupacionais, seja por acidente de trabalho! 

·         Fim do BB 2.0, que instaura um clima de pânico e incertezas!
·         Manutenção da porta giratória como instrumento indispensável para a 
segurança dos funcionários e dos clientes!
·         Que os exames periódicos retratem as reais condições do bancário!
 
 
3 – Previdência
 
Os fundos de previdência, sobretudo a PREVI não tem servido aos interesses do 
funcionalismo e sim do governo, como fonte de desfalques para turbinar o lucro 
do banco, maquiando o balanço da empresa e colocando-a entre os bancos mais 
rentáveis do país. O governo, nos últimos anos, abocanha parte do superávit da 
PREVI, ao invés de beneficiar os participantes. Os fundos de previdência têm 
sido uma fonte de lucros para os acionistas e para o governo para compor o 
montante do Superávit primário, que é o esforço que o país faz para pagar juros 
da dívida pública.
Para reverter esta situação é necessário que o Plano 1 da PREVI seja extensível 
para TODOS os bancários incorporados. Deve-se também impedir que o governo faça 
cada vez mais saques do patrimônio que é do funcionalismo para o funcionalismo.
·         FIM DOS SAQUES QUE O GOVERNO FAZ NO PATRIMÔNIO DO FUNCIONALISMO!
·         Que os superávits sejam revertidos em benefício dos próprios 
bancários!
·         Que todo o funcionalismo seja integrado ao plano 1 da PREVI sem 
distinção!
 
4 - Banco Público
 
O Banco do Brasil já é um banco privado em sua administração, ainda que o 
Tesouro seja o acionista majoritário. Como em qualquer banco privado, os funcis 
são massacrados por metas e a população pobre é expulsa das agências, 
direcionada para os correspondentes bancários.
Há 20 anos o Banco do Brasil passa por um processo ininterrupto de privatização. 
O governo assedia os funcionários para baterem metas de vendas cada vez mais 
altas, segmenta os clientes com a intenção de atender apenas os clientes mais 
endinheirados, ao mesmo tempo que empurra o trabalhador para ser atendido pelos 
correspondentes bancários. Mesmo assim, há funções terceirizadas dentro das 
dependências do banco no que diz respeito às funções tipicamente bancária como 
abertura de conta, processamento de envelopes de depósito, compensação de 
cheques etc.
Com o real sobrevalorizado, isso permitiu que o BB se internacionalizasse 
comprando bancos estrangeiros, ou fazendo associações com bancos privados para 
aquisições no exterior, como no continente africano (em associação com o 
Bradesco).
O banco está cada vez mais crescendo, mas este crescimento não é aproveitado 
pelos trabalhadores e nem pelos funcionários. Muito pelo contrário. Cada vez 
mais o banco abandona o seu papel de fomentador e social, para ser mais um banco 
comercial como qualquer outro, se valendo dos mesmos métodos de exploração do 
setor privado.
Todos os problemas do funcionalismo, como as perdas salariais acumuladas, a 
falta de um plano de carreira, o desvio de função, ausência de isonomia, a 
discriminação aos funcionários incorporados, a degradação do ambiente de 
trabalho, as metas, o assédio moral, o adoecimento físico e psicológico, etc., 
não são resultado de incompetência e maldade dos gestores, mas de um projeto 
deliberado de transformação de um banco público em um banco privado. Ainda que a 
propriedade do Banco continue sendo formalmente pública, a empresa já é usada 
como fonte de lucros astronômicos para o governo. Esses lucros, como boa parte 
do que o governo arrecada, é jogado no ralo da dívida pública fraudulenta que 
consome centenas de bilhões de reais todo ano. Como recompensa pela efetivação 
desse saque, os dirigentes do Banco são premiados com PLRs milionárias, enquanto 
os funcionários suportam um cotidiano de trabalho cada vez mais desumano. O 
papel da CONTRAF-CUT tem sido o de manter essa situação exatamente como está e 
impedir que os trabalhadores se organizem para lutar. A saída para essa situação 
só pode ser a organização independente e a luta dos trabalhadores.
·         FIM DO PROJETO BB 2.0!
·         VOLTA DA REMUNERAÇÃO POR SUBSTITUIÇÃO – FIM DA LATERALIDADE!
·         FIM DAS METAS !
·         FIM DE TODA E QUALQUER TERCEIRIZAÇÃO. QUEM TRABALHA EM BANCO, BANCÁRIO 
É!
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