[Bancariosdebase] Revolta em Jirau e IIRSA]
hugoscabello em riseup.net
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Sábado Março 19 18:34:49 UTC 2011
--------------------------- Mensagem Original ----------------------------
Assunto: [ELAOPA] Revolta em Jirau e IIRSA
De: "gus" <ggus em riseup.net>
Data: Qui, Março 17, 2011 6:22 pm
Para: elaopa em lists.riseup.net
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Caros, não sei exatamente sobre o complexo do rio madeira, mas lembro
que essa era uma obra prevista no IIRSA. Uma coisa que pode ter
acontecido é que essa obra e outras foram englobadas no PAC.
abraços,
Gus
http://passapalavra.info/?p=37524
Nota do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) sobre a revolta dos
operários na Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia
Greve dos operários da Usina de Santo Antônio, no rio Madeira, Rondônia
Nesta semana acompanhamos a revolta dos operários na Usina Hidrelétrica
de Jirau contra as empresas que controlam a barragem. Existem
informações de que os mais de 15 mil operários da obra estão em situação
de superexploração, com salários extremamente baixos, longas jornadas e
péssimas condições de trabalho, que existe epidemia de doenças dentro da
usina e não existe atendimento adequado de saúde, que o transporte dos
operários é de péssima qualidade, sofrem com a falta de segurança e que
mais de 4.500 operários estão ameaçados de demissão. Esta é a realidade
da vida dos operários.
Esta situação tem como principal responsável os donos da usina de Jirau,
o Consórcio formado pela transnacional francesa Suez, pela Camargo
Corrêa e pela Eletrosul. As revoltas dos operários dentro das usinas tem
sido cada vez mais frequentes e isso é fruto da brutal exploração que
estas empresas transnacionais impõem sobre seus trabalhadores.
Há pouco tempo houve revolta na usina de Foz do Chapecó, também de
propriedade da Camargo Corrêa, em 2010 houve a revolta dos operários da
usina de Santo Antonio e agora temos acompanhado a revolta dos operários
da usina de Jirau.
As empresas construtoras de Jirau são as mesmas que foram denunciadas em
recente relatório de violação de Direitos Humanos, aprovado pelo Governo
Federal, que constatou que existe um padrão de violação dos direitos
humanos em barragens e de criminalização, sendo que 16 direitos têm sido
sistematicamente violados na construção de barragens. Os atingidos por
barragens e os operários tem sido as principais vítimas.
A empresa Suez, principal acionista de Jirau, é dona da Barragem de Cana
Brava, em Goiás, e Camargo Corrêa é dona da usina de Foz do Chapecó, em
Santa Catarina. Essas duas hidrelétricas também foram investigadas pela
Comissão Especial de Direitos Humanos em que foi comprovada a violação.
Estas empresas tem uma das piores práticas de tratamento com os
atingidos e com seus operários.
Em junho de 2010, o MAB já havia alertado a sociedade que em Jirau havia
indícios e denúncias, que circularam na imprensa local, de que as
empresas donas da Usina de Jirau haviam contratado ex-coronéis do
exército para fazer uma espécie de trabalho para os donos da usina de
Jirau e não seria surpresa se estes indivíduos contratados pelas
empresas promovessem ataques ou sabotagens contra os operários e
atingidos, para jogar uns contra os outros e/ou criminalizar nossas
organizações e sindicatos.
A revolta dos operários é reflexo desse autoritarismo e da ganância pela
acumulação de riqueza através da exploração da natureza e dos
trabalhadores. Prova desse autoritarismo e intransigência é que estas
empresas se negam a dialogar com os atingidos pela usina e centenas de
famílias terão seus direitos negados. As consequências vão muito além
disso, pois nesta região se instalou os maiores índices de prostituição
e violência.
Em 2011, O MAB completa 20 anos de luta e os atingidos comemoram a
resistência nacional, mas também denunciam que estas empresas não tem
compromisso com a população atingida e nem com seus operários. Recebem
altas taxas de lucro que levam para seus países e o povo da região fica
com os problemas sociais e ambientais.
O MAB vem a público exigir o fim da violação dos direitos humanos em
barragens e esperamos que as reivindicações por melhores condições de
trabalho e vida dos operários sejam atendidas.
Água e energia não são mercadorias!
Coordenação Nacional Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
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