[Bancariosdebase] Materiais para subsidiar as teses para os encontros

Mÿffffe1rcio Cardoso da Silva marciocarsi em yahoo.com.br
Segunda Março 21 02:42:37 UTC 2011


Prezados companheiros, manos e minas.

Seguem os materiais que servirão de subsídio para a construção das teses para os 
encontros. Lembrando que o prazo para finalizar a nossa proposta é até a próxima 
reunião, dia 26. Segue os materiais em anexo e no corpo da mensagem

Um forte abraço.

Márcio.

 
TESE PARA O CONGRESSO DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL 2010
 
 
 
            1 CONJUNTURA INTERNACIONAL
 
            1.1 O Caráter da crise
 
            O fato central da realidade mundial atual é a vigência de uma crise 
econômica mais grave do que uma simples inversão de fase do ciclo econômico 
periódico ordinário. Trata-se de uma crise mais séria, que pode inclusive se 
transformar em uma depressão global tão catastrófica quanto a que se iniciou em 
1929.
A crise não se resume à sua dimensão puramente econômica, pois perpassa vários 
níveis da realidade e entrelaça fenômenos econômicos, sociais, políticos e 
culturais de longa duração. Num mesmo processo estão contidos: 1º) a crise 
econômica estrutural, 2º) o esgotamento do padrão de acumulação, 3º) a crise do 
modelo neoliberal, 4º) o esgotamento do último ciclo periódico, 5º) a crise 
político-ideológica da utopia burguesa do “fim da história”, 6º) a crise 
político-administrativa da forma Estado enquanto instância de controle social, 
7º) a crise ambiental,  8º)  a crise energética, 9º) a crise alimentar.
Todos esses aspectos dialeticamente articulados convergem para uma crise 
societal do capitalismo como alternativa societária para a humanidade. A crise 
atual é uma crise que afeta a totalidade do modo de vida.
Paralelamente à crise do capitalismo, vivemos também uma crise da alternativa 
socialista. O projeto socialista está ausente da consciência da classe 
trabalhadora. O proletariado mundial, sujeito social da transformação histórica, 
está desprovido de um projeto societário alternativo ao capitalismo que possa 
ser apresentado como alternativa positiva imediata em face do processo em curso 
de decomposição acelerada da ordem estabelecida.
 
            1.2 Crise estrutural
 
            A crise estrutural do capital corresponde ao esgotamento dos 
mecanismos de deslocamento das contradições do capitalismo a partir da década de 
1970. No período imediatamente precedente, tais contradições eram deslocadas por 
formas de produção destrutiva (gastos militares do Estado, consumo de bens de 
luxo pela burguesia, etc.) e políticas de bem-estar social capazes de dar vazão 
à gigantesca acumulação de capital ocorrida nas décadas de 1940, 50 e 60 com a 
reconstrução da Europa e do Japão e a industrialização da periferia. Tais 
políticas eram denominadas keynesianismo no centro e nacional-desenvolvimentismo 
nos países periféricos.
            A partir de 1970 a tendência à queda da taxa de lucro, assim como as 
crises de superprodução voltam a se manifestar com força total. Os mecanismos de 
deslocamento chegam ao seu limite e começam a perder eficácia, forçando o 
capitalismo a modificar o padrão de acumulação anteriormente vigente. O novo 
padrão de acumulação aprofunda tendências herdadas do período anterior e 
desenvolve uma série de novas características.
            Os Estados Unidos, que emergiram no pós-II Guerra como principal 
economia do mundo e a única capaz de liderar a reconstituição do bloco 
capitalista, no contexto da disputa geopolítica contra a alternativa 
representada pela URSS, desempenharam essa tarefa financiando a reconstrução da 
Europa, do Japão e a industrialização da periferia (instalação de plantas 
industriais controladas pelas transnacionais, processo que se iniciou nas 
décadas de 1950 a 70 em países como Brasil e Coréia do Sul). 

A partir da década de 1970, esse processo de recuperação coordenada foi 
interrompido pelo retorno das crises cíclicas de superprodução de caráter mais 
agudo, que se manifestaram por exemplo em fenômenos como o déficit comercial dos 
EUA para com a Europa. Os EUA reagiram ao retorno das crises agudas nas últimas 
décadas por meio de medidas unilaterais como: quebra do padrão dólar-ouro, alta 
dos juros, “consenso de Washington”, desregulamentação financeira, guerra ao 
terror.
            No contexto dessas políticas unilaterais, aprofundam-se fenômenos 
como: a globalização da produção, que completa a industrialização da periferia 
mundial com a recente incorporação da China e da Índia; a formação de um mercado 
mundial de força de trabalho e de um exército industrial de reserva mundial 
(processos acompanhados de reestruturações produtivas que rebaixam os salários, 
precarizam as condições de trabalho, dividem a classe trabalhadora, etc.); o 
crescimento em tamanho e poder das corporações transacionais.
            Desenvolve-se também uma III Revolução Industrial, que se manifesta 
na incorporação maciça da tecnologia à produção, na forma da robótica, 
microeletrônica, informática, telecomunicações, internet, biotecnologia, etc. A 
revolução tecnológica multiplica a produtividade (ou seja, a taxa de exploração 
dos trabalhadores) e produz também o desemprego tecnológico estrutural.
            Para contornar as dificuldades de realização do capital nas 
circunstâncias restritivas da crise estrutural, a burguesia apela para a criação 
de diversas formas de capital fictício, ou seja, desenvolve processos de 
especulação nos mercados financeiros que negociam valores nominais várias vezes 
maiores que o total da produção mundial real. Esse processo de crescimento do 
capital fictício vem acompanhado do endividamento do Estado, das empresas e dos 
consumidores, já que inclusive os títulos de dívida se convertem em “ativos” 
negociados nos mercados financeiros.
            
            1.3 Hegemonia neoliberal
 
            Esse padrão de acumulação peculiar ao período pós-1970 adquire 
expressão teórica e política no neoliberalismo. O neoliberalismo interpreta o 
retorno das crises periódicas agudas nas décadas de 1970 e 80 como demonstração 
do fracasso das políticas econômicas keynesianas. A alternativa para combater as 
crises estaria na retirada do Estado da economia e na atuação plena do 
livre-mercado em todos os terrenos. Na realidade, por trás desse discurso de 
“retirada do Estado da economia”, se disfarça uma operação de seqüestro do 
Estado pelos setores mais rentistas e parasitários da burguesia mundial. A 
burguesia financeira usa o Estado como instrumento para um violento ataque 
contra a classe trabalhadora com o objetivo de potencializar a extração de 
mais-valia.
Depois de conquistar a hegemonia política nos países centrais na década de 1980, 
esmagando a resistência da classe trabalhadora no núcleo do capitalismo, o 
neoliberalismo se volta para a periferia, através do chamado “consenso de 
Washington”, que na verdade representa um ditado imperial do capitalismo 
estadunidense imposto aos países periféricos na década de 1990. Desse ditado 
constam medidas como: privatizações, retirada das proteções trabalhistas, 
sucateamento dos serviços públicos, saque dos fundos públicos, saque dos 
recursos naturais, desregulamentação das finanças e liberalização da 
movimentação do capital de modo geral.
O conjunto dessas medidas foi apresentado como a panacéia universal para curar 
todos os males das economias enfraquecidas pelas crises dos anos 1970 e 80. Na 
realidade, o neoliberalismo somente contribuiu para aprofundar os problemas, 
agudizando as contradições do capitalismo e precipitando crises ainda mais 
graves nas décadas de 1990 e 2000.
            A aparente viabilidade do neoliberalismo não foi demonstrada por 
seus alegados méritos intrínsecos, mas pela conveniente desaparição do modelo 
que se lhe apresentava então como alternativa, o da URSS e do leste europeu, que 
desmoronaram entre 1989-91. O fim do modelo vigente naqueles Estados foi 
maciçamente propagandeado como demonstração do “fim do socialismo” e do “fim da 
história”, ou seja, vitória definitiva do capitalismo.
            Essa propaganda foi usada como arma política para desarticular a 
resistência dos trabalhadores às políticas neoliberais. Desprovidos de uma 
alternativa histórica ao capitalismo, as organizações da classe trabalhadora, 
como partidos e sindicatos, aceitaram o “livre mercado” como horizonte 
definitivo de organização da vida social, incorporando-se à sua administração e 
abrindo caminho para o ataque da burguesia contra as condições de vida da 
classe.
            Esse ataque prosseguiu pelas décadas de 1990 e 2000, nas quais a 
burguesia impôs o desemprego estrutural, a retirada de direitos trabalhistas, a 
precarização geral das condições de trabalho, as terceirizações e 
subcontratações, o trabalho temporário, informal, etc. Essas transformações 
estruturais criaram dificuldades ainda maiores para a organização dos 
trabalhadores enquanto classe, desarticulando os instrumentos de resistência 
coletiva e empurrando os trabalhadores para a busca de soluções individuais para 
os seus problemas.
            Somou-se a esse ataque diretamente político a propaganda ideológica 
em torno do conceito de “globalização”, vendido como um processo “inevitável” e 
supostamente benéfico de formação de uma “aldeia global” na qual haveria a 
“livre circulação” de mercadorias, pessoas e idéias, promovendo uma nova era de 
prosperidade ilimitada e “ao alcance de todos”.
            O verniz ideológico da globalização tenta apresentar como natural o 
processo social de aprofundamento do neoliberalismo, que corresponde a um 
período particular da história do capitalismo em crise estrutural. Os ataques 
contra a classe trabalhadora são parte da ofensiva geral da burguesa para se 
libertar de qualquer forma de regulamentação estatal da atividade econômica, 
sejam trabalhistas, contábeis, ambientais, de saúde pública, etc., vistas como 
obstáculos para o lucro. A desregulamentação geral acompanhou a liberalização 
financeira como uma das características centrais da realidade econômica nas 
últimas duas décadas.
            A desarticulação política e ideológica dos trabalhadores e a 
ausência da devida resistência da classe operária ao neoliberalismo propiciou à 
burguesia a oportunidade de potencializar a extração de mais-valia, tanto 
absoluta (extensão da jornada) quanto relativa (aumento da produtividade), no 
novo cenário de um mercado mundial de força de trabalho em que os custos 
salarias e também indiretos (direitos, benefícios e proteções sociais) tendem a 
ser nivelados por baixo.
            Além de servir para derrubar a resistência política dos 
trabalhadores nos países imperialistas e na periferia capitalista, a queda dos 
regimes do leste europeu serviu também para abrir terreno ao capital para a 
incorporação de um novo e vasto território econômico no qual a burguesia havia 
sido expropriada. A mão de obra barata e qualificada, os recursos naturais e as 
forças produtivas da antiga URSS e dos seus satélites ficaram à disposição do 
capital mundial para serem explorados em associação com a nova burguesia que se 
formou nesses países composta pelas máfias e pelos restos da antiga burocracia. 
A reconquista desses territórios foi também um fator importante para auxiliar na 
recuperação e na expansão do capitalismo mundial na década de 1990.
 
1.4 A divisão internacional do trabalho e os fundamentos da atual crise
 
            A atual crise, no seu aspecto puramente econômico, apresenta uma 
tripla dimensão de: 1º) esgotamento do padrão de acumulação criado nos anos 
1970; 2º) crise do modelo neoliberal iniciado na década de 1980 no centro do 
sistema e generalizado para a periferia na década de 1990; 3º) fechamento do 
último ciclo periódico de crescimento iniciado em 2002 e encerrado com a crise 
de 2008.
            O último ciclo periódico carrega em si as contradições que vinham se 
acumulando desde o início dos anos 1970 e que se agudizaram a partir da 
hegemonia neoliberal. A reconfiguração do sistema capitalista mundial 
impulsionada pelos Estados Unidos nas últimas quatro décadas teve como resultado 
a formação de uma determinada forma de relação entre as diversas economias 
nacionais que constituem o conjunto do sistema, uma forma específica de divisão 
internacional do trabalho entre os países e continentes. É essa forma específica 
que também entra em crise com o fechamento do atual ciclo.
O capitalismo está atualmente estruturado em torno da condição dos Estados 
Unidos de emissor da moeda de reserva mundial e simultaneamente maior mercado 
consumidor. Os Estados Unidos emitem a moeda com a qual pagam pela importação de 
mercadorias cuja produção impulsiona o crescimento do restante da economia 
mundial. Outros centros do capitalismo como Europa e Japão também possuem 
importantes mercados internos, mas o núcleo dinâmico de seu crescimento está nas 
exportações para o mercado estadunidense. As exportações para os Estados Unidos 
não são realizadas apenas diretamente, mas também em boa medida através da Ásia, 
em especial da China, para onde se deslocaram grande parte das plantas 
industriais das corporações estadunidenses, européias e japonesas que fazem a 
montagem industrial final dos produtos, aproveitando-se da mão de obra barata. 
As matérias-primas que alimentam esse circuito produtivo provém da América 
Latina (minérios e alimentos), do Oriente Médio (petróleo) e em menor medida da 
África, componentes periféricos do circuito.
A capacidade dos Estados Unidos de absorverem as exportações mundiais depende da 
capacidade dos seus trabalhadores de se endividarem. Esse endividamento tem se 
aprofundado nas últimas décadas, com os trabalhadores assumindo dívidas muito 
maiores que a sua renda, culminando na atual crise do mercado imobiliário. A 
crise do endividamento dos trabalhadores é simultaneamente uma crise do mercado 
financeiro, cujo crescimento artificial nas últimas décadas estava baseado 
precisamente na hipótese do crescimento infinito do endividamento dos 
trabalhadores e das empresas que lhes fornecem bens de consumo (como as 
montadoras de automóveis estadunidenses severamente debilitadas).
            O endividamento dos trabalhadores e das empresas, tanto produtivas 
quanto financeiras, é em última instância garantido pelo endividamento do 
próprio governo estadunidense. Para salvar os bancos e entidades financeiras 
atingidos pela atual crise o governo estadunidense teve que desembolsar trilhões 
de dólares em pacotes de salvamento. Na falta de uma receita fiscal suficiente 
para cobrir esses pacotes de salvamento, mesmo porque a própria retração 
econômica vai reduzir a arrecadação de impostos, o governo estadunidense terá 
que apelar para a emissão de títulos do tesouro. 

            Os investidores que adquirem esses títulos estão na verdade 
emprestando ao governo estadunidense com base na confiança de que o governo terá 
os dólares para resgatar esses títulos no seu prazo de vencimento.
            Dentre os investidores que detém a maior parte dos títulos do 
tesouro estadunidense estão justamente os bancos centrais dos países que 
exportam para os Estados Unidos: China, Japão e tigres asiáticos. Esses países 
recebem em dólares pelos produtos que vendem aos Estados Unidos, e usam esses 
dólares para comprar títulos denominados em dólar. Recebem dólares no presente 
que usam para comprar títulos que representam o direito sobre dólares futuros.
            Isso faz com que essas economias exportadoras dependam da 
continuidade do funcionamento do atual circuito de 
consumo-endividamento-especulação centralizado pelo mercado estadunidense. Essa 
continuidade está ameaçada pela eclosão da atual crise.
 
            1.5 Esgotamento do atual ciclo periódico
 
O sistema capitalista é uma unidade na qual se articulam os processos de 
produção e circulação de mercadorias. O próprio desenvolvimento da produção 
origina crises de superprodução que são expressão das dificuldades crescentes da 
realização da mais-valia e do processo de reprodução ampliada do capital como um 
todo. Para contornar estas dificuldades desenvolveram-se mecanismos de crédito e 
geração de capital fictício, que resultaram num aumento do endividamento. Esses 
mecanismos criam uma ilusão de autonomia do capital financeiro com relação à 
produção (o que seria “economia real”) e uma falsa percepção de que as crises 
têm origem no mercado financeiro (“economia virtual”); quando na verdade 
trata-se da expressão das contradições do funcionamento do capitalismo enquanto 
uma totalidade.
            Cada crise econômica é provocada pelas próprias soluções que foram 
encontradas pela burguesia para contornar a crise anterior. A burguesia na 
realidade é incapaz de solucionar as crises do capitalismo, pois isso 
equivaleria a dissolver o próprio modo de produção e dissolver-se enquanto 
classe dominante. As soluções burguesas para administrar as crises são sempre 
medidas parciais, que deslocam os problemas para frente e preparam a eclosão de 
crises cada vez mais catastróficas no futuro. A atual crise tem origem nas 
soluções que foram encontradas pela burguesia estadunidense para administrar a 
crise precedente em 2000-2001.
            Em 2000 aconteceu a quebra da NASDAQ, a bolsa de valores que 
negociava ações das empresas de alta tecnologia, quando se percebeu que essas 
empresas jamais seriam capazes de gerar um lucro capaz de compensar o valor pelo 
qual suas ações eram negociadas. Essa incapacidade era mais uma vez determinada 
pelo fenômeno clássico da superprodução, na medida em que havia uma 
superprodução de bens de consumo duráveis, em especial automóveis, computadores 
e bens de consumo eletroeletrônicos, resultado do deslocamento de boa parte da 
produção de tais mercadorias para os países de mão de obra barata como a China.
            Para tentar recuperar a taxa de lucro, a burguesia estadunidense 
reagiu em duas frentes: 1º) lançando a “guerra ao terror” em resposta aos 
ataques de 11/09/2001; 2º) baixando drasticamente as taxas de juros, de modo a 
estimular os trabalhadores a continuar se endividando e consumindo. 

A “guerra ao terror” serviria como estímulo para a economia de duas formas: a) 
garantindo o fornecimento de petróleo barato dos países subjugados no Oriente 
Médio; b) estimulando a produção nos setores ligados ao complexo 
industrial-militar. O fato é que nem a primeira hipótese se verificou, pois a 
resistência no Iraque e Afeganistão forçou as tropas de ocupação a permanecer 
por muito mais tempo do que o planejado, encarecendo tremendamente o 
empreendimento, endividando o Estado e provocando o aumento dos preços do 
petróleo; e nem as encomendas do Estado ao complexo industrial-militar foram 
suficientes para estimular a economia como um todo.
            Na outra ponta, a queda da taxa de juros provocou uma explosão do 
endividamento e da especulação. Os trabalhadores fizeram empréstimos hipotecando 
suas casas como garantia. As empresas do mercado imobiliário que fizeram as 
hipotecas venderam os títulos que lhes davam direito ao recebimento desses 
empréstimos como “ativos” negociáveis nos mercados financeiros. Os bancos de 
investimento compravam esses títulos e os repassavam aos seus investidores, com 
a garantia das seguradoras contra o risco da inadimplência. Entre esses 
investidores estavam os mercados financeiros internacionais, os bancos e fundos 
de pensão.
            A possibilidade de se auferir altos lucros com empréstimos baseados 
em imóveis transformava as casas em investimentos. A procura por títulos 
lastreados em empréstimos imobiliários fez com que se valorizassem 
artificialmente os preços dos imóveis. A valorização dos imóveis gerou um “boom” 
do mercado imobiliário e da construção civil, que foi a base do crescimento 
econômico estadunidense no período de 2002-2007. As famílias hipotecavam suas 
casas pela segunda ou terceira vez. Famílias que não tinham condições de 
adquirir imóveis recebiam empréstimos facilitados para comprá-los. 

Esse ciclo de crescimento chegou ao fim quando já não havia pessoas capazes de 
adquirir casas nem de hipotecá-las por uma segunda ou terceira vez (hipotecas 
“subprime”), ou seja, o fenômeno clássico da superprodução se manifestou na 
superprodução de imóveis. Os trabalhadores começaram a não poder pagar as 
prestações das hipotecas. A inadimplência provocou uma reação em cadeia que 
começou com a falência das financeiras que negociavam hipotecas “subprime” 
(2007), alastrando-se para os bancos de investimento que vendiam títulos 
lastreados nessas hipotecas (ou em dívidas de cartão de crédito, empréstimos 
automobilísticos, crédito estudantil, etc.), passando para as seguradoras que 
garantiam esses títulos (como a AIG), chegando aos mercados financeiros globais 
em meados de 2008.
            A crise do mercado financeiro tornou impossível para as empresas 
produtivas rolarem suas dívidas. Na ausência de um mercado consumidor capaz de 
absorver “naturalmente” a superprodução de mercadorias, as empresas facilitavam 
o crédito para que os trabalhadores consumissem seus produtos. As montadoras de 
automóveis como a GM faziam empréstimos a juros praticamente zero. Com a 
emergência da crise financeira, é precisamente esse crédito que deixa de 
existir. A ausência de crédito obriga as empresas a reduzirem a produção, 
fecharem fábricas, demitirem seus empregados, cortarem salários e benefícios dos 
trabalhadores, etc. O desemprego e a redução do poder de compra da classe 
trabalhadora reduzem ainda mais a possibilidade de escoamento da produção, 
porque não há compradores, e assim sucessivamente, num círculo vicioso que é a 
própria materialização da crise.
            E meados de 2009 a crise econômica mudou de qualidade, pois se antes 
ela se manifestava por meio de um certo grau de destruição de capitais, agora 
ela se dá por meio dos déficits orçamentários dos países imperialistas. Os 
títulos de dívida emitidos pelo governo dos Estados Unidos em mãos de 
compradores estrangeiros elevaram seu volume de 36,9% do PIB em 2007 para 53,8% 
em 2009. O Japão acaba de injetar mais 300 bilhões de dólares na economia para 
conter a crise. Recentemente, um fundo estatal de investimento na portentosa 
cidade de Dubai, nos Emirados Árabes, acaba de decretar moratória diante da 
impossibildade de pagar na data estipulada os títulos emitidos por aquele país. 

            Agora a crise manifesta-se em “soluços” de mini-crises, mas que 
gestam um cataclisma em médio prazo o qual o modo de produção capitalista não 
terá como solucionar. E isso não se aplica somente ao plano econômico e social, 
mas também ambiental. A burguesia se esforça em hipnotizar os trabalhadores com 
o mote do “desenvolvimento econômico sustentável”, como se fosse possível dentro 
do capitalismo um crescimento econômico sem dilapidação dos recursos naturais, e 
sem intensificação da poluição da água, ar e solo.
            Ao contrário do que toda a mídia burguesa apresenta, a crise 
econômica ainda não terminou. Estamos apenas em seu início. Os governos dos 
países imperialistas (e periféricos como o nosso) já gastaram cerca de 13 
trilhões de dólares desde o início da crise para evitar que os grandes 
capitalistas fossem à bancarrota. Ocorre que, ao fazer isso, os dirigentes do 
Estado burguês provocaram as seguintes conseqüências: 1 – não se permitiu que 
houvesse a recomposição “natural” da taxa de lucro, isto é, que os capitalistas 
quebrassem sem qualquer tipo de socorro, de forma que os efeitos da crise seriam 
muito mais violentos (o que poderia ser um catalizador de mobilização dos 
trabalhadores);  2 – a intervenção dos Estados burgueses ao salvar as empresas 
apenas “empurrou com a barriga” os desdobramentos mais graves para médio prazo, 
pois a possibilidade de se recompor a taxa de lucro nos patamares anteriores de 
modo “tranqüilo” é quase nula.
            Em outras palavras, esta crise será a mais duradoura de todas, com o 
planeta caminhando no fio da navalha, pois o equilíbrio econômico, social, 
político e ambiental está muito tênue. As tentativas de se resolver a crise de 
maneira drástica poderiam levar a um questionamento ideológico do modo 
capitalista de produção e organização política, pois iriam se produzir, por 
exemplo, massas de desempregados muito maiores do que tivemos até agora na égide 
desta crise.
 
            1.6 Desdobramentos mais recentes da crise
 
            A economia mundial atravessa uma fase de estabilização depois da 
queda verificada na passagem de 2008 para 2009, ou seja, não está mais caindo 
como no período de auge da crise, mas não houve ainda uma retomada do 
crescimento. Do ponto de vista dos porta-vozes da burguesia, essa estabilidade 
já representa o início da recuperação. Mas na realidade, a economia apenas parou 
de cair, e ainda não começou a subir de volta para os níveis anteriores a 2008.
            A burguesia não sai de uma crise econômica de grandes proporções 
como a que estamos atravessando sem impor uma derrota histórica aos 
trabalhadores, que resulte em um nível maior de exploração. A classe dominante 
ainda não reuniu as condições políticas para desencadear um ataque nas 
proporções daquele que seria necessário para recuperar a taxa de lucro. Por 
isso, apesar do aparente sucesso do Estado na administração da crise, as 
dificuldades para uma retomada do crescimento indicam que a crise permanece 
latente.
            A economia dos Estados Unidos caiu 11,4 em 2009 em relação a 2008, 
ano em que já havia caído 3,2 sobre 2007. O nível de utilização da capacidade 
instalada ficou em 66,9%, contra uma média de 79,6 nos últimos 30 anos. A taxa 
de acumulação do capital industrial caiu em 1,7% no último trimestre de 2009, o 
5º trimestre consecutivo em queda, um recorde desde a Grande Depressão. O 
desemprego permanece na faixa de 10%. O otimismo da burguesia é no mínimo 
injustificado, pois não há sinais de recuperação robusta em nenhuma das 
principais economias. Na Europa, países como Grécia, Portugal e Irlanda vivem 
crises severas de endividamento e a Espanha apresenta um recorde de desemprego 
de 20%.
            Os principais sinais de crescimento estão em países como a China (8% 
em 2009) ou o Brasil. Entretanto, esses países não têm ainda condições de 
funcionar como uma nova locomotiva da economia mundial, pois o seu papel real de 
plataformas de exportação (de manufaturas no caso da China ou de matérias-primas 
no caso do Brasil) não foi alterado e não pode sê-lo sem uma mudança radical na 
hierarquia dos Estados capitalistas. Para que possam se tornar potências 
econômicas na ordem capitalista com peso equivalente aos países imperialistas e 
capazes de desafiá-los, teriam que ter o domínio do setor de produção de bens de 
produção, aquilo que Marx chamava de “departamento I” da economia capitalista, o 
setor dinâmico do crescimento econômico, onde acontece a inovação tecnológica e 
se geram os ganhos de produtividade. Nenhum dos grandes países periféricos 
domina setores estratégicos, como informática ou biotecnologia.
            O eixo principal da atividade econômica dos grandes países 
periféricos ainda está nas exportações para os países centrais. Uma vez que a 
crise provocou uma retração no comércio mundial, ou seja, nas exportações da 
periferia para o centro, os governos desses países exportadores tiveram que 
lançar pacotes de estímulo ao mercado interno, o que explica a “recuperação” 
econômica artificial dos grandes países periféricos a partir do 2° semestre de 
2009. O seu crescimento pode funcionar como contrapeso momentâneo para a crise, 
mas não como alavanca para uma retomada mundial.
            Tanto nos países imperialistas como na periferia o Estado teve o 
papel fundamental de se endividar para absorver de forma organizada o impacto da 
dissolução do capital fictício. Os trilhões de dólares em papéis sem valor que 
circulavam na especulação financeira se transformaram em trilhões de dólares de 
dívidas assumidas pelo Estado sob diversas formas, como estatizações, pacotes de 
salvamento aos bancos, pacotes de estímulo ao crescimento, oferta de crédito, 
emissão de títulos públicos, rolagem de dívidas, emissão de moeda, etc. O núcleo 
do sistema financeiro mundial foi preservado às custas da socialização dos 
prejuízos. O desenrolar da atual crise será um teste histórico para a real 
capacidade do Estado de funcionar como força econômica decisiva para a 
preservação do capitalismo.
            O saldo da crise até o momento, além das imensas taxas de desemprego 
e da degradação das condições sociais nos países centrais, está no endividamento 
público em escala mundial e com velocidade inédita. Mesmo que a burguesia 
consiga encontrar uma nova locomotiva para substituir a especulação imobiliária, 
protagonista do último ciclo, e encetar uma recuperação do capitalismo, a 
“munição” do Estado foi gasta numa tal escala para administrar a atual crise que 
o deixou em condição extremamente precária para enfrentar a próxima crise.
            Nessas circunstâncias o papel do Estado como “comitê gestor dos 
negócios da burguesia” se sobressai e traz à tona a dimensão política da 
questão. A atual crise é a primeira grande crise da história do capitalismo 
desde 1848 em que não há uma alternativa social organizada, ou seja, em que não 
há um movimento socialista internacional se apresentando como oposição frontal 
ao capitalismo e alternativa de transformação social. Na época da crise de 1929 
e no início do período de crise estrutural em 1970 ainda existia a URSS e o 
conjunto dos Estados burocráticos, que com todas as distorções ainda se 
apresentavam como contraponto ao capitalismo. Ainda que não estivessem mais 
impulsionando rupturas em direção ao socialismo (ao contrário, caminhavam para a 
restauração do capitalismo), sua simples existência mantinha viva a idéia da 
possibilidade dessa ruptura, que deveria se verificar através de revoluções que 
fugissem ao controle do stalinismo e se afastassem do seu “modelo” burocrático. 
A partir da década de 1990, desapareceu esse modelo burocrático stalinista, mas 
desapareceu com ele também a idéia de alternativa ao capitalismo.
            Faz-se sentir com todo o peso o problema da crise de alternativas 
socialistas. O retrocesso ideológico da classe trabalhadora, em especial nas 
últimas duas décadas, deixou a burguesia de mãos livres para provocar crises e 
administrá-las como melhor lhe aprouve, sem enfrentar uma resistência organizada 
e muito menos o desafio de uma ordem social alternativa. As quedas de 
governantes nos países mais atingidos pela atual crise, como no leste europeu, 
foram processadas nos marcos da democracia burguesa, ou seja, através da simples 
troca de um governante por outro, sem alterações substantivas na ordem social. 
As mobilizações, inclusive as mais violentas, como na Grécia, ou as mais 
criativas, como os seqüestros de patrões na França, permanecem atomizadas, 
pontuais, e não apontam para a construção de uma alternativa sistêmica global.
            Na ausência dessa alternativa, a ideologia burguesa segue 
monopolizando o debate. Um dos mais graves limites estruturais enfrentados pelo 
capitalismo, a questão ambiental, foi contornado pela burguesia mundial sem que 
se apresentasse nenhuma iniciativa capaz de sequer começar a enfrentar 
minimamente o avançado grau de degradação das condições ecológicas do planeta. A 
Conferência de Copenhague em dezembro de 2009 terminou sem apresentar qualquer 
proposta concreta de um plano viável para combater a degradação ambiental, pelo 
fato de que esse plano teria um custo insuportável para a burguesia.
            A crise do capitalismo, que no momento da sua eclosão deixou 
entrever em sua multidimensionalidade (crise ambiental, energética, alimentar, 
etc.) os contornos de uma verdadeira crise societal, não resulta em desafio à 
permanência do capitalismo sem que se coloque de pé uma alternativa social 
organizada e consciente a ser impulsionada pela classe trabalhadora. A burguesia 
administra a crise e impõe a sua versão da história, a sua narrativa de que tudo 
não passou da irresponsabilidade de alguns indivíduos, alguns banqueiros 
gananciosos, pois “não há nada de errado com o sistema” e “tudo pode voltar a 
ser como antes”.
            O maior símbolo dessa continuidade através da mudança está nos 
Estados Unidos, onde o governo Obama segue implantando as políticas herdadas da 
era Bush. Os serviços públicos estão sendo desmontados em nome da necessidade de 
economizar recursos para o salvamento dos negócios dos capitalistas, em especial 
a burguesia financeira. No plano externo, estão sendo mantidas as invasões 
militares no Iraque e no Afeganistão, bem como as ameaças ao Irã, instalação de 
bases na América Latina e a presença física de militares dos EUA. O terremoto no 
Haiti deu também a oportunidade de ocupar militarmente o país caribenho, 
deslocando as forças da ONU chefiadas pelo Brasil e cortando as pretensões de 
maior proeminência geopolítica do governo Lula.
 
            1.7 América Latina
 
            No conjunto da América Latina há um reposicionamento da direita. A 
década de 2000 começou com uma onda de governantes ditos “anti-neoliberais” ou 
“de esquerda”, contendo uma ala “bolivariana” (Chavez, Morales, Correa) tida 
como mais radical devido a enfrentamentos limitados com a burguesia local e o 
imperialismo, e uma ala francamente adaptada ao neoliberalismo (Lula, Kirchner, 
Vasques, Bachelet, Lugo, Ortega). A ala chavista, apesar da retórica do 
“socialismo do século XXI”, não rompeu com o capitalismo, adotando apenas 
algumas medidas limitadas (como as estatizações mediante indenização) e 
assistencialistas. A ala lulista, que também despertou ilusões de setores de 
esquerda no continente e no mundo, na prática manteve o essencial das políticas 
neoliberais (privatizações, pagamento da dívida, desmonte dos serviços públicos, 
ataques aos trabalhadores), não realizou reformas, não rompeu com o imperialismo 
e pôs em prática um assistencialismo bancado por superávits comerciais obtidos 
às custas das exportações de produtos naturais (petróleo, gás, commodities 
agrícolas). Sem enfrentar de fato as burguesias locais e internacionais não há 
como realizar melhorias mais duradouras nas condições de vida dos trabalhadores. 
Sem tais melhorias, as populações do continente voltam a olhar os políticos de 
direita como alternativa.
            No Chile, depois de 20 anos, a direita tradicional voltou a ganhar 
as eleições, a despeito da popularidade de Bachelet, que não transferiu votos 
para seu candidato. Esse fenômeno paradoxal é uma expressão da “despolitização 
da política”, em que os partidos deixam de apresentar diferenças em termos de 
alternativa social e defendem todos um mesmo projeto, ou seja, a permanência do 
capitalismo. Os partidos “de esquerda” que admitem a convivência com o 
capitalismo se convertem em clones da direita e são preteridos pelos eleitores 
devido à falta de “resultados”. A institucionalização da esquerda e sua 
capitulação à democracia burguesa andam na contramão da luta para superar a 
crise de alternativa. A tarefa das organizações de esquerda é precisamente 
recolocar em discussão a necessidade de um projeto social alternativo, um 
projeto socialista que se construa nas lutas e para além das conjunturas e 
eleições. 

            Antes do Chile, houve um ensaio em Honduras, com o golpe de Estado 
contra o presidente Zelaya, que se aproximava do chavismo. O golpe foi 
sacramentado por eleições espúrias (tais como as que se realizam no Iraque e 
Afeganistão sob ocupação militar estrangeira), que deram posse a um presidente 
ilegítimo, sem que houvesse contestação internacional ou continental e contando 
com a capitulação do próprio Zelaya, que cedeu à direita antes que a mobilização 
popular tivesse condições de impor suas reivindicações.
            Os ensaios realizados em Honduras e no Chile, bem como a ocupação do 
Haiti sob pretexto de ajuda humanitária, mostram que o imperialismo e as 
burguesias locais estão à postos para retomar o controle dos governos do 
continente da forma que for preciso. A via golpista não parece ser necessária no 
momento, pois se provou que os governos “anti-neoliberais” podem ser derrotados 
eleitoralmente. A democracia burguesa permanece sendo o regime mais eficaz de 
dominação. A lógica da alternância dos partidos permite que as agremiações da 
direita explorem as debilidades dos atuais governantes “de esquerda”, tais como 
a corrupção ou a ausência de melhorias reais na situação material dos 
trabalhadores, para se credenciar novamente como alternativa. A década de 
governos “anti-neoliberais” no continente não produziu conquistas materiais 
significativas, e se esgota deixando as portas abertas para o retorno da direita 
tradicional.
            Além das eleições, a democracia burguesa ainda conta com uma série 
de dispositivos de controle social que amortecem as contradições de classe, tais 
como a repressão policial, as instituições penais, o judiciário, que atacam os 
trabalhadores em luta sem que haja necessidade de uma ditadura militar aberta ao 
estilo das décadas de 1960 e 70.
                        
            2 CONJUNTURA NACIONAL
            
            O grande teste para a direita tradicional se dará no Brasil, com o 
processo de sucessão de Lula. O presidente brasileiro está sendo canonizado em 
vida por setores da imprensa burguesa brasileira e internacional, que oferecem o 
seu exemplo como modelo mundial de governante capaz preservar os lucros da 
burguesia às custas dos trabalhadores e ainda assim desfrutar de imensa 
popularidade. O grande achado do governo Lula é o fato de que, como ele mesmo 
disse, “dar um pouquinho de dinheiro para os excluídos não desmonta a economia” 
(O Estado de S. Paulo – 10/12/2009). A exaltação da figura de Lula é também uma 
exaltação das instituições, um reforço ideológico do Estado e da democracia 
burguesa, do mito de que “qualquer um pode chegar lá” e o sistema é 
fundamentalmente justo. O triunfo de Lula representa ainda uma espécie de 
poupança para 2014, quando o “salvador da pátria” poderá voltar para suceder 
seja a Dilma, seja a Serra.
            O projeto encarnado por Lula consiste em empregar pão, circo e 
cacetete para criar a “miséria funcional”, ou seja, a miséria que não gera 
revolta. O bolsa-esmola, a Copa do Mundo e a repressão feroz são as formas de 
administrar a deterioração das condições de vida dos trabalhadores sem que isso 
provoque mobilizações e desafio ao controle da burguesia. Opera-se uma espécie 
de desclassicização da classe trabalhadora, a destruição da sua identidade 
social em nome da sua transformação numa massa de indivíduos dependentes das 
benesses do Estado. Uma massa que se conforma com os baixos salários, as 
péssimas condições de trabalho, a superexploração, a ausência de serviços 
públicos decentes, o subemprego, o trabalho temporário, intermitente, informal, 
o desemprego aberto, desde que não morra de fome e possa assistir TV. Cria-se 
uma classe trabalhadora flexível e domesticada, disponível e desfrutável, que 
pode ser contratada ou demitida com agilidade ao sabor das flutuações do mercado 
mundial para o qual passa a estar voltada a burguesia instalada no país.
            A implantação dessa miséria funcional contou com o indispensável 
concurso da burocracia petista/PcdoB encastelada no controle dos principais 
instrumentos de luta da classe trabalhadora, a CUT, CTB, o MST e a UNE, que 
impediram os setores mais organizados e mobilizados da classe de entrar em luta 
aberta contra o governo Lula e atrapalhar os negócios da burguesia. As lutas que 
houveram ao longo de todo o mandato de Lula foram contornadas, desviadas e 
derrotadas pela burocracia. Houve importantes mobilizações de resistência dos 
trabalhadores contra a reforma da previdência, operários da construção civil, 
servidores federais, bancários, correios, petroleiros, professores, etc., bem 
como ocupações do MST, MTL e Terra Livre, que no entanto se depararam com o 
obstáculo das direções burocráticas. Essas lutas de resistência obtiveram 
conquistas parciais e defensivas, mas não puderam pôr em cheque a condução do 
projeto do governo e da burguesia. A crise atual deu a oportunidade para uma 
reestruturação nas empresas, com demissões em massa, reduções de salários e 
corte de direitos, com a colaboração ativa da CUT/CTB e demais centrais pelegas 
na assinatura de acordos lesivos aos trabalhadores.
            O governo Lula tornou evidente o caráter de classe do PT como um 
partido burguês composto de burocratas. Sua base social está na burocracia 
estatal, nos aparatos sindicais, fundos de pensão, etc. O projeto e o programa 
do PT são nitidamente burgueses. Os traços remanescentes de presença operária na 
base do PT, em especial nos bairros e movimentos populares, não tem mais 
qualquer influência decisória em qualquer instância do partido. É dos aparatos 
estatais e sindicais que essa massa de burocratas aufere seus rendimentos e 
privilégios, como as participações nos lucros dos fundos de pensões, os altos 
salários nos cargos de confiança, nas diretorias de estatais, os privilégios 
parlamentares e sindicais, etc. Isso sem falar na captação de recursos via 
corrupção, de cujos exemplos o governo Lula foi pródigo, desde o mensalão até a 
Bancoop.
            O PT defende um projeto capitalista com um pouco mais de controle do 
Estado do que o PSDB e o DEM. As diferenças entre eles residem na disputa para 
determinar quem vai usufruir maior controle da máquina do Estado. Em que pesem  
as divergências pontuais do PT com o PSDB, ambos têm acordo no projeto 
estratégico de tornar o Brasil um país viável do ponto de vista do capital, o 
que significa necessariamente a ajuda às empresas e o aumento dos ataques aos 
trabalhadores, particularmente com o agravamento da crise.
            O governo Lula é um governo burguês clássico. É importante 
diferenciar o governo Lula do próprio PT, pois o governo está mais à direita que 
o próprio partido. Isso ocorre pela opção do próprio PT e pela necessidade de 
governabilidade. A base de apoio do governo no Congresso se deslocou dos 
partidos menores e um pouco mais à esquerda (como PDT, PSB, etc.) para o PMDB, 
que possui uma grande bancada parlamentar, um grande número de governos 
estaduais e prefeituras, e portanto uma grande influência perante o governo. O 
PT obedece cegamente as diretrizes traçadas pelo governo e funciona como 
instrumento a serviço da governabilidade burguesa, abrindo mão de qualquer 
bandeira programática. Assim, o governo Lula enquanto projeto e política 
cotidiana não tem nada de essencialmente diferente em relação ao um governo 
burguês normal.
            Do ponto de vista da disputa entre os partidos, o PSDB conta com um 
relativo desgaste do PT depois de 8 anos de gestão e sucessivos escândalos de 
corrupção, que horrorizam especialmente a pequena-burguesia. O PSDB não precisa 
apresentar um projeto diferente daquele que o PT vem implementando, que na 
verdade é uma continuidade do projeto FHC, o projeto de inserção do Brasil no 
mercado mundial como exportador de matérias-primas agrícolas e manufaturas de 
baixo valor, às custas da devastação ambiental e da superxploração do 
proletariado. Tudo o que o PSDB precisa fazer é apresentar as credenciais de uma 
gestão tecnocrática mais eficiente do mesmo projeto, em lugar da versão 
voluntarista e popularesca protagonizada por Lula. O “sucesso” do governo Lula 
no plano da economia não tem relação com os méritos da administração petista, 
mas com as condições favoráveis para o projeto atualmente em pauta nas condições 
da atual divisão internacional do trabalho.
            Em relação ao PT, a vitória de Dilma é uma questão de vida ou morte. 
O PT se transformou numa máquina eleitoral cuja sobrevivência material depende 
mortalmente de mandatos parlamentares, cargos no executivo, cargos de confiança, 
diretorias de estatais, etc. Numa eventual vitória do PSDB, a “despetização” do 
Estado iria obrigar milhares de burocratas a se relocalizar nos sindicatos, nas 
ONGs, na academia, etc., ou seja, a ter que “pôr as mãos na massa” na relação 
direta com os trabalhadores para sobreviver politicamente e materialmente. Por 
isso, a burocracia fará da eleição de Dilma o principal eixo de atividade das 
entidades sob seu controle, secundarizando as campanhas salariais ou qualquer 
outra atividade. O PT fará de tudo para associar o prestígio de Lula à 
candidatura Dilma e transformar a aprovação do governo em votos, além de 
demonizar Serra e amedrontar os trabalhadores com a ameaça da volta da direita.
 
            3 O FUNCIONALISMO DO BANCO DO BRASIL
 
            Ano após ano o funcionalismo do BB sofre diversos ataques do governo 
federal por meio da direção do banco. É bom lembrar que há diretores do Banco 
oriundos do movimento sindical, como o vice-presidente de gestão de pessoas Luiz 
Oswaldo, que nada fizeram para melhorar as condições de trabalho. Pelo 
contrário, implementam uma política que deteriora ainda mais as condições de 
trabalho, por meio de medidas como o avanço da terceirização, com as 
conseqüentes fraudes aos direitos trabalhistas.
            Em 2007, o governo aplicou uma reestruturação administrativa no 
banco que:
            - provocou o desligamento de mais de 7.000 funcionários por meio do 
PAA; 

            - impôs a “lateralidade”, acabando com a remuneração das 
substituições, o que na prática significa o império o desvio de função, já que 
os Assistentes de Negócios, que não são administradores, passaram a ter 
responsabilidades de gerente, sem, no entanto, ganharem para isso;
            - deteriorou o ambiente de trabalho dos Caixas Executivos ao reduzir 
pela metade a quantidade destes profissionais na rede de agências nas grandes 
cidades;
            - fechou prédios inteiros do banco, como a GERIE Campinas, cujos 
funcionários trabalham na capital, a 100 km de seus lares (o Banco se recusa a 
pagar vale-transporte para os companheiros);
            - precarizou as relações trabalhistas através da terceirização das 
atividades-fins do Banco, como é o caso do processamento de envelopes e de 
malotes (USO-PSO); e das transações no cartão de crédito via central de 
atendimento telefônico. Destacamos aqui a luta dos companheiros trabalhadores da 
Central de Atendimento de Cartões da empresa terceirizada “Montana” de São 
Paulo, que fizeram greve no início de 2009 pelo recebimento de seus direitos;
- implantação do “Projeto BB 2.0” que visa remanejamento de funcionários entre 
as agências e dependências do Banco. Isso piorou ainda mais as condições de 
trabalho nos locais que perderam funcionários, enquanto o problema da sobrecarga 
de trabalha não e resolveu nas dependências que tiveram acréscimo de bancários. 

            Todas essas medidas da reestruturação foram implantadas com a 
chancela dos nossos sindicatos, da CONTRAF e da CUT.
            Não podemos esquecer o lamentável papel destas mesmas entidades 
sindicais na campanha pelo “sim”, para a aprovação da proposta do Banco e do 
governo de mudança estatutária da CASSI (Caixa de Assistência dos Funcionários 
dos Banco do Brasil). O governo queria com isso transferir o ônus das péssimas 
condições de trabalho (fonte de doenças ocupacionais) para os trabalhadores, por 
meio da co-participação nos exames, da contribuição para a CASSI sobre o 13º 
salário e do não questionamento dos mais  de 500 milhões de reais de dívidas que 
o Banco tem junto à CASSI por conta do calote que o governo FHC deu em nossa 
Caixa de Assistência em 1998 (na ocasião,  o governo contribuía com 4,5% sobre a 
folha de salários e depois passou a recolher apenas 3 %), e principalmente pela 
política de congelamento salarial de 10 anos do funcionalismo enquanto as 
despesas médicas não pararam de crescer. O argumento que a direção sindical 
utilizava para “convencer” os bancários era de que se o estatuto não fosse 
alterado, o banco acabaria com a nossa Caixa de Assistência, e de que Banco se 
comprometeria a liberar 300 milhões de reais para a CASSI.
            Depois de 4 votações e de muito terrorismo (com a circunstância 
peculiar de que a votação foi feita por meio do SISBB, isto é, no próprio 
sistema de informações do BB, que era parte interessada no assunto), acabou-se 
aprovando a alteração do estatuto e avançou-se mais um degrau em direção ao 
total sucateamento da CASSI e à desoneração das responsabilidades do governo com 
o funcionalismo do Banco do Brasil. Hoje o que temos é uma sistemática 
diminuição da rede credenciada de profissionais e laboratórios. Há também 
obstáculos para a realização dos trabalhos do Conselho de Usuários. É curioso o 
fato de que a CASSI apresenta superávit por dois anos consecutivos, mas isso às 
custas de sucateamento da CASSI através de uma gestão de mercado e da 
colaboração com o BB para que se isente de suas responsabilidades. Os módulos 
não têm as equipes médicas completas e ultimamente a CASSI tirou os 
nutricionistas dos módulos. A nossa Caixa de Assistência passa por uma 
reestruturação nos moldes daquela que o BB fez com o funcionalismo em 2007, isto 
é, um desastre. No entanto, nas eleições para a CASSI em 2010, o funcionalismo 
da ativa repudiou a reforma estatutária votando, em sua maioria, na chapa 3 da 
Oposição.
            Na PREVI, são cada vez mais freqüentes as ingerências do BB nos 
recursos dos funcionários. A última foi a apropriação de mais de 2,5 bilhões de 
reais para maquiar os balanços do Banco e passar a imagem de “excelência de 
gestão”. Os diretores da Previ oriundos do movimento sindical não organizaram a 
base para lutar contra mais este abuso do governo. Não há lutas para acabar com 
o Plano 2 e unificar todos os funcionários no Plano 1. 

            A PREVI tem assento de decisão em diversas empresas, entre as quais, 
a EMBRAER, e também não fez nada no sentido de evitar os cortes de pessoal 
naquela empresa. Fica aqui mais uma vez evidência de que lado o movimento 
sindical cutista está.
            Não podemos esquecer a condução pela CONTRAF-CUT do processo de 
incorporação do BESC e da Nossa Caixa ao BB. No primeiro caso, os funcionários 
foram obrigados a optar pelo plano de carreira do BB, pior que o do banco 
catarinense, como condição para continuar empregados no BB, e a central nada fez 
para evitar o assédio. No caso da Nossa Caixa, a atuação do sindicato foi ainda 
mais vergonhosa, pois o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região 
fez campanha pela incorporação do banco estadual paulista ao BB, ao invés de 
organizar os bancários da Nossa Caixa para lutar pela manutenção do último banco 
público paulista e pela manutenção de seus empregos. O processo de demissões, 
que já imperava antes mesmo da incorporação ainda está em pleno vapor. 

 
            4 RESOLUÇÕES PARA O CONGRESSO DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, 
MAIO DE 2010.
 
            1 – Relação do movimento sindical com os patrões e o governo: O 
Congresso dos Funcionários do Banco do Brasil se posiciona como fórum 
independente do governo e dos patrões por entender que ambos são adversários do 
funcionalismo do BB, tendo em vista os ataques que o governo desferiu no último 
período, como a reestruturação de 2007, o processo de alteração do estatuto da 
CASSI e a apropriação de parte do superávit da PREVI  para aumentar a 
distribuição de lucros aos acionistas e garantir  superávit primário. Exigimos:
- ratificação das resoluções aprovadas no congresso nas assembléias específicas 
de base dos funcionários do Banco do Brasil
            - realização de Congressos anuais dos funcionários do BB com a 
eleição de delegados em assembléias específicas, na razão de 1 delegado para 
cada 100 trabalhadores e proporcionalidade direta na composição das chapas;
            - o fim da mesa única e a negociação das demandas dos funcionários 
do BB, inclusive as cláusulas econômicas e índice de reajuste, diretamente com 
nosso patrão, a diretoria do Banco e o governo federal;
            - na Campanha Salarial de 2010, o comando de mobilização e os 
representantes na mesa de negociação devem ser eleitos em assembléias de base, 
com mandatos revogáveis;
            - formação de um fórum permanente e deliberativo de delegados 
sindicais e representantes por local de trabalho para conduzir as lutas 
cotidianas do funcionalismo;
            - realização de um seminário para se debater sobre a crise econômica 
tendo como finalidade a melhor organização dos trabalhadores para enfrentar a 
campanha salarial.
 
            2 – Unidade com os funcionários dos bancos incorporados: O Congresso 
aprova a unificação dos fóruns de lutas dos bancários incorporados pelo Banco do 
Brasil, de forma que todos os fóruns de deliberação do funcionalismo estejam em 
conjunto com os companheiros do BESC, do BEP, da Nossa Caixa e do Banco 
Votorantim. 

            - proceder com a eleição de delegados sindicais nas dependências dos 
bancos incorporados como forma de fortalecer a luta de todos os bancários do BB. 
Estabilidade para os trabalhadores do Banco Votorantim
            - construção de um seminário em conjunto com os bancários dos bancos 
incorporados a fim de que se conheçam as diversas realidades, tendo como escopo 
a elaboração de um PCC e PCS em conjunto, de modo que todos preservem suas 
conquistas históricas, seus direitos e suas condições de trabalho. 

3 -Unificar a campanha salarial dos bancários com as de outras categorias, como 
petroleiros, metalúrgicos e trabalhadores dos correios, pois a luta nesta 
conjuntura será difícil, mas unificando setores importantes da classe 
trabalhadora podemos vencer.
            4 – Pela estabilidade de emprego: O Congresso aprova e encampará a 
luta dos funcionários dos bancos incorporados pela estabilidade no emprego. 
Nenhuma demissão e reintegração imediata dos demitidos políticos, em especial o 
companheiro William (BB – SP), e todos os que foram demitidos por motivos 
políticos e pela participação nas greves.
 
5 – PLR: distribuição línea e igual para todos os funcionários. Fim do “módulo 
bônus”, que é atrelado aos resultados das metas e privilegia os altos 
comissionados. Lutar pela sua incorporação aos salários;
 
            6 – Reposição de perdas salariais: O Congresso aprova a luta pela 
reposição das perdas salariais desde julho de 1994, como forma de recompor o 
poder de compra do funcionalismo após 10 anos de congelamento salarial no 
governo de FHC e os índices rebaixados sob a égide do governo Lula, que mal 
repõem a inflação.
 
            7 – Isonomia: O Congresso aprova a luta pela extensão geral e 
irrestrita de todos os direitos dos funcionários pré-1998 para os funcionários 
pós-98, como licença prêmio, anuênio,interstícios de 12 e 16 %,  etc.
 
            8 – Pelo fim da lateralidade: O Congresso se posiciona pelo fim da 
lateralidade, que aprofunda o desvio de função, em que escriturários e 
assistentes assumem funções de superiores e de Caixa sem receber o valor do 
exercício da função. Pela volta da remuneração das substituições.
 
9- Pela revogação do Projeto BB 2.0, que precariza  ainda mais as condições de 
trabalho nas agências e dependências que tiveram dotação diminuída e não resolve 
o problema nas agências que tiveram dotação aumentada. O Congresso se posiciona 
pelo aumento de dotação de TODAS as dependências de forma ampla, geral e 
irrestrita, tendo em vista que o excesso de trabalho está generalizado pelo 
banco. Novas contratações já.
 
            9 – Respeito à jornada de 6 horas: O governo Lula se utiliza das 
nomeações de Assistente de Negócios e etc, com o claro objetivo de fazer com que 
o funcionalismo trabalhe em período integral (8 horas), tentando assim fraudar a 
conquista histórica da jornada de 6 horas do bancário. O Congresso encaminhará a 
luta pelo respeito à jornada.
 
            10 – Terceirizações: pelo fim das terceirizações, com a abertura de 
concurso para a incorporação dos atuais funcionários terceirizados aos quadros 
do Banco. Que o Banco assuma a responsabilidade pelos direitos dos terceirizados 
dos setores de segurança, limpeza, telefonia, etc., que tem seus direitos 
trabalhistas sistematicamente fraudados por empresas que não recolhem INSS, 
FGTS, não pagam férias, horas-extras, etc.
 
            11 – Correspondente bancário: pelo fim dos correspondentes 
bancários, que os serviços de pagamento e recebimento de contas, processamento 
de envelopes, saques e depósitos sejam prestados em agências bancárias e por 
funcionários contratados como bancários.
 
            12 – Cotas raciais: que as novas contratações respeitem a 
distribuição racial da população de cada região, com cotas proporcionais para os 
afro-descendentes.
 
            11 – Atendimento: pelo fim da segregação no atendimento da população 
de baixa renda. Que as agências tenham condições de atender toda a população de 
clientes e usuários. Que seja revista a dotação das agências com aumento do 
quadro de funcionários, em especial dos caixas, de modo que o público possa ser 
atendido sem demora.
 
            12 – Centrais de crédito: pelo fim das centrais de crédito, que 
funcionam como serviço de telemarketing sem cumprir as normas legais que 
regulamentam o trabalho de telemarketing.
 
            13 – PREVI: O Congresso repudia a atitude do governo Lula de se 
apropriar do superávit da PREVI para beneficiar os acionistas e tranqüilizar o 
mercado acionário. O dinheiro da PREVI  pertence aos bancários e são os 
trabalhadores que devem decidir o seu destino. O Congresso é contra o voto de 
minerva. O Congresso encaminhará a luta pela migração dos funcionários do plano 
2 para o plano 1 e pelo fim da gestão de especulação dos recursos do fundo de 
pensão.
 
            14 – CASSI: O Congresso se coloca contra o processo de privatização 
por que passa a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, 
entendendo que  reforma estatutária realizada em 2007 contribuiu ainda mais para 
o processo de sucateamento e desoneração das responsabilidades do Banco para com 
a saúde do funcionalismo. O Congresso repudia a atuação dos organismos sindicais 
que fizeram campanha em favor da aprovação da proposta do nosso patrão, o 
governo Lula. 

            - contra a co-participação em exames! 
            - pela cobrança de mais de 500 milhões de reais de dívida do Banco 
para com a CASSI! 

            - pelo fim da farsa dos exames periódicos, por um acompanhamento 
médico que apure as reais condições de saúde do funcionalismo e responsabilize o 
Banco pelo adoecimento dos funcionário. 

            - pelo fortalecimento das CIPAs e dos conselhos de usuários.
 
Assina esta tese o Coletivo Bancários de Base
 
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TESE DO COLETIVO BANCÁRIOS DE BASE (SP) PARA 26º CONGRESSO DOS EMPREGADOS DA 
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – CONECEF 2010
 
INTRODUÇÃO 
 
            A presente tese é fruto dos debates acumulados nos últimos meses dos 
militantes do coletivo “Bancários de Base”, baseados no exercício teórico sempre 
conjugado com a prática do cotidiano de trabalho e militância. O esforço de 
concretizá-la e apresentá-la como contribuição para o debate do CONECEF é a 
expressão de nossos anseios em redemocratizar e ampliar a participação dos 
trabalhadores da Caixa nos fóruns do movimento sindical (o que no passado já foi 
realidade). A precária divulgação dos congressos na base e os obstáculos 
burocráticos impostos pelas direções, em conjunto com fatores conjunturais, 
infelizmente vêm impedindo uma ampliação do número de participantes e um 
aprofundamento qualitativo do debate para a luta da categoria. Remamos com muito 
esforço contra a maré, pois acreditamos na resistência como forma de 
transformação.       
CONJUNTURA INTERNACIONAL
 
A economia mundial atravessa uma fase de pseudo-estabilização depois da queda 
verificada na passagem de 2008 para 2009, ou seja, não está mais caindo como no 
período de auge da crise, mas não houve ainda uma retomada do crescimento. Do 
ponto de vista dos porta-vozes da burguesia, essa estabilidade já representa o 
início da recuperação. Mas na realidade, a economia apenas parou de cair, e 
ainda não começou a subir de volta para os níveis anteriores a 2008. 

            A burguesia não sai de uma crise econômica de grandes proporções 
como a que estamos atravessando sem impor uma derrota histórica aos 
trabalhadores, que resulte em um nível maior de exploração. A classe dominante 
ainda não reuniu as condições políticas para desencadear um ataque nas 
proporções daquele que seria necessário para recuperar a taxa de lucro. Por 
isso, apesar do aparente sucesso do Estado na administração da crise, as 
dificuldades para uma retomada do crescimento indicam que a crise permanece 
latente. 

            A economia dos Estados Unidos caiu 11,4 em 2009 em relação a 2008, 
ano em que já havia caído 3,2 sobre 2007. O nível de utilização da capacidade 
instalada ficou em 66,9%, contra uma média de 79,6% nos últimos 30 anos. A taxa 
de acumulação do capital industrial caiu em 1,7% no último trimestre de 2009, o 
5º trimestre consecutivo em queda, um recorde desde a Grande Depressão. O 
desemprego permanece na faixa de 10%. O otimismo da burguesia é no mínimo 
injustificado, pois não há sinais de recuperação robusta em nenhuma das 
principais economias. Na Europa, países como Grécia, Portugal e Irlanda vivem 
crises severas de endividamento e a Espanha apresenta um recorde de desemprego 
de 20%. 

            Os principais sinais de crescimento estão em países como a China (8% 
em 2009) ou o Brasil. Entretanto, esses países não têm ainda condições de 
funcionar como uma nova locomotiva da economia mundial, pois o seu papel real de 
plataformas de exportação (de manufaturas no caso da China ou de matérias-primas 
no caso do Brasil) não foi alterado. E não pode sê-lo sem uma mudança radical na 
hierarquia dos Estados Capitalistas. Para que possam se tornar potências 
econômicas na ordem capitalista com peso equivalente aos países imperialistas e 
capazes de desafiá-los, teriam que ter o domínio do setor de produção de bens de 
produção, aquilo que Marx chamava de “departamento I” da economia capitalista, o 
setor dinâmico do crescimento econômico, onde acontece a inovação tecnológica e 
se geram os ganhos de produtividade. Nenhum dos grandes países periféricos 
domina setores estratégicos, como informática ou biotecnologia. 

            O eixo principal da atividade econômica dos grandes países 
periféricos ainda está nas exportações para os países centrais. Uma vez que a 
crise provocou uma retração no comércio mundial, ou seja, nas exportações da 
periferia para o centro, os governos desses países exportadores tiveram que 
lançar pacotes de estímulo ao mercado interno, o que explica a “recuperação” 
econômica artificial dos grandes países periféricos a partir do 2° semestre de 
2009. O seu crescimento pode funcionar como contrapeso momentâneo para a crise, 
mas não como alavanca para uma retomada mundial. 

            Tanto nos países imperialistas como na periferia o Estado teve o 
papel fundamental de se endividar para absorver de forma organizada o impacto da 
dissolução do capital fictício. Os trilhões de dólares em papéis sem valor que 
circulavam na especulação financeira se transformaram em trilhões de dólares de 
dívidas assumidas pelo Estado sob diversas formas, como estatizações, pacotes de 
salvamento aos bancos, pacotes de estímulo ao crescimento, oferta de crédito, 
emissão de títulos públicos, rolagem de dívidas, emissão de moeda, etc. O núcleo 
do sistema financeiro mundial foi preservado à custa da socialização dos 
prejuízos. O desenrolar da atual crise será um teste histórico para a real 
capacidade do Estado de funcionar como força econômica decisiva para a 
preservação do capitalismo. 

            O saldo da crise até o momento, além das imensas taxas de desemprego 
e da degradação das condições sociais nos países centrais, está no endividamento 
público em escala mundial e com velocidade inédita. Mesmo que a burguesia 
consiga encontrar uma nova locomotiva para substituir a especulação imobiliária, 
protagonista do último ciclo, e principiar uma recuperação do capitalismo, a 
“munição” gasta pelo Estado na atual crise o deixa em condição extremamente 
precária para enfrentar a próxima crise. 

            Nessas circunstâncias o papel do Estado como “comitê gestor dos 
negócios da burguesia” se sobressai e traz à tona a dimensão política da 
questão. A atual crise é a primeira grande crise da história do capitalismo 
desde 1848 em que não há uma alternativa social organizada, ou seja, em que não 
há um movimento socialista internacional se apresentando como oposição frontal 
ao capitalismo e alternativa de transformação social. Na época da crise de 1929 
e no início do período de crise estrutural em 1970 ainda existia a URSS e o 
conjunto dos Estados burocráticos, que com todas as distorções ainda se 
apresentavam como contraponto ao capitalismo. Ainda que não estivessem mais 
impulsionando rupturas em direção ao socialismo (ao contrário, caminhavam para a 
restauração do capitalismo), sua simples existência mantinha viva a idéia da 
possibilidade dessa ruptura, que deveria se verificar através de revoluções que 
fugissem ao controle do stalinismo e se afastassem do seu “modelo” burocrático. 
A partir da década de 1990, desapareceu esse modelo burocrático stalinista, mas 
desapareceu com ele também a idéia de alternativa ao capitalismo. 

            Faz-se sentir com todo o peso o problema da crise de alternativas 
socialistas. O retrocesso ideológico da classe trabalhadora, em especial nas 
últimas duas décadas, deixou a burguesia de mãos livres para provocar crises e 
administrá-las como melhor lhe aprouve, sem enfrentar uma resistência organizada 
e muito menos o desafio de uma ordem social alternativa. As quedas de 
governantes nos países mais atingidos pela atual crise, como no leste europeu, 
foram processadas nos marcos da democracia burguesa, ou seja, através da simples 
troca de um governante por outro, sem alterações substantivas na ordem social. 
As mobilizações, inclusive as mais violentas, como na Grécia, ou as mais 
criativas, como os seqüestros de patrões na França, permanecem atomizadas, 
pontuais, e não apontam para a construção de uma alternativa sistêmica global. 

            Na ausência dessa alternativa, a ideologia burguesa segue 
monopolizando o debate. Um dos mais graves limites estruturais enfrentados pelo 
capitalismo, a questão ambiental, foi contornado pela burguesia mundial sem que 
se apresentasse nenhuma iniciativa capaz de sequer começar a enfrentar 
minimamente o avançado grau de degradação das condições ecológicas do planeta. A 
Conferência de Copenhague em dezembro de 2009 terminou sem apresentar qualquer 
proposta concreta de um plano viável para combater a degradação ambiental, pelo 
fato de que esse plano teria um custo insuportável para a burguesia. 

            A crise do capitalismo, que no momento da sua eclosão deixou 
entrever em sua dimensionalidade (crise ambiental, energética, alimentar, etc.) 
os contornos de uma verdadeira crise social, não resulta em desafio à 
permanência do capitalismo.  Isto porque sem que se coloque de pé uma 
alternativa social organizada e consciente a ser impulsionada pela classe 
trabalhadora, o que teremos é mais do mesmo. A burguesia administra a crise e 
impõe a sua versão da história, a sua narrativa de que tudo não passou da 
irresponsabilidade de alguns indivíduos, alguns banqueiros gananciosos, pois 
“não há nada de errado com o sistema” e “tudo pode voltar a ser como antes”. 

            O maior símbolo dessa continuidade através da mudança está nos 
Estados Unidos, onde o governo Obama segue implantando as políticas herdadas da 
era Bush. Os serviços públicos estão sendo desmontados em nome da necessidade de 
economizar recursos para o salvamento dos negócios dos capitalistas, em especial 
a burguesia financeira. No plano externo, estão sendo mantidas as invasões 
militares no Iraque e no Afeganistão, bem como as ameaças ao Irã, instalação de 
bases na América Latina e a presença física de militares dos EUA. O terremoto no 
Haiti deu também a oportunidade de ocupar militarmente o país caribenho, 
deslocando as forças da ONU “chefiadas“ pelo Brasil e cortando as pretensões de 
maior proeminência geopolítica do governo Lula. 

            No conjunto da América Latina há um reposicionamento da direita 
frente aos tímidos governos de centro-esquerda. A década de 2000 começou com uma 
onda de governantes anti-neoliberais ou de centro-esquerda, contendo uma ala 
“bolivariana” (Chavez, Morales, Correa) tida como mais radical devido a 
enfrentamentos, embora limitados, com a burguesia local e o imperialismo, e uma 
ala francamente adaptada à lógica capitalista, apenas reivindicando uma postura 
anti-neoliberalismo (Lula, Kirchner, Vasques, Bachelet, Lugo, Ortega). A ala 
chavista, mesmo retomando a idéia de um “socialismo do século XXI”, não 
conseguiu romper com o capitalismo, adotando apenas algumas medidas limitadas 
(como as estatizações mediante indenização) e assistencialistas, o que não 
impediu um ataque feroz da direita imperialista. A ala lulista, que também 
despertou ilusões de setores de esquerda no continente e no mundo, na prática 
manteve o essencial das políticas neoliberais, apesar de ser bastante combatida 
pela burguesia imperialista. Não houve políticas que combatessem de fato as 
privatizações e terceirizações, manteve-se o pagamento da dívida com aumento da 
dívida interna, a lógica de desmonte dos serviços públicos permanece, tal como 
os ataques aos trabalhadores. Não se realizou reformas progressistas, não se 
rompeu com o imperialismo e se pôs em prática um assistencialismo que, se por um 
lado reduziu a extrema miséria da camada mais pobre brasileira, foi bancado por 
superávits comerciais obtidos às custas das exportações de produtos naturais 
(petróleo, gás, commodities agrícolas).  

Sem enfrentar de fato as burguesias locais e internacionais, o que não é tarefa 
de um governo e sim do conjunto da classe trabalhadora, não há como realizar 
melhorias mais duradouras nas condições de vida dos trabalhadores. Sem tais 
melhorias, as populações do continente voltam a olhar os políticos de direita 
como alternativa. 

No Chile, depois de 20 anos, a direita tradicional voltou a ganhar as eleições, 
a despeito da popularidade de Bachelet, que não transferiu votos para seu 
candidato. Esse fenômeno paradoxal é uma expressão da “despolitização da 
política”, em que os partidos deixam de apresentar diferenças em termos de 
alternativa social e defendem todos um mesmo projeto, ou seja, a permanência e 
submissão ao capitalismo. Os partidos de centro-esquerda que admitem a 
convivência com o capitalismo se convertem em clones da direita e são preteridos 
pelos eleitores devido à falta de “resultados”. A institucionalização da 
esquerda e sua capitulação à democracia burguesa andam na contramão da luta para 
superar a crise de alternativa. A tarefa das organizações de esquerda é 
precisamente recolocar em discussão a necessidade de um projeto social 
alternativo, um projeto socialista que se construa nas lutas e para além das 
conjunturas e eleições. 

            Antes do Chile, houve um ensaio em Honduras, com o golpe de Estado 
contra o presidente Zelaya, que se aproximava do chavismo. O golpe foi 
sacramentado por eleições espúrias (tais como as que se realizam no Iraque e 
Afeganistão sob ocupação militar estrangeira), que deram posse a um presidente 
ilegítimo, sem que houvesse contestação internacional ou continental e contando 
com a capitulação do próprio Zelaya, que cedeu à direita antes que a mobilização 
popular tivesse condições de impor suas reivindicações. 

            Os ensaios realizados em Honduras e no Chile, bem como a ocupação do 
Haiti sob pretexto de ajuda humanitária, mostram que o imperialismo e as 
burguesias locais estão a postos para retomar o controle dos governos do 
continente da forma que for preciso. A via golpista não parece ser necessária no 
momento, pois se provou que os governos “anti-neoliberais” podem ser derrotados 
eleitoralmente. A democracia burguesa permanece sendo o regime mais eficaz de 
dominação. A lógica da alternância dos partidos permite que as agremiações da 
direita explorem as debilidades dos atuais governantes de centro-esquerda, tais 
como a corrupção ou a ausência de melhorias reais na situação material dos 
trabalhadores, para se credenciar novamente como alternativa. A década de 
governos “anti-neoliberais” no continente não produziu conquistas materiais 
significativas, e se esgota deixando as portas abertas para o retorno da direita 
tradicional. 

            Além das eleições, a democracia burguesa ainda conta com uma série 
de dispositivos de controle social que amortecem as contradições de classe. 
Elementos concretos como a repressão policial, as instituições penais, o 
judiciário, que atacam os trabalhadores em luta sem que haja necessidade de uma 
ditadura militar aberta ao estilo das décadas de 1960 e 70. É imperativo retomar 
com conseqüência o debate ideológico, com caráter de classe. 

CONJUNTURA NACIONAL
 
            O grande teste para a direita tradicional se dará no Brasil, com o 
processo de sucessão de Lula. O presidente brasileiro está sendo reverenciado 
por setores da imprensa burguesa brasileira (em menor escala) e internacional, 
que oferecem o seu exemplo como modelo mundial de governante capaz de preservar 
os lucros da burguesia, conciliando a redução da extrema miséria via 
assistencialismo, à custa da neutralização da luta dos trabalhadores e assim 
desfrutando de imensa popularidade. O grande achado do governo Lula é o fato de 
que, como ele mesmo disse, “dar um pouquinho de dinheiro para os excluídos não 
desmonta a economia” (O Estado de S. Paulo – 10/12/2009). A exaltação da figura 
de Lula é também uma exaltação das instituições, um reforço ideológico do Estado 
e da democracia burguesa, do mito de que “qualquer um pode chegar lá” e o 
sistema é fundamentalmente justo. 

            O projeto encarnado por Lula consiste em apaziguar os conflitos 
evitando o desgaste de uma ação incisiva e violenta contra os trabalhadores, 
característica da extrema direita, criando uma “miséria funcional”, ou seja, a 
miséria que não gera revolta. O bolsa-família, a Copa do Mundo e a repressão 
disfarçada são as formas de administrar as más condições de vida dos 
trabalhadores sem que isso provoque mobilizações e desafio ao controle da 
burguesia. Opera-se uma espécie de perda da noção de consciência de classe dos 
trabalhadores, a destruição da sua identidade social em nome da sua 
transformação numa massa de indivíduos dependentes das benesses do Estado. Uma 
massa que se conforma com os baixos salários, as péssimas condições de trabalho, 
a super-exploração, a ausência de serviços públicos decentes, o subemprego, o 
trabalho temporário, intermitente, informal, o desemprego aberto, desde que não 
morra de fome, possa assistir TV e, eventualmente, comprar eletrodomésticos e 
outros produtos à prestação. Cria-se uma classe trabalhadora flexível e 
domesticada, disponível e desfrutável, que pode ser contratada ou demitida com 
agilidade ao sabor das flutuações do mercado mundial para o qual passa a estar 
voltada a burguesia instalada no país.
            Os ataques da mídia tradicional, porta voz da extrema direita, que 
exprimem o preconceito de classe, a mentalidade autoritária, coronelista e 
reacionária, contribuem para a crença no avanço democrático que representa, 
dentro do sistema capitalista, a ascensão de um ex-operário ao poder. Fomenta-se 
assim a ideologia paternalista mesmo a revelia dos setores mais reacionários da 
burguesia brasileira. 

            Para obter êxito na neutralização dos movimentos sociais, 
canalizando os anseios da classe trabalhadora para a política do governo, 
operou-se um rígido controle dos principais instrumentos de luta da classe 
trabalhadora, a CUT, seus satélites, o MST e a UNE, através de suas direções 
burocratizadas que há algum tempo tem impedido os setores mais organizados e 
mobilizados da classe a entrar em luta aberta contra o governo e atrapalhar os 
negócios da burguesia. As lutas que houveram ao longo de todo o mandato de Lula 
foram contornadas, desviadas e derrotadas pela burocracia. Houve importantes 
mobilizações de resistência dos trabalhadores contra a reforma da previdência, 
operários da construção civil, servidores federais, bancários, correios, 
petroleiros, professores, etc., bem como ocupações do MST, MTL e Terra Livre, 
que, no entanto, se depararam com o obstáculo das direções burocráticas. Essas 
lutas de resistência obtiveram conquistas parciais e defensivas, mas não pôde 
pôr em cheque a condução do projeto da burguesia, encarnado pelo governo. A 
crise atual deu a oportunidade para uma reestruturação nas empresas, com 
demissões em massa, reduções de salários e corte de direitos, com a colaboração 
ativa da CUT e demais centrais que fazem o jogo do poder na assinatura de 
acordos lesivos aos trabalhadores. 

            A partir da atuação dessas direções vinculadas ao PT e ao governo se 
evidencia o abismo entre discurso e a prática de um partido que se reivindica 
porta-voz da classe trabalhadora e, ao mesmo tempo, impede o avanço na 
conscientização, organização e luta dos trabalhadores. Os traços remanescentes 
de presença operária na base do PT, em especial nos bairros e movimentos 
populares, não tem mais qualquer influência decisória em qualquer instância do 
partido. É dos aparatos estatais e sindicais que essa direção burocratizada 
aufere seus rendimentos e privilégios, como as participações nos lucros dos 
fundos de pensões, os altos salários nos cargos de confiança, nas diretorias de 
estatais, os privilégios parlamentares e sindicais, etc. Isso sem falar na 
captação de recursos por vias suspeitas como o esquema de caixa 2 denominado 
pela mídia de mensalão e até a Bancoop ( esquema que até agora permanece não 
esclarecido). 

            O PT defende um projeto capitalista com um pouco mais de controle do 
Estado e mais voltado à burguesia nacional do que o PSDB e o DEM. As diferenças 
entre eles residem na disputa para determinar quem vai usufruir maior controle 
da máquina do Estado. Em que pesem  as divergências pontuais do PT com o PSDB, 
ambos têm acordo no projeto estratégico de tornar o Brasil um país viável do 
ponto de vista do capital, o que significa necessariamente a ajuda às empresas e 
o aumento dos ataques aos trabalhadores, particularmente com o agravamento da 
crise. 

           É importante diferenciar o governo Lula do próprio PT, pois o governo 
está mais à direita que o próprio partido. Isso ocorre pela opção do próprio PT 
e pela necessidade de governabilidade. A base de apoio do governo no Congresso 
se deslocou dos partidos menores e um pouco mais à esquerda (como PDT, PSB, 
etc.) para o PMDB, que possui uma grande bancada parlamentar, um grande número 
de governos estaduais e prefeituras, e, portanto, uma grande influência perante 
o governo. O PT obedece cegamente às diretrizes traçadas pelo governo e funciona 
como instrumento a serviço da governabilidade, abrindo mão de qualquer bandeira 
programática. Assim, o governo Lula, enquanto projeto e política cotidiana, não 
tem nada de essencialmente diferente em relação ao um governo burguês normal. 

            Do ponto de vista da disputa entre os partidos, o PSDB conta com um 
relativo desgaste do PT depois de 8 anos de gestão e sucessivos escândalos de 
corrupção, que horrorizam especialmente a pequena-burguesia. O PSDB não precisa 
apresentar um projeto diferente daquele que o PT vem implementando, que em 
vários aspectos é uma continuidade do projeto FHC, o projeto de inserção do 
Brasil no mercado mundial como exportador de matérias-primas agrícolas e 
manufaturas de baixo valor, às custas da devastação ambiental e da 
super-exploração do proletariado. Tudo o que o PSDB precisa fazer é apresentar 
as credenciais de uma gestão tecnocrática mais eficiente do mesmo projeto, em 
lugar da versão voluntarista e popular protagonizada por Lula. O “sucesso” do 
governo Lula no plano da economia tem pouca relação com os méritos da 
administração petista e mais com as condições favoráveis para o projeto 
atualmente em pauta nas condições da atual divisão internacional do trabalho. 

           Em relação ao PT, a vitória de Dilma é uma questão central. O PT se 
voltou completamente para a dinâmica eleitoral cuja sobrevivência material 
depende essencialmente de mandatos parlamentares, cargos no executivo, cargos de 
confiança, diretorias de estatais, etc. Numa eventual vitória do PSDB, a 
“despetização” do Estado iria obrigar milhares de burocratas a se re-localizar 
nos sindicatos, nas ONGs, na academia, etc., ou seja, a ter que atuar na relação 
direta com os trabalhadores para sobreviver politicamente e materialmente. Por 
isso, a burocracia fará da eleição de Dilma o principal eixo de atividade das 
entidades sob seu controle, secundarizando as campanhas salariais ou qualquer 
outra atividade. O PT fará de tudo para associar o prestígio de Lula à 
candidatura Dilma e transformar a aprovação do governo em votos, servindo-se da 
imagem do Serra para amedrontar os trabalhadores com a ameaça da volta da 
direita, que na verdade permanece ditando os rumos do governo do PT. 

A falta de uma alternativa de organização coletiva e combate ideológico, frente 
ao sistema capitalista, fazem com que a consciência política dos trabalhadores 
fique presa a dinâmica do processo eleitoral. Isso pressupõe a crença inabalável 
nas direções, e governos como portadores de um poder sobre-humano que 
supostamente os torna capazes de conduzir sem deslizes a vida política da classe 
trabalhadora. Expusemos sob o nosso ponto de vista a dinâmica da conjuntura 
atual, suas contradições e implicações ideológicas com o intuito de resgatar o 
papel ativo do fator subjetivo da história, isto é, os homens e mulheres 
trabalhadoras. Apontamos assim para a necessidade de um resgate e intensificação 
dos debates e lutas coletivas em prol das nossas reais necessidades, de nossa 
conscientização enquanto classe na luta por nossa emancipação, cujos 
protagonistas necessariamente seremos nós.
 
CAMPANHA SALARIAL 2009 – BALANÇO DO PROCESSO 
A campanha salarial de 2009 começou e terminou como as anteriores. As direções 
sindicais da CUT  e seus aliados atentaram mais uma vez contra a organização de 
base da categoria a mando do governo e dos patrões.  Aprovaram um acordo 
rebaixado como vitória,  onde o principal item de reivindicação não é mais o 
reajuste salarial, ou/e condições de trabalho dignas, mas a remuneração variável 
como a PLR.  Por outro lado, os setores que se proclamam oficialmente de 
oposição não se credenciam junto à categoria como alternativa, na medida em que 
não se mostram capazes de impulsionar mudanças de qualidade. (Importante 
ressaltar a existência de propostas/projetos alternativos, que embora 
embrionários, com limitações e debilidades buscam esta mudança qualitativa, 
possível e necessária). Voltando à Campanha, assim como nos anos anteriores o 
sindicalismo governista foi  omisso/conivente com a vergonhosa e imoral 
imposição dos bancos na convocação de prepostos  para garantir o final da 
campanha e aprovar uma proposta rebaixada que não nos contempla.  Lutamos por 
licença-prêmio, anuênio, reposição de perdas salariais, plano de saúde 
compatível com a dignidade, estabilidade para os bancários do setor privado,   
manutenção dos bancos públicos, melhores condições de trabalho, criminalização e 
fim  do assédio moral, PCS, delegados sindicais na NOSSA CAIXA e Bancos 
privados, pela conquista das reivindicações específicas de cada banco (público 
ou privado), etc.  Precisamos de um casaco novo para enfrentarmos o rigoroso 
inverno e nossos representantes vergonhosamente dividiram a categoria, 
defendendo que aceitássemos mais um remendo  no velho e surrado casaco.  Se, é 
verdade que o “modus operandi” dos dirigentes sindicais da CONTRAF-CUT não 
mudou, a categoria a seu modo, tentou resolver o problema aderindo maciçamente à 
greve deste ano, construindo a maior paralisação desde 2004. Por outro lado, os 
bancários não compareceram aos piquetes  e nem às assembléias pela total falta 
de confiança nas direções governistas da CUT. Este comportamento de boa parte da 
categoria expressa que o bancário que não fez a greve no ano passado optou por 
parar neste ano; mas, ao mesmo tempo, não queria participar do teatro que se 
tornou a campanha salarial dos bancários. Todavia os trabalhadores queriam dar 
um basta nas condições de trabalho que nos sufocam no dia-dia, condenando 
diversos colegas ao adoecimento, depressão, ou até suicídio; por exemplo.  
Importante salientar que suicídio de bancário se tornou algo corriqueiro.  
 Para que tenhamos campanhas salariais vitoriosas daqui para frente é necessário 
que a categoria se auto-organize. As saídas individuais para problemas coletivos 
são insuficientes, quando não, inadequadas. Os bancários devem tirar o controle 
da campanha dos dirigentes sindicais “chapa branca” e inofensivos ao patrão. Já 
está mais do que provado que esta forma de ação sindical estabelecida pela 
burocracia que controla o movimento sindical hoje, na prática não fala e não age 
centrada em nossos problemas.  Nesse sentido entendemos que a discussão por 
salário, saúde, condições de trabalho, isonomia, reposição de perdas, 
estabilidade, etc... deve estar no cotidiano do bancário  e não somente quando 
os dirigentes da CUT quiserem. Em 2010  haverá eleições, Copa do Mundo, eventos 
que o governo, os patrões e seus parceiros se utilizarão no sentido de 
entorpecer os trabalhadores para nos impor mais derrotas travestidas de 
“vitórias”. Na verdade, 2010 para eles significa participar da farsa eleitoral 
político-partidária, e seu projeto nada tem a ver com os  interesses dos 
bancári em s. De preferência mantendo o mesmo grupo encastelado nas estruturas do 
poder, não descartando as candidaturas de dirigentes sindicais sem compromisso 
real com a classe(só discurso). E que não têm o menor escrúpulo em se utilizar 
indevidamente das entidades dos trabalhadores seja fazendo campanha eleitoral 
para Dilma do PT, Serra do PSDB ou qualquer outra. Diante do quadro que se 
desenha para 2010, chamamos todos os bancários para discutir, desde agora, a 
nossa campanha salarial, sem estarmos atrelados aos interesses partidários, 
governamentais e patronais. Vamos discutir o que nos é caro, de forma 
democrática tendo como objetivo os interesses dos bancários. Também precisamos 
desenvolver novas maneiras de fazer a greve.  Comprometer de fato a 
lucratividade dos bancos e vermos atendidas as nossas reivindicações. E não 
aceitar que “dirigentes” façam “acordos” com gestores sobre contingenciamento 
durante as paralisações. Greve que não causa perdas expressivas ao patrão, não 
tem razão de ser. Se os problemas são os nossos dirigentes sindicais na condução 
da nossa campanha, a solução somos nós bancários, por meio de nossa própria 
organização e disposição de luta. Continuar “passando procuração” para esta 
direção sindical é continuarmos com a lógica das derrotas anunciadas dos últimos 
anos. Precisamos mudar esta história em 2010. 

O PAPEL DOS BANCOS PÚBLICOS – CAIXA ECONÔMICA FEDERAL 
A Caixa Econômica Federal vem implementando diversas políticas, na mesma linha 
dos bancos privados, para otimizar seus recursos (inclusive humanos) e obter 
lucros estrondosos, com a vantagem de utilizar o marketing de banco público e 
social.
As estratégias para promover a lucratividade da empresa extrapolam o discurso 
ético que o banco imprime, por exemplo, em suas “belas propagandas” exibidas nos 
horários nobres nas telinhas do povo brasileiro. 

Nelas não se mostra, é claro, que dentro de uma agência se pode receber um 
atendimento “essencial” ou “preferencial” de acordo com o bolso do cliente. No 
primeiro caso significa, no mínimo, um “chá-de-cadeira” ou até a impossibilidade 
de pagar contas e receber auxílios dentro da agência. É este o atendimento que a 
maioria da população brasileira tem merecido na visão da Caixa Econômica. Dizer 
que o número de empregados é insuficiente para um atendimento digno para a 
população é dizer o evidente. Os funcionários se desdobram para dar conta do 
atendimento ficando expostos, por um lado, à justa indignação da população e, 
por outro, ao descaso da empresa. Já nos setores “integral” e “personalizado” as 
filas são menores, e o funcionário talvez até sorria como nas “belas 
propagandas”, mas com poucos motivos para fazê-lo. 

Há também a propaganda interna, corporativista, que visa atingir o trabalhador 
para que este se sinta promotor das “boas ações” do governo prestando um bom 
serviço à sociedade. Servem também para amenizar o desconforto de ter que 
empurrar goela abaixo “produtos bancários” para clientes pouco interessados em 
adquiri-los. Persuadir o bancário a ignorar sua imensa fadiga, seu desgaste 
físico e emocional gerados no cotidiano deste cenário. As metas a cada ano se 
superam e a pressão para cumpri-las é imposta das mais perversas maneiras. 

Em resposta a esta situação tem havido uma crescente necessidade de organização 
e atitude por parte dos trabalhadores na luta por melhores condições de trabalho 
e vida. A organização dos trabalhadores na base tem sido o principal alvo das 
políticas de “recursos-desumanos”. A punição dos que lutaram para a melhoria 
deste quadro vai além da ameaça de desconto dos dias de greve. Algumas 
“conquistas” das lutas dos trabalhadores são revertidas de acordo com os 
interesses da empresa gerando conseqüências ainda não previstas. Cotidianamente 
a empresa busca novas maneiras de incentivar a concorrência e a submissão aos 
gestores. A antiga estratégia de dividir para dominar implantada com o 
consentimento das entidades sindicais que não se dão ao trabalho de consultar a 
base antes de assinar em baixo do que a empresa quer, em nome dos trabalhadores. 

 Portanto, para se fazer valer o caráter de banco público e social com a 
necessária prerrogativa de respeito à classe trabalhadora, que depende dos 
serviços prestados pelo banco, e aos seus próprios trabalhadores, há muito que 
se avançar.  Daí a necessidade de nos mantermos sempre atentos ao discurso que 
camufla as verdadeiras intenções da empresa. Cabe aos trabalhadores em geral, (e 
suas entidades representativas, ao menos em tese), o debate sobre o papel que o 
banco público deve cumprir perante a sociedade e o embate inicial contrariando 
esta distorcida conduta vigente que joga a CAIXA na situação de um banco 
qualquer.  Ao banco público cabe um papel diferenciado junto à sociedade.  Não 
se pode cobrar deste banco a mesma prática e resultados dos bancos privados.  O 
trabalho do banco público tem que estar calcado na tarefa de possibilitar 
desenvolvimento econômico com o foco no social.  Não se pode exigir do Banco 
Público critérios de desempenho e atuação calcados nas “Leis de Mercado”. Também 
não pode servir de instrumento para o deleite dos políticos profissionais, de 
partidos e de políticas clientelistas para “sustentabilidade” dos governos de 
plantão, independente do matiz.  E também não podemos abrir mão do debate com a 
classe trabalhadora e a sociedade em geral sobre a estatização do sistema 
financeiro. Até porque os fatos referentes à crise iniciada em 2008 nos 
mostraram claramente a situação. Com a justificativa de “salvar empregos”, a 
máxima capitalista e burguesa de socialização dos prejuízos e privatização dos 
lucros mais uma vez se deu de forma concreta com o governo salvando bancos e 
outras corporações com a utilização de dinheiro público. Seja nos incentivos e 
renúncia fiscais ou na injeção direta de recursos.
FUNCEF/PREVHAB/APOSENTADOS
Com o início da implementação do projeto neoliberal, a panacéia do  estado 
mínimo como solução de todos os males tomou conta de todos os debates e a mídia 
nacional, comprometida com o “status quo” pernicioso para a maioria da 
população, cumpriu papel relevante e como sempre subserviente aos seus 
interesses de classe.  Passou-se a buscar a toque- de- caixa a realização das 
várias reformas de interesse da classe dirigente.  A reforma da previdência foi 
uma delas.  Importante salientar que o projeto das reformas, não totalmente 
implementado, ainda continua na pauta da classe dirigente, que aguarda o momento 
mais propício. Sabemos que estrategicamente buscam o fim da previdência pública. 
E moldar a previdência privada como substituta da pública teria que passar 
necessariamente por mudanças estruturais no seu funcionamento.  E conseguiram em 
parte, na medida em que os próprios dirigentes sindicais em seu setor 
majoritário não só defenderam como atuaram com o governo e a patronal neste 
sentido.  A mudança nas regras de funcionamento e principalmente a defesa e 
aplicação da substituição do caráter de benefício definido para a contribuição 
definida foram determinantes.  Assim proporcionaram ao governo-patrão no caso 
dos associados da Funcef a migração “espontânea” daqueles que optaram pelo 
saldamento do Reg-Replan para o novo plano.  E como não conseguiram acabar com o 
plano antigo, passaram a ter um discurso contrário à discriminação dos 
associados do Reg-Replan não saldado, mas na pratica nada fizeram e fazem para 
mudança real neste tratamento e conjuntamente com a direção da empresa, 
estimulam e defendem novas aberturas de saldamento em ressonância com a CAIXA. 
 Aos associados do plano não saldado oferecem aumento indiscriminado das 
contribuições, impossibilidade de acesso ao novo PCS, assédio continuo para 
saldamento/mudança do plano antigo.  Quanto à PREVHAB, a CAIXA ao não obter a 
liquidação do Fundo de Pensão, obteve a prerrogativa de não mais patrocinar o 
plano. Quanto aos aposentados e pensionistas, foi oferecida a migração para a 
então seguradora da CAIXA (SASSE SEGUROS), e tiveram suas contribuições 
inviabilizadas por aumentos exorbitantes.  Entendemos também que o nosso fundo 
de pensão não pode servir de ferramenta, para através de decisões políticas 
muitas vezes sem transparência, ter a aplicação de seus recursos em projetos no 
mínimo duvidosos. Exigimos:
ü  Fim das discriminações aos associados do Reg-Replan não saldado.
ü  Não  ao aumento nocivo e imoral das contribuições do Reg-Replan.
ü  Fim das ameaças de retirada de patrocínio ao Reg-Replan não saldado.
ü  Direito de retorno ao Reg-Replan, com regras justas, para quem o desejar.
ü  Direito de livre escolha para todos que optarem pelo beneficio definido.
ü  Não à proposta de indenização irrisória para os tickets dos aposentados.
ü  Fim do não pagamento do Auxilio Alimentação aos que se aposentam.  
ü  Fim do voto de minerva, nas questões polêmicas na Funcef.
ü  Utilização de mecanismos democráticos como plebiscitos quando houver impasse.
ü  Restabelecimento do princípio da paridade para ativos e aposentados.
ü  Que o custo das demandas judiciais oriundas de ilegalidades da CAIXA, seja 
custeado exclusivamente pela CAIXA, sem a co-participação da FUNCEF.
ISONOMIA
Infelizmente para os bancários e bancárias da CAIXA, no final dos anos 90, o 
setor que ainda hoje dirige formalmente o movimento sindical, defendeu e assinou 
Acordos Coletivos, que previam o fim da paridade entre ativos e aposentados.  
Junto houve a institucionalização dos empregados de segunda linha, com a 
introdução da “carreira’’ de Técnico Bancário na empresa. Tal fato, talvez seja 
hoje, o principal obstáculo de caráter jurídico que impede o fim da 
discriminação entre novos e antigos. A criação da chamada Tabela Única do PCS, 
vendido como virtual solução para a questão da Isonomia, não trouxe sequer a 
incorporação das VPs (vantagens pessoais) como no caso dos escriturários, o que 
reduziria a perda dos novos colegas. Defendemos de imediato:
ü  Incorporação no salário das VPs para todos os contratados pós-98.
ü  ATS para todos os bancários e bancárias da CAIXA
ü  Licença- premio para todos indiscriminadamente.
ü  Regulamentação das conquistas obtidas pela luta como APIP, parcelamento das 
férias, etc.,  proporcionando aos novos maior segurança e garantia.
 
CONDIÇÕES DE TRABALHO/SAÚDE DO TRABALHADO/JORNADA
O cotidiano de trabalho nas agências e departamentos é extenuante para a grande 
maioria dos bancários da CAIXA. Faltam funcionários para atender com qualidade a 
demanda de clientes e realizar a operacionalização de contratos dentro dos 
prazos e exigências estabelecidas normativamente. Para dar conta do recado, a 
empresa obriga os funcionários a extrapolarem ordinariamente a jornada de 
trabalho. A prática de assédio moral é utilizada para forçar a produtividade. 
Casos que ocorrem em diversos locais de trabalho onde o controle dos gestores 
ultrapassa os limites, pressionando os funcionários de forma a impedir direitos 
previstos por lei, como a pausa de 10 minutos a cada 50 minutos trabalhados, 
(direito de todos que trabalham com digitação). O horário de almoço/intervalo 
por diversas vezes é imposto unilateralmente pelos gestores, e de acordo com a 
demanda de determinado momento, é alterado para o tempo que os gestores 
permitirem, mesmo em desacordo com a lei e em prejuízo à saúde do trabalhador. 

A segmentação aos moldes dos bancos privados é tratada naturalmente pelo banco 
que ironicamente enfatiza seu caráter público e voltado às demandas da sociedade 
nos seus pronunciamentos oficiais e propagandas corporativas, televisivas e 
outras mídias. A política imposta é a de viabilizar um bom atendimento somente 
àqueles clientes “classe A”, que são atendidos preferencialmente, enquanto o 
povo é submetido a longas esperas, sendo controlados através de senhas que 
disfarça a extensão da fila e busca evitar revoltas. Os atendimentos sociais são 
empurrados para fora das agências, difundindo-se uma cultura de hostilidade ao 
cidadão comum que necessita dos serviços do banco público. Isso porque a 
estrutura não comporta um atendimento digno e a opção da empresa é pelo ganho 
comercial/financeiro, ao invés de cumprir com a tão propagada responsabilidade 
social.  Os funcionários que resistindo se opõem à lógica de diferenciação de 
clientes são penalizados com as piores condições de trabalho, muitas vezes são 
obrigados a trabalharem sozinhos ou em número insuficiente nos setores com as 
maiores filas, sem poder beber água ou ir ao banheiro sem se justificarem 
perante a fila. 

As reuniões chamadas freqüentemente pelos gestores são sempre fora do horário de 
trabalho (provando que a jornada de 6 horas é definitivamente desrespeitada). 
Nelas rotineiramente se expõem metas cada vez maiores e pouco ou nada se fala 
sobre a organização coletiva do trabalho. Muitos que ousam intervir em prol das 
demandas coletivas, são rechaçados. A dificuldade de se contrapor à ideologia 
corporativa é imensa, dado o controle normativo excessivo daqueles que detêm os 
chamados “cargos de confiança”, e são utilizados pela empresa como (supostos) 
prepostos. 

Todos ficam submetidos a uma estrutura hierárquica sustentada pelo assédio moral 
institucionalizado, apoiada nos cargos de confiança que fazem o funcionário se 
apegar ao salário, dada à discrepância salarial entre os cargos comissionados e 
os baixos salários dos 'funcionários sem função’, os que formam a base dessa 
pirâmide e, portanto, os maiores prejudicados. 

A venda de produtos do grupo Caixa seguros e capitalizações é a meta mais 
cobrada e mais recusada pelos trabalhadores, que percebem as parcas vantagens 
que tais produtos oferecem aos clientes e que não há controle nenhum sobre a 
satisfação destes em relação a tais produtos, visto que a CEF é somente um 
balcão de vendas. A recompensa em forma de pontos a serem utilizados em compras 
via internet, uma espécie de neo-colonato, é pouco atrativa para grande parte 
dos funcionários, dada à superficialidade de tal forma de consumo. Para obter o 
cumprimento das metas o assédio moral é empregado, na forma de pressão, 
diferenciação entre bons e maus vendedores, concessão de “direitos” (apip, 
intervalo regular, melhor condição para trabalhar, etc.) aos primeiros e 
rejeição aos segundos.  Mas grande parte dos trabalhadores da Caixa parece não 
sabe que o grupo Caixa Seguros, não é Caixa Econômica Federal e sim, uma empresa 
francesa onde a CEF é apenas uma das acionistas e a Fenae que também já foi 
sócia, mas vendeu suas ações (ações de seus associados).Os trabalhadores, em sua 
maioria, não têm conhecimento desta parceria (mas isso é outra história). De 
acordo com um estudo geral do Dieese, exposto para os delegados sindicais na 
ocasião de um encontro ocorrido na sede do Seeb-SP em 2008, revelou-se ínfimo o 
impacto da venda desses produtos no balanço da empresa. Coube então a pergunta 
que não quer calar: por que metas tão altas e tanto assédio moral para obter as 
vendas desses produtos? É importante lembrar que no último CONECEF tal 
questionamento foi colocado na forma da seguinte proposta: elaboração de um 
estudo pelo DIEESE detalhado sobre o impacto da parceria CEF- Caixa seguros e 
capitalização e suas subsidiárias/parceiras, incluindo a FENAE corretora (que 
recentemente mudou de nome para PAR) e posterior e imediata auditoria para 
mensurar o impacto nas receitas e custos da empresa. Tal proposta foi aprovada 
por consenso, pois não houve defesa contrária e, no entanto, aguardamos até hoje 
a realização de tal estudo sem obtermos resposta.
A sobrecarga de trabalho, o stress, a falta de contato humano e solidariedade, a 
fragmentação do trabalho, a pressão dos gestores por um lado e dos clientes por 
outro, criam um ambiente de trabalho insalubre que condena grande parte dos 
bancários a perda de saúde e qualidade de vida. Os casos de doenças provenientes 
do esforço laboral (físicas ou psíquicas) são cada vez mais freqüentes e, no 
entanto, encarados de forma naturalizada, fazendo com que se transfira a 
responsabilidade ao adoentado, “culpado” por não conseguir se “adaptar” às 
exigências da empresa. Muitos colegas, ao se aposentarem, já estão com a saúde 
bastante debilitada, e ao invés de poderem curtir o tempo livre passam a ter que 
cuidar da saúde perdida nos anos de trabalho.    
Tudo somado; intensificação do assédio moral, cobrança descabida de metas com 
imposição de vendas casadas, situações crônicas de insalubridade, jornadas 
expandidas e inclusive sem marcação correta da jornada de trabalho. 
Acrescente-se a isto, um número reconhecidamente insuficiente de funcionários 
para desempenho das atividades, não cumprimento por parte da empresa de 
cláusulas acordadas como contratação de novos colegas, planos de demissão 
incentivada e estímulo à aposentadoria, são elementos do nosso cotidiano e nos 
colocam literalmente na situação de doentes. Doentes potenciais (os novos, bem 
novos na empresa), doentes crônicos e, sem exageros, “doentes pé-na-cova”.  
Necessitamos de: 

   
ü  Fim efetivo do assédio moral.  Denúncia, enquadramento e penalização para a 
empresa e para os gestores coniventes. Assédio Moral é infração reconhecida. 

ü  Fim efetivo do abuso exercido por metas. Trabalho sistemático de vendas-zero 
em tais situações. Não à venda casada e efetiva denúncia mediante determinações 
neste sentido. 

ü  Respeito à jornada, com a pró-atividade dos empregados mediante trabalho 
consistente de conscientização e atuação determinada por parte das entidades.
ü  Utilização da Internet liberada mediante regulamentação equilibrada 
ü  Exigência de exames médico/laboratoriais periódicos adequados. Fim dos exames 
superficiais. 

ü  Acompanhamento, cobrança e denúncia de condições físicas e ambientais 
inadequadas e prejudiciais aos trabalhadores,  clientes e usuários em geral. 

ü  Participação efetiva das entidades representativas dos trabalhadores quando 
do afastamento,  tratamento e retorno dos enfermos/lesionados, que muitas vezes 
se vêem prejudicados por coação e desinformação.
ü  Verificação por parte do Movimento no que se refere à abertura do SAÚDE CAIXA 
para o público em geral e o que isto pode trazer de negatividade para os 
empregados cada vez mais precariamente atendidos. 

ü  Fazer valer a conquista dos intervalos/pausa para todos, e não apenas para os 
caixas, pois na prática todos são digitadores/alimentadores de dados. 

ü  Imediata publicação e ampla divulgação do estudo detalhado do Dieese sobre o 
impacto da parceria CEF- Caixa Seguro e subsidiárias, conforme deliberação do 
25º CONECEF.
ü  Implantação imediata da Auditoria independente para mensurar o real impacto 
da parceria CAIXA/GRUPO CAIXA SEGUROS E FENAE-PAR CORRETORA no resultado 
contábil-financeiro da CAIXA, conforme deliberado no 25º CONECEF e não 
implementado.       

SAÚDE CAIXA
Os trabalhadores da CAIXA tiveram grande derrota ao perder por iniciativa da 
empresa e sem força do conjunto da categoria para responder. o seu Plano de 
Assistência Médica (antigo PAMS), onde não tínhamos mensalidade, o custo era 
progressivo de acordo com o salário, e realizávamos pagamento quando utilizado.  
Se o mesmo se tornou, segundo a CAIXA, inviável, o foi pelo fato de estar 
atrelado o montante dos seus recursos a um percentual da folha de pagamento que 
esteve congelada por anos a fio, enquanto os custos sofreram reajustes. Ficou 
para nós um plano de seguridade de saúde, que em breve, a depender da empresa, 
se tornará aberto ao grande público como qualquer outro plano com funcionamento 
baseado no lucro.  Ainda recentemente, depois de vários adiamentos, finalmente a 
CAIXA divulgou números do superávit acumulado (seria algo acima de cem milhões 
de reais). E mesmo com superávit agora declarado, cada vez mais a rede de 
credenciados se torna insuficiente quantitativa e qualitativamente e não se sabe 
com a reestruturação imposta (as GIPES aí incluídas) e as mudanças  o quanto irá 
piorar o que já está ruim. Lamentavelmente os mecanismos existentes como o 
Conselho de Usuários não tem conseguido dar a resposta necessária aos problemas 
colocados.  De caráter consultivo, limites de atuação controlados entre outras 
razões, apenas acaba por ser uma espécie de legitimador das ações implementadas 
pela CAIXA.  Entendemos que somente a gestão realmente paritária, com um efetivo 
controle e participação dos empregados poderá mudar esta situação.
SEGURANÇA BANCÁRIA
Na prática, os banqueiros incluído o governo, historicamente pouco se preocupam 
em proporcionar um local seguro para a total integridade de clientes, usuários e 
trabalhadores  e que os mesmos possam exercer suas atividades dentro das 
agências e salas de auto-atendimento. Isto na medida em que, ao menos em tese, o 
seu patrimônio é segurado.   Misto de descaso e irresponsabilidade. Assim a 
denúncia, a cobrança e a efetivação de medidas que possam minimizar os riscos 
têm que ser permanentes.  Cabe a nós bancários e bancárias também um papel 
importante, além do papel inerente às entidades.  Ainda é comum o transporte de 
valores feito por bancários, por exemplo, que não devem submeter a isto, mesmo 
se coagido - daí a importância da denúncia. É necessário que conquistemos a 
supremacia do cuidado com a vida e impor ao banco, cuidados com a pessoa 
(seqüestros, mortes, seqüelas, punições por ocasião de sinistros) acima do 
cuidado com o patrimônio do banqueiro, ainda e principalmente se este banqueiro 
é o governo.
CONECEF/ORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO
                O Congresso Nacional dos empregados da CEF é ou deveria ser a 
instância máxima de deliberação dos bancari em s da Caixa. Originalmente era 
caracterizado pela participação massiva dos empregados de base da empresa. 
Aquel em s que estão no cotidiano das agências e departamentos e sabem melhor do 
que ninguém onde o sapato aperta.  Infelizmente com o passar dos anos a 
burocratização dos dirigentes e entidades tornou o nosso congresso um “colegiado 
de notáveis” que estão em sua maioria a muitos anos longe dos locais de 
trabalho, distanciados e sem referência da nossa realidade. Muitos inclusive têm 
se ocupado apenas em desenvolver projetos pessoais e de grupos.  Em função do 
trabalho e dedicação de certo número de bancári em s, conseguimos dar ao nosso 
congresso um formato mais democrático, que possibilitou a participação de um 
numero maior de bancári em s da base. Porém, para algo em torno de 0,4% o que 
convenhamos, é ainda pouco representativo.
              No último período as negociações com os banqueiros incluem os 
Bancos Públicos.  Nós somos os primeiros a defender a unidade de toda a 
categoria bancária para lutar contra banqueiros e governo.  Porém não podemos 
negar que neste mesmo período, participar da mesa única da Fenaban não nos tem 
sido favorável.  Ainda que não encaremos a mesa única como princípio (nós a 
vemos como um elemento tático),  da forma que vem sendo utilizada, ela é 
favorável a todos; Banqueiros, Governo e também para setores do movimento, que 
ao não construirem mobilização em privados (e sabemos que isto dá trabalho), 
utilizam-na para manobrar, convocando assembléias “unificadas” para o início da 
paralização e desmontam a tão defendida “unidade”, chamando assembléias 
separadas para o termino, com efetiva mobilização tendendo a zero nos bancos 
privados durante toda a campanha, mas “livrando a cara” de direções onde a 
maioria esmagadora da categoria está nos bancos particulares e isto deve acabar. 
 Vanguarda, linha de frente na organização e realização do movimento, temos 
avançado muito aquém do nosso nível de mobilização e precisamos no período de 
campanha, quando estamos no clímax de nossas potencialidades, negociar 
diretamente com a direção da empresa todas as claúsulas e itens e fugir da 
enganação que é o ”processo de negociação permanente” e os “Grupos de Trabalho” 
que nada, ou muito pouco produzem de positivo para o conjunto dos empregad em s.
          Só com a participação efetiva dos bancari em s da Caixa, conseguiremos 
superar os  obstáculos colocados pelo governo, pela direção da Caixa, e 
infelizmente por setores das próprias entidades  dos trabalhadores que não 
querem discutir temas importantes como a “parceria” CAIXA, CAIXA SEGUROS 
PREVIDÊNCIA E CAPITALIZAÇÃO e FENAE (atual PAR CORRETORA), que é responsável por 
consumir  ativos da Caixa e coloca a FENAE, entidade dos trabalhadores, como 
parceira também no assédio moral (ainda que indiretamente) para obtenção das 
metas , parte interessada que é.  Precisamos avançar no PCS (uma vitória dos 
trabalhadores, apesar de nossas direções), pois o mesmo é discriminatório, pune 
grevistas e premia aqueles que não lutam e acabam  usufruindo privilegiadamente 
de nossas conquistas com critérios duvidosos. Temos que ser conseqüentes com a 
isonomia. Condições de trabalho e de atendimento.
          Não temos acordo com a mudança de caráter CONECEF, desvinculado da 
Campanha, o que o torna um apêndice no processo. Também condenamos atitudes 
unilaterais da direção do movimento, como o não cumprimento das deliberações do 
congresso.  Exemplo disto é a resolução aprovada por consenso no tocante à 
criação de uma Auditoria Independente, com inciativa das entidades e dos 
trabalhadores no sentido de mensurar o real impacto causado pela pareceria 
anteriormente citada (CAIXA-CAIXA SEGUROS E ASSOCIADOS E A FENAE/´PAR CORRETORA) 
e que um ano depois continua engavetada pela direção majoritária do movimento, 
que não quer nem ouvir falar disto por razões que não declaram. Assim 
defendemos:
ü  Caráter deliberatório para o CONECEF, vinculado à Campanha Nacional da 
Categoria
ü  Encontro/Congressos estaduais abertos
ü  Comando Nacional eleito nas assembléias por região e com reuniões ordinárias
ü  Fim da figura do delegado nato.
ü  Eleição dos membros da Comissão de Empresa(executiva dos empregados) eleitos 
no CONECF, com proporcionalidade direta.
ü  Caráter deliberativo ao forum de delegados sindicais, que deve ser 
reestruturado/ampliado.
ü  Garantia de amplo debate, com plenárias e assembléias democráticas nas 
grandes questões, quando fora dos períodos de campanha salarial. Nenhuma 
assinatura de acordo, sem obeservação desta condição.
ü  Ampliação do número de participantes do CONECEF,  relação de 01 para 200 na 
base de cada sindicato.
ü  Coordenação Nacional do CONECEF a cargo da CEE-Caixa eleita nos modelo 
proposto por esta tese.
            
CORRESPONDENTES BANCÁRIOS/TERCEIRIZAÇÃO
 
                        No nosso entendimento, e em particular na categoria 
bancária, os dois temas caminham juntos, na medida em que ambos objetivam as 
mesmas finalidades, ainda que com nuances diferentes.  No caso do Correspondente 
Bancário (tambem conhecido pela sigla CORBAN), sua instalação  inicial, até onde 
sabemos,  ocorreu a partir da utililização dos agentes lotéricos como 
prestadores de serviços bancários pela CAIXA, mais notadamente a partir da 
segunda metade dos  anos oitenta.  Depois, nos anos noventa, o conjunto da banca 
nacional e internacional também passou a exigir a sua parte no botim. Claro, 
pois o Correspondente Bancário proporciona aos bancos uma diminuição de custos 
enorme em pessoal, instalações, segurança, enfim todo o aparato operacional 
vinculado à atividade bancária.  Temos então o Bacen e a normatização em forma 
de resoluções e o objetivo seria levar  o serviço bancário até as regiões mais 
afastadas, onde financeiramente não havia interesse em instalar agências.  Mas 
como não poderia deixar de ser, em se tratando de banqueiros, hoje eles estão em 
toda parte.  Uma distorção onde as instituições financeiras colocaram seus 
tentáculos em desobediência ao normatizado, e continuam.  Até porque o próprio 
Bacen, a partir de 2000 “liberou geral” (abertura de contas, pagamentos, 
recebimentos, solicitação e análise de crédito, solicitação de cartão de 
crédito, seguros, capitalização, etc).  Por outro lado a questão trabalhista foi 
relegada a segundo plano e os bancos não admitem quaisquer responsabilidades 
sobre o que quer que a sua conhecida ganância gere de negativo para os 
trabalhadores e a sociedade em geral; precarização, flexibilização e extinção de 
direitos, conquistas da categoria bancária não são de sua responsabilidade.  
Segurança de trabalhadores e usuários vão  na mesma linha.  Na prática, 
correspondente bancário substitui a denominação correta, pois são na verdade 
franquias das instituições que vivem a alardear sua responsabilidade social. 
Blá, blá blá.  Sabemos que este é um tema delicado, na medida em que a população 
entende tal serviço como prático e facilitador do seu dia-a-dia.   O Comércio 
também ganha.  Por outro lado não se pode permitir a substituição das agências 
por correspondentes.  

Da mesma forma as terceirizações continuam a todo vapor, em todos os setores.  
Aos empresários só traz vantagens.  Aos trabalhadores; precarização, perdas de 
direitos, flexibilização, fraudes contratuais (atividade fim-atividade meio).  
Ao cliente; riscos, insegurança, sinistros.  No final dos anos 90, FHC e os seus 
remetem o PL 4302, que ao tratar da matéria, além de acabar com o vínculo 
empregatício ainda dá perdão a todos os fraudadores de forma retroativa.  Tal 
projeto ainda que não votado, ainda persiste rodeando os trabalhadores como um 
fantasma.  Por outro lado, um outro projeto, mais “ameno” (o de numero 1621/07 
do deputado Vicentinho), que também regulamentaria a matéria, até onde sabemos, 
permanece em trâmite.  De qualquer forma entendemos que os trabalhadores não 
podem ficar reféns do parlamento.  Ainda que, quando o diploma possa resguardar 
(em tese) minimamente direitos da classe, sabemos que a ação direta, organizada 
e consequente é a nossa verdadeira proteção.  Também neste aspecto, o movimento 
sindical de conjunto e sua direção majoritária em particular vêm atuando 
timidamente.
 
PSC/PCC/PSI/REESTRUTURAÇÃO
            No que diz respeito ao PCS, tal como ele é hoje, todo o processo que 
resultou na implementação do mesmo pela CAIXA foi, a nosso ver, equivocado.  
Parte por inabilidade e parte por intransigência e autoritarismo com uma forte 
pitada de submissão do chamado campo majoritário, aos desejos da CAIXA e do 
governo.   Discriminatório aos associados do REG-Replan não saldado.  Exigência 
de renúncia de direitos. Impedimento de ações trabalhistas que reclamam estes 
mesmo direitos.  Deliberações sem discussões prévias dignas deste nome, em 
assembléias onde a democracia se transforma em expressão vazia.  Também merece 
destaque negativo a aprovação de um modelo de AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO que de  
antemão joga na marginalidade 20% do funcionalismo e o que é tão grave quanto; 
não traz a definição de critérios com transparência.  Além disso fornece 
elementos para que a empresa possa desenvolver e aplicar mecanismos de 
retaliação aos “improdutivos”.  

            Quanto ao PCC/PFC, que deveria ter sua formatação definida sob o 
ponto de vista dos empregados no 25º CONECEF (abril de 2009), ficou para meados 
do mesmo ano.  Mais uma vez a empresa não cumpriu o acordado e passou ora a 
enviar “balões de ensaio”, ora a implementar mudanças de forma unilateral, 
sempre causando transtornos ao funcionalismo. E de quebra ainda tem a desculpa 
de estar aguardando definições por parte dos controladores da CAIXA, ligados ao 
governo.  Pra  completar a situação de inseguraça, além de todos os outros males 
que afligem os empregados da CAIXA, temos também a famigerada REESTRUTURAÇÃO.  
Ela traz no seu bojo,  além da extinção  de cargos e funções, extinção das 
várias gerências e coordenações e todos os problemas para o funcionalismo, 
clientes e usuários, que medidas deste tipo podem causar, até porque já passamos 
por momentos semelhantes em outras ocasiões A empresa não discute, negocia, 
informa, esclarece. Aposta no terror e desinformação.  Vai fazendo tudo de 
acordo com critérios que muitas vezes nem ela mesma parece entender.  Entendemos 
que a única forma de fazermos a CAIXA rever e alterar a sua ação calcada no 
autoritarismo, unilateralidade e descaso é através de ações concretas 
(organização, paralizações, operações- padrão, campanhas  efetivas de venda 
zero, cumprimento de jornada, ações judiciais, etc).
ü  Revisão do PCS. Fim da discriminição aos associados do REG-REPLAN não 
saldado.
ü  Respeito à Jornada de seis horas.  Não à redução de salários.
ü  Distribuição linear dos deltas na promoção por merecimento. Critérios 
transparentes.
ü  Extinção do CTVA.
ü  PSI com critérios objetivos.   Fim dos favorecimento e posturas 
clientelistas.
ü  Definição de critérios coerentes e justos para o descomissionamento.
ü  Não a qualquer tipo de renúncia de direitos.
ü  Plano de recuperação das perdas acumuladas desde o Plano Real. 
ü  PLR Linear.
ü  Contratações.

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TESE PARA O ENCONTRO NACIONAL DA OPOSIÇÃO BANCÁRIA
RIO DE JANEIRO – JULHO 2010
 
PELA RECONSTRUÇÃO DA OPOSIÇÃO BANCÁRIA.
 
1. Conjuntura Internacional
 
1.1 Crise e endividamento estatal
 
A crise econômica iniciada em 2008 segue se desenvolvendo numa nova etapa, 
marcada pela necessidade do Estado de administrar os déficits originados pelas 
operações de salvamento do capital financeiro. A crise atual se insere no 
contexto da crise estrutural do capital, ou seja, de uma crise geral que abala 
os pilares da reprodução do capital, devido ao esgotamento da capacidade de 
escoamento da produção e realização da mais-valia (lucro).
Tal crise estrutural se manifestou a partir da queda da taxa de lucro que 
começou a ocorrer no final da década de 60 e início dos anos 70, depois de 
passado o “boom” econômico do pós-guerra. Desde então o mundo experimenta 
diversas crises cíclicas, marcadas por fenômenos como a quebra do padrão ouro 
pelos EUA, a crise da dívida e da hiperinflação na América Latina, a 
incorporação dos países do antigo Leste Europeu ao mercado mundial, etc. A crise 
atual é mais um episódio desse fenômeno geral, tendo como estopim a 
inadimplência das hipotecas “sub-prime” e a desvalorização dos títulos a elas 
vinculados, ocasionando um efeito dominó na economia mundial. 

Na primeira fase, assistimos uma mediada destruição de capital, como liquidação 
de estoques, fechamentos de plantas e pontos de venda, cancelamento de 
investimentos, demissão em massa, redução de jornada com redução de direitos, 
etc. Os Estados não mediram esforços para liberarem trilhões de dólares para a 
burguesia manter a lucratividade. Essas medidas foram necessárias para evitar um 
impacto violento na economia, que levasse a uma ideologização da crise, ou seja, 
a um questionamento do capitalismo. A ajuda dos governos se deu por meio de 
medidas como emissão de moeda e principalmente de títulos públicos, isto é, 
papéis que representam promessa de pagamento futuro para quem adquiri-los 
mediante juros. Essa ajuda evidentemente provocou uma explosão de endividamento 
estatal.
A intervenção estatal na economia para salvar a burguesia manteve o ritmo da 
produção de forma artificial. Este comportamento se viu em todos os países, mas 
o montante distribuído nos EUA e na Europa é de longe o maior, pois são os 
locais onde a taxa de lucro é menor em relação ao resto do mundo, e onde se tem 
uma composição orgânica do capital mais elevada, isto é, uma maior proporção de 
capital constante em relação ao capital variável.
A dinheirama para os capitalistas resolveu parte do problema, isto é, o ritmo de 
produção e reprodução do capital. Mas acabou por preparar terreno para a atual 
fase da crise: o superendividamento dos Estados. Com o aumento dos déficits 
orçamentários causados pela “ajuda” às empresas, há a necessidade de cortes nas 
despesas estatais para garantir que haja sempre mais recursos disponíveis para a 
burguesia. Neste caso, o estopim da segunda fase da crise estourou na Europa em 
países como Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda conhecidos pela sigla pejorativa 
em inglês “PIGS”.
O caso mais grave é o da Grécia, que teve que apelar para um pacote de ajuda dos 
outros estados da União Européia. Os demais países aceitaram fornecer recursos 
para o governo grego com a condição de que este se dispusesse a cortar despesas. 
Na prática isso significa corte de verbas para o serviço público, tendo como 
resultado a não contratação de pessoal, arrocho salarial do funcionalismo, 
precarização dos serviços de saúde e educação; demissão por meio de PDVs, corte 
das aposentadorias, etc. Diante disso, os trabalhadores gregos resistem 
bravamente aos milhões nas ruas. “As medidas incluem um crescimento no imposto 
de valor agregado (IVA), um aumento de 10% nos impostos de combustíveis, álcool 
e tabaco, além de uma redução de salários no setor público. O governo prevê 
agora que o país tenha uma contração de 4% do PIB em 2010 e 2,6% em 2011. O 
crescimento voltaria em 2012, com cerca de 1,1%.” Fonte G1, 06/05/2010.
Apesar da forte e exemplar resistência dos trabalhadores da Grécia (chegou-se a 
ter uma greve geral com a adesão de mais de 30% da população grega parada e 
mobilizada nas ruas), toda essa mobilização não discute uma nova proposta de 
organização social alternativa à anarquia do modo de produção capitalista; não 
se discute sobre o socialismo.
 
1.2 Acrise e a decadência do dólar como meio circulante
 
Os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar na lista dos países com a maior dívida 
externa líquida do mundo (13,7 trilhões de dólares), seguido pela Grã-Bretanha 
(9,6 trilhões), Alemanha (5,2 trilhões), França (5 trilhões) e Países Baixos 
(2,4 trilhões). Trata-se, portanto, de uma superpotência devedora, virtualmente 
em bancarrota. Somente não chegou à beira da insolvência porque pode emitir o 
dólar, que é a moeda internacional de reserva.
A perspectiva é de que, mais dias menos dias, deixe a condição de única moeda 
internacional de reserva, apesar da China e de serem os Estados Unidos o centro 
do sistema capitalista mundial. E, quando isto ocorrer, os Estados Unidos terão 
enormes dificuldades de pagar suas contas, por meio de empréstimos de outros 
países. Fonte: ADITAL. Notícias da América Latina e Caribe 22/06/2010 
(adital.com.br). Grifo nosso.
O capital fictício é o grande segredo para continuar a dar vazão ao capitalismo. 
No século XX isso tomou outra qualidade depois da quebra do Acordo de Bretton 
Woods, isto é, depois que as reservas monetárias deixaram de estar lastreadas em 
ouro.  Em 1971, os EUA simplesmente ignoraram o tratado e passaram a emitir 
moeda sem qualquer lastro real de riqueza. Está aí a principal expressão do 
caráter fictício do capital. O efeito prático disso para o sistema financeiro é 
o fato de se ter o dólar como lastro no lugar do ouro. A partir desse momento, 
os governos do mundo passaram a constituir reservas cambiais denominadas na 
moeda estadunidense.
Ocorre que este lastro não é moeda, e sim promessas de pagamento futuro mediante 
remuneração de juros. São os títulos públicos emitidos pelos governos que 
garantem boa parte dos recursos para fechamento dos orçamentos. A emissão de 
títulos é uma fonte de recursos de curto prazo, mais os compradores de títulos 
precisam receber o montante pago aos governos com acréscimo de juros no momento 
do resgate desses títulos, o que faz com que os governos tenham que emitir novos 
títulos para pagar os anteriores, e assim sucessivamente. Embora sejam uma fonte 
de recursos para os Estados, os títulos também se tornam uma fonte de 
endividamento. Tais papéis tem seu lastro unicamente na confiança de que o seu 
pagamento será honrado pelos governos. É por isso que o “desrespeito aos 
contratos” não é bem-visto pelos agiotas internacionais. Quanto maior for a 
certeza do pagamento destes títulos emitidos, maior é a segurança de seu 
investimento, isto é, sua aquisição.
Todos os países capitalistas da atualidade tem suas reservas em dólar, em moeda, 
e em títulos do governo estadunidense, cujo único “lastro’ é a certeza de que 
estes títulos serão pagos religiosamente pelo tesouro daquele país. Assim, a 
viabilidade do meio circulante mundial é a confiança de que os EUA pagarão os 
títulos emitidos.
É aí que pode estar o embrião da terceira fase da crise: o esforço de se 
distribuir trilhões de dólares para salvar a burguesia estadunidense aumentou 
enormemente o endividamento dos EUA, criando um cenário assombroso para médio 
prazo: a inviabilidade do dólar como meio circulante mundial, uma vez que a 
liquidez dos títulos públicos fica cada vez mais questionada.
Um sinal dessa preocupação é dado pelos governos dos países que tem as maiores 
reservas de dólares do mundo, como a China e o Japão, que firmam acordos 
comerciais em que já não se utiliza o dólar como intermediário na transação. 

Mesmo ciente dos risco de calote dos EUA num futuro não muito distante, os 
governos não podem ainda fazer uma corrida do resgate destes papéis por conta do 
pânico mundial que poderia ocorrer diante da menor possibilidade da economia dos 
EUA “quebrar” e verem os papéis que lastreiam as suas reservas virarem pó sem 
valor algum. Seria a terceira fase da crise. Não há elementos na realidade para 
se determinar com precisão em que momento isso ocorreria e em que ritmo, mas é 
um fenômeno que devemos acompanhar.
 
1.3 O impacto da crise para os trabalhadores
 
Ao contrário da primeira fase da crise, que teve os trabalhadores dos grandes 
grupos econômicos privados como alvo da burguesia na tentativa de recompor as 
suas taxas de lucro; nesta segunda fase da crise o alvo é o funcionalismo 
público. Sob a alegação da necessidade de “austeridade fiscal” e do “equilíbrio 
das contas públicas” os governos que liberaram pacotes de ajuda para os patrões 
realocarão recursos que antes se destinavam aos serviços públicos e seguridade 
social para pagamento de juros daqueles mesmos títulos emitidos. É tirar dos 
trabalhadores para dar aos ricos.
Na prática, os governos desferirão fortes ataques ao funcionalismo. A luta por 
reajuste salarial será ainda mais difícil. As medidas de repressão contra a 
luta, proibição de piquetes, proibições judiciais, punições disciplinares, corte 
de ponto, etc., serão ainda mais freqüentes. Simultaneamente a isso, haverá uma 
intensa ofensiva de precarização dos serviços públicos, por meio da 
terceirização da administração destes serviços para as ONGs e Fundações 
privadas.
Os trabalhadores de modo geral sofrerão com o desmonte dos serviços públicos de 
qualidade. Fechamento de hospitais e de escolas, sob a alegação de que são 
custos que deverão ser cortados, bem como a precarização dos salários e das 
condições de trabalho dos trabalhadores destes setores serão medidas 
apresentadas como inevitáveis. Haverá um forte ataque ideológico ao 
funcionalismo procurando jogar os trabalhadores em geral contra os “privilégios” 
desse setor. O próprio sucateamento desses serviços pelo corte de gastos ajudará 
a jogar a população em geral contra as instituições públicas e abrirá caminho 
para uma ofensiva neoliberal de privatização dos serviços púbicos.
 
2. Conjuntura Nacional
 
2.1 Pseudo-blindagem da economia brasileira
Assim como na primeira fase da crise, o governo Lula anuncia para todo o mundo 
que o Brasil está imune ao fenômeno, pois aqui tivemos apenas uma “marolinha”. 
Lula realiza uma enorme ofensiva ideológica para convencer os trabalhadores de 
que o país está imune aos efeitos da crise que assola o planeta. Na primeira 
fase da crise isso se mostrou falso, pois o governo que anunciava a robustez dos 
“fundamentos econômicos” foi o mesmo governo que disponibilizou 300 bilhões de 
reais para as grandes empresas multinacionais, montadoras e bancos continuarem a 
bater recordes de lucros. Não esqueçamos que no final de 2008, houve demissão em 
massa na indústria, com destaque para as mais de 4200 chefes de família 
demitidos da EMBRAER, que tem participação estatal em seu capital e da PREVI. 

Como qualquer país que disponibilizou fábulas de dinheiro para a burguesia, o 
Brasil também sofre com o elevado déficit orçamentário provocado pelos pacotes 
de ajuda em 2008. E como qualquer país nesta situação, o governo do PT já 
anunciou medidas para garantir a “austeridade fiscal”. Segundo o Ministro do 
Planejamento Paulo Bernardo, o governo deverá endurecer nas campanhas salariais 
do funcionalismo, admitindo usar o Judiciário para decretar a ilegalidade das 
greves e o desconto dos dias parados pelo exercício legítimo do direito de 
greve. Assim, a bola da vez são os trabalhadores dos serviços públicos.
No ninho tucano em São Paulo, o endurecimento nas relações entre o funcionalismo 
e o governo ficou demonstrado na greve dos professores da rede pública. A 
repressão foi violentíssima e houve uma forte campanha da mídia para jogar a 
opinião pública contra os servidores da educação. Houve desconto dos dias 
parados e o judiciário decretou a ilegalidade da greve. A mesma repressão foi 
vista na greve do judiciário estadual e na greve dos servidores da USP. A razão 
para tudo isso é a necessidade de economizar dinheiro para cevar a burguesia com 
os incentivos fiscais, como a redução e isenção de ICMS, e a distribuição de 
cerca de 20 bilhões de reais paras as montadoras instaladas no Estado.
Apesar dos fortes ataques aos trabalhadores e do sucateamento dos serviços 
públicos, como é possível que a crise se manifeste de forma mais branda no 
Brasil do que nos países desenvolvidos?
A resposta está nos baixos salários e na extensa jornada de trabalho que garante 
uma taxa de lucro muito maior do que nos países adiantados. Também contribui 
para isso a crescente oferta de crédito a juros altíssimos que permite que o 
mercado possa continuar a absorver a produção dirigida para o exterior e que 
teria ficado nos estoques por conta desta mesma crise. A miséria do trabalhador 
e a capacidade de endividamento da classe são as causas pelos quais a crise não 
é tão intensa no Brasil. No entanto a burguesia fala para os quatro cantos que a 
renda aumentou e que há ascensão social e que o indicador disso seria o aumento 
do consumo considerável da população, principalmente no governo Lula.
 
2.2 Efeitos da crise no Brasil e a classe trabalhadora.
 
Na atual fase da crise, isto é, o endividamento estatal causado pela 
transferência de recursos do Tesouro para os banqueiros e demais capitalistas 
para manter o ritmo dos negócios, o alvo da burguesia será o funcionalismo 
público e das estatais, como forma de economizar recursos para o pagamento dos 
serviços da dívida.
Na prática isso se manifestará por meio de reestruturação administrativa em 
todos os níveis, envolvendo corte de pessoal, congelamento salarial, 
precarização do trabalho por meio de contratação de terceirizadas para afundar o 
nível dos salários, chegado a até terceirizar toda atividade fim do serviço 
público. Esse expediente já é uma realidade na administração dos hospitais aqui 
em São Paulo, como o Hospital Brigadeiro e também a recém inaugurada Linha 4 do 
Metrô.
Isso terá também reflexos práticos nas campanhas salariais daqui em diante. A 
luta dos professores da Rede Estadual mostrou como o Estado está disposto a tudo 
para reprimir os trabalhadores. Uma greve de 30 dias, em que havia passeatas com 
quase 60 mil profissionais na rua, não foi o suficiente para dobrar o Governo 
Serra e obter conquistas. Além da direção traidora da CUT, a dureza do Estado 
resultou numa campanha derrotada, que teve inclusive desconto dos dias parados. 
Soma-se a isso a campanha de toda a mídia para jogar o movimento contra os 
professores.
Agora, os funcionários da USP experimentam a mão pesada dos tucanos. Em mais de 
um mês de greve, ainda não houve abertura de diálogo com o Estado. Até agora a 
reitoria da universidade não chamou a Polícia Militar para invadir o campus, mas 
a hipótese não está descartada. Os serventuários do Judiciário estadual e 
federal também experimentam o enfrentamento com as suas respectivas 
administrações que cogitam baixar a mais dura repressão com cacetetes da polícia 
e corte de ponto. Tudo em nome da austeridade fiscal para cobrir as despesas com 
o pacote de salvamento dos bancos e grandes empresas.
Além do fato de nossos inimigos endurecerem na repressão, as direções do 
movimento sindical atreladas ao governo e aos patrões fizeram um ato de unidade 
na “luta” no Estádio do Pacaembu em São Paulo-SP, fechando acordo em defesa do 
“sindicalismo de resultados”, de “conciliação de classes” e da defesa da 
candidatura de Dilma Roussef para a presidência da república. Esse acordo 
significa na prática a confissão de que a burocracia fará de tudo para impedir o 
surgimento de lutas dos trabalhadores no segundo semestre.
Diante de uma unidade dos inimigos da classe e de seus auxiliares no movimento 
sindical, seria natural, urgente e necessária a unidade da esquerda, isto é, dos 
setores combativos do sindicalismo que estavam dispersos desde que deixaram a 
CUT. Esta oportunidade estava sendo construída há 4 anos no processo que 
culminou no CONCLAT, em Santos, no início de junho. Mas o aparatismo e o 
hegemonismo das grandes correntes como PSTU e PSOL impediram que a unidade 
ocorresse. Apesar da frustração de não ter ocorrido a unificação da esquerda, 
isso não impediu que o PSTU anunciasse a fundação da Central Sindical Popular e 
Estudantil somente com setores que faziam parte da CONLUTAS, mais o MTL e sem 
MAS e Unidos para lutar. Ou seja, uma Conlutas menor do que era antes está sendo 
vendida como Nova Central. Assim, o único efeito prático foi a mudança de nome 
da CONLUTAS e um retrocesso histórico na luta de classes do Brasil, que não 
poderia ter ocorrido num momento pior.
 
2.3 Eleições e os trabalhadores
 
Hoje, o PT não tem qualquer traço operário em seu programa. Resta apenas a 
lembrança da origem de seus dirigentes históricos. Do ponto de vista político, o 
PT é um partido burguês clássico e, portanto, defende o programa da burguesia. 
Isso pode ser facilmente comprovado por meio de dados notórios, à disposição de 
todos. Todas as medidas neoliberalizantes foram mantidas, defendidas e agravadas 
com o governo do PT. Nenhuma privatização foi revertida e o PT ainda aliena 
outros bens públicos que restaram, como o Banco do Estado do Ceará, estradas 
como Regis Bittencourt e Fernão Dias, a linha 4 do metrô de São Paulo. Os 
fundamentos econômicos continuam os mesmos da era FHC, isto é, arrocho fiscal 
para composição do superávit primário, combinado com alta tributação dos 
trabalhadores, baixos salários e precarização dos serviços públicos. O governo 
do PT VETOU o fim do fator previdenciário e taxou as aposentadorias, que até 
então eram isentas.
Se o PT defende o projeto da burguesia tanto quanto o PSDB, isso não significa 
que são iguais em seu “modus operandi”. A origem dos tucanos é a academia, a 
direção de organismos de classe da burguesia, ou até a condição de 
administradores de empresas. O PSDB expressa assim uma concepção de Estado de 
tipo empresarial, “enxuto”, mais econômico, sem gastos sociais “desnecessários”, 
que possa se dedicar integralmente a financiar a burguesia. É exatamente por 
isso que os tucanos foram tão necessários para a implantação do neoliberalismo 
na década de 1990.
Nos demais países sul-americanos, os trabalhadores derrubavam governos 
vinculados ao neoliberalismo, seja pelo voto, seja pela ação direta. Para 
estancar estas lutas, a burguesia procurou nos notórios dirigentes da classe 
(sobretudo nos setores que lutaram contra as ditaduras do Cone Sul) a forma de 
consolidar o processo de implantação do neoliberalismo. No Brasil esse papel 
coube ao PT. Com o desgaste natural pelos 10 anos desta política no Brasil, os 
trabalhadores viram no PT o fim do projeto neoliberal e a retomada dos direitos 
perdidos no governo dos tucanos. Cabia à burguesia enquadrar o discurso e 
prática do PT no projeto burguês, o que se expressou no final do primeiro 
semestre de 2002 na “Carta ao Povo Brasileiro”. Neste documento o PT se 
comprometeu não só em manter toda a “herança maldita” como em aprofundar a sua 
implantação como vimos acima. Afinal a...“Premissa dessa transição será 
naturalmente o respeito aos contratos e obrigações do país”
Agora o governo chega ao final do seu segundo mandato com uma aprovação de 75% 
(segundo pesquisa IBOPE publicado em junho de 2010) entre os trabalhadores em 
geral.  Esta mesma aprovação se manifesta entre os trabalhadores das empresas 
estatais como é o caso dos bancários do BB, da CEF, que sozinhos representam 
metade da categoria bancária. O sucesso do governo do PT traduzido nestes 
números é uma sinalização de que o PT se mostrou muito mais eficiente em 
continuar implantando o projeto neoliberal, sem causar desgaste neste modelo. 
Isso explica a notoriedade do Brasil no cenário internacional.
Mas isso tudo tem um preço: o inchaço do Estado. E não é por causa de 
investimentos na melhoria e na ampliação dos serviços públicos ou ampliação de 
direitos para os trabalhadores, mas no encastelamento da burocracia petista, que 
estava nos sindicatos e movimentos sociais e se deslocou agora para o aparato do 
Estado. Ampliou-se o número de ministérios, criaram-se diversos cargos em 
comissão, etc., para acomodar a burocracia. O resultado disso é a vinculação dos 
interesses dos movimentos sociais e dos sindicatos ligados à CUT ao Estado. 

Diante disso a campanha eleitoral deste ano terá uma aspecto problemático 
adicional. Pois a defesa da candidatura Dilma é encarada pela burocracia petista 
como uma questão de sobrevivência. Uma hipotética derrota nas urnas resultaria 
numa “despetização” do Estado, isto é, na saída dos burocratas dos cargos de que 
usufruíram nos últimos 8 anos. Seria uma revoada de “aloprados” de volta para os 
cargos menos prestigiosas na direção dos sindicatos e demais movimentos sociais. 
Assim, a defesa da candidatura do PT não tem como fundamento a pretensa 
progressividade do programa petista, ou do caráter “democrático e popular” da 
candidatura Dilma; mas a manutenção do elevado padrão de vida da burocracia 
petista adquirida nos dois mandatos do governo Lula. Não há qualquer preocupação 
com as demandas dos trabalhadores. E para manter os seus privilégios, os 
burocratas estão dispostos a tudo, inclusive direcionar as estruturas dos 
sindicatos para a campanha eleitoral de Dilma, ao invés de impulsionar as lutas. 
Em bancários vimos isso se concretizar no esforço dos dirigentes sindicais da 
CUT em aprovar uma resolução de apoio a eleitoral à Dilma nos congressos 
nacionais dos funcionários da CEF e do BB.
Diante de quadro geral de que os bancários votarão na candidatura do PT, qual 
deve ser a postura classista? Temos que ter uma política classista nas eleições, 
que se resume na total independência e autonomia dos organismos da classe frente 
aos patrões, governos e partidos. Tanto no plano sindical como no 
político-partidário é preciso construir um movimento político dos trabalhadores 
que expresse uma alternativa de projeto social classista e socialista. Não temos 
que questionar a preferência eleitoral dos trabalhadores, mas denunciar o 
governo como um agente dos patrões, esclarecendo os bancários a respeito de 
todos os ataques que este governo fez e que está disposto a fazer, como 
descontar os dias parados na greve, não reposição de perdas, perseguição de 
lideranças de base, etc. Mesmo votando no PT, o bancário não quer que seus 
interesses estejam subordinados à campanha eleitoral de qualquer candidato, 
mesmo que seja o candidato de sua preferência. 

 
3. Situação da categoria bancária e campanha salarial
 
3.1 O papel dos bancos federais na estratégia petista de administração da crise
 
A categoria bancária está colocada no centro do projeto de administração da 
crise capitalista pela burocracia petista. A crise está sendo considerada 
resolvida no Brasil sendo que o expediente utilizado para contorná-la foi 
exatamente o mesmo que provocou a crise nos Estados Unidos, ou seja, a expansão 
descontrolada do crédito. E particularmente os bancos federais estiveram 
envolvidos nessa explosão do crédito Houve aumento de 33,8% na oferta de crédito 
do Banco do Brasil em 2009, sendo 88,1% em pessoa física. A Caixa Econômica 
Federal aumentou sua oferta geral de crédito em 55,3% no mesmo período.
Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil funcionaram como instrumentos 
privilegiados do governo para executar essa forma de administração da crise. Não 
discutiremos aqui o significado dessa política aplicada aos bancos públicos e ao 
restante da economia pela burocracia no governo do ponto de vista da sua 
sustentação a longo prazo, ou seja, não aprofundaremos o debate em torno do fato 
óbvio de que se trata de falsas soluções e conseqüentemente a crise econômica 
tende a voltar. O que nos cabe discutir neste ponto são as repercussões de tal 
política do ponto de vista dos trabalhadores dos bancos federais.
Em primeiro lugar, é preciso destacar o aspecto da cooptação ideológica. Toda a 
cúpula dos bancos, desde a diretoria até as gerências locais, foram convencidas 
de que a política do governo era a alternativa mais correta disponível. Graças 
ao aumento da oferta de crédito, os bancos federais aumentaram sua participação 
no mercado e também os seus lucros. Mais lucros significam maior PLR e maiores 
bônus pagos aos gerentes. Do ponto de vista dos gestores, “o que é bom para o 
governo é bom para mim”. Os gestores do BB saíram convencidos disso depois do 
encontro com Lula, Dilma e Mantega no início de 2010. Sentiram-se prestigiados e 
motivados pela estratégia governista.
Em segundo lugar, a cooptação ideológica encaixou-se com perfeição à estratégia 
empresarial dos bancos federais, pelo fato de já estarem previamente formatados 
por um projeto de atuação enquanto bancos comerciais, voltados para a obtenção 
de lucros às custas da superexploração dos seus trabalhadores e da extorsão dos 
clientes por práticas como venda casada de “produtos bancários”. Os gestores 
puderam sentir-se à vontade para aplicar os mesmos instrumentos de gestão dos 
bancos privados, ou seja, o assédio moral, a cobrança de metas, o autoritarismo, 
a obstrução da organização dos trabalhadores no local de trabalho, a perseguição 
aos ativistas, etc., para alcançar os objetivos traçados.
Em terceiro lugar, há um elemento que não pode ser desprezado que é o 
engajamento da própria base da categoria no projeto governista. Muitos 
trabalhadores dos bancos federais ainda enxergam a gestão petista como a sua 
única defesa contra a privatização. Esse fato é um dado da nossa realidade que 
precisa ser discutido seriamente se queremos avançar na nossa organização. A 
base da categoria não vê alternativa política no plano da gestão do Estado, ou 
seja, dos partidos que disputam eleições, porque não vê uma alternativa social 
por fora do capitalismo. Trata-se de uma disputa ideológica que a burguesia vem 
ganhando há décadas e que as organizações dos trabalhadores ainda não 
encontraram os meios para reverter (ou o que é pior, nem sequer enxergam essa 
necessidade).
Nesse cenário, um amplo setor da base da categoria busca se adequar às opções 
disponíveis, e considera que, ruim com Lula-Dilma-PT, pior sem eles. Se não há 
alternativa no plano da política geral, também não há alternativa no plano da 
gestão do banco. Não se vislumbra um projeto de banco público construído pelo 
debate e organização dos próprios trabalhadores do setor e que possa ser 
apresentado como alternativa ao projeto empresarial aplicado pela burocracia. Na 
ausência desse projeto, os trabalhadores dos bancos federais encontram consolo 
no fato de estarem “ajudando o país”, quando na verdade estão ajudando o projeto 
do PT de permanecer no controle do Estado e de suas rendas. 

Os trabalhadores vivenciam cotidianamente a exploração, mas não encontram 
alternativa de organização e luta. Sabem que as direções sindicais atreladas ao 
PT não servem, mas não encontram firmeza nos projetos de oposição.
 
3.2 Fusões, incorporações e aumento dos lucros;
 
Ao mesmo tempo em que a burocracia petista manobrou os bancos federais como um 
dos seus instrumentos para a administração da crise, o conjunto do setor 
bancário avançou no seu processo de concentração e monopolização. Toda crise 
capitalista produz uma espécie de seleção em que apenas os capitais mais fortes 
sobrevivem e os menores são absorvidos. Esse processo se manifesta por meio de 
fusões de empresas, aquisições e incorporações.
No setor bancário, tivemos a compra do Unibanco pelo Itaú (apresentada como uma 
fusão) e a compra do ABN Real pelo Santander. A concentração de capitais tem 
conseqüências trágicas para os trabalhadores, pois permite que os capitalistas 
dispensem mão de obra “excedente” nos setores em que passa a haver sobreposição 
de funções. A economia dos gastos com mão de obra e os ganhos de escala são os 
objetivos visados pela burguesia no processo de concentração, de modo que cada 
fração do capital possa se reposicionar mais favoravelmente no jogo da 
concorrência. Os bancos privados tiveram aumento de 24% nos seus lucros em 2009, 
em pleno auge da crise.
A novidade histórica do período recente foi a entrada dos bancos federais nesse 
jogo, com as compras do BESC e Nossa Caixa pelo Banco do Brasil (e de parte da 
BV Financeira) e a compra de parte do Panamericano pela Caixa Econômica Federal. 
Ainda no âmbito dos bancos federais, foi anunciada a construção da chamada 
“Cidade Digital” em Brasília, integrando os sistemas de informação do BB e da 
CEF. A integração criará uma plataforma comum para os setores de tecnologia dos 
dois bancos, o que nos permite vislumbrar no horizonte uma possibilidade de 
fusão entre os dois gigantes estatais como culminação desse processo de 
concentração.
 
3.3 Reestruturação da Caixa Econômica Federal: caminho para a privatização
 
É nesse contexto que deve ser interpretado o processo de reestruturação da Caixa 
Econômica Federal, que está sendo desencadeado pelo governo cerca de 3 anos 
depois da reestruturação do Banco do Brasil (a qual por sua vez segue se 
aprofundando). A burocracia petista em seu papel de ocupante do Estado não se 
contenta em ser simples gestora dos interesses da burguesia, mas procura se 
comportar ela própria como burguesia, como empresariado, como ente patronal e 
personificação do capital voltada para a sua reprodução ampliada. Desse modo, a 
gestão das empresas estatais subordinadas ao governo federal segue uma 
estratégia tipicamente empresarial de concorrência e maximização dos lucros a 
qualquer custo.
O Banco do Brasil já vinha se transformando em banco comercial há décadas. Esse 
processo deu um salto com a reestruturação de 2007, a qual dispensou 
funcionários antigos (via aposentadoria antecipada), fechou departamentos, 
enxugou áreas meio e setores de suporte, reduziu drasticamente o número de 
caixas, obrigou os funcionários a transferências forçadas de local de trabalho e 
de cidade, expulsou usuários e população em geral das agências, cooptou a base 
da categoria (PEs – escriturários) com comissões intermediárias, estabeleceu 
critérios de progressão na carreira inteiramente vinculados a metas e criou uma 
estrutura completamente voltada para vendas. Em 2010, esse processo prossegue 
com a chamada estratégia de foco no atendimento, que na verdade significa uma 
triagem ainda mais rigorosa para barrar o público das agências e impedir as 
filas, e medidas como os cursos de vendas, que realizam o enquadramento 
ideológico dos trabalhadores bancários para que vejam a si mesmos como 
vendedores.
A reestruturação de 2010 busca dar esse mesmo salto de qualidade na Caixa 
Econômica Federal, aplicando o mesmo modelo de esvaziamento das áreas meio e 
transformação das agências em ambientes de vendas. A dificuldade no caso é o 
fato de que a Caixa ainda concentra um amplo leque de funções sociais, como a 
gestão do FGTS, PIS e seguro-desemprego. A burocracia ainda não encontrou uma 
solução para transferir definitivamente essas funções para a rede de 
correspondentes bancários como lotéricas e outros.
A transformação de Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil em bancos de 
mercado deve ser chamada por seu nome, ou seja privatização. A privatização não 
consiste apenas numa simples mudança jurídica da propriedade. O Estado pode 
continuar sendo o acionista majoritário dessas empresas, mas o que é decisivo 
para caracterizar uma empresa privada é a sua forma de gestão, a sua lógica 
interna de funcionamento, o seu projeto essencial. E nesse aspecto, os bancos 
federais caminham para se transformar em empresas puramente privadas, 
desprovidas de qualquer função social. Isso é inteiramente compatível com a 
concepção ideológica da burocracia petista e seu projeto geral de administração 
do capitalismo brasileiro.
Cabe ainda o adendo de que, em relação ao aspecto da propriedade jurídica, o 
governo anunciou a oferta pública de mais um lote de ações do Banco do Brasil, 
ou seja, um avanço na sua privatização formal. Esse anúncio foi feito um dia 
antes do Congresso dos Funcionários do Banco, um Congresso em que a burocracia 
sindical da Articulação aprovou o apoio à candidatura de Dilma Roussef-PT, 
precisamente sob a alegação de que em seu governo não haveria privatização...
Definido esse caráter geral do projeto de privatização em curso, resta 
ulteriormente determinar o encaminhamento objetivo que terá o processo, ou seja, 
por quanto tempo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal vão concorrer entre 
si (com as suas respectivas camadas gerenciais querendo mostrar ao 
patrão-governo quem é mais eficiente no mercado e a burocracia petista 
assistindo de camarote), quanto tempo vai transcorrer até que sejam fundidos num 
só empresa, se vai haver desmembramento da Caixa Econômica Federal e repartição 
de suas funções sociais, etc.
Qualquer que seja o formato objetivo do projeto, os trabalhadores dos dois 
bancos precisam ter consciência do que está em jogo e organizar uma luta de 
resistência contra a privatização. Não há qualquer aspecto positivo possível nas 
reestruturações dos bancos federais, não há o que negociar e muito menos o que 
especular em relação a esse projeto, que precisa ser combatido duramente em sua 
totalidade. Com ou sem transferência jurídica formal da propriedade, a 
privatização trará mudanças negativas em todos os aspectos da vida dos 
trabalhadores, desde as demissões, descomissionamentos, fechamento dos setores, 
transferências forçadas, aumento da exploração e da carga de trabalho, assédio 
moral sistemático, obstrução da organização no local de trabalho.
 
3.4 Reivindicações dos bancários
 
É com esse cenário como pano de fundo que se realizará a campanha salarial de 
2010. A burocracia sindical da Articulação procurará a todo custo impedir a 
possibilidade de lutas que se enfrentam com o governo Lula, que passa por 
eleições nas quais estará em jogo o controle da máquina do Estado pelo PT. Esse 
controle é vital para a sobrevivência material, financeira e política da 
burocracia petista e por isso não pode haver “perturbações” no plano de reeleger 
Dilma, tais como greves de trabalhadores.
Nosso papel deve ser justamente o de colocar em pauta as reivindicações dos 
trabalhadores, resgatando nossa pauta histórica.
 
3.4.1 Reivindicações gerais e de bancos privados
 
- Fim da mesa única da FENABAN. Campanha unificada com mesas separadas de 
negociação. A campanha unificada se organiza em torno da defesa da convenção 
coletiva como patamar mínimo ou piso de reivindicação. As mesas separadas são o 
canal para o atendimento das pautas específicas dos trabalhadores do setor 
privado e do setor público;
- Estabilidade para todos os bancários, sobretudo do setor privado, contra a 
demissão imotivada; Nenhum emprego a menos!
- Eleição de delegados sindicais em todos os bancos, como forma de se iniciar um 
processo de organização e mobilização dos bancários do setor privado, com as 
prerrogativas da inamovibilidade, estabilidade, etc., não só nas concentrações, 
como também nas agências;
- Fim das terceirizações e dos correspondentes bancários;
- Contratação de mais funcionários para atender a demanda de serviços bancários;
- Incorporação dos terceirizados ao quadro funcional dos bancos: quem trabalha 
em banco, bancário é;
- Fim da pilarização e da discriminação na prestação de serviços bancários; 
abertura das agências destinadas ao público de alta renda para o atendimento de 
toda a população, sem distinção;
- Redução da jornada de trabalho, sem redução de salários, para 5 horas diárias; 
- Expediente bancário de 10 horas, com dois turnos de 5 horas cada, como forma 
de contratar mais bancários e garantir o atendimento de qualidade para todos, 
sem distinção;
 
3.4.2 Banco do Brasil
 
- Reposição de todas as perdas salariais acumuladas desde o início do plano real 
até os dias atuais. Visto que essas perdas estão em torno de 100%, patamar que 
não é considerado realista pelos próprios bancários, defendemos um plano de 
reposição escalonado;
- Isonomia de direitos entre os bancários pré-98 e pós-98, mantendo-se o que for 
mais vantajoso para os trabalhadores. Deve-se também levar em consideração os 
direitos dos bancários das instituições incorporadas pelo BB, como o Banco do 
Estado do Piauí (BEP), Banco do Estado de Santa Catarina (BESC), e Banco Nossa 
Caixa , aplicando-se o que for mais vantajoso para o funcionalismo;
- Fim do programa de PSO/USO;
- Fim das metas e do assédio moral;
- Por um Banco do Brasil que volte a ter uma gestão pública, voltada para o 
atendimento das necessidades de bancarização dos trabalhadores excluídos do 
sistema financeiro; Reestatizar o Banco do Brasil!
- Respeito à jornada de 6 horas, extensível para a gerência média;
- Fim da lateralidade e volta do pagamento das substituições;
- Volta das concorrências, com critérios objetivos para comissionamento;
- Fim da co-participação na CASSI, pela cobrança da dívida de R$ 500 milhões do 
Banco para com a Caixa de Assistência; que o Banco se responsabilize pela saúde 
dos funcionários;
- Implantação do plano odontológico sem prejuízo do atual PAS, para todo 
funcionalismo, à cargo do banco. Que o plano odontológico seja prestado pela 
própria e CASSI e não por uma empresa terceirizada;
- Reajuste para os aposentados pelo mesmo índice concedido ao pessoal da ativa, 
de modo a que possam a que possam se incorporar às mobilizações e lutas dos 
bancários.
 
3.4.3 Caixa Econômica Federal 
 
- Fim da reestruturação! Barrar a privatização!
- Plano de Reposição de Perdas;
- Isonomia plena entre novos e antigos, com Licença Prêmio e ATS (Adicional por 
Tempo de Serviço) para todos;
- Implantação de novo PCC/PFC (Plano de Funções Comissionadas) e PSI (Processo 
Seletivo Interno) com critérios objetivos e pré-definidos, conquistado na última 
greve; 

- Fim da terceirização e dos correspondentes bancários;
- Fim do assédio moral;
- Respeito à jornada, às condições de trabalho e à saúde do trabalhador;
- Aprimoramento da OLT, Conselhos de Delegados Sindicais de caráter 
deliberativo, democracia no movimento, fim dos comandos nacionais de tipo 
“biônico”;
- Fim da discriminação na FUNCEF e do ônus para os que não abriram mão do 
benefício definido;
- Paridade na FUNCEF e fim do voto de minerva da empresa;
- Contra o sucateamento e encarecimento do SAÚDE CAIXA.
 
4. Reconstrução da Oposição Bancária.
 
4.1 Problemas históricos da oposição
 
No ponto 3.1 adiantamos o balanço de que os trabalhadores sabem que as direções 
sindicais atreladas ao PT não servem, mas não vislumbram alternativa de 
organização e luta e não encontram firmeza nos projetos de oposição. Essa 
afirmação bastante sumária e muito dura precisa ser desdobrada.
Fazemos essa crítica no marco de que participamos de um movimento coletivo 
composto de partidários de diversas concepções. Reconhecemos em todos a 
combatividade e a disposição de luta. Não questionamos a intensidade da 
militância e a dedicação dos companheiros da Oposição, sua honestidade e relação 
com a base, etc. O que questionamos é a justeza da linha política e metodológica 
adotada pela Oposição e é no marco do debate político e da tentativa de 
construir uma linha mais adequada que apresentamos essa crítica.
Na realidade, há vários anos temos apresentado críticas à forma como a Oposição 
Bancária é conduzida. Apresentamos essas críticas de forma mais sistematizada 
nos últimos dois Encontros realizados em 2009 e mantemos o essencial da nossa 
avaliação.
A oposição é vista pela categoria como um corpo à parte, uma entidade da qual 
eles próprios não fazem parte, e que vai resolver todos os problemas em seu 
lugar. Os bancários não vêem a si próprios como Oposição. Não entendem que a 
Oposição só pode ter alguma força através da participação da própria base. Ao 
invés de participar, esperam que montemos uma estrutura “para o seu bem”. A 
Oposição não tem se esforçado para mudar essa visão e para fazer dos seus fóruns 
e reuniões um espaço no qual possam se expressar os sentimentos da categoria 
bancária, o seu dia a dia e sua realidade, em que a base da categoria possa ver 
uma expressão consciente de si mesma.
A ausência desse esforço decorre de uma opção política por uma determinada 
concepção de Oposição. Uma concepção em que a Oposição é uma alternativa de 
direção e não uma alternativa de organização. A diferença está em que, enquanto 
alternativa de direção, a Oposição só precisa apresentar as melhores propostas a 
cada campanha salarial ou eleição para os sindicatos ou entidades 
representativas, se apresentando como mais combativa que a burocracia, para 
assim colher os votos dos trabalhadores, que virão passivamente à reboque.
Enquanto alternativa de organização, a Oposição deveria CONSTRUIR essas 
propostas ao lado dos trabalhadores, e não trazê-las prontas para serem 
simplesmente assumidas pela base. Esse processo de construção requer um tipo 
funcionamento completamente diferente, um funcionamento que respeite a dinâmica 
própria da consciência da base e não imponha artificialmente as soluções já 
prontas. Essa diferença metodológica essencial tem graves repercussões 
políticas.
Uma alternativa de organização deve se construir necessariamente como uma frente 
capaz de organizar trabalhadores com todos os graus de consciência e todos os 
tipos de pensamento político unificados pelo marco comum da oposição à 
burocracia na luta contra a patronal e o governo. A Oposição não se constituiu 
numa frente desse tipo por conta da ausência de uma separação entre os seus 
fóruns e os fóruns da corrente política majoritária, o PSTU.
Na ânsia de manter a qualquer custo a maioria sobre a Oposição ou de 
simplesmente impedir qualquer questionamento e debate político, o PSTU implantou 
um tipo de funcionamento em que a Oposição somente se reúne e realiza alguma 
atividade quando lhe é conveniente. A Oposição somente se reúne às vésperas das 
campanhas salariais e das eleições para os sindicatos e demais entidades. Não há 
calendário regular, panfletagens regulares, distribuição das tarefas, discussão 
política sobre as publicações, transparência financeira e balanço da política. A 
Oposição é tratada pelo setor majoritário como mera base social para uma chapa 
eleitoral, não é vista como espaço permanente de organização dos trabalhadores, 
antes durante e depois das eleições.
Enquanto simples base eleitoral, não há necessidade de que a Oposição se reúna, 
mas há a necessidade de absoluto controle político. Esse controle se torna 
prioridade, à custa do esvaziamento numérico e político da Oposição. Basta 
verificar o quanto a Oposição perdeu tanto em base militante e número de 
ativistas quanto em diversidade política e de concepções desde a greve de 2004 
em que se afirmou como alternativa para a categoria.
O que temos como resultado é uma Oposição sem uma implantação real, que não 
realiza uma disputa ideológica de fundo, uma disputa real pela consciência dos 
trabalhadores contra o predomínio avassalador da ideologia burguesa e da 
burocracia. Quando discute política, a Oposição aparece de forma muito 
transparente como fachada para um único partido e suas palavras de ordem, 
decididas internamente nos fóruns desse partido a trazidas prontas para o 
movimento.
O que questionamos neste ponto não é o direito do PSTU enquanto corrente 
política de se reunir em separado com os trabalhadores das bases onde tem 
atuação, de se apresentar como partido eleitoral e lançar seus candidatos, de 
escrever seus panfletos e distribuí-los, etc. Toda organização de trabalhadores 
tem esse direito ou mesmo o dever de fazê-lo. O que questionamos é o fato de que 
esse tipo de atividade SUBSTITUI a atividade de uma Oposição enquanto fórum mais 
amplo de organização da categoria. É esse erro metodológico que produz ao longo 
dos anos o esvaziamento da Oposição. Esse esvaziamento se expressa de modo 
dramático no fato de que não tem havido adesão de trabalhadores à Oposição, ao 
longo dos anos, e de que o próprio PSTU precisa girar militantes estudantis ou 
de outras categorias para bancários a fim de manter a intervenção. Esse fato 
merece uma reflexão muito séria.
 
4.2 Balanço recente
 
O descuido e a irresponsabilidade escancarada para com o aspecto metodológico da 
relação com o movimento apareceu de forma escandalosa em 2009, quando viemos a 
descobrir, graças ao questionamento de companheiros do sindicato do Rio Grande 
do Norte em torno da prestação de contas das finanças do movimento, que a 
Oposição tinha um militante profissional. Esse militante vinha há anos 
desempenhando tarefas de direção política no movimento na base de São Paulo, em 
que atuamos, sem que soubéssemos que se tratava de um funcionário profissional. 
Ou seja, o partido simplesmente decidiu internamente que era necessário um 
profissional, não abriu a discussão com o movimento, talvez nem mesmo com a sua 
própria base militante, e o que é pior, nem mesmo com as bases dos sindicatos 
cujos trabalhadores arcariam com essa despesa; e colocou o profissional a 
serviço da política que descrevemos acima.
Mesmo depois que esse fato foi questionado no Encontro de 2009, o PSTU não fez 
qualquer auto-crítica séria a respeito e defendeu a manutenção do funcionário 
profissional. Para precisar a natureza da objeção que fazemos a esse respeito, 
esclarecemos que não somos contra à organização e a estruturação da Oposição, 
pelo contrário, mas somos a favor de que essa tarefa seja assumida pelos 
próprios trabalhadores. Qualquer outra solução é artificial e resulta em 
burocratização. Um funcionário profissional em um movimento de Oposição não é a 
mesma coisa que um dirigente sindical liberado, cuja liberação é um conquista 
dos trabalhadores contra a burguesia, e como tal está sujeita ao controle da sua 
base sindical.
Mas esse não foi o erro político mais grave na condução do movimento de 2009 
para cá. No Encontro da Oposição de dezembro de 2009 apontamos a necessidade de 
antecipar a campanha salarial em face da excepcionalidade do calendário que 
teríamos em 2010, com Copa do Mundo e eleições como eventos que monopolizam a 
atenção geral.
Essa necessidade foi desconsiderada em função de outras prioridades. No início 
de 2010 tivemos eleições para os sindicatos de Bauru, RN e BSB, além das 
eleições para a CASSI, PREVI, FUNCEF e a tirada de delegados para o CONCLAT. 
Essas atividades consumiram todo o semestre. A Oposição não conseguiu retomar 
nenhuma entidade sob controle da burocracia, mas conseguiu manter aquelas em que 
é direção. Entretanto, as diversas campanhas foram realizadas como atividades 
atomizadas, como se cada uma delas fosse um fim em si mesma, sem que houvesse 
entre elas uma conexão em torno de um projeto comum. Esse projeto, que seria a 
construção de uma Oposição de caráter permanente e capaz de organizar os setores 
combativos da base, foi substituído pelo projeto de alcançar votações um 
pouquinho maiores nesta ou naquela eleição, ou maiorias circunstanciais, tais 
como na assembléia para o CONCLAT.
Em outras palavras, as eleições não foram usadas para criar um acúmulo político 
consistente em torno de um Oposição fortalecida e consolidada. A fragilidade 
desse tipo de atuação movimentista e imediatista ficou evidenciada no próprio 
CONCLAT, quando a unificação foi comprometida por não ter base política e 
programática real e ter sido concebida como mera unificação de aparatos. A falta 
de base política para uma unificação orgânica real se mede pelo fato de o 
Congresso não ter tido nenhuma discussão política sobre concepção, programa, 
conjuntura, plano de lutas, etc. e ter girado em torno de questões 
organizativas, tais como composição, direção, nome, etc. Essa lógica geral em 
que naufragou o CONCLAT é a mesma que vem obstruindo a construção da Oposição.
 
4.3 Reconstrução da Oposição
 
A construção de novas formas de organização dos trabalhadores, seja no âmbito de 
uma Central Sindical e Popular ou de um movimento de Oposição, deve ter como seu 
eixo o resgate da participação real da base e da abertura democrática para o 
debate político e programático aprofundado.
Defendemos uma Oposição que tenha funcionamento regular, com reuniões periódicas 
e amplamente divulgadas, abertas e de caráter deliberativo, que discuta 
democraticamente sua pauta e prioridades, que debata sobre os temas da realidade 
imediata e geral dos trabalhadores, que elabore coletivamente suas publicações, 
que respeite e incorpore as contribuições de todos os que se dispuserem a 
participar e cumprir tarefas, que realize panfletagens sistemáticas e 
permanentes, que realize atividades de formação teórica e política e culturais 
para realizar uma disputa ideológica de fundo contra a burguesia, que inclua 
adeptos de todas as linhas de pensamento no marco comum de uma oposição à 
burocracia na luta contra a patronal e o governo, que apresente publicamente 
suas condições financeiras e tenha balanço de suas atividades. É por esse tipo 
de Oposição que sempre lutamos e lutaremos para construir em nossa base.
Não reconhecemos no MNOB uma Oposição desse tipo. Consideramos o MNOB uma 
tendência sindical composta pelos militantes do PSTU e seus simpatizantes. Como 
adiantamos, acima, reconhecemos aos companheiros do partido o mais pleno direito 
de organizar uma tendência sindical de oposição conforme a sua concepção 
política e seus métodos. Entretanto, não mais seremos condescendentes e não 
aceitaremos o direito dessa tendência sindical composta pelos militantes do PSTU 
e seus simpatizantes de usurpar para si o monopólio da representação política, 
das finanças e do nome da Oposição em âmbito nacional.
Defendemos uma Oposição nacional nos moldes do que o antigo MNOB chegou a 
ensaiar em sua origem. Uma Oposição ampliada, democrática, transparente, 
estruturada, organizada e armada de um programa que represente os interesses da 
categoria bancária. Uma Oposição que se construa cotidianamente nas lutas da 
categoria e em sintonia com as lutas do conjunto da classe. Defendemos, assim 
como antes defendíamos no interior da Conlutas, a construção de uma Central 
Sindical e Popular que seja não apenas uma nova sigla ou rótulo que aglutine 
entidades e chapas, como se tentou construir desastradamente no CONCLAT, mas que 
seja uma verdadeira renovação nas formas de organização dos trabalhadores, 
contemplando a total autonomia organizativa e financeira em relação ao Estado, 
métodos anti-burocráticos de funcionamento, disputa em profundidade pela 
consciência dos trabalhadores, etc.
Entretanto, não consideramos que a filiação a essa Central seja a pré-condição 
para a participação nessa Oposição nacional, que deve estar aberta aos setores 
que não reconhecem a necessidade da Central e deixar isso explícito, para que 
não seja vista como uma simples fachada para chapas eleitorais instrumentalizada 
por qualquer partido que seja. Esse debate deve ser mantido permanentemente 
aberto de modo que a própria Central seja construída através do convencimento 
político real em torno da sua necessidade por meio de sua atuação e da sua real 
capacidade de revolucionar as formas de organização dos trabalhadores.
Propomos uma Coordenação Nacional, eleita nos Encontros semestrais da Oposição, 
com caráter executivo, que mantenha também reuniões periódicas quinzenais e 
abertas, via “chat”, ou outro meio de conferência. Essa coordenação será 
responsável por elaborar as publicações em nível nacional a partir das 
discussões trazidas pelas bases regionais e pelos diversos segmentos da 
categoria. Essa coordenação deve renovar ½ da sua composição a cada mandato e 
permitir apenas uma recondução. 

A coordenação da Oposição seria composta por representantes eleitos em cada 
base, como: Bauru, Maranhão e Rio Grande do Norte e as oposições de São Paulo, 
Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre, ou e outras regiões que se 
incorporaram. Essa coordenação terá um responsável pelas finanças nacionais com 
mandato também rotativo. 

Defendemos que a Oposição nacional seja financiada pelas contribuições 
voluntárias das Oposições locais, a partir de discussão com as bases. No caso 
dos sindicatos, essa contribuição precisa ser evidentemente discutida e aprovada 
em assembléia de base, com base. Teria que haver ainda a aprovação em 
assembléias conforme for o caso, com prestação de contas regular ou 
extraordinária a pedido dos militantes a qualquer momento. Para iniciar o 
próximo período já com o princípio de rotatividade, propomos que a centralização 
das finanças na nova coordenação a ser eleita esteja a cargo dos companheiros do 
Rio Grande do Norte.
Para consolidar essa forma de organização, propomos que a Oposição Nacional 
tenha uma Carta de Princípios que estabeleça o objetivo do movimento, seu 
projeto, quem pode ser membro, o critério de permanência, a forma de 
funcionamento, etc. Essa Carta de Princípios seria elaborada pela Coordenação 
Nacional e submetida à apreciação dos fóruns locais.
 
5. Resoluções.
 
1-      Conjuntura Internacional.
 
-Apoio à luta dos trabalhadores gregos e demais trabalhadores europeus contra o 
capital;
 
-Manutenção e ampliação dos serviços públicos de qualidade. Fim da 
terceirização;
 
-Contra a redução e corte de verbas da Seguridade Social. Contra o corte das 
aposentadorias;
 
-Estatização do sistema financeiro, sob controle dos trabalhadores;
 
-Confisco das remessas de lucro para o exterior;
 
-Estatização de todas as empresas que receberam e recebem recursos públicos e/ou 
fecharem, ou, ainda, demitirem, sob o controle dos trabalhadores.
 
-não pagamento das dívidas internas e externas;
 
-discutir nova alternativa social e econômica em benefício dos trabalhadores
 
2-      Conjuntura Nacional.
 
-Estatização das empresas que receberam/recebem dinheiro público, sob controle 
dos trabalhadores;
 
-Estatização do sistema financeiro, sob controle dos trabalhadores;
 
-Não pagamento das dívidas interna e externa;
 
-confisco das remessas de lucros para o exterior;
 
-Manutenção e ampliação da Seguridade Social. Contra o corte das aposentadorias 
e pelo fim do fator previdenciário;
 
-Manutenção e ampliação dos serviços públicos. Fim da terceirização;
-A Unidade da classe dever ser um dever de todos os militantes e ativistas 
independentes. É necessário não repetir os erros cometidos no CONCLAT, 
revertendo os efeitos de seu fracasso;
 
-As organizações da classe são instrumentos de luta dos trabalhadores. Abaixo 
qualquer tentativa de desviá-la para as campanhas eleitorais como quer o PT  e a 
CUT.
 
-discutir com a classe a necessidade de outra organização social e econômica em 
benefício dos trabalhadores
 
3-Reconstrução da Oposição Bancária.
 
 
– Propomos que a Oposição Bancária tenha uma Carta de Princípios que estabeleça 
um programa mínimo, critérios de participação e método de funcionamento. As 
propostas de resolução abaixo são independentes entre si, mas servem como 
propostas de cláusulas para a Carta de Princípios.
 
– A Oposição Bancária é um espaço de organização dos trabalhadores bancários 
para lutar por seus interesses imediatos enquanto categoria bancária e seus 
interesses históricos como parte da classe trabalhadora.
 
– A Oposição Bancária está aberta a trabalhadores bancários independentemente da 
filiação a partidos, preferência por central sindical ou corrente de pensamento, 
desde que se coloquem na luta contra a patronal, o governo (patrão de metade da 
categoria bancária) e a burocracia sindical da Articulação e seus satélites.
 
– A Oposição Bancária apóia e defende a unificação da esquerda combativa, por 
meio de uma retomada do processo de Reorganização a partir das bases e da 
discussão político-programáticapara que os trabalhadores sejam sujeitos do 
movimento.
 
– A Oposição Bancária é uma frente composta por tendências, organizações, 
coletivos e militantes de todo o país que estejam de acordo com seu programa e 
método de funcionamento.
 
– A Oposição Bancária é um movimento completamente independente de governos, 
patrões e partidos. Tudo que diz respeito à Oposição (linha política, conteúdo 
dos materiais, finanças, etc.) deve ser discutido e decidido nos fóruns da 
própria Oposição, que são soberanos sobre suas questões internas.
 
– A Oposição Bancária terá uma coordenação nacional composta por representantes 
de todos os coletivos locais de oposição que tiverem acordo com esta Carta de 
Princípios e levarem adiante a luta pelo seu programa. 

 
– A coordenação deverá ter um calendário permanente de reuniões com 
periodicidade no mínimo quinzenal, via “chat” ou outro método de comunicação, 
abertas a observadores de qualquer um dos coletivos locais que a compuserem.
 
– A coordenação da Oposição terá rodízio na sua composição, estando obrigada a 
renovar metade dos seus componentes ao final de cada mandato, sendo também 
proibida a recondução para mais de dois mandatos consecutivos.
 
– A Oposição Bancária realizará Encontros nacionais de base abertos com 
periodicidade semestral, totalmente soberanos para discutir sobre conjuntura, 
balanço, reelaboração do seu programa e das tarefas imediatas e eleição da sua 
coordenação.
 
– A Oposição desenvolverá uma ação permanente e regular de agitação e propaganda 
sobre a base da categoria por meio de panfletagens, atividades de formação, 
seminários, etc., de modo a fazer avançar a consciência da categoria bancária. A 
Oposição terá no mínimo um panfleto nacional por mês a ser elaborado pela sua 
coordenação a partir das contribuições trazidas pelos debates nos coletivos de 
base.
 
– A Oposição Bancária deve se sustentar por meio da contribuição financeira 
regular dos seus integrantes e por campanhas financeiras junto aos 
trabalhadores. A Oposição Bancária terá um plano de finanças para viabilizar 
suas atividades de propaganda, que será elaborado pela coordenação para 
aprovação nos coletivos locais. No caso dos sindicatos cujas diretorias 
reivindiquem a Oposição, este plano terá que ser discutido em assembléia de 
base.
 
– As tarefas políticas e organizativas da Oposição Bancária devem ser realizadas 
pelos próprios trabalhadores militantes da oposição, sem o recurso a 
funcionários profissionais, consultores, contratados ou qualquer tipo de 
“terceirização”, com base no princípio de que “a emancipação dos trabalhadores 
será obra dos próprios trabalhadores”.
 
– A Oposição Bancária terá um responsável pelas finanças com mandato também 
rotativo. Para o próximo período, propomos que a responsabilidade pelas finanças 
fique a cargo dos companheiros da diretoria do sindicato do RN.
 
– A Oposição Bancária se pautará pela mais absoluta democracia nos seus fóruns 
internos e lutará pela democracia nos organismos do movimento (sindicatos, 
federações, congressos, etc.).
 
– A Oposição Bancária terá uma lista de e-mails aberta aos integrantes de todos 
os coletivos de base e militantes que reivindicarem e aplicarem o seu programa, 
sem moderação prévia e aberta a todo tipo de debate e contribuição.
 
– A Oposição Bancária se propõe como tarefas imediatas:
 
1 Impulsionar a luta pelas reivindicações históricas da categoria como:
1.1 Estabilidade para os trabalhadores dos bancos privados
1.2 Eleição de delegados sindicais nos bancos privados
1.3 Isonomia e reposição de perdas para os trabalhadores dos bancos públicos
1.4 Contra o sucateamento das nossas caixas de assistência
1.5 Resgate dos fundos de pensão
1.6 Outras reivindicações específicas de cada banco
 
2AOposição Bancária deve se pautar pela mais ampla democracia nos seus fóruns 
internos e nas entidades sob sua direção e deve desenvolver uma campanha 
permanente, constando em todas as publicações e agitação em todas as 
intervenções no movimento, pela democracia nos organismos dos trabalhadores, em 
especial os sindicatos, por meio de medidas como:
2.1 Resgate das assembléias e fóruns de base como organismos supremos de 
deliberação dos trabalhadores, contra a usurpação de todas as decisões pelas 
cúpulas dirigentes.
2.2 Proporcionalidade direta nas eleições para todos os fóruns, como diretoria 
do sindicato, comando de campanha, comissões de negociação, etc.
2.3 Composição de chapas através de convenções abertas e prévias eleitorais para 
escolha das candidaturas, por bancos e por região.
2.4 Revogabilidade dos mandatos por meio de decisão em assembléia.
2.5 Limitação do número de mandatos, com proibição de mais de dois mandatos 
consecutivos e obrigatoriedade da renovação de pelo menos metade da diretoria.
2.6 Reuniões periódicas de delegados sindicais e representantes de base com 
caráter deliberativo.
2.7 Eleição da mesa dirigente das assembléias, plenárias, congressos ou qualquer 
fórum no momento de sua instalação, com proporcionalidade, bem como votação da 
pauta.
2.8 Repúdio à contratação de seguranças para impedir a livre manifestação dos 
trabalhadores nas assembléias, plenárias, congressos ou qualquer fórum do 
movimento.
2.9 Garantia do direito à palavra para qualquer trabalhador, independentemente 
da sua filiação ou não a correntes políticas e sindicais, em assembléias, 
plenárias, congressos ou qualquer fórum do movimento.
2.10 Garantia de espaço nas publicações dos sindicatos e entidades para 
manifestação dos trabalhadores de base, independentemente da sua filiação ou não 
a correntes políticas e sindicais.
 
Assinam esta tese:
Daniel Menezes Delfino
BB Ag. Vila Alpina, SP
Espaço Socialista
 
Márcio Cardoso da Silva
BB Ag. Iguatemi, SP
Espaço Socialista


      
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