[Bancariosdebase] BOLETIM DO MOB-CE E BALANÇO DA GREVE NACIONAL DOS BANCÁRIOS

Movimento Oposicao Bancaria Ceara mobceara em yahoo.com.br
Sexta Novembro 11 01:01:14 UTC 2011


BALANÇO DA GREVE NACIONAL DOS BANCÁRIOS
 BUROCRACIA GOVERNISTA DA CUT-CTB ENTERRA GREVE NACIONAL DOS BANCÁRIOS EM FAVOR DOS BANQUEIROS E DO GOVERNO DILMA
Como parte do grande “teatro” da campanha salarial dos bancários, conduzida pela burocracia governista da Contraf-CUT/CTB que dirige a maioria dos sindicatos do país, a proposta miserável da Fenaban, de apenas 9% de reajuste (1,5% de “aumento real”) e 12% sobre o piso (4,3% de “aumento real”),além da compensação dos dias parados, foi empurrada goela abaixo dos bancários, através de votações em assembléias previamente divididas por banco (privados, BB, CEF) e completamente antidemocráticas. Também, amedrontaram a categoria com o enquadramento da greve no TST a exemplo do que fizeram na greve dos Correios e o próprio governo Dilma tratou cortar o ponto dos grevistas como no BB. Já os banqueiros, conseguiram interditos proibitórios contra os piquetes, e não por acaso, os sindicatos acabaram por respeitar esses instrumentos da justiça patronal, acionados contra a greve. Enfim, todos recursos foram utilizados para quebrar as
 tendências de luta e resistência dos bancários em greve.
Longe da vigilância e controle da base, o modo como opera a burocracia em conluio com o governo e os banqueiros contra os bancários tem se mostrado eficaz e já é conhecida há anos. A própria fragmentação das assembléias por banco faz parte da operação-desmonte da greve que teve seu início quando da própria preparação da campanha salarial. Afinal, defender uma pauta rebaixada como o índice de reajuste de 12% (inflação e 5% de “aumento real”) foi um presente para os banqueiros que lucraram, às custas da exploração do bancário e da população, mais de R$ 27 bilhões, além de blindar o governo Dilma de arcar com reajuste digno para os bancos públicos. Também a estratégia da farsa da Mesa “Única” da Fenaban teve seu papel na preparação do terreno para o golpe final da burocracia e revela que o índice só serve para engessar a luta dos bancos públicos que, logo depois de acordado, disparam alguns “penduricalhos” nas
 mesas específicas por banco (BB, CEF, BNB, BASA) e, permite a burocracia, em nome das particularidades dos bancos, fragmentar a unidade da categoria. A própria terceirização dos piquetes é a expressão da forma artificial com que a burocracia vendia “a maior greve dos últimos 20 anos”.
Depois, torna-se fácil à máfia sindical, vendida aos banqueiros e ao governo Dilma, etiquetar a derrota da greve como vitória, declarando, de forma demagógica, que “com unidade nacional, força da mobilização e poder de negociação foi possível arrancar conquistas importantes, como aumento real pelo oitavo ano consecutivo, valorização do piso, maior participação nos lucros e avanços nas condições de trabalho e segurança, sem interferência de atores externos". 
A responsabilidade política pela derrota de nossa greve deve ser creditada não só a CUT e a CTB, mas também a Intersindical que adota uma posição diplomática com a política de colaboração de classes da burocracia de direita, aprovando a farsa da mesa única da Fenaban como também, sendo membro do Comando nacional da Contraf, não se opôs a decisão do comando de aprovar a proposta pífia da Fenaban. A greve nacional foi golpeada, e apenas alguns bancos federais como o BNB e o Basa, marginais do ponto de vista da economia, ainda continuaram em greve, sozinhos, em função de que suas mesas específicas de enrolação nada concederam. Eis o exemplo de como funciona a farsa da campanha unificada, vendida pela burocracia. 
POR QUE A BUROCRACIA TEM FÔLEGO PARA MANOBRAR E GOLPEAR A GREVE
A forte adesão dos bancários à greve, dirigida pela corrupta camarilha da CUT-CTB, não se deve a qualquer preparação e mobilização real da base por parte dessa burocracia, mas sim representa uma resposta passiva dos bancários, até mesmo por instinto de classe, em repúdio às péssimas condições de trabalho e vida que se encontram. Não por acaso, neste ano, a chamada “greve de pijama”, uma referência à ausência dos grevistas e do ativismo combativo nas assembléias e nos piquetes, ficou muito clara devido ao esvaziamento das assembléias.
Por outro lado, o MNOB, que agrupa e influencia a maioria das oposições bancárias do país e sindicatos como RN, MA e Bauru, não foram capazes de centralizar a resistência nacional dos bancários, sob uma política de independência de classe que fortalecesse a unidade e unificação da mobilização. Carece de um programa classista que combine as questões econômicas com as políticas e intervém como uma federação diplomática de oposições e agrupamentos com diferentes ritmos de descolamento político da burocracia de direita da CUT.  Há iniciativas de caráter superestrutural e muita propaganda midiática em torno de uma militância virtual, cujos recursos como facebook, twiter, emails, etc. parecem substituir o trabalho real de base. E quando, a realidade se impõe, a exemplo de formação de chapas de oposição, preferem atalhos organizativos de aparato, isto é, forja-se chapas escandalosas com setores governistas que são apresentados
 como de “oposição”.
Por isso, não há uma política de enfrentamento com o governo Dilma, como bem demonstra a ausência de qualquer eixo de luta que confronte com o governo, apenas tentam empiricamente se enquadrar no marco dessas lutas, cujo caráter economicista e corporativa é a cada dia mais evidente e nefasto para os trabalhadores. Não por acaso, o Mnob embarcou na cantilena de unidade da burocracia, numa posição bem servil, participando dos fóruns viciados da Contraf sem uma política de enfrentamento, pelo contrário chegou até a aliar-se com a burocracia da CTB, DS, etc.; a própria pauta alternativa só serviu como propaganda midiática, sem qualquer efeito real na campanha; depois, diante do acordo diferenciado do BRB que conseguiu 17,45% de reajuste e do BANPARÁ com 10%, O Mnob tratou de levar adiante sua política criminosa de dividir a categoria através da exigência ao governo Dilma de negociações específicas já!
CONSTRUIR UM PÓLO DE OPOSIÇÃO CLASSISTA E REVOLUCIONÁRIA À BUROCRACIA GOVERNISTA DA CUT-CTB 
 Esta é uma política que não arma os bancários em sua luta para derrotar o governo Dilma e seus “ministros sindicais”. Reivindicar negociações específicas por banco no marco de uma greve nacional da categoria acaba por fragmentar os bancários, minando sua unificação e auxiliando objetivamente a burocracia a derrotar a greve pelo efeito dominó.
Esta política revela a impotência do Mnob em responder a magnitude da tarefa de se construir nacionalmente uma nova alternativa de direção revolucionária para as mobilizações, mas, sobretudo, sua orientação reformista tem permitido à burocracia manobrar com a insatisfação da base, garantindo-lhe fôlego suficiente para  artificializar a campanha salarial e golpear a greve nacional da categoria.
 O momento exige um rigoroso balanço dessa situação capaz de abstrair as lições necessárias que nortearão as próximas lutas. Primeiro, é preciso constatar a enorme disposição de luta latente na classe trabalhadora que acaba por esbarrar na política governista das direções sindicais que paralisam a iniciativa independente das massas. Segundo, as mobilizações dos trabalhadores são dirigidas pela CUT-CTB que atuam como guardiães dos interesses patronais porque foram cooptados política e materialmente pelo Estado capitalista; e, por fim, para derrotar o governo burguês de Dilma e sua política de arrocho salarial faz-se necessário romper o cerco burocrático e governista às lutas., a partir de uma política de independência de classe que centralize o combate através dos métodos de ação direta das massas como passeatas, greve, ocupações, piquetes, etc., em detrimento das paralisações midiáticas e dispersas e lobbies
 parlamentares 
Nesse sentido, nós da TRS/LBI que impulsionamos o MOB-CE chamamos a vanguarda classista e combatida, surgida nessa greve e que experimentou  a traição das diversas lideranças frente populistas, a construírem um pólo alternativo de direção revolucionária que tenha como eixo o combate de classe a esse governo, e por não ser uma oposição domesticada nem consentida, defenda um programa operário e classista, capaz de orientar politicamente os próximos e duros combates.
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