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Utopia utopia_s em yahoo.com.br
Domingo Novembro 13 23:47:48 UTC 2011


Olá Kamaradas!! Envio material com algumas sugestões/alterações. Peço para os autores verificarem se está ok. Alterei tb txt sind org. Estivemos com a Rosana hoje e discutimos teor txt visão bancos privados. Se não terminarmos hoje a sistematização, o faremos no maximo até amanhã. Saudações!!! Ah, conf combin ccp vinicius.
 
LIÇÕES DE 2011 PARA AS CAMPANHAS FUTURAS
 
A campanha salarial 2011 terminou como nos anos anteriores, com a sensação de que fomos derrotados sem sequer ter lutado. Os dirigentes do nosso sindicato trabalharam de todas as formas para impedir que os bancários pudessem ter maior participação na campanha. O auge dessa manobra se deu nas assembleias separadas que encerraram a campanha, as quais desobedeceram expressamente o formato de assembleia unitária que havia sido votado na assembleia anterior, em 05/10.
A postura da direção do sindicato não é casual. Há anos o atual grupo dirigente tem subordinado a entidade aos interesses do seu partido, que agora está no governo federal. Por isso nada de organizar os bancários no seu dia a dia e nos seus locais de trabalho, nada de greve que possa afetar realmente o lucro dos bancos públicos e privados, nada de unificar nossa campanha com as de outras categorias. Os sindicatos se tornam assim instrumentos do governo para evitar que os trabalhadores entrem em luta contra os patrões. Banqueiros, industriais, latifundiários e empresários em geral agradecem. Enquanto os lucros aumentam, nossos salários diminuem, corroídos pela inflação, e nossa vida se esvai, consumida pela pressão no trabalho, pelo assédio, pelo adoecimento.
Nossa greve se coloca pois  no contexto de um conjunto de lutas da classe trabalhadora brasileira, que em várias categorias enfrenta condições semelhantes de aumento da exploração nos locais de trabalho, inflação, esperanças de realização substituídas pela ilusão do consumismo, do crediário e do endividamento a perder de vista. Contra os que se atrevem a entrar em luta, aumenta a repressão, com a criminalização das greves, ocupações e protestos, com as ações policiais e judiciais, com as campanhas de difamação na mídia. E os próprios sindicatos se colocam como auxiliares desse operativo de desmonte das lutas, por meio de manobras e golpes contra a democracia.
Nesta edição do nosso jornal apresentamos uma contribuição para o balanço da greve e também um artigo em que debatemos a origem desse tipo de sindicalismo. A conciliação desmesurada substitui a combatividade, o autoritarismo substitui a democracia, a subserviência substitui a independência, as cúpulas substituem a base na tomada de decisão. Em outro artigo debatemos a alternativa a esse formato de sindicato, que está na auto-organização a partir dos locais de trabalho. Para finalizar, resgatamos a história da Oposição Metalúrgica de São Paulo, caso exemplo de auto- organização, 
 
MAIS UMA CAMPANHA SALARIAL FRUSTRADA
 
A campanha salarial 2011 terminou mais uma vez com uma sensação de frustração. Desde o início da campanha até o final da greve o controle férreo da Articulação/PT e seus satélites impediu que os bancários tivessem uma real participação e mudassem os rumos da campanha.
A preparação da campanha acontece em eventos superestruturais, viciados, sem a participação da base. As Conferências são burocratizadas, repletas de dirigentes sindicais afastados há anos dos locais de trabalho, não se submetem a assembléias, aprovam uma pauta rebaixada, não tiram nenhum calendário de luta e constituem um comando de negociação sem representantes de base. A deflagração da greve acontece sem que haja real mobilização, sem que haja envolvimento d em s trabalhador em s, sem que haja atividades preparatórias, reuniões, plenárias, assembléias, atos. Ao invés disso, a diretoria faz atos tipo “kinder ovo”, ou seja, reúne de surpresa alguns dirigentes na frente das agências para tirar foto e dizer que está “mobilizando a categoria”.
A greve não é realmente organizada, não há piquetes por região e comandos de greve diários em que os ativistas se reúnam e decidam quais locais paralisar. A greve segue sendo de fachada, ou seja, uma faixa do sindicato na frente das agências e os bancários trabalhando no seu interior. Diretores do sindicato negociam com os gerentes quais agências receberão a “faixada”, em quais dias,  quantos ficarão na unidade e quais irão pra agencia mais próxima. Bancários são deslocados dos seus locais para trabalhar em  outros postos, plataformas a pleno vapor. São disponibilizados links com sistema do banco para que os pelegos possam furar greve em casa. Há agências(bancos públicos) em que os gerentes “liberam” caixas e escriturários para a greve, fechando a agência para os clientes de baixa renda, atendendo os de alta renda e batendo metas. 
Essa greve de fachada não afeta os lucros dos bancos. Trata-se de uma greve consentida ou em certos casos organizada pela própria patronal, ou seja, um “lock-out” contra a população.  A greve não paralisa os negócios nem as operações via internet, caixas eletrônicos, compensação de cheques, correspondentes bancários, etc. A greve segue tendo um número importante de trabalhadores paralisados (nos públicos). As condições de trabalho são cada vez piores e o adoecimento avança e qualquer pretexto serve para não ir trabalhar e não enfrentar o dia a dia do banco. A greve acaba sendo uma espécie de folga ou “férias coletivas” para quem a faz.
Como não há confiança nos dirigentes sindicais, os trabalhadores  que aderem à greve e deixam de ir trabalhar. Mas seguem participando em número reduzido dos piquetes, assembleias e atividades de greve, pois vêem pouco sentido em participar de uma campanha que, por todos os elementos acima, permanece sob controle da burocracia. NÃO EXISTE RELAÇÃO DE CONFIANÇA ENTRE A ENTIDADE E OS BANCARI em S.  Os trabalhadores que participam do movimento, além de enfrentar os banqueiros, o governo, o judiciário, a repressão, a mídia, ainda tem que enfrentar a própria direção do sindicato. As assembleias são burocratizadas, não se abre direito a falas, não se permite fazer propostas, não se coloca as propostas em votação, não se permite defender as propostas. E por último, quando as propostas das oposições ganham uma votação, a mesa não reconhece o resultado.      Na assembleia do dia 5.10, depois de muita insistência e muita luta os
 bancários da base puderam apresentar propostas, que foram defendidas pelas oposições e ganharam as votações. Foram aprovados encaminhamentos organizativos para fortalecer a greve: assembleias diárias unificadas no horário das 16:00 para barrar os fura-greves, nenhum acordo que tivesse desconto ou compensação das horas, entre outros. Entretanto, a mesa não reconheceu o resultado e encerrou a assembleia de maneira extremamente autoritária, com direito a provocações e tumulto da sua claque contra os grevistas, conforme vídeo no youtube.
Estava surgindo nas assembleias um processo de auto-organização dos bancários, que se reuniam em plenárias com dezenas de ativistas depois que a mesa encerrava a assembleia. Na plenária do dia 5.10 foi tirado um manifesto dos bancários independentes e grupos de oposição denunciando o crime da diretoria contra a democracia operária, entre outros encaminhamentos para garantir o cumprimento do que havia sido votado. Para impedir que novas rebeliões acontecessem, a diretoria somente chamou nova assembleia 12 dias depois, em 17.10, no horário das 18hs e separando BB, CEF e privados, ou seja, desobedecendo expressamente o que havia sido votado no dia 5. Isso permitiu trazer os fura-greves em massa para aprovar uma proposta rebaixada e encerrar a campanha, exatamente como nos anos anteriores.
O comportamento da diretoria não é acidente, engano ou omissão, mas o resultado deliberado de uma linha de atuação, que consiste em perpetuar o cupulismo, a colaboração de classe com a patronal e o governo. Exatamente pelo fato de que a direção sindical está subordinada a um partido político e não aos trabalhadores. Tudo isso alicerçado numa estrutura sindical arcaica e estatizada.
Todos os elementos desse tipo de campanha de fachada tem sido insistentemente denunciados e combatidos pelo Coletivo Bancários de Base desde os anos anteriores, nos nossos panfletos e nas nossas intervenções. Entretanto, os outros coletivos que se reivindicam como oposição (Avesso-Intersindical e MNOB-Conlutas), aceitam “concessões” da diretoria para fazer uso do microfone e ao falar se omitem na denúncia dos elementos que poderiam questionar o controle da burocracia sobre a campanha. Inclusive na assembleia final esses grupos fizeram uso da palavra, mas não denunciaram o desrespeito às deliberações do dia 5.10, conforme manifesto que esses mesmos grupos haviam assinado. Além do Coletivo Bancários de Base apenas @s companheir em s do piquete da 7 de abril(CAIXA) e demais lutadores batalharam a fundo por um funcionamento democrático, que desse aos bancários o controle da campanha.
Para impedir que nas campanhas futuras sejamos retirados da luta sem que tenhamos uma greve de verdade, precisamos começar desde já a preparação da próxima campanha salarial. Não há outra forma de termos uma campanha salarial de verdade que não seja com a participação dos bancários e a sua organização a partir dos locais de trabalho, o que tem que acontecer o ano inteiro, não apenas as vésperas da data-base. Não podemos mais ser envolvidos por  um tipo de greve que na pratica serve mais ao patrão, aos sindicatos dúbios e aos furas-greve. Busquemos juntos as alternativas, através de nossa auto-organização. 
 (sugiro, se possível, citarmos BRB e BANPARA, metal., comerc, e todos que obtiveram melhores resultados, alguns mesmo sem greve).
 
-------------- Próxima Parte ----------
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