[Bancariosdebase] jornal/artigos

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Segunda Novembro 14 00:16:17 UTC 2011


 De acordo nas alterações de conteúdo, fiz apenas correções
ortográficas. Em relação a citar outros bancos e outra categorias,
acho que o problema é de espaço, pois ultrapassaria o número de
toques estipulado, por isso não incluí nada.  
 Daniel
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 “So, understand! You waste your time always searching for those
wasted years! 
 Face up! Make your stand! And realize your living in the golden
years!” 
 “Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles
anos perdidos! 
 Encare! Tome uma posição! E perceba que você está vivendo nos
anos dourados!” 
 Iron Maiden, “Wasted Years” 
 _________________________________________ 
 On Dom 13/11/11 21:47 , Utopia utopia_s em yahoo.com.br sent:
  Olá Kamaradas!! Envio material com algumas sugestões/alterações.
Peço para os autores verificarem se está ok. Alterei tb txt sind
org. Estivemos com a Rosana hoje e discutimos teor txt visão bancos
privados. Se não terminarmos hoje a sistematização, o faremos no
maximo até amanhã. Saudações!!! Ah, conf combin ccp vinicius.   

	LIÇÕES DE 2011 PARA AS CAMPANHAS FUTURAS  
	A campanha salarial 2011 terminou como nos anos anteriores, com a
sensação de que fomos derrotados sem sequer ter lutado. Os
dirigentes do nosso sindicato trabalharam de todas as formas para
impedir que os bancários pudessem ter maior participação na
campanha. O auge dessa manobra se deu nas assembleias separadas que
encerraram a campanha, as quais desobedeceram expressamente o formato
de assembleia unitária que havia sido votado na assembleia anterior,
em 05/10.  

	A postura da direção do sindicato não é casual. Há anos o atual
grupo dirigente tem subordinado a entidade aos interesses do seu
partido, que agora está no governo federal. Por isso nada de
organizar os bancários no seu dia a dia e nos seus locais de
trabalho, nada de greve que possa afetar realmente o lucro dos bancos
públicos e privados, nada de unificar nossa campanha com as de outras
categorias. Os sindicatos se tornam assim instrumentos do governo para
evitar que os trabalhadores entrem em luta contra os patrões.
Banqueiros, industriais, latifundiários e empresários em geral
agradecem. Enquanto os lucros aumentam, nossos salários diminuem,
corroídos pela inflação, e nossa vida se esvai, consumida pela
pressão no trabalho, pelo assédio, pelo adoecimento.  

	Nossa greve se coloca pois  no contexto de um conjunto de lutas da
classe trabalhadora brasileira, que em várias categorias enfrenta
condições semelhantes de aumento da exploração nos locais de
trabalho, inflação, esperanças de realização substituídas pela
ilusão do consumismo, do crediário e do endividamento a perder de
vista. Contra os que se atrevem a entrar em luta, aumenta a
repressão, com a criminalização das greves, ocupações e
protestos, com as ações policiais e judiciais, com as campanhas de
difamação na mídia. E os próprios sindicatos se colocam como
auxiliares desse operativo de desmonte das lutas, por meio de manobras
e golpes contra a democracia.  

	Nesta edição do nosso jornal apresentamos uma contribuição para o
balanço da greve e também um artigo em que debatemos a origem desse
tipo de sindicalismo. A conciliação desmesurada substitui a
combatividade, o autoritarismo substitui a democracia, a
subserviência substitui a independência, as cúpulas substituem a
base na tomada de decisão. Em outro artigo debatemos a alternativa a
esse formato de sindicato, que está na auto-organização a partir
dos locais de trabalho. Para finalizar, resgatamos a história da
Oposição Metalúrgica de São Paulo, caso exemplar de
auto-organização, combatividade e respeito à base.
	MAIS UMA CAMPANHA SALARIAL FRUSTRADA  
	A campanha salarial 2011 terminou mais uma vez com uma sensação de
frustração. Desde o início da campanha até o final da greve o
controle férreo da Articulação/PT e seus satélites impediu que os
bancários tivessem uma real participação e mudassem os rumos da
campanha.  

	A preparação da campanha acontece em eventos superestruturais,
viciados, sem a participação da base. As Conferências são
burocratizadas, repletas de dirigentes sindicais afastados há anos
dos locais de trabalho, não se submetem a assembléias, aprovam uma
pauta rebaixada, não tiram nenhum calendário de luta e constituem um
comando de negociação sem representantes de base. A deflagração da
greve acontece sem que haja real mobilização, sem que haja
envolvimento d em s trabalhador em s, sem que haja atividades
preparatórias, reuniões, plenárias, assembléias, atos. Ao invés
disso, a diretoria faz atos tipo “kinder ovo”, ou seja, reúne de
surpresa alguns dirigentes na frente das agências para tirar foto e
dizer que está “mobilizando a categoria”.  

	A greve não é realmente organizada, não há piquetes por região e
comandos de greve diários em que os ativistas se reúnam e decidam
quais locais paralisar. A greve segue sendo de fachada, ou seja, uma
faixa do sindicato na frente das agências e os bancários trabalhando
no seu interior. Diretores do sindicato negociam com os gerentes quais
agências receberão a “faixada”, em quais dias, quantos ficarão
na unidade e quais irão pra agência mais próxima. Bancários são
deslocados dos seus locais para trabalhar em  outros postos,
plataformas a pleno vapor. São disponibilizados links com sistema do
banco para que os pelegos possam furar greve em casa. Há agências
(bancos públicos) em que os gerentes “liberam” caixas e
escriturários para a greve, fechando a agência para os clientes de
baixa renda, atendendo os de alta renda e batendo metas.   

	Essa greve de fachada não afeta os lucros dos bancos. Trata-se de
uma greve consentida ou em certos casos organizada pela própria
patronal, ou seja, um “lock-out” contra a população.  A greve
não paralisa os negócios nem as operações via internet, caixas
eletrônicos, compensação de cheques, correspondentes bancários,
etc. A greve segue tendo um número importante de trabalhadores
paralisados (nos públicos). As condições de trabalho são cada vez
piores, o adoecimento avança e qualquer pretexto serve para não ir
trabalhar e não enfrentar o dia a dia do banco. Assim, a greve acaba
sendo uma espécie de folga ou “férias coletivas” para quem a
faz.  

	Como não há confiança nos dirigentes sindicais, os trabalhadores
que aderem à greve e deixam de ir trabalhar seguem participando em
número reduzido dos piquetes, assembleias e atividades de greve, pois
vêem pouco sentido em participar de uma campanha que, por todos os
elementos acima, permanece sob controle da burocracia. NÃO EXISTE
RELAÇÃO DE CONFIANÇA ENTRE A ENTIDADE E OS BANCARI em S.  Os
trabalhadores que participam do movimento, além de enfrentar os
banqueiros, o governo, o judiciário, a repressão, a mídia, ainda
tem que enfrentar a própria direção do sindicato. As assembleias
são burocratizadas, não se abre direito a falas, não se permite
fazer propostas, não se coloca as propostas em votação, não se
permite defender as propostas. E por último, quando as propostas das
oposições ganham uma votação, a mesa não reconhece o resultado.
Na assembleia do dia 5.10, depois de muita insistência e muita luta
os bancários da base puderam apresentar propostas, que foram
defendidas pelas oposições e ganharam as votações. Foram aprovados
encaminhamentos organizativos para fortalecer a greve: assembleias
diárias unificadas no horário das 16:00 para barrar os fura-greves,
nenhum acordo que tivesse desconto ou compensação das horas, entre
outros. Entretanto, a mesa não reconheceu o resultado e encerrou a
assembleia de maneira extremamente autoritária, com direito a
provocações e tumulto da sua claque contra os grevistas, conforme
vídeo no youtube.  

	Estava surgindo nas assembleias um processo de auto-organização dos
bancários, que se reuniam em plenárias com dezenas de ativistas
depois que a mesa encerrava a assembleia. Na plenária do dia 5.10 foi
tirado um manifesto dos bancários independentes e grupos de
oposição denunciando o crime da diretoria contra a democracia
operária, entre outros encaminhamentos para garantir o cumprimento do
que havia sido votado. Para impedir que novas rebeliões acontecessem,
a diretoria somente chamou nova assembleia 12 dias depois, em 17.10,
no horário das 18hs e separando BB, CEF e privados, ou seja,
desobedecendo expressamente o que havia sido votado no dia 5. Isso
permitiu trazer os fura-greves em massa para aprovar uma proposta
rebaixada e encerrar a campanha, exatamente como nos anos anteriores. 


	O comportamento da diretoria não é acidente, engano ou omissão,
mas o resultado deliberado de uma linha de atuação, que consiste em
perpetuar o cupulismo, a colaboração de classe com a patronal e o
governo. Exatamente pelo fato de que a direção sindical está
subordinada a um partido político e não aos trabalhadores. Tudo isso
alicerçado numa estrutura sindical arcaica e estatizada.  

	Todos os elementos desse tipo de campanha de fachada tem sido
insistentemente denunciados e combatidos pelo Coletivo Bancários de
Base desde os anos anteriores, nos nossos panfletos e nas nossas
intervenções. Entretanto, os outros coletivos que se reivindicam
como oposição (Avesso-Intersindical e MNOB-Conlutas), aceitam
“concessões” da diretoria para fazer uso do microfone e ao falar
se omitem na denúncia dos elementos que poderiam questionar o
controle da burocracia sobre a campanha. Inclusive na assembleia final
esses grupos fizeram uso da palavra, mas não denunciaram o
desrespeito às deliberações do dia 5.10, conforme manifesto que
esses mesmos grupos haviam assinado. Além do Coletivo Bancários de
Base apenas @s companheir em s do piquete da rua 7 de abril (CAIXA) e
demais lutadores batalharam a fundo por um funcionamento democrático,
que desse aos bancários o controle da campanha.  

	Para impedir que nas campanhas futuras sejamos retirados da luta sem
que tenhamos uma greve de verdade, precisamos começar desde já a
preparação da próxima campanha salarial. Não há outra forma de
termos uma campanha salarial de verdade que não seja com a
participação dos bancários e a sua organização a partir dos
locais de trabalho, o que tem que acontecer o ano inteiro, não apenas
as vésperas da data-base. Não podemos mais ser envolvidos por  um
tipo de greve que na prática serve mais ao patrão, aos sindicatos
dúbios e aos furas-greve. Busquemos juntos as alternativas, através
de nossa auto-organização.   

	 (sugiro, se possível, citarmos BRB e BANPARA, metal., comerc, e
todos que obtiveram melhores resultados, alguns mesmo sem greve).   
-------------- Próxima Parte ----------
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