[Bancariosdebase] Relato de Visita
Daniel
tzitzimitl em terra.com.br
Segunda Novembro 21 23:07:50 UTC 2011
Encaminhando relato de uma visita à USP
Daniel
_________________________________________
“So, understand! You waste your time always searching for those
wasted years!
Face up! Make your stand! And realize your living in the golden
years!”
“Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles
anos perdidos!
Encare! Tome uma posição! E perceba que você está vivendo nos
anos dourados!”
Iron Maiden, “Wasted Years”
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On Dom 20/11/11 20:06 , Alexandre Jose Ferraz andrec2005 em yahoo.com.br
sent:
----- Mensagem encaminhada -----
DE: Alexandre Jose Ferraz
PARA: "apeoesprepresentantessantoandre em yahoogrupos.com.br"
ENVIADAS: Sábado, 19 de Novembro de 2011 20:56
ASSUNTO: Relato de Visita
RELATO DE VISITA à USP E DOS PROBLEMAS QUE VIMOS Lá!
_"DO RIO QUE TUDO ARRASTA, DIZ-SE QUE é VIOLENTO. MAS NINGUéM
CHAMA VIOLENTAS àS MARGENS QUE O COMPRIMEM." BERTOLT BRECHT_
Pois é pessoal eu e mais alguns (as) companheiros (as) estivemos na
última terça na USP (dia de muita chuva) a fim de conversar com o
movimento dos estudantes. Pudermos constatar uma situação bem
diferente daquela que a mídia nos apresenta. Por conta das tarefas na
subsede, não pude fazer esse relato antes. Mas como há um debate
(saudável) aberto nesta lista apresento minha contribuição.
De fato os problemas na USP vão muito, mas muito além de três
estudantes presos porque queriam fumar um baseado... Isso por si só
não poderia gerar uma contestação do tamanho que está ocorrendo na
USP. Não nos esqueçamos que após duas ocupações (da
administração da FFLCH e depois da reitoria) os estudantes
decretaram uma Greve que conta com a adesão de vários prédios e
cursos, mesmo como o risco de não terminarem o ano letivo...
Inclusive ontem (quinta, dia 17) foi deliberado em assembléia que a
Greve seja mantida... Haveria um movimento desse tamanho apenas por
uma causa tão limitada? Ou esse acontecimento limitado (prisão dos
três jovens) foi apenas a faísca que provocou uma explosão em um
ambiente já muito saturado pelo descontentamento e indignação
provocada pela gestão da USP e dos governos estadual e federal que
vêm ano a ano sucateando a universidade, principalmente os cursos que
não têm nenhuma utilidade direta para o capital e o mercado? Os
prédios de humanas estão abandonados realmente, mas é
principalmente consequência desse descaso do estado e não da
depredação dos estudantes, pois estão há décadas sem qualquer
manutenção. É só ir lá para ver. Isso não é uma violência e
uma discriminação a alguns cursos? Mesmo os cursos de exatas e de
tecnologia só recebem verba se voltarem seu trabalho e seus estudos
para os interesses de lucro das empresas. São as chamadas incubadoras
de empresas. Isso é uma mina de ouro para o empresariado que não
precisa gastar em pesquisa e nem empregar pesquisadores pois obriga os
estudantes e os departamentos de pesquisa da USP a pesquisar para
eles. A Universidade sempre esteve a serviço da elite e sabemos
disso. No entanto o que querem agora é uma submissão total e
irrestrita do conhecimento ao mercado! Os cursos que não se adaptam
(ou não têm como se adaptar tanto como os de humanas) estão
condenados! Assim, ao invés da pesquisa se voltar para temas de
interesse do ser humano e do ambiente, como pesquisa de
prevenção/cura de doenças, métodos de redução de impactos
ambientais, aprimoramento de fontes alternativas de energia, etc, fica
limitada a temas específicos e mutáveis que interessam às empresas
e ao mercado. Isso não é uma violência ao ambiente livre
pensamento crítico e à produção do conhecimento emprol do público
que deveria haver em uma universidade? Por outro lado temos também
as causas externas: o ambiente dos jovens que sentem que mesmo se
formando em uma USP nos cursos de humanas não terão futuro algum,
pois muitos deles serão professores, profissão que vem sido
totalmente atacada tanto financeiramente como em seu papel nas escolas
e disso sabemos muito bem! Essa também é uma violência contra o
futuro de uma geração que será penalizada apenas por gostar mais
desta ou daquela área!
Além disso dos 7 prédios que havia no CRUSP (centro de moradia
para estudantes que vêm de outras cidades ou bairros), dois prédios
foram tomados sendo um para o prédio da reitoria e outro para um
órgão de gerenciamento da situação dos moradores do CRUSP. Isso
tem gerado um déficit com uma lista de espera de mais de 1800 alunos
todo ano que não conseguem vaga no CRUSP. Os apartamentos que parecem
kitnetes estão superlotados com 4-5 alunos espermidos em seu
interior. Por conta dessa falta de vagas houve um movimento de
estudantes que ocuparam um prédio e formaram mais um bloco de
moradia, o bloco G. A reitoria pediu a desocupação (que ainda não
foi feita) e a polícia vive por lá ameaçando os moradores a cada
semana. Se não tivessem ocupado (sido "violentos") não teriam
moradia, mas como ocuparam estão com vários processos nas costas.
Mas e a violência anterior da reitoria tomar 2 prédios que deveriam
ser para moradia dos estudantes, como fica? Os funcionários
contratados da USP têm tido que fazer várias greves para ter
reajustes. Mas o problema maior está na grande parte de terceirizados
cujas greves não são para reajustes mas apenas para receber seus
salários atrasados e direitos, pois essas empresas são verdadeiros
"gatos" que a reitoria implantou para cortar custos e para favorecer
seus cupinchas. Do dia para a noite somem com o dinheiro e não querem
nem pagar os atrasados! Isso não é violência e das piores, pois
pode levar famílias inteiras à fome? Mas nada é feito pelas
"autoridades". Quando a polícia foi instalada lá (há apenas dois
meses), não houve nenhum debate prévio, nem deliberação entre a
comunidade acadêmica e nem sequer na sociedade. Foi colocada e
pronto. Isso também é violência, pois não houve democracia mínima
em uma instituição pública. Seria o mesmo se colocassem a policia
dentro das escolas, sem consultar os alunos, os pais e o Conselho de
Escola. Foi isso que ocorreu. Frente a todas essas lutas, a reação
da reitoria tem sido uma só: repressão e mais repressão. Todos os
diretores do SINTUSP (Sindicato dos Trabalhadores da USP) estão com
processos criminais e também há dezenas de alunos com processos
criminais nas costas, por terem lutado nas ocupaçãoes anteriores que
foram em defesa da autonomia didático-pedagógica (uma bandeira que
tambémd efendemos) e contra a criação da UNIVESP (Universidade
Virtual-precarizada da USP). Mesmo assim tem havido uma resistência
crescente no interior da USP, com a indignação e organização cada
vez maior dos estudantes e funcionários. Então a reitoria se
aproveitou dos problemas de segurança criados pelo processo de
sucateamento da USP (falta de iluminação, falta de abertura e
aproveitamento dos espaços da USP pela população trabalhadora,
precarização da guarda universitária existente, etc) e instalou a
PM no campus. Qual então o papel da PM? Como ocorre na
sociedade em geral, a presença da polícia no campus não têm tido a
função de investigar ou prender nenhum dos corruptos que lá operam
(há muitas denúncias), mas é chamada a reprimir com prontidão
qualquer manifestação de indignação dos estudantes e trabalhadores
da USP. Aí reside seu verdadeiro papel: o de contenção e repressão
a serviço de manter a política de sucateamento do prédios,
precarização e privatização da universidade! Há também vários
excessos da polícia como enquadramentos racistas e homofóbicos,
conforme denúncias de vários estudantes. Assim, é difícil não
ficar do lado dos estudantes e funcionários da USP e de suas formas
de luta diante da situação de tremenda violência que existe na USP
e que com certeza deve existir em outras universidades públicas pelo
país afora. Nos informamos e eles realmente já tentaram antes
muitas outras formas de luta como abaixo-assinados, passeatas,
panfletagens... etc. Se chegaram ao método das acupações (método
esse utilizado no país todo e em várias universidades) é porque foi
o único que encontrara como capaz de chamar a atençã para os
graves problemas que existem lá e também aqui fora. Antes
de cairmos no conto da mídia que também recrimina os professoes o
tempo todo devemos refletir bem. A mídia nunca apoiou nenhum
movimento que questionava as elites e é claro, não iria apoiar esse
também. Mas, e nós, professores (as), que pensamos de forma crítica
e que somos também vítimas dessa mesma política governamental e da
mídia, de que lado estamos nessa luta?
Recomendo a ótima entrevista do sociólogo Michael Lowi, que foi
publicada no Estadão no endereço abaixo:
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-transbordo-do-copo-de-colera,798151,0.htm
_ALEXANDRE _
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