[Bancariosdebase] Repassando documento dos estudantes de Ciências Sociais sobre a ação da PM na USP

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Segunda Novembro 21 23:09:00 UTC 2011


 Mais um texto sobre a USP, de autoria dos próprios estudantes.
 Daniel
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 “So, understand! You waste your time always searching for those
wasted years! 
 Face up! Make your stand! And realize your living in the golden
years!” 
 “Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles
anos perdidos! 
 Encare! Tome uma posição! E perceba que você está vivendo nos
anos dourados!” 
 Iron Maiden, “Wasted Years” 
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 On Seg 21/11/11 16:10 , "Marlene" mpetros em usp.br sent:
     O que está por trás da presença da PM na USP
 *Artigo produzido pelo Centro Universitário de Pesquisas e Estudos
 Sociais (CeUPES), o centro acadêmico do curso de Ciências Sociais
da
 FFLCH/USP.
 Este texto foi aprovado em Assembleia de Curso dos estudantes de
 Ciências Sociais da FFLCH/USP
 Os recentes conflitos ocorridos na Universidade de São Paulo entre
 estudantes e policiais militares exigem uma reflexão aprofundada que
 vai muito além da questão do uso de drogas no campus, ou
simplesmente
 da presença da Polícia Militar no ambiente universitário. O que se
 está discutindo não pode ser resumido a “baderna de maconheiros”,
e
 tampouco às palavras de ordem contra a PM. Estão em jogo diferentes
 concepções de universidade.
 Quando estudantes, professores e funcionários da USP protestam
contra
 a presença da PM no campus Butantã, não estão pretendendo que a
USP
 seja uma “ilha da fantasia”, ou um território acima da lei, como
 alegam alguns. Muito pelo contrário, esperam que a universidade seja
o
 espaço de elaboração de novas práticas, inclusive no que diz
respeito
 à segurança pública. O conhecimento produzido na USP, entretanto,
tem
 sido ignorado como forma de resolver os problemas de segurança que
 estão sendo enfrentados, e tudo que a PM traz ao ambiente
 universitário contradiz frontalmente esse potencial inovador, com
 velhas práticas autoritárias, truculentas e discriminatórias.
 O que mais agrava este quadro, e deve saltar aos olhos daqueles que
 esperam da PM uma resposta para os crimes violentos, é a crescente
 tentativa de normatizar o comportamento estudantil: mais do que
 reprimir o uso de drogas, os policiais têm feito perguntas que dizem
 respeito à vida acadêmica e às opiniões políticas dos
estudantes, tais
 como “você está matando aula?”, “você é contra a presença da
PM no
 campus?”.
 Portanto, quando se diz que a atuação da PM vem ferindo a autonomia
 universitária, não se trata de um discurso datado, mera paranoia
 remanescente da ditadura. Trata-se, sim, de uma preocupação
legítima
 com a ingerência da instituição militar sobre assuntos que dizem
 respeito tão somente à comunidade acadêmica, tais como o
desempenho
 escolar ou – o que é ainda mais grave – as opiniões políticas.
Soma-se
 a isso o fato de diversos estudantes e trabalhadores sofrerem
 processos administrativos por conta de sua atuação política de
 resistência aos projetos da Reitoria.
 Não é preciso remontar à ditadura para lembrar casos de repressão
 policial à organização política dos professores, estudantes e
 trabalhadores da USP – isso também aconteceu em 2009, quando a
Tropa
 de Choque não se contentou em dispersar uma passeata nos arredores
do
 campus e perseguiu os manifestantes até o prédio de História e
 Geografia. A repetição acontece como farsa: quatrocentos militares
 para retirar os cerca de setenta ocupantes da Reitoria e impedir
 moradores de sair do Conjunto Residencial da USP.
 O problema de segurança na universidade é muito mais complexo do
que a
 Reitoria parece acreditar, e não pode ser solucionado com a
 militarização do ambiente universitário. Por outro lado, é
preciso que
 as reivindicações do movimento estudantil avancem para além das
 palavras de ordem meramente reativas: a segurança deve resultar de
 maior circulação no campus, com a abertura da Cidade Universitária
à
 comunidade. Além disso, aspectos muito práticos do cotidiano
 universitário seguem sendo sumariamente ignorados pela
administração
 da USP, tais como a iluminação, a frequência dos ônibus e
circulares e
 uma reestruturação da Guarda Universitária. São medidas simples,
 aparentemente bastante banais, mas que melhorariam muito a segurança
 da universidade, sem a necessidade do recurso à força.
 Uma coisa é certa: no dia 18 de maio deste ano, quando morreu o
 estudante Felipe Ramos de Paiva, a PM já estava no campus,
revistando
 carros de estudantes. De lá para cá, aumentou seu efetivo, mas não
 aumentou a segurança – a sede do centro acadêmico da ECA, por
exemplo,
 foi recentemente invadida e furtada, sem que a presença da PM tenha
 servido para impedir a ação. Aumentaram, isto sim, as abordagens
 invasivas e provocações a estudantes. Como isso pode ajudar a
prevenir
 assaltos, estupros e assassinatos?
-------------- Próxima Parte ----------
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