[Bancariosdebase] relato assembléias SP
Daniel
tzitzimitl em terra.com.br
Sexta Outubro 7 13:02:12 UTC 2011
Olá comp em s [1] da Frente Nacional
Segue um relato geral das assembléias em São Paulo, para
publicação no site da Frente.
Antes da campanha salarial nos tinha sido enviado um login e senha
para que nós mesmos pudéssemos publicar matérias; esse e-mail foi
perdido por descuido meu. É possível reenviar?
Estamos trabalhando também num relato da assembléia de
quarta-feira, em que as propostas que colocamos em votação venceram,
mas a burocracia se recusou a reconhecer o resultado e encerrou a
assembléia.
Hoje à tarde teremos novas assembléias e vamos ter que lutar para
que prevaleça o que foi votado na quarta.
Tentaremos enviar atualizações mais constantes daqui em diante.
Saudações
Daniel
"A sociedade que aboliu a aventura tornou a abolição dessa
sociedade a única aventura possível” anônimo, pichado nos muros
de Paris no maio de 1968
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Relato das assembléias em São Paulo
Aos comp em s [2] bancários de todo o país.
Na maior base da categoria bancária em todo o país, com mais de 110
mil trabalhadores, vivemos a ditadura do microfone. A diretoria do
sindicato, da corrente Articulação/CUT, não permite que pensamentos
divergentes sequer se manifestem em assembléia. Procedimentos
elementares da democracia são diariamente pisoteados no nosso
movimento.
Para começar, as assembléias nem sequer são diárias, acontecem
quando a diretoria quer. São marcadas em dias alternados, no menor
número possível, para restringir ao máximo os espaços de debate.
As assembléias acontecem na quadra dos bancários, no centro da
cidade, com credenciamento controlado, sendo que a burocracia pode
trazer “convidados”, “observadores” e pessoal de “apoio” a
seu critério, mas não admite que militantes de outras categorias
possam entrar para nos apoiar e contribuir. Há dias em que é até
mesmo proibido panfletar dentro da quadra! Só pode circular a Folha
Bancária, jornal do sindicato, no qual aliás, só a diretoria
escreve.
Dentro da quadra, há um palco em que se instala a mesa, cujo acesso
é bloqueado por um batalhão de seguranças contratados. Os
bancários devem ficar afastados, como uma platéia, cuja única
função é levantar o crachá para votar.
A diretoria se instala como mesa, ignorando o preceito básico de
que, em qualquer fórum dos trabalhadores, a mesa deve ser eleita pelo
plenário, com composição proporcional entre as correntes e
representação da base.
Do alto do palco, a diretoria se põe a dar informes infindáveis,
sem qualquer conteúdo político ou organizativo, exaltando sua ação
na greve, que, na verdade, não existe.
O formato da assembléia é totalmente controlado pela burocracia.
Não são acatadas propostas de encaminhamento ou questões de ordem.
As votações que acontecem são aquelas que a diretoria determina. A
mesa determina se vão haver ou não inscrições, se vão haver ou
não votações, etc.
Raramente são abertas inscrições, e quando se abrem, dezenas de
burocratas se inscrevem. Com isso, em face de um número inviável de
falas, a mesa propõe o "sorteio" de um número limitado de
inscrições, para "garantir as falas". Invariavelmente os burocratas
têm mais falas e sempre falam por último.
Na maior parte dos casos, a mesa “concede” falas para as
correntes/centrais sindicais/partidos, como se fosse um gesto de boa
vontade, e ignorando completamente os bancários que não estão
vinculados a nenhuma corrente, que são a maioria.
Lamentavelmente, algumas correntes que se reivindicam oposição,
como MNOB e Intersindical, quando têm o direito à fala, não o usam
para denunciar esse formato de assembléia e exigir falas para a base.
Usam como palanque para agitar as palavras de ordem que são
prioridade para a corrente/partido naquele momento. Não se confrontam
com a burocracia para propor medidas que possam romper com o roteiro
da burocracia e realmente democratizar o movimento.
Quando a oposição consegue falar e fazer propostas para melhor
organizar a greve, as propostas não são colocadas em votação.
Quando há votação de alguma proposta organizativa, não é dado
tempo de fazer defesas, mas a diretoria fala contra as propostas pelo
tempo que quiser. Quando se permite fazer defesas, a mesa interpreta
as propostas a seu modo e embaralha tudo numa fala só para confundir
os bancários, não dando tempo de explicar os detalhes. E o cúmulo
do absurdo, há propostas que são votadas, mas que não são
encaminhadas pela diretoria!!
Quando é votada a continuidade ou não da greve, a diretoria dá por
encerrada a assembléia e desliga o microfone, induzindo à dispersão
dos bancários. Com isso, não se discutem as medidas organizativas
mínimas para dar força e visibilidade a uma greve, como
organização dos piquetes, atos, passeatas, panfletagens, etc.
Para completar, na hora de encerrar a greve, a burocracia marca
assembléias separadas por banco (BB, CEF e privados, em locais
diferentes), no horário das 7 da noite (começando às 8 ou mais), em
acordo prévio com a direção dos bancos, que manda os gerentes e
fura-greves em massa para votar a favor das propostas rebaixadas, que
a burocracia defende desavergonhadamente como "vitória".
Esse tipo de assembléia somente acontece devido ao esvaziamento da
vida política do sindicato, que não realiza assembléias
preparatórias, plenárias, reuniões de delegados sindicais, etc., de
modo que a base se distancia cada vez mais da entidade. Nos bancos
privados (85% da base) não há qualquer tipo de trabalho de
organização, de modo que os trabalhadores não podem participar das
atividades sindicais sem sofrer demissão ou retaliação, e os poucos
que participam são voto cativo da diretoria.
Os funcionários dos bancos públicos, que já presenciam essa farsa
há anos, odeiam a diretoria e se dessindicalizam em massa a cada
campanha salarial. Os que ainda aderem à greve o fazem por puro senso
de dignidade, mas em número cada vez maior se recusam a comparecer ao
verdadeiro "circo" que são essas assembléias convocadas pela
burocracia.
Isso só vai mudar quando os bancários tomarem de fato a luta em
suas mãos e se tornarem protagonistas do movimento. Essa mudança
exige um longo processo de organização e conscientização dos
trabalhadores, que deve acontecer o ano inteiro, não apenas nas
campanhas salariais.
É o que nós do Coletivo Bancários de Base estamos propondo.
Durante a greve exigimos democracia nas assembéias, exigimos o
direito à fala para todos os bancários, exigimos respeito às
decisões coletivas. E apresentamos o projeto da Frente Nacional de
Oposição Bancária, que identificamos como um sindicalismo
comprometido com a base e as lutas dos trabalhadores.
Somente juntos poderemos derrotar os patrões, os governos e seus
servidores na CUT e outras centrais governistas!
Coletivo Bancários de Base – São Paulo
Frente Nacional de Oposição Bancária
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