[Bancariosdebase] txt proposta jornal bdb
Utopia
utopia_s em yahoo.com.br
Quarta Fevereiro 29 00:06:53 UTC 2012
Olá kamaradas! segue proposta para jornal. A idéia é txt a ser proposto como complemento ter um caráter de chamado à ação direta. pode ser txt já elaborado por nós ou não. Galera, é pra ontem. Depois daremos informes sobre encontro del sind caixa e seminário do seeb sp sobre saúde e cons de trab (uma drog..) Dialogando c/Rosana; de quarta a domingo pela noite/tarde conforme o dia, podemos nos reunir. Valeu!
O cotidiano da categoria: perspectivas individuais e luta coletiva.
Uma profunda insatisfação resultante do cotidiano de trabalho é recorrente e disseminada por toda a categoria bancária. Temos poucos momentos para refletir, debater, e buscar soluções para os problemas aparentemente individuais, mas que em verdade são coletivos (apenas vivenciados de forma peculiar por cada um de nós). A insatisfação se propaga pela vida familiar, nas relações inter-pessoais em geral, sem que o possamos evitar. Como chegar em casa tranquilamente e poder curtir momentos felizes com as pessoas que gostamos, ou então, nos dedicarmos à leitura, ao estudo, ou a algum afazer que nos traga satisfação, quando nos sentimos atrofiados, esgotados pela labuta diária?
Inventamos assim pequenas formas compensatórias. Contamos as horas e dias para nos aliviarmos um pouco da rotina de trabalho, aguardando os fins de semana, ou ansiando pelas férias. O fim de semana passa como um piscar de olhos, tal como o mês de férias e voltamos a contar o calendário para nos aliviarmos novamente.
Como isso parece interminável, alguns passam a alimentar o desejo de melhoria das condições de vida e trabalho individualmente, investindo forças para ascender na carreira dentro da empresa (o que amenizaria os problemas financeiros) ou considerando que o emprego, necessário para o sustento de si e dos familiares, é algo passageiro, que um outro emprego poderá propiciar mais satisfação e potencializar as capacidades criadoras de cada um de nós. Aqueles que já percorreram um tempo maior na empresa, passam a contar o calendário com vista à tão sonhada libertação: a aposentadoria. Tais projetos são legítimos, considerando que não se visualiza uma possibilidade concreta de melhoria nas condições de vida e trabalho. São, no entanto, limitados e sintomáticos de um sentimento de impotência frente à engrenagem que nos oprime e perpetua seu poder, suprimindo a preciosidade da vida que só existe concretamente no momento presente.
Se a propaganda dos bancos vende a idéia de que são empresas que se pautam pela responsabilidade social, é fácil verificar que este discurso é falso, tanto em relação ao trato com os trabalhadores quanto com os clientes e com a sociedade em geral. Enquanto somos nós quem de fato realiza o trabalho que promove o lucro dos bancos, ficamos relegados às arbitrariedades dos banqueiros, sejam eles públicos ou privados . Ocorre atualmente em grande escala incorporações, fusões, reestruturações, que interferem diretamente no nosso dia-a-dia de trabalho, sem o mínimo de transparência e preocupação com a melhoria no que tange à realização do trabalho feita por nós. Ao contrário, o objetivo é sempre obter mais lucros, baseando-se na exploração maior ou mais eficiente da nossa mão de obra. Para nós fica a insegurança em relação ao que virá...
Os casos de doenças provenientes do esforço laboral (físicas ou psíquicas) são cada vez mais freqüentes e, no entanto, encarados de forma naturalizada, fazendo com que se transfira a responsabilidade ao adoentado, “culpado” por não conseguir se “adaptar” às exigências do mercado. Muitos colegas, ao se aposentarem, já estão com a saúde bastante debilitada, e ao invés de poderem curtir o tempo livre, passam a ter que cuidar da saúde perdida nos anos de trabalho.
A resistência coletiva frente aos problemas colocados (da exploração e alienação do trabalho) deve ser promovida pela organização sindical. O movimento sindical que, de acordo com uma concepção legítima de atuação, deve batalhar para a real melhoria das condições de vida e trabalho, é atualmente percebido como algo distante, virtual, mais atento à alta política do que propriamente à política de base, o que pressuporia, necessariamente, a participação ativa e ampla do conjunto dos trabalhadores.
A necessidade de mudança que cada um de nós sente, a solidariedade que nutrimos uns com os outros, exige algo além de saídas individuais por um lado, e, por outro lado, algo diferente do que a atual direção do sindicato propõe e propaga (de forma direta ou disfarçada) com vitórias forjadas, política de gabinete, negociações obscuras feitas à revelia da vontade do trabalhador, condutas que, enfim, pouco ou nada significam para o trabalhador. Mas o movimento sindical vai além da política de uma determinada diretoria, ele nasce da auto-organização, o que constitui uma tarefa árdua, porém, mais do que nunca, necessária. Cada um de nós tem muito a contribuir para o conjunto da categoria. Buscar a autonomia, ou seja, uma autentica posição de luta frente aos problemas cotidianos é tarefa que parte de consciência individual para a coletiva e que precisamos exercitar em nosso cotidiano a partir dos nossos locais de trabalho e outros
locais de convivência.
Para tal objetivo entendemos que o papel dos delegados sindicais nos bancos públicos é fundamental, que a atuação desses se faça sentir permanentemente, em conjunto com os colegas de trabalho e articulando-se com outros delegados sindicais. Nos bancos privados, mesmo considerando a impossibilidade legal dessa forma de organização, entendemos ser possível e necessário o esforço nesse sentido. A participação nos fóruns deliberativos e organizativos é, da mesma forma, essencial para batalharmos em conjunto por uma frente democrática que encaminhe a vontade da base. Chamamos a atenção dos colegas para os congressos dos bancos públicos. A partir das deliberações destes congressos será elaborada a pauta de reivindicações dos bancos públicos. Participar do processo é necessário para levarmos nossas reais necessidades e cobrarmos que elas sejam encaminhadas pela diretoria do sindicato.
Compreendemos que existe uma série de empecilhos estruturais para a participação no movimento, mas os obstáculos só poderão ser superados se os trabalhadores e trabalhadoras tiverem coragem e determinação para construir uma organização a partir da base. Nosso movimento nos levará pelos caminhos que forjamos baseados no nosso desejo de viver de forma intensa e plena, pelo potencial que reconhecemos em nós e almejamos por em ação, mesmo que sejamos constantemente subjugados por aqueles que tentam suprimir nossos sonhos e desejos de uma vida mais plena. É possível.
Nada é impossível de mudar Autor: Bertolt Brecht
Nada é impossível mudar
Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.
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