[Bancariosdebase] sobre o encontro de porto alegre
Daniel
tzitzimitl em terra.com.br
Quinta Novembro 29 20:48:29 UTC 2012
Olá compas
Peço desculpas pela minha ausência nas duas últimas reuniões do
coletivo. Doença e outros problemas particulares me impediram de
participar dos debates relativos ao Encontro da FNOB, para o qual
serei um dos representantes, o que é um problema grave.
Sei do esforço dos companheiros para elaborar um documento para o
Encontro, em meio a tantas tarefas no movimento, em especial
considerando-se que as outras correntes nos deixaram praticamente
sozinhos num momento extremamente difícil do pós-greve e no dia 22.
Em que pese tudo isso, preciso apresentar as divergências que tenho
em relação ao documento que está sendo preparado e ao conjunto da
intervenção projetada para o Encontro.
Precisamos levar em consideração o fato de que os organismos da
Frente, que não funcionaram ao longo do ano e da campanha salarial,
também não funcionaram na preparação do Encontro. Não tivemos nem
reuniões de coordenação, nem debates em lista de e-mail. Dessa
forma, isso nos deixa com um problema no que se refere a como
apresentar um documento que contém críticas justas, porém pesadas,
ao funcionamento da Frente e aponta as fragilidades da sua
construção. Não estamos num cenário ideal, em que houvesse um
debate prévio e se pudesse tomar conhecimento das críticas e
contribuições de parte a parte, estamos numa situação em que os
debates estão truncados e é preciso ser cuidadoso com a forma como
as idéias são apresentadas.
Se apresentamos o texto proposto como um documento público,
circulando abertamente na internet e em listas de contatos pessoais
(como tem sido até agora), o MNOB-PSTU pode fazer um uso extremamente
destrutivo dessas críticas. Nosso documento aponta, por exemplo, que
ANBERR, AFBNB, SEEB-MA, Oposição da Bahia, Distrito Federal, União
Coletivo Sindical (UCS) e Associação dos Funcionários do Banco do
Estado da Amazônia (AEBA) não estão construindo a FNOB. Logo, isso
vai entregar de bandeja para o PSTU o quanto a FNOB é uma
construção precária ou até mesmo artificial tocada por RS, RN e
SP, e vai dar munição para que o PSTU assedie as demais entidades,
mostrando que RS, RN e SP mandam na FNOB sem consultá-las, que são
burocráticos, que não tem base, etc., e que portanto o MNOB Conlutas
é uma alternativa mais plausível e estruturada. Ou seja, um
documento público no teor do que está sendo apresentado seria um
tiro no pé em termos de construção.
Ainda que o documento esteja correto nas afirmações que faz, não
estamos sozinhos no movimento, existem outras correntes disputando
politicamente a direção da oposição. E não estamos num mundo
ideal, em que as outras correntes agem de forma correta, pois os
métodos da disputa política são desleais e destrutivos. Aquilo que
apresentamos com a intenção de construir pode sair pela culatra e
ajudar a destruir. Por isso, defendo que o documento de balanço tenha
circulação restrita, limitada aos representantes da coordenação ou
de cada um dos coletivos (que são na verdade os responsáveis pelo
estado de paralisia e não funcionamento da FNOB). Minha proposta é
de que esse documento seja enviado apenas para os e-mails desse grupo
restrito, com a ressalva de que não deve ser divulgado amplamente.
É também uma questão de lealdade apresentar aos representantes de
cada coletivo as críticas que fazemos, para que saibam o que
pensamos, antes de apresentá-las diretamente no Encontro. Repito,
não houve tempo hábil nem debate prévio para que essas críticas
pudessem ser debatidas previamente e assimiladas. Sem esse tempo, elas
podem dar origem a mal entendidos, mal estar e desconfiança,
atrapalhando o andamento do Encontro. Por isso não se pode
apresentá-las de surpresa diretamente no Encontro, e sim previamente
e de maneira restrita.
Além disso, precisamos ter uma caracterização de como será o
Encontro. A proposta é de um Encontro de dois dias, sendo que para o
primeiro dia a proposta de pauta apresentada contém um ponto sobre
conjuntura e situação da categoria, um balanço da campanha salarial
e um debate sobre as tarefas de 2013, entre elas as eleições em que
a FNOB poderá estar envolvida. A proposta de pauta para o segundo dia
é a de organização da FNOB. Dada essa configuração, podemos
contar com a possibilidade de que o Encontro tenha um público maior
no primeiro dia, composto por bancários da base de Porto Alegre, e um
público menor no segundo dia, composto apenas por militantes
orgânicos dos diversos coletivos e representantes de outros estados.
Dificilmente os convidados da base de Porto Alegre, sendo
trabalhadores comuns e não militantes organizados, participarão dos
dois dias. Levando em conta essa pauta e composição do Encontro, é
mais adequado apresentar o documento de balanço em cópias impressas
no segundo dia, e não no primeiro. Precisamos nos colocar no lugar de
um trabalhador de base que é convidado para um Encontro para discutir
possibilidades de organização para lutar por melhores salários e
condições de trabalho, e se depara com um debate que gira em torno
de críticas pesadas que igualam essa possibilidade de organização a
outras tentativas frustradas do passado. O que esse trabalhador vai
pensar? Por isso a minha proposta é de que seja feita uma avaliação
da composição do público antes de distribuir esse documento, e
dependendo da proporção de militantes orgânicos e de trabalhadores
de base presentes, ele somente seja distribuído no segundo dia.
Outro ponto se refere à situação da categoria. Não acho que a
queda do spread bancário seja a principal questão colocada hoje para
a categoria. Esse é um dos elementos da política econômica do
governo, da política dos bancos, que atua como um pano de fundo. Mas
essa discussão é genérica e abstrata, não responde ao imediato. No
imediato, estamos passando por uma brutal repressão aos ativistas no
pós-greve, por uma nova reestruturação no BB, com o fechamento de
centros no nordeste, por uma tentativa de enterrar a luta pela 7º e
8º horas por meio de um acordo que provavelmente será aprovado em
uma assembléia espúria “na calada da noite” (como foi feito na
CEF há poucos anos), por boatos de um PDV via aposentadoria
antecipada também no BB. Todas essas questões estão relacionadas ao
projeto geral de implantar uma gestão privada nos bancos, mantendo
porém o controle estatal, uma vez que o estado está nas mãos da
burocracia do PT, que tem como interesse primordial se manter no
poder. A burocracia petista, por meio de seus agentes no movimento
sindical, tenta iludir os trabalhadores dos bancos públicos por meio
de um discurso demagógico e populista de que a política do governo
do PT é boa para o crescimento do país e o conjunto dos
trabalhadores, por isso nós bancários devemos “vestir a camisa”
desse projeto. Contra esse discurso, precisamos mostrar que a
política do PT não é boa nem para o conjunto dos trabalhadores, nem
para os bancários, discutindo globalmente os elementos desse projeto.
Por fim, também não acho que a principal política para enfrentar
essa situação seja a edição de novas cartilhas e o trabalho com
esse material. Uma política de propaganda e formação deve ser uma
atividade permanente, mas não pode ser nem a principal nem a única.
É preciso ter campanhas concretas voltadas para questões imediatas,
como a 7º e 8º horas no BB, para mobilizar os trabalhadores, e em
seguida organizá-los por meio de propaganda e formação.
Portanto, minha proposta é de que as intervenções em nome do
Bancários de Base – SP no Encontro contemplem também a questão da
queda do spread bancário e a necessidade de políticas de propaganda
e formação, mas que essa não seja a principal ou o único eixo, e
sim parte de uma política que abranja globalmente o projeto que está
sendo implantado nos bancos, sua relação com o projeto geral do PT,
e seus aspectos concretos, como as demissões, o assédio moral,
autoritarismo, perseguição aos ativistas, retirada de direitos como
a jornada de 6 hs, etc.
Peço mais uma vez desculpas a todos pelo atraso em me manifestar
sobre esse ponto.
Daniel
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“So, understand! You waste your time always searching for those
wasted years!
Face up! Make your stand! And realize your living in the golden
years!”
“Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles
anos perdidos!
Encare! Tome uma posição! E perceba que você está vivendo nos
anos dourados!”
Iron Maiden, “Wasted Years”
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