[Bancariosdebase] sobre o encontro de porto alegre

Israel Fernandez Junior israelfernandezjr em gmail.com
Sexta Novembro 30 01:28:14 UTC 2012


Boa noite camaradas!

Acho que essa discussão indica uma tendência do tamanho da tarefa da classe
trabalhadora e da prioridade que temos que ter como militantes de uma
categoria que julgo uma das fundamentais na luta de classes.

Acho que o texto mostra claramente nosso precário funcionamento e que tem a
característica de quem elaborou o corpo do texto (no caso o Marcio desta
vez). Há que se reconhecer o esforço do companheiro em tentar minimizar o
fato objetivo de nosso funcionamento. E minha lerdeza e deficiência teórica
pra rapidez que a dinâmica da luta de classes e nosso precário
funcionamento exige.

Concordo com algumas das ponderações do Daniel. Não ao que  diz respeito ao
PSTU, pois estou quase os colocando pra base que são farinha do mesmo saco
da CUT. São inimigos dos trabalhadores! São burocratas! São neo Stalinistas!

Acho que um problema crucial é a fragmentação da esquerda. Fiquei pensando
no dia do preto (22/11) e vejo que cada um atira pra um lado, tem suas
prioridades e tal. Nesse sentido, tb fico preocupado com as forças que
podemos no unir (MR? LER? PCO? POR?...)

Gostaria de uma atuação incisiva e contundente na base de SP em bancos
privados pra tentar quebrar as pernas da burocracia da CUT e seus satélites
(CONLUTAS, CTB, INTERSINDICAL...) e fazer uma campanha diferente, pela base
e com outros lutadores e apontando pra unificação das diferentes categorias
(e foda-se de que central são ou se são anarquisrtas!). Os privados são 70
a 80% da base daqui, né?!

Como questão geral é levar a base se conscientizar de seu papel fundamental
pra superar os burocratas das centrais sindicais (CUT, CONLUTAS...) que
foram freio pras lutas em 2012 e serão em 2013.

Questões como as 6  horas, do jeito que vem sendo colocada, me parece luta
parcial e tem que ser tratada como tal.


Em 29 de novembro de 2012 21:36, Márcio Cardoso
<marciocarsi em yahoo.com.br>escreveu:

> Prezados camaradas.
>
> Jamais, jamais devemos esconder e/ou mentir para a base. O mal
> funcionamento da Frente também se reflete em nossas atuações. O atraso da
> apresentação do documento, ao qual dei causa, esteve pronto de domingo para
> segunda, foi prorrogado para quarta depois, prorrogado para quinta....a
> noite. Vou me esmerar em adicionar as partes apresentadas pelo Messias...de
> forma que apresentaremos o documento na sexta, véspera do encontro...de
> surpresa. Mas isso foi por culpa do mal funcionamento nosso... E por nossa
> culpa vamos escamotear os graves erros da Frente? Nós militamos para quê e
> para quem? Militamos para transformar este amontoado de pessoas que
> trabalham lado a lado da gente em sujeito consciente ativo e histórico na
> mudança da realidade, ou para a conveniência de grupos ou correntes? E
> mais, se o companheiro tem entendimentos diverso no que concerne ao papel
> do spread bancário, pq o companheiro não sistematizou uma contribuição?
> Vamos ficar paralisados , de novo, por causa do mal funcionamento nosso?
> Quantos 14 mil panfletos teremos que pagar para queimar para aprender que
> decisão de organismo regular se cumpre e depois fazemos o balanço, e não
> ficar hesitando em atuar para "não ficarmos mal com a base", ou qualquer
> coisa do tipo?
>
> Eu vou jantar, depois vou finalizar o documento. Os companheiros tem até o
> final da data de hoje para se manifestar se apresentaremos a nossa
> contribuição, conforme discutido e determinado em reunião regular do
> coletivo, ou se será uma apresentação apenas individual, minha, ou de mais
> alguém  do coletivo.
>
> Messias, gentileza nos informar se está confirmada a reunião do coletivo
> para Terça, dia 04/12.
>
> Um forte abraço.
>
> Márcio
>
>
>
> Acesse www.espacosocialista.org
>
>
> Em 29/11/2012, às 20:00, Utopia <utopia_s em yahoo.com.br> escreveu:
>
> Olá a tod em s!
> As preocupações do Daniel quanto ao efeito que deverá causar o documento
> no conjunto da provável plenária do Encontro são sem dúvida pertinentes.  O
> problema é que se não se discute o que nos angustia quanto ao processo de
> construção da Frente, seu regime de funcionamento enviesado, suas decisões
> de cúpula, suas contradições na politica, seus problemas de aplicações que
> se chocam frontalmente com a concepção que defende em tese, etc, num
> Encontro Nacional, quando o faremos? A própria explanação do Camarada
> Daniel quanto à situação da categoria, e  da classe, os ataques, a
> aplicação do projeto de poder de um PT (e satélites) cada dia mais
> despudorado, corrompido, degenerado,  expõe claramente a complexidade da
> tarefa que temos à nossa frente.. Acoplado a isto tudo, o aprofundamento da
> crise na Europa, EUA e Japão e sua chegada nas terras de Pindorama, o
> endividamento das famílias, o esgotamento próximo do paliativo consumista,
> a flexibilização maior das conquistas da classe, etc, nos coloca na
> necessidade de melhorarmos a qualidade de nossa intervenção.  E Camaradas,
> atuar junto com a FNOB até o momento nos armou muito pouco pra enfrentar
> tal magnitude de dificuldades não apenas no que se refere à nossa
> categoria, mas também no que se refere ao conjunto da classe.
> Por  outro lado de nada nos serve a pecha de "desconstrutores" do projeto.
> E também em nada contribui implodir a Frente. Mas também seguir na mesma
> dinâmica não dá. Se o temor de afastar o pessoal de base que deverá
> comparecer (assim esperamos) ao forçarmos o debate no tom do documento, é
> risco a não ser experimentado neste momento, é necessário porém que TODA a
> Coordenação nominal da Frente saiba exatamente qual é a nossa posição e
> nossa disposição.  Não dá pra continuarmos empurrando com a barriga e
> deixar os comp em s agirem como se estivesse tudo bem e continuarmos
> alimentando de forma (conivente) esta dinâmica movimentista/eleitoreira,
> sem nos construirmos de fato pela base, a partir dos locais de trabalho. E
> mais, não dá pra não debatermos seriamente neste Encontro (ainda que de
> forma preliminar), um Projeto de Construção minimamente digno deste nome,
> principalmente para SP, RJ e demais centros onde a categoria em privados é
> esmagadoramente majoritária.  Se não podemos tratar todo este temário que
> envolve o nosso conjunto de críticas (e auto-críticas) de forma mais
> aprofundada e deliberatória neste momento, há que se pautá-lo de forma
> consequente, sem mais delongas e postergamentos.  Temos que sair de Poa com
> este compromisso firmado, sob o risco de nos perdermos na Politica no
> próximo período.
> Valeu Camaradas!
> Messias.
>
>
> --- Em *qui, 29/11/12, Daniel <tzitzimitl em terra.com.br>* escreveu:
>
>
> De: Daniel <tzitzimitl em terra.com.br>
> Assunto: sobre o encontro de porto alegre
> Para: bancariosdebase em lists.aktivix.org, sandrarbastos em bol.com.br,
> tzitzimitl em terra.com.br, marciocarsi em yahoo.com.br,
> israelfernandezjr em gmail.com, utopia_s em yahoo.com.br, rosana.ros em gmail.com,
> "bdbase lista" <bancariosdebase em lists.aktivix.org>
> Data: Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012, 18:48
>
>
>
> Olá compas
>
>
>  Peço desculpas pela minha ausência nas duas últimas reuniões do
> coletivo. Doença e outros problemas particulares me impediram de participar
> dos debates relativos ao Encontro da FNOB, para o qual serei um dos
> representantes, o que é um problema grave.
>
>
>  Sei do esforço dos companheiros para elaborar um documento para o
> Encontro, em meio a tantas tarefas no movimento, em especial
> considerando-se que as outras correntes nos deixaram praticamente sozinhos
> num momento extremamente difícil do pós-greve e no dia 22.
>
>
>  Em que pese tudo isso, preciso apresentar as divergências que tenho em
> relação ao documento que está sendo preparado e ao conjunto da intervenção
> projetada para o Encontro.
>
>
>  Precisamos levar em consideração o fato de que os organismos da Frente,
> que não funcionaram ao longo do ano e da campanha salarial, também não
> funcionaram na preparação do Encontro. Não tivemos nem reuniões de
> coordenação, nem debates em lista de e-mail. Dessa forma, isso nos deixa
> com um problema no que se refere a como apresentar um documento que contém
> críticas justas, porém pesadas, ao funcionamento da Frente e aponta as
> fragilidades da sua construção. Não estamos num cenário ideal, em que
> houvesse um debate prévio e se pudesse tomar conhecimento das críticas e
> contribuições de parte a parte, estamos numa situação em que os debates
> estão truncados e é preciso ser cuidadoso com a forma como as idéias são
> apresentadas.
>
>
>  Se apresentamos o texto proposto como um documento público, circulando
> abertamente na internet e em listas de contatos pessoais (como tem sido até
> agora), o MNOB-PSTU pode fazer um uso extremamente destrutivo dessas
> críticas. Nosso documento aponta, por exemplo, que ANBERR, AFBNB, SEEB-MA,
> Oposição da Bahia, Distrito Federal, União Coletivo Sindical (UCS) e
> Associação dos Funcionários do Banco do Estado da Amazônia (AEBA) não estão
> construindo a FNOB. Logo, isso vai entregar de bandeja para o PSTU o quanto
> a FNOB é uma construção precária ou até mesmo artificial tocada por RS, RN
> e SP, e vai dar munição para que o PSTU assedie as demais entidades,
> mostrando que RS, RN e SP mandam na FNOB sem consultá-las, que são
> burocráticos, que não tem base, etc., e que portanto o MNOB Conlutas é uma
> alternativa mais plausível e estruturada. Ou seja, um documento público no
> teor do que está sendo apresentado seria um tiro no pé em termos de
> construção.
>
>
>  Ainda que o documento esteja correto nas afirmações que faz, não estamos
> sozinhos no movimento, existem outras correntes disputando politicamente a
> direção da oposição. E não estamos num mundo ideal, em que as outras
> correntes agem de forma correta, pois os métodos da disputa política são
> desleais e destrutivos. Aquilo que apresentamos com a intenção de construir
> pode sair pela culatra e ajudar a destruir. Por isso, defendo que o
> documento de balanço tenha circulação restrita, limitada aos representantes
> da coordenação ou de cada um dos coletivos (que são na verdade os
> responsáveis pelo estado de paralisia e não funcionamento da FNOB). Minha
> proposta é de que esse documento seja enviado apenas para os e-mails desse
> grupo restrito, com a ressalva de que não deve ser divulgado amplamente.
>
>
>  É também uma questão de lealdade apresentar aos representantes de cada
> coletivo as críticas que fazemos, para que saibam o que pensamos, antes de
> apresentá-las diretamente no Encontro. Repito, não houve tempo hábil nem
> debate prévio para que essas críticas pudessem ser debatidas previamente e
> assimiladas. Sem esse tempo, elas podem dar origem a mal entendidos, mal
> estar e desconfiança, atrapalhando o andamento do Encontro. Por isso não se
> pode apresentá-las de surpresa diretamente no Encontro, e sim previamente e
> de maneira restrita.
>
>
>  Além disso, precisamos ter uma caracterização de como será o Encontro. A
> proposta é de um Encontro de dois dias, sendo que para o primeiro dia a
> proposta de pauta apresentada contém um ponto sobre conjuntura e situação
> da categoria, um balanço da campanha salarial e um debate sobre as tarefas
> de 2013, entre elas as eleições em que a FNOB poderá estar envolvida. A
> proposta de pauta para o segundo dia é a de organização da FNOB. Dada essa
> configuração, podemos contar com a possibilidade de que o Encontro tenha um
> público maior no primeiro dia, composto por bancários da base de Porto
> Alegre, e um público menor no segundo dia, composto apenas por militantes
> orgânicos dos diversos coletivos e representantes de outros estados.
> Dificilmente os convidados da base de Porto Alegre, sendo trabalhadores
> comuns e não militantes organizados, participarão dos dois dias. Levando em
> conta essa pauta e composição do Encontro, é mais adequado apresentar o
> documento de balanço em cópias impressas no segundo dia, e não no primeiro.
> Precisamos nos colocar no lugar de um trabalhador de base que é convidado
> para um Encontro para discutir possibilidades de organização para lutar por
> melhores salários e condições de trabalho, e se depara com um debate que
> gira em torno de críticas pesadas que igualam essa possibilidade de
> organização a outras tentativas frustradas do passado. O que esse
> trabalhador vai pensar? Por isso a minha proposta é de que seja feita uma
> avaliação da composição do público antes de distribuir esse documento, e
> dependendo da proporção de militantes orgânicos e de trabalhadores de base
> presentes, ele somente seja distribuído no segundo dia.
>
>
>  Outro ponto se refere à situação da categoria. Não acho que a queda do
> spread bancário seja a principal questão colocada hoje para a categoria.
> Esse é um dos elementos da política econômica do governo, da política dos
> bancos, que atua como um pano de fundo. Mas essa discussão é genérica e
> abstrata, não responde ao imediato. No imediato, estamos passando por uma
> brutal repressão aos ativistas no pós-greve, por uma nova reestruturação no
> BB, com o fechamento de centros no nordeste, por uma tentativa de enterrar
> a luta pela 7º e 8º horas por meio de um acordo que provavelmente será
> aprovado em uma assembléia espúria “na calada da noite” (como foi feito na
> CEF há poucos anos), por boatos de um PDV via aposentadoria antecipada
> também no BB. Todas essas questões estão relacionadas ao projeto geral de
> implantar uma gestão privada nos bancos, mantendo porém o controle estatal,
> uma vez que o estado está nas mãos da burocracia do PT, que tem como
> interesse primordial se manter no poder. A burocracia petista, por meio de
> seus agentes no movimento sindical, tenta iludir os trabalhadores dos
> bancos públicos por meio de um discurso demagógico e populista de que a
> política do governo do PT é boa para o crescimento do país e o conjunto dos
> trabalhadores, por isso nós bancários devemos “vestir a camisa” desse
> projeto. Contra esse discurso, precisamos mostrar que a política do PT não
> é boa nem para o conjunto dos trabalhadores, nem para os bancários,
> discutindo globalmente os elementos desse projeto.
>
>
>  Por fim, também não acho que a principal política para enfrentar essa
> situação seja a edição de novas cartilhas e o trabalho com esse material.
> Uma política de propaganda e formação deve ser uma atividade permanente,
> mas não pode ser nem a principal nem a única. É preciso ter campanhas
> concretas voltadas para questões imediatas, como a 7º e 8º horas no BB,
> para mobilizar os trabalhadores, e em seguida organizá-los por meio de
> propaganda e formação.
>
>
>  Portanto, minha proposta é de que as intervenções em nome do Bancários
> de Base – SP no Encontro contemplem também a questão da queda do spread
> bancário e a necessidade de políticas de propaganda e formação, mas que
> essa não seja a principal ou o único eixo, e sim parte de uma política que
> abranja globalmente o projeto que está sendo implantado nos bancos, sua
> relação com o projeto geral do PT, e seus aspectos concretos, como as
> demissões, o assédio moral, autoritarismo, perseguição aos ativistas,
> retirada de direitos como a jornada de 6 hs, etc.
>
>
>  Peço mais uma vez desculpas a todos pelo atraso em me manifestar sobre
> esse ponto.
>
>
>  Daniel
>
>
>
> _________________________________________
> “So, understand! You waste your time always searching for those wasted
> years!
> Face up! Make your stand! And realize your living in the golden years!”
>
> “Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles anos
> perdidos!
> Encare! Tome uma posição! E perceba que você está vivendo nos anos
> dourados!”
>
> Iron Maiden, “Wasted Years”
> _________________________________________
>
>
>


Mais detalhes sobre a lista de discussão Bancariosdebase