[Bancariosdebase] greve e campanha da CIPA
Israel Fernandez Junior
israelfernandezjr em gmail.com
Quarta Setembro 19 01:18:25 UTC 2012
Boa noite companheiros!
Não é fácil a tarefa de exercitar ser humano. O patrão nos enxerga com
parafuso que quando espana troca. A burocracia traidora nos vê como gado
para sustentar suas mordomias em parceria com os patrões e contra nós. E a
burguesia como classe dominante das relações como um todo no mundo, nos
oprime de todas as formas que conhecemos e mais um monte que estão pra ser
colocadas em práticas na falha de uma das que estão em vigor.
Quando somos homens, brancos e gozamos de boa saúde, a pancada que sofremos
dos opressores dói muito e deixa marcas profundas. Há reflexos nas pessoas
ao nosso redor e principalmente em nossos amigos e familiares.
A companheira Rosana deve sofrer muito mais que eu na sua condição de
trabalhadora, mulher, negra e mãe.
Estou habituado ao trabalho de militância numa concentração de banco
público, onde as condições de trabalho, fruto das coquistas dos bancários,
são muito melhores que dos bancos privados. Podemos botar o dedo na cara da
alta gerência, discutir com eles em voz alta e desafiadora no meio do
setor. Parece que em privados a coisa é bem diferente dessa realidade, mas
acredito que na Cidade de Deus, grande concentração de bancários privados,
as condições possam ser melhores que a dos mesmos bancários que trabalham
em agências. Ainda que sejam péssimas.
Não sei as motivações que levaram a companheira Rosana a tal postura de
furar a greve, que é muito grave na minha opinião. Ouvi mais de uma vez na
base, de pessoas lutadoras, que tinham vontade de furar greve para quebrar
o roteiro montado pelo sindicato cutista e seus sócios minoritários (PSOL,
PSTU, PCOdoB)
tal é o alcance da traição dos pelegos. O fato de ser minoritária
e recebendo bordoada dos traidores há tanto tempo deve estar doendo muito.
A energia que já não é a mesma de quando éramos jovens sonhadores. E todas
as coisas que fazem bem pro ser humano (amor, sexo, carinho etc) que nem
sempre é equilibrado na vida militante. Só posso fazer suposições porque
não tive a oportunidade de aprofundar essas questões com a companheira e
apenas ouço as pessoas que convivem com ela há muito mais tempo. Gostaria
de ouvir um balanço da Rosana pra ver se há algum erro que o coletivo
cometeu ou algo que não foi contemplado na sua visão, para que possamos nos
aprimorar ou pelo menos tomar consciência, mesmo que não consigamos
resolver nesse momento.
Ouso projetar um raciocínio. Se as relações de trabalho são como descrevem
todos, que a demissão é algo muito presente pela trajetória de luta da
companheira, o isolamento vai levá-la a uma encruzilhada em que a escolha
possível seja o oposto da luta de sua vida toda. Cair nos braços dos
traidores como forma de manter seus sustento, seu emprego. Se submeter com
pouco poder de argumentação a ações que vão no sentido contrário que sempre
esteve acostumada a agir. Acredito que somos como toda as formas de vida
vitoriosa no planeta. Nosso poder de adaptação é imenso e por isso, mais
cedo ou mais tarde se acostumaria a essa suposição que descrevo.
Particularmente estava ansioso por poder construir um projeto, que fala o
Daniel, de construção de algo sistemático e intenso na Cidade de Deus.
Pelos motivos que citei, as questões relacionadas as mulheres, negros além
daquela habituais no enfrentamento com os capitalistas. Conhecer e poder
interferir melhor na realidade dos bancários privados. Isso ficou um pouco
mais difícil, mas não impossível. Caso se confirme a tendência da
companheira, não acho que nossa postura seja de jogá-la ao ostracismo e
esquecer sua trajetória de luta. Mas acho que ela mesmo pode chegar a
conclusão da precariedade de atuação por sermos minoritários e como isso
vai dificultar mais ainda as coisas.
Acho que uma coisa dessa importância sempre sinaliza algo que devamos atuar
pra revertar possível tendência negativa em nossa atuação. Precisamos
descobrir o que é. Não tenho clareza ainda e espero que os companheiros
ajudem a esclarecer as coisas com debate franco e aberto.
Ando otimista e acho que vivemos uma época crítica de agudização das lutas
e essa crise da companheira está dentro dessa lógica. Acredito em
conquistas da classe trabalhadora, não sem muitas crises e problemas e
principalmente, com muito suor, lágrimas e lutas. Por isso acredito na
companheira Rosana.
Em 18 de setembro de 2012 18:11, Márcio Cardoso
<marciocarsi em yahoo.com.br>escreveu:
> Camaradas.
>
> Além de concordar em tudo com o que o companheiro Daniel apresentou. CASO
> ELA VOLTE A RESPEITAR A DECISÃO DE ASSEMBLEIA, QUE ELA EMITA UM DOCUMENTO
> PUBLICO ADMITINDO O ERRO E CONCLAMANDO OS BANCÁRIOS PARA PARTICIPAR DA
> GREVE. Com isso, poderíamos continuar nos diferenciando das oposicoes e da
> situação.
>
> Também sou pelo veto de apoio a campanha da companheira para eleicao da
> CIPA caso persista no erro de furar greve. Mas isso nao nos exime de
> participar do processo enquanto BDB, nem de defende-la da (praticamente)
> inevitável demissão.
>
> Lastimável o método e a decisão da companheira.
>
> Márcio.
>
>
> Enviado via iPad
>
> Em 18/09/2012, às 17:18, Daniel <tzitzimitl em terra.com.br> escreveu:
>
>
>
> Apresento a segui a minha posição a respeito da decisão da companheira
> Rosana de não aderir à greve este ano.
>
>
> Essa decisão, a meu ver, contém uma série de problemas.
>
>
> 1. Em primeiro lugar, um problema de método, por não ter sido comunicada
> em reunião do coletivo. A reunião é o espaço onde os integrantes do
> coletivo podem apresentar suas posições, para convencer ou ser convencido
> pelos outros. E a reunião é que dá o encaminhamento em caso de divergências
> que permaneçam. Ao não apresentar a sua decisão em reunião, a companheira
> não nos deu a oportunidade de convencê-la e nem de sermos convencidos de
> que ela está correta. Sem essa oportunidade de convencimento, fica
> impossível tomarmos decisões enquanto coletivo. Vai cada um para um lado.
>
>
> 2. Essa decisão compromete a campanha para a CIPA em dezembro. Os
> candidatos da Articulação, da Intersindical e até o MNOB/Conlutas podem
> “queimar” a campanha da companheira com a alegação de que furou greve.
> Evidentemente, sabemos que os próprios diretores e cipeiros da Articulação
> e da Intersindical são fura greves. Entretanto, eles são eles e nós somos
> nós. Como diz o ditado, “a mulher de César não basta apenas ser honesta,
> precisa parecer honesta.” Os candidatos da Articulação e da Intersindical
> não tem qualquer tipo de ética, escrúpulos ou método, e são cínicos o
> suficente para apontar o dedo para a companheira por não fazer greve. Mesmo
> que eles próprios também não tenham feito. Como todos os partidos fazem em
> época de eleição, acusam os outros partidos de serem corruptos, mesmo que
> eles próprios também sejam corruptos. Quando se trata de disputa de
> aparato, os burocratas não tem limites na sua desfaçatez.
>
>
> 3. A decisão também inviabiliza a nossa própria campanha enquanto
> oposição aos candidatos da diretoria do sindicato (Articulação e
> Intersindical). Um dos nossos principais trunfos seria justamente o balanço
> da atuação deles na greve, ou seja, o fato de furarem greve, como
> demonstração de que não enfrentam a empresa. Se a nossa candidata também
> fura greve, não temos como fazer diferenciação alguma. Não há como
> introduzir nenhuma discussão de projeto, a votação vai ficar restrita à
> individualidade deste ou daquele candidato.
>
>
> 4. Sem diferenciação com a Articulação e sem vínculo a um projeto
> coletivo, não vejo como viabilizar o operativo sobre o qual conversamos
> coletivamente, de apoio político, militante e financeiro à campanha da
> CIPA, por parte dos coletivos que compõem a FNOB. Não há como pedirmos
> apoio a eles. Por fim, para ir direto ao ponto, não vejo como o próprio
> Coletivo Bancários de Base possa fazer a campanha sem a adesão à greve. E
> eu mesmo, individualmente, me vejo impedido de ajudar na campanha sem a
> adesão da companheira à greve. Isso compromete todo o projeto.
>
>
> Espero que a companheira reconsidere e faça a greve nos próximos dias.
>
>
> O fato de furar a greve não vai fazer com que pare a perseguição da
> empresa nem a ameaça de demissão. O Bradesco vai demitir a companheira,
> idependentemente de fazer greve ou não, por todo o histórico de luta que já
> teve. A única garantia contra a demissão é o mandato da CIPA. E sem a
> adesão à greve a campanha para a CIPA fica inviabilizada.
>
>
> Não se trata de exigir de ninguém que seja super homem ou super mulher,
> nem super militante. Todos sabemos das consequências de nos colocarmos
> contra a empresa. Eu já sobrevivi a três processos administrativos e não
> sei quando virá o próximo. O companheiro Messias está enfrentando um
> processo exatamente agora, no momento da greve. A única defesa que temos é
> a ação coletiva e organizada.
>
>
> É uma pena que a companheira tenha optado por ficar isolada.
>
>
> Daniel
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>
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> “So, understand! You waste your time always searching for those wasted
> years!
> Face up! Make your stand! And realize your living in the golden years!”
>
> “Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles anos
> perdidos!
> Encare! Tome uma posição! E perceba que você está vivendo nos anos
> dourados!”
>
> Iron Maiden, “Wasted Years”
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