[Bancariosdebase] reflexão sobre a luta contra o plano do BB e a FNOB

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Sexta Março 15 03:26:08 UTC 2013


  Olá compas do Bancários de Base
 Segue uma reflexão sobre a luta contra o plano do BB. A proposta é
aprovarmos entre nós o quanto antes para enviar como posição do
coletivo para a lista da FNOB.
 Daniel
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 “So, understand! You waste your time always searching for those
wasted years! 
 Face up! Make your stand! And realize your living in the golden
years!” 
 “Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles
anos perdidos! 
 Encare! Tome uma posição! E perceba que você está vivendo nos
anos dourados!” 
 Iron Maiden, “Wasted Years” 
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	Estamos escrevendo para fazer um chamado à reflexão sobre a luta
contra o plano de funções no Banco do Brasil. 
	Este plano é o ataque mais sério aos trabalhadores do BB desde
1998, quando foram criados os funcionários “genéricos”, sem
anuênio, sem licença-prêmio, etc., que hoje já são maioria. É
maior até do qua a reestruturação de 2007, que fechou departamentos
por todo o país, reduziu o número de caixas, aposentou milhares de
colegas, etc. 
	Por meio deste ataque, o BB pretende fazer mais uma reestruturação
corporativa, e também reduzir o seu passivo trabalhista. O BB tem
mais de 100 mil funcionários no país e destes há cerca de 20 mil
que, sem ter cargo de gerência, estavam cumprindo jornada de 8 horas,
na função de assistentes ou analistas. Muitos desses funcionários
estavam ganhando ações na justiça pelo pagamento da 7ª e 8ª
horas, já que a jornada legal dos bancários é de 6 horas. Para
evitar uma avalanche de ações judiciais, o BB lançou um plano que
muda a nomenclatura das funções, reduz a jornada para 6 horas, mas
com redução de ¼ do salário, sendo que para migrar para o
“novo” cargo o funcionário precisa abrir mão de entrar na
justiça pela 7ª e 8ª horas. Ao invés disso, o BB oferece um acordo
via Comissão de Conciliação Voluntária (CCV), em que o
funcionário recebe um valor muito abaixo do que é devido (falou-se
em algo em torno de 20%). 
	O significado deste plano é que o BB reconhece que a jornada dos
bancários é de 6 horas, mas ao mesmo tempo, anuncia que não vai
pagar o que deve pelas 7ª e 8ª horas que os funcionários vinham
trabalhando nos últimos anos. Ou seja, o BB disse: “devo, não nego
e não vou pagar”. O BB tentou pegar os funcionários de surpresa,
impondo um prazo de poucos dias, no final de janeiro de 2013, para a
assinatura do termo de migração, com a ameaça de que quem não
assinasse perderia o cargo. De imediato, houve grande desorientação
no funcionalismo e algumas medidas judiciais de emergência, com
liminares que suspenderam a aplicação do plano e dos termos de
migração. Mas o fato decisivo é que apenas uma pequena minoria,
pouco mais de 10% do público alvo, assinou o termo de migração. 
	Os funcionários se sentiram muito desrespeitados com a forma como o
plano foi imposto. Assim, o movimento sindical, dirigido pela
Articulação, precisou tomar alguma atitude. O plano não poderia
simplesmente ser imposto goela abaixo, sem que o movimento sindical
minimamente parecesse fazer alguma coisa a respeito, sem que ao menos
fingisse que estava organizando alguma resistência. Não poderia
ficar tão escancarado o fato de que a Articulação, a direção do
BB e o governo federal na verdade são uma só e mesma coisa, ou seja,
o PT. É preciso fazer de conta que são diferentes, por isso a
Articulação foi forçada a marcar plenárias e assembleias para
discutir o plano. E esse momento, entre a hesitação do funcionalismo
para aderir ao plano e a encenação da Articulação de um movimento
para resistir ao plano, as oposições tentaram organizar um movimento
real de resistência. 
	Isso se deu particularmente em São Paulo, que concentra um grande
número de funcionários que estavam com jornada de 8 horas. Ao
contrário dos demais estados, em que há 3 ou 4 funcionários de 8
horas em cada agência, em São Paulo há concentrações com centenas
e milhares desses funcionários. É justamente nesses complexos que
está concentrada a militância das correntes de oposição. Foi a
partir dessa base que as oposições venceram a assembleia de 25/02 e
aprovaram um calendário de luta. O calendário original da
Articulação previa apenas um “dia de luta” para 20/03, sem a
sinalização inequívoca de uma paralisação, e outro para 24/04. Ao
invés disso, foi aprovado: paralisação de 1 hora na quinta-feira
27/02, nova assembleia na terça-feira seguinte 05/03 e paralisação
de 24 horas na quinta-feira dia 07/03.  
	Aprovado esse calendário, partimos então para a paralisação. O
movimento esteve restrito aos complexos e algumas agências maiores,
próximas ao centro. Na maior parte da rede a paralisação foi zero.
Em agência em que há trabalho do Coletivo Bancários de Base havia
disposição para parar, mas se trata de uma ilha de organização em
meio a um oceano de paralisia, em que não há nenhum tipo de
militância. Nos complexos, houve desigualdades, pois o sindicato
jogou maior peso e obteve maior paralisação no prédio da rua São
Bento. Na Verbo Divino e no SAC, em que temos militantes do Coletivo
Bancários de Base, ao contrário, o sindicato não deslocou quase
nenhum efetivo, e a paralisação foi mais difícil. Muitos
trabalhadores chamaram a polícia para quebrar o piquete e entrar para
trabalhar. A Articulação montou um piquete estilo “queijo
suíço”, com gerentes entrando e saindo para fazer “reuniões”
do lado de fora e chamar os trabalhadores para entrar. Tivemos que nos
esforçar para “moralizar” o piquete, mas foi algo como enxugar
gelo. A adesão média foi de 60% a 70%. 
	A dificuldade da paralisação se deve ao histórico das últimas
greves, especialmente a de 2012, que multiplicou o ódio aos diretores
do sindicato, que já era grande. A Articulação não faz qualquer
tipo de trabalho de organização, não tem atuação ao longo do ano,
não aparece na base, não realiza nenhum tipo de enfrentamento
cotidiano, não reúne os delegados sindicais, etc., e portanto não
tem reconhecimento. Na época das campanhas salariais, não coloca em
discussão a nossa verdadeira pauta, realiza uma greve de fachada,
não abre qualquer espaço nas assembleias para discutir a
organização da greve e assina um acordo rebaixado para encerrar a
greve. Como se não bastasse, esses acordos abrem a brecha para a
compensação das horas, que em 2012 foram impostas mediante um
operativo terrorista do BB, com ameaça de processo administrativo. O
sindicato permaneceu silencioso diante desse ataque, abandonando os
grevistas ao assédio. Todo esse histórico levou a que muitos
trabalhadores brigassem para passar pelo piquete dizendo que “não
faz mais greve para esse sindicato”. 
	Teremos um duro trabalho pela frente para explicar aos trabalhadores
que a greve perecisa ser feita apesar da direção do sindicato. A
cada ano é menor o número de bancários que concorda com isso e
maior o dos que preferem furar greve por ódio ao sindicato. Nunca é
demais insistir nesse ponto, pois os companheiros do restante do país
dificilmente podem imaginar o que é uma campanha salarial
(des)organizada pela Articulação e o grau de revolta (justificada)
que isso gera nos trabalhadores. Somente nós, que somos militantes
convencidos da necessidade de uma revolução, algo muito maior que
uma greve, temos persistência para continuar. Os trabalhadores
“normais” não têm e buscam saídas individuais, desde furar a
greve, tentar fazer carreira até, na melhor das hipóteses, fazer
greve de pijama. 
	O fato é que a paralisação ainda assim aconteceu e pode ser
considerada forte nos complexos, mas inexistente nas agências.
Passado esse momento, a questão passa a ser a continuidade da luta.
Não está claro se a Articulação vai manter o seu dia de luta de 20
de março, conforme o seu calendário nacional. A proposta de
paralisação em 07/03 foi um acréscimo na proposta original da
Articulação, portanto o 20/03 formalmente deveria ser mantido. Ainda
assim, mesmo que haja um dia de luta em 20/03, não está claro como
será esse dia. Não se sabe se haverá paralisação nem muito menos
se haverá assembleia para organizar essa paralisação. Em outras
palavras, nós e o MNOB, enquanto oposição, tivemos força para
arrancar uma assembleia em 25/02 e uma paralisação em 07/03, mas
não arrancamos um verdadeiro plano de luta. Não temos nenhuma
indicação de paralisação, nem muito menos uma sinalização de uma
greve nacional por tempo indeterminado no BB, única medida capaz de
realmente barrar o plano.  
	Nessas condições, estamos limitados a fazer críticas à
Articulação. Podemos criticá-los por isolar a luta de São Paulo do
restante do país. Afinal, a Articulação dirige 80% dos sindicatos
de bancários do país. Quando se trata de encerrar uma campanha
salarial, a assembleia de São Paulo é decisiva, já que, quando a
proposta é aprovada em São Paulo, dificilmente se mantém a greve em
alguma outra localidade. Inversamente, porém, quando se trata de
impulsionar uma luta como a do BB, o peso de São Paulo não vale
nada, já que a Articulação não levou o calendário aprovado em
São Paulo para o restante do país. O sindicato de São Paulo teria
peso para isso, mas não usou esse peso para mudar o calendário da
Contraf. Não houve nenhuma paralisação em outro estado. 
	Podemos portanto fazer essa cobrança à Articulação. Entretanto,
na verdade não podemos, pois a Articulação pode nos devolver a
seguinte pergunta: “se vocês querem mobilização, porque não
fazem nos sindicatos dirigidos pela oposição?" Na verdade, não só
a Articulação pode fazer essa pergunta, como fez muito pior,
informou na assembleia que o sindicato do RN havia aprovado a CCV.
Não tivemos a oportunidade de dizer que a diretoria do RN defendeu
contra a CCV, pois, como nunca é demais lembrar, conseguimos fazer no
máximo uma fala na assembleia, e temos que usar essa única fala para
se concentrar na defesa de uma proposta, enquanto que a Articulação
usa o microfone quantas vezes quiser, para contar as mentiras (e
verdades) que quiser. 
	O fato é que o informe da Articulação desmoralizou qualquer
pretensão da oposição de se mostrar como mais combativa. Como é
que podemos cobrar da Articulação que faça uma mobilização
nacional, que tenha um calendário mais avançado, que faça uma ampla
campanha na base contra o plano, se nos sindicatos dirigidos pela
oposição isso não acontece? Com que moral podemos fazer essa
cobrança, se nos sindicatos dirigidos pela oposição, não fazemos a
lição de casa? Nós militantes sabemos que há diferenças entre
São Paulo e as outras bases, que nas outras bases não há
concentrações, que os funcionários estão dispersos em agências,
etc. Podemos fazer a seguinte leitura da situação: a base de São
Paulo queria lutar contra o plano, mas a direção do sindicato era
contra; a direção do RN queria lutar contra o plano, mas a base era
contra. Mas os trabalhadores da nossa base não têm essa
contextualização. Quando a Articulação fala que o sindicato do RN
aprovou a CCV, nós aqui caímos no ridículo. 
	Sabemos que o fator decisivo para derrotar o plano seria uma ampla
mobilização da base, que levasse a uma greve nacional por tempo
indeterminado no BB. Não existe por enquanto essa mobilização. Por
mais que não tenha gostado do plano, a base não enxerga outra
alternativa. A demora da base para assinar o termo de migração, mais
do que uma verdadeira consciência do quanto o plano é nefasto, na
verdade se explica pelo fato de que a base está especulando,
esperando que surja uma oferta do BB, uma compensação financeira
imediata (que será sempre muito inferior ao total devido pela 7ª e
8ª horas), para assinar o termo. Mais do que acreditar na luta
coletiva organizada, a base protesta silencionamente esperando uma
oferta para melhorar o plano, que é dado como certa. 
	Enquanto a base espera e a Articulação não mobiliza, a oposição
teria a chance de se apresentar como alternativa. Entretanto, isso
não aconteceu. Nem o MNOB nem nós da FNOB conseguimos construir uma
luta alternativa contra o plano. Não podemos responder pelas outras
correntes, pois, ainda que possamos criticá-los por não ter feito
nada (e aí se incluem a Intersindical e a CTB, que também dirigem
sindicatos), o fundamental era que nós fizéssemos a lição de casa,
o que não aconteceu. Ainda que a mobilização sozinha nas nossas
bases não fosse suficiente para derrotar o plano, ela tinha que ser
feita, para servir como referência, servir como exemplo, como modelo
a ser defendido para que outras bases adotem. Isso não foi feito e
perdemos uma grande chance.  
	Precisamos fazer um balanço muito sério desse processo. No momento
em que estava em curso uma tentativa de luta contra o plano do BB, a
principal atividade da FNOB foi a disputa da eleição no DF. No nosso
entendimento, isso foi um erro de avaliação e de prioridade. Não
podemos ser apenas mais um rótulo, mais um logotipo, mais uma sigla
para disputar eleições nas entidades. Temos que ser uma diferença
real em termos de programa, de método e de atuação. O ataque no BB
tinha abrangência nacional e precisava de uma resposta nacional.
Além de ser um erro de tática, priorizar a eleição sindical foi
também um erro de método. A FNOB não teve nenhum tipo de
funcionamento orgânico nos últimos meses. Não tivemos reuniões de
coordenação, não tivemos trocas de mensagens, informes e propostas
via lista de e-mail. Temos tido algumas conversas telefônicas com
companheiros em outros estados, mas isso não pode ser um método
rotineiro de funcionamento, nem muito menos o único funcionamento! É
claro que os representantes da FNOB em bases diferentes podem e até
devem conversar entre si, o problema é quando essas conversas é tudo
o que existe, e nada fica registrado, nem é divulgado para
conhecimento de outras bases, para que possam se posicionar e
contribuir. As mensagens são enviadas para a lista da FNOB, mas são
solemenente ignoradas. Enviamos informes das atividades em São Paulo,
pedimos informes do andamento das tarefas, enviamos uma mensagem sobre
o calendário de luta no BB, mas não houve nenhuma resposta de
nenhuma parte. É como se estivéssemos militando em planetas
diferentes, e não na mesma categoria! 
	Até onde sabemos, nem sequer cumprimos a maior parte das
resoluções do Encontro de Porto Alegre. Foi dito aqui na lista que o
jornal da FNOB não foi distribuído em São Paulo, mas se trata
exatamente do contrário, não só distribuímos o jornal, como o
fizemos encartado num material de nossa autoria, bancado por nós, com
nossos parcos recursos, material que aliás foi repassado para esta
lista, tratando do combate ao plano do BB, das eleições de delegados
sindicais na nossa base e da campanha contra a demissão do
companheiro Messias. Não temos informe da distribuição do jornal da
FNOB em outras bases, por isso, até onde sabemos, para nós São
Paulo foi a única base em que o jornal foi distribuído. Pode ser que
outras bases o tenham feito, mas não estamos sabendo, e aí está um
outro problema: a comunicação. Como não temos tido reuniões de
coordenação nem repasse de informação via lista de e-mail, não
temos noção do que está sendo feito ou não. Na prática, os
problemas de comunicação e funcionamento que apontamos no Encontro
de Porto Alegre permanecem os mesmos, sem que tenha havido nenhum
avanço. É importante deixarmos claro aqui o que pensamos, para que
ninguém seja pego de surpresa com um balanço negativo no próximo
Encontro. 
	Como estamos a meio caminho do próximo Encontro, ainda há tempo
para corrigir os rumos e melhorar o funcionamento da FNOB. Ainda há
tempo para fazermos as devidas discussões, apresentarmos os informes,
superarmos os mal entendidos e a desinformação. Ainda há tempo para
retomarmos as reuniões de coordenação e para tirarmos posições
unificadas da FNOB sobre as questões. 
	A luta no BB ainda não está encerrada. Ainda está em curso o
“calendário de luta” da Articulação. Se nós não conseguimos
construir um calendário alternativo, o mínimo que podemos fazer é
acompanhar o calendário arqui-pelego da Articulação, que aponta
para um dia de luta em 20 de março. Não está claro se haverá
paralisação, nem assembleia, não há informação nem convocação.
Mas temos que cumprir o nosso papel e mobilizar a base. Do contrário,
jamais seremos alternativa. 


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