[Bancariosdebase] artigo campanha jornal
Daniel
tzitzimitl em terra.com.br
Quinta Maio 20 15:38:48 UTC 2010
Segue o rascunho do artigo para o jornal
Daniel
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Campanha salarial 2010: o que esperar?
Se depender dos dirigentes sindicais da CUT, não podemos esperar
muita coisa, pois na assembléia que escolheu os representantes de
São Paulo para o congresso do BB, disseram que será igual ao ano
anterior. Ou seja, podemos deduzir que será uma campanha fraca, com
pouca participação, pouca mobilização, muitos bancários parados,
mas uma boa parte destes ficando em casa, "de pijama", esperando a
assembléia que iria aceitar um acordo rebaixado (já previamente
acertado) para voltar ao trabalho.
Este ano, temos razões para temer que seja ainda pior, pois o
calendário está recheado por Copa do Mundo e eleições, com a
nossa campanha salarial ficando prensada entre esses dois eventos que
atraem a atenção geral. Se a campanha tivesse sido antecipada, com
reuniões nos locais de trabalho, reuniões de delegados sindicais,
plenárias regionais, plenárias por banco, assembléias, etc.; já
teríamos uma campanha difícil. Sem essa mobilização
preparatória, será mais difícil ainda.
É preciso aqui parar de tapar o sol com a peneira e dizer as coisas
como elas realmente são. Nos últimos anos, nossas greves tem sido de
fachada, nossa campanha salarial uma farsa. Apenas uma minoria
heroicamente participa dos piquetes, assembléias e luta para que a
campanha aconteça. Não estamos desmerecendo o esforço daqueles que
têm participado, pois estes estão cumprindo o seu papel, e nós
mesmos, como parte do movimento, também temos tentado cumprir a
nossa parte. Estamos constatando uma realidade: a maioria dos
bancários não se vê estimulada a participar.
Nosso dever, como participantes conscientes do movimento, é partir
da realidade como ela é para então transformá-la, apontar as
falhas e trazer propostas para que sejam superadas. O que faz com que
os trabalhadores bancários não se envolvam na campanha salarial? A
nosso ver, o problema principal está na representação. Nossos
representantes na verdade estão representando outros interesses que
não os nossos. Especialmente num ano eleitoral, os partidos, que
usurparam o controle do movimento sindical, tendem a fazer das nossas
entidades de representação um instrumento a serviço das campanhas
dos seus candidatos.
Independentemente de qual seja a opção de voto dos bancários,
somos trabalhadores e temos um patrão, com o qual precisamos
discutir questões fundamentais para nossa vida, como salário e
condições de trabalho. Para fazer essa discussão, não podemos ter
representantes que estão do lado do patrão. Precisamos, ao
contrário, de mecanismos que garantam que a nossa voz seja ouvida.
Precisamos de democracia na condução do movimento. Para isso,
precisamos mudar a forma como tem sido feitas as campanhas.
Por que não acontecem reuniões nos locais de trabalho, reuniões
de delegados sindicais, plenárias regionais, penárias por banco,
assembléias? Por que não podemos escrever para o jornal do
sindicato? Por que tudo é feito por representantes “biônicos”,
que nomeiam a si mesmos para cumprir todas as tarefas? Quando
acontecem assembléias, por que não podemos eleger a mesa que dirige
a assembléia? Por que a mesa se esconde atrás de uma parede de
brutamontes? Eles tem medo do quê? Por que os bancários não podem
falar na assembléia? Por que temos que ser espectadores passivos e
somos obrigados a ouvir um dirigente gritando no microfone? Por que
nosso papel se limita a levantar o crachá para votar nesta ou
naquela proposta? Por que não podemos participar da mesa de
negociação, elegendo um representante na assembléia? Por que não
podemos trocar os que negociam em nosso nome? O que eles tem a
esconder de nós?
Essas perguntas que fazemos já trazem consigo as respostas e as
propostas para mudar o movimento, ou seja, democracia,
participação, transparência, diversidade, independência.
O jornal que se segue foi construído nesse espírito, trazendo a
colaboração de bancários e bancárias de base, que estão no dia a
dia das agências e locais de trabalho, atendendo público, sofrendo a
pressão dos gestores, vivendo a realidade do trabalhador. Alguns tem
pouca experiência militante, outros mais, mas todos expressam nos
seus artigos a realidade, a vivência e o sentimento dos
trabalhadores. Queremos construir uma forma diferente de fazer o
movimento, através da participação real e democrática.
Essa é a proposta do coletivo Bancários de Base. Somos um grupo
ainda em construção, que busca ser a expressão real do cotidiano,
das aspirações, das necessidades e dos anseios da categoria
bancária, e também da sua disposição para mudar coletivamente a
realidade. A construção do nosso projeto terá um momento
importante neste mês de junho, quando vamos realizar nosso
Seminário Sindical e definir nossa Carta de Princípios. Visite
nosso blog, entre em contato, conheça nossas idéias e traga suas
propostas para nos ajudar a construir esse projeto.
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