[Bancariosdebase] Artigos do ES sobre enchentes, meio ambiente, trânsito, etc.
Daniel
tzitzimitl em terra.com.br
Terça Janeiro 25 10:55:12 UTC 2011
On Seg 17/01/11 18:45 , Espaço Socialista
espacosocialista em hotmail.com sent:
Companheiras e companheiros,
Encaminhamos os artigos do jornal 35 (fev/2010) que também tratavam
das mortes de trabalhadores por conta das enchentes...O problema é
antigo e a causa também...
ESPAÇO SOCIALISTA
É preciso uma explicação marxista para as recentes
manifestações (violentas) da natureza. A idéia que tem prevalecido
é a da burguesia, mas essa sempre esconde a verdade. Estamos nos
propondo a iniciar esse debate no movimento e para isso apresentamos
alguns textos à reflexão dos militantes e ativistas. Eles têm como
centro a relação do capitalismo com a natureza. Partimos do aspecto
antropológico e filosófico da relação entre trabalho alienado e
natureza. Passamos nos textos a seguir pela explicação das
conseqüências sociais dos desastres naturais e analisamos também o
problema do trânsito nas grandes metrópoles, uma das manifestações
mais irracionais do uso capitalista dos recursos.
TRABALHO ALIENADO E NATUREZA
Nem mesmo a burguesia consegue ocultar a discussão sobre os
problemas ambientais causados pelo capitalismo, pois os efeitos da
destruição da natureza já se apresentam de maneira dramática.
Enchentes, secas, descontrole das temperaturas, degelo (e aumento do
nível dos oceanos e mares), desertificação, perda da diversidade
biológica, multiplicação de vírus e bactérias mortais,
poluição, escassez de água potável, acúmulo de lixo, destruição
da camada de ozônio, etc.; não são fenômenos naturais como quer
fazer crer a burguesia e seus meios de comunicação.
Todos esses fenômenos têm relação com a exploração da natureza
em função da acumulação de capital. O trabalho é a forma
especificamente humana, social e histórica, de metabolismo com a
natureza. Cada ser humano está em relação com a natureza por meio
de seu corpo físico, cuja existência precisa ser mantida, mas essa
relação não se dá de forma imediata, pois é social e
historicamente mediada pelo trabalho. O uso de recursos naturais para
produzir alimentos, vestimentas, moradias, utensílios, etc., não é
feito separadamente por cada indivíduo, mas coletivamente por meio da
formação social da qual este indivíduo faz parte. Ou seja, o homem
somente se relaciona com a natureza indiretamente, por meio de sua
relação com os outros homens, com o meio social de onde recebe uma
cultura e no qual desempenha algum tipo de papel produtivo.
A humanidade do homem não está dada de modo imediato na realidade
histórica, ou seja, cada homem não está imediatamente unificado com
a sua humanidade, da forma como estão os animais. Cada animal é
imediatamente idêntico a sua espécie e capaz de fazer tudo que a
espécie é capaz. O homem, ao contrário, se encontra separado de sua
espécie, da sua humanidade, seu ser genérico, por conta da
condição histórica da divisão da sociedade em classes e do
trabalho alienado.
Assim que o trabalho se torna capaz de produzir um excedente em
relação às necessidades sociais, surge uma classe social que se
apropria desse excedente. Ao longo da história desenvolve-se uma luta
entre as classes proprietárias e as classes trabalhadoras pela posse
desse excedente do trabalho social. O controle do excedente do
trabalho pelas classes proprietárias transforma o trabalho numa
atividade alienada, ou seja, estranha para a maior parte dos seres
humanos. O homem se separa de seu ser genérico, sua humanidade, ao
não poder determinar o que fazer com seu tempo de trabalho e ser
forçado a trabalhar para outro. O homem se aliena da atividade do
trabalho, dos produtos do trabalho, da sua relação com os outros
homens, que aparecem todos como elementos externos e opressivos sobre
o indivíduo; e se aliena também da natureza.
Se a relação com a natureza se dá primordialmente por meio da
relação social e histórica de trabalho, o trabalho alienado leva a
uma relação alienada com a natureza. Na sociedade de classes, a
natureza se apresenta ao homem como ambiente externo e objeto
estranho, a ser controlado, dominado, usufruído e descartado,
conforme os interesses da classe dominante. A natureza deixa de ser o
“corpo inorgânico do homem”, como a definiu Marx, e se torna
propriedade privada. Na condição de propriedade privada, a natureza
pode ser usada e abusada de maneira irresponsável, pois a necessidade
coletiva é desconsiderada em detrimento dos interesses privados.
Na sociedade capitalista, que é a forma mais recente da sociedade
de classes, a natureza mais do que nunca aparece como estranha ao
homem, como puro objeto de manipulação, fonte supostamente
inesgotável de matéria-prima e repositório dócil para os infinitos
subprodutos da ação humana (lixo e poluição). O capitalismo
simplesmente ignora que a natureza não é inesgotável nem pode
suportar indefinidamente os dejetos que lhe atiramos. A lógica do
capital considera apenas o curto prazo, o balanço das empresas, a
cotação diária da bolsa de valores, e simplesmente despreza a
sobrevivência da espécie. Como disse um autorizado representante da
burguesia, o economista inglês John M. Keynes, “a longo prazo
estaremos todos mortos”.
Para restaurar o equilíbrio natural e reverter os graves danos já
causados é preciso ao mesmo tempo reverter a lógica que dirige o
emprego das forças produtivas sociais, direcionando-as para o
atendimento das necessidades humanas. É preciso estabelecer
racionalmente o que a humanidade precisa produzir e de que forma isso
pode ser produzido sem afetar a capacidade do planeta de seguir
fornecendo indefinidamente os recursos de que necessitamos. Ao invés
de produzir armas nucleares e artigos de luxo (ou seja, coisas
inúteis), o trabalho humano passaria a produzir aquilo de que os
seres humanos realmente precisam para viver. Isso por si só já teria
grande impacto na reversão dos danos ambientais.
Mas isso só é possível com o fim do trabalho alienado, ou seja,
com a conquista do controle dos trabalhadores sobre seu tempo e seus
instrumentos de trabalho. Para isso é preciso romper com a
propriedade privada dos meios de produção e com a divisão da
sociedade em classes. Somente uma humanidade sem classes pode se
relacionar de forma racional com seu trabalho, direcionando seu tempo
e recursos para produzir aquilo que realmente é necessário e
considerando o equilíbrio da natureza e a continuidade da vida. Ao
mudar a relação do homem com o trabalho, muda-se também a relação
com a natureza.
Para a natureza é indiferente que o planeta seja habitado por seres
inteligentes ou por bactérias, pois o planeta seguirá seu curso em
torno do sol, quer sejam os homens os seus passageiros ou os
microorganismos. Para o homem, entretanto, a preservação de certas
condições indispensáveis para a sua sobrevivência, como ar
respirável, água potável, terras férteis, temperaturas
suportáveis, etc., deve ser resultado de sua ação consciente e
coletiva. Essa ação passa necessariamente pela revolução social,
pela superação da lógica do capital e pela construção do
socialismo, único regime capaz de devolver ao homem o controle sobre
seu trabalho, sua humanidade e sua relação racional e sustentável
com a natureza.
O CAPITALISMO AGRAVA OS DESASTRES DA NATUREZA
A destruição da natureza não se explica pela ação do homem
abstrato e genérico, deslocado do processo real de produção. A
burguesia, para se livrar da responsabilidade, também propaga a
idéia de que “o homem” é o destruidor da natureza, como se isso
fizesse parte do seu próprio ser. Sem uma consciência que se opõe
ao modo de produção, a ação do homem no mundo reflete as idéias
da classe dominante, e é esse homem feito à imagem e semelhança da
burguesia que, no seu produzir, domina a natureza e a destrói. O
homem no mundo capitalista tem a característica de ao mesmo tempo
viver na e contra a natureza.
Claro que há um mundo natural em constante transformação, em
formação e em movimento permanente, mas o que presenciamos
atualmente não é um “movimento natural” e sim as conseqüências
destrutivas da forma capitalista de produção. É no processo de
maximização da mais valia que a burguesia intensifica a exploração
sem limites da natureza e leva a esse processo de destruição.
ALGUNS DESASTRES SãO NATURAIS, MAS AS CONSEQUêNCIAS NãO SãO
Como já foi dito, há na natureza movimentos naturais - como é o
caso do terremoto no Haiti, mas as conseqüências que esses
fenômenos provocam não são naturais. É sabido que há tecnologia
para minimizar ou mesmo evitar os impactos de desastres naturais
(terremoto, tsunami), mas como essas tecnologias estão sob o controle
do capital, elas são utilizadas somente nos países ricos. Ou seja, a
condição do país no mercado mundial influi até mesmo na
utilização de mecanismos de proteção e garantia de vida das
pessoas.
No caso do Haiti, o fator determinante para o alto grau de
destruição e o alto número de mortes é sua condição de colônia
do imperialismo, pois decorre daí a sua pobreza. A grande
concentração da população pobre na periferia das cidades, as casas
sem nenhuma estrutura, a inexistência de um sistema público de
saúde (hospitais, formação de médicos, enfermeiros, etc) e até de
defesa civil; são causas quantitativas e qualitativas da tragédia
humana que se seguiu ao terremoto. Não é por sorte que as mansões
de Porto Príncipe não sofreram quase nenhum dano. Se um terremoto
desse porte acontecesse em um país rico sem dúvida as
conseqüências seriam muito menores.
Tanto lá como cá as causas e conseqüências (como uma relação
dialética e não mecânica) têm a mesma explicação. As recentes
tragédias no Brasil, como as do Rio de Janeiro ou as Zonas Sul e
Leste de São Paulo tem tudo a ver com a destruição causada pela
produção capitalista. Em primeiro lugar, o aumento do volume das
chuvas é uma conseqüência das alterações climáticas. Em segundo,
as vítimas são em sua maioria os moradores das áreas pobres, que
por conta da especulação imobiliária são jogadas para as regiões
pantanosas e para os morros, áreas sabiamente mais frágeis. Essa
mesma especulação imobiliária está na raiz de outros tantos
problemas ecológicos, como é o caso da contaminação das áreas de
mananciais. Em terceiro lugar, não há por parte dos governos nenhum
plano de habitação que permita e garanta que os trabalhadores saiam
dessas áreas. Pelo contrário, há uma política de “jogar” ainda
mais pessoas nessas regiões para que outras áreas próprias para
moradia possam se valorizar e garantir o lucro dos especuladores.
Alguns tentam explicar o sofrimento das pessoas vitimadas pelas
enchentes como se fosse por conta da escolha que fizeram de morar
nessas áreas. Como se as pessoas morassem em áreas alagáveis e em
favelas porque gostam e como se fosse uma questão de escolha. Não
vêem (ou não querem ver) que a urbanização desordenada das grandes
capitais, principalmente no sudeste, é produto do êxodo rural dos
anos 60 e 70, e que a “escolha” de morar em favelas é a única
que restou a esses trabalhadores por conta do salário miserável a
que estão submetidos.
POR UMA POLíTICA REVOLUCIONáRIA
Nos últimos anos temos presenciado o surgimento de uma consciência
ecológica e de diversas organizações que militam no “movimento
ecológico”. Algumas até tem um caráter “progressista” (como
os ecosocialistas), mas o limite da maioria desse movimento está
exatamente no fato de serem policlassistas e de não verem o
necessário caráter classista e revolucionário da luta ecológica.
Entre as maiores organizações estão o Greenpeace e o WWF. Esse
último luta “para harmonizar o homem e a natureza”, frase oca que
na verdade esconde uma utopia reacionária, uma vez que também
defendem que as “Parcerias com o setor privado são peças chave
para o trabalho de conservação da natureza e uso sustentável dos
recursos naturais desenvolvido pelo WWF-Brasil. Para nós, os
negócios são parte central do bem-estar da sociedade e do planeta”
(http://www.wwf.org.br/empresas_meio_ambiente/ [1]). Já o Greenpeace,
mesmo declarando que não aceita ajuda de empresas, também se
caracteriza por ser “uma organização (...) que atua para defender
o meio ambiente e promover a paz, inspirando as pessoas a mudarem
atitudes e comportamentos (...) desafiamos os tomadores de decisão a
reverem suas posições e mudarem seus conceitos. Também defendemos
soluções economicamente viáveis e socialmente justas”
(http://www.greenpeace.org/brasil/quemsomos/ [2]).
O que as une é a crença e a ilusão de que é possível salvar o
planeta mesmo sob o capitalismo, apenas “mudando a atitude das
pessoas em relação ao meio ambiente”. Por outro lado estamos em
uma situação em que o proletariado e suas organizações ainda não
conseguiram encontrar mecanismos que sejam capazes de enfrentar esse
problema com propostas e prática revolucionárias. Trata-se de um
problema novo para o qual devem ser dadas respostas também novas.
Enfrentar a crise ambiental do ponto de vista do legado do marxismo
(relação homem-natureza) é nesse momento pensar que a revolução
socialista deve necessariamente ser marcada pela superação da
totalidade das formas de alienação, se apresentando para a solução
da problemática econômica, mas também ambiental (e também
cultural, sexual, etc). Um mundo equilibrado ambientalmente só será
possível quando, homens e mulheres, abolirem a propriedade privada e
consigam avançar para o domínio consciente da natureza. Mudar o
mundo para salvar o planeta!
TRÂNSITO: CAOS DO MODO DE PRODUÇÃO BURGUÊS
O trânsito e a poluição urbana é um dos “calcanhares” dos
administradores burgueses. Adota-se todo tipo de medida (restrição
de circulação de ônibus e de carros, obrigação de vistoria, etc),
mas os problemas continuam se agravando, uma vez que nenhuma delas
mexe com o ponto central que é adotar um sistema de transporte que
não privilegie o lucro e sim as necessidades da população. Não
fazem porque teria que romper com a lógica capitalista que ordena o
modelo de transporte adotado e da própria organização da cidade na
sociedade capitalista.
É um debate importante porque a luta pelo socialismo compreende uma
totalidade que envolve as transformações econômicas, mas também a
cultura, o sistema de saúde (que está relacionado com a qualidade de
vida), a localização das fábricas (e o que produzir), das escolas e
dos hospitais e evidentemente a organização das cidades e do
transporte, etc. No socialismo tudo será organizado racionalmente de
modo que o nosso tempo esteja voltado para a satisfação das
necessidades da coletividade e não para os interesses do capital.
A produção capitalista se caracteriza pelo caos, completamente
desorganizada e dispersa obrigando as pessoas se deslocarem por
quilômetros para venderem sua força de trabalho com consequências
para o sistema de transporte e para a própria saúde. Mais duas
questões (entre outras tantas que se poderia falar) que pode
demonstrar o caos é o que se produz e a especulação imobiliária
que repercutem no sistema de transporte e na própria organização da
cidade. O carro além de congestionar ainda polui e a especulação
imobiliária joga os trabalhadores e explorados para as periferias,
locais distantes do trabalho, da escola e dos hospitais.
CIDADES E TRâNSITO: O CAOS PROVOCADO PELA BURGUESIA
O atual sistema de transporte no Brasil foi construído a partir da
década de 50, como parte do acordo com o imperialismo para a
instalação das montadoras no país. Para garantir o lucro delas a
malha ferroviária (de carga e de passageiros) foi sucateada e o
transporte público passou a funcionar em torno dos ônibus produzidos
por elas. A base desse sistema são os veículos automotores seguidos
pelos ônibus e caminhões e com o petróleo como matriz energética.
Uma escolha para atrair e agradar as montadoras que desde então
lucraram - e remeteram para as matrizes- bilhões e bilhões.
A insanidade do capital faz com que suas escolhas ocorram pelo lucro
e isso causa vários problemas como a poluição, os
congestionamentos, o deslocamento de bilhões para a construção e
reforma da malha rodoviária (só trecho sul do Rodoanel em São Paulo
tem um custo estimado em 4 bilhões de reais e é responsável por 25%
do desmatamento na Grande SP no ano de 2008), a impermeabilização do
solo e ideologicamente, em detrimento de um modelo coletivo, uma
concepção individualista no transporte, pois a imensa maioria dos
veículos são ocupados por uma pessoa. Um modelo que só atende aos
interesses da burguesia.
Em relação a poluição não é novidade para ninguém que os
carros estão entre as principais fontes de poluição do Brasil e do
mundo. A causa é óbvia: o combustível. Tanto faz a gasolina, o
álcool ou o diesel. Todas as medidas adotadas pelos governos de
plantão, ou não têm nenhum efeito ou ele é desprezível. Já com
relação ao meio de transporte a lógica também é perversa, pois
com um transporte público de péssima qualidade muitos são
empurradas para os carros o que agrava a poluição e os
congestionamentos, mas garante o lucro das montadoras.
Há outras tecnologias que poderiam ser aplicadas no desenvolvimento
de transporte com fonte energética muito menos poluidora, como são
os trens e ônibus elétricos. Esses transportes além de poluírem
menos podem transportar muito mais pessoas em um espaço muito menor.
Mas adotar medidas que substitua os automóveis por um sistema
coletivo de transporte significaria mexer com os interesses de grandes
capitalistas das montadoras, das empresas ligadas ao refino do
petróleo e da máfia que controla as empresas de transporte coletivo
nas grandes cidades. Isso nenhum governo burguês está disposto a
fazer.
Quanto aos congestionamentos os trabalhadores são as maiores
vítimas, uma vez que na atual configuração da produção
capitalista os trabalhadores são obrigados a irem trabalhar cada vez
mais longe o que por si já representa o aumento na jornada de
trabalho provocando maior desgaste físico e mental. Essa combinação
do tempo gasto para o trabalho e o tempo gasto nos congestionamentos
representa a continuidade da apropriação pela burguesia do tempo do
trabalhador e que não é remunerado. Assim o trabalhador sequer
consegue descansar para se recompor para o dia seguinte e sem falar na
dificuldade de que o trabalhador possa participar de reuniões
sindicais ou políticas. Ou seja, a burguesia utiliza o caos que o seu
modo de produção provoca para manter os trabalhadores sob controle.
É uma apropriação física e espiritual dos trabalhadores.
Em uma sociedade socialista, portanto racional, os trabalhadores
além de terem uma jornada de trabalho muito menor trabalharão
próximo de suas residências ou terão computado na sua jornada o
tempo de deslocamento, podendo aproveitar essas horas
“economizadas” para atividades políticas, culturais, de lazer e
para descanso. Só uma sociedade irracional como a capitalista
desperdiça tanto tempo.
Outro efeito devastador para a natureza é a impermeabilização das
cidades. Para comportar a quantidade de carros que estão sendo
produzidos (em 2009 foram quase 3,2 milhões) é preciso construir
uma extensa malha rodoviária, o que faz com que as cidades sejam
permanentemente redesenhadas, representando uma destruição de força
de trabalho e da natureza, uma vez que mais e mais árvores precisam
ser derrubadas, o solo é impermeabilizado e o curso e as margens dos
rios sofrem constantes mudanças. As recentes enchentes (que Serra
culpou a natureza, Kassab a Marta Suplicy e o povo) são
conseqüência dessas alterações e não das pessoas.
Parte importante do orçamento do país é direcionado para a
construção e/ou reforma de estrada (em alguns Estados representa 50%
de tudo que é aplicado pelo governo Federal), retirando dinheiro de
outras áreas como saúde e educação. Essa grande quantidade de
dinheiro em todos os orçamentos (federal e estaduais) fez com que se
desenvolvesse no país grandes grupos econômicos (Camargo Correa,
Espasamco, etc) que são dependentes dessas obras e para mantê-las
faz todo tipo de falcatrua, como licitação direcionada, caixa dois
para a campanhas eleitorais (além de doação pública), etc. É só
mais um elo dessa corrente que se construiu a partir da adoção desse
modelo de transporte.
IDEOLOGIA E AUTOMóVEL
A adoção do automóvel como central no sistema de transporte
também implica em que as pessoas precisam ser convencidas de
comprá-lo e utilizá-lo, precisa tornar-se necessidade. Para isso foi
montado um imenso aparato ideológico que envolve agências de
propagandas, televisão, psicologia de massas, etc que tem o poder de
“embelezar” homens e mulheres, de mascarar e mudar o meio em que
vivemos (todas as propagandas apresentam ruas sem buraco e sem
congestionamento) e de declarar o poder dos e das possuidoras de
carros sobre o mundo.
Por essa ideologia quem tem um carro é diferente e não está
submetido aos caos do transporte público, destinado aos de pouca
sorte; quem te carro é diferente, mais inteligente, faz a escolha
certa e “venceu” na vida. O automóvel é o símbolo do
capitalismo e para a própria burguesia alocada no Brasil era
importante essa escolha como demonstração de que definitivamente o
país se modernizava. Como vemos a partir do automóvel se estrutura
parte importante da vida em uma sociedade capitalista.
Outro aspecto dessa ideologia é colocar o indivíduo acima da
coletividade. Veículos altamente poluidores que transportam
pouquíssimas pessoas (na maioria das vezes uma só pessoa) são a
representação de que o sistema de transporte também é voltado para
a propagação do individualismo, fundamental para a ideologia
dominante e para a própria indústria automobilística. A
degradação do transporte coletivo é parte dessa lógica, pois a
todo momento na mesma avenida congestionada podemos ver de um ônibus
lotado -com as pessoas em pé e amassadas- um veículo com um
indivíduo livre desse inferno que é o ônibus. A construção
consciente dessas comparações é uma tática muito bem pensada pela
burguesia de modo que nesse cenário as pessoas possam pensar em
saídas individuais e ver o automóvel como o meio de realização
desse desejo.
CONSTRUIR UMA SAíDA PELA ESQUERDA
A anarquia da produção capitalista faz com que ela desloque
imensas forças de trabalho para a produção de bens que significam a
destruição das próprias condições de vida da humanidade, ou seja,
em vez de produzir bens que contribuam para o bem estar das pessoas
produz-se aquilo que interessa aos capitalistas. É a lógica da
burguesia. Uma sociedade socialista organizaria a produção de modo
que se produziria aquilo que realmente atendesse as necessidades
humanas e não do lucro.
Precisamos, a partir de nossas frentes de atuação, abrir essa
discussão no movimento, incorporando reivindicações que garantam
transporte coletivo público, gratuito e de qualidade para os
trabalhadores. Em uma perspectiva da revolução também está
colocado a necessidade do desenvolvimento de energias que garantam a
produção das necessidades dos trabalhadores e que não poluam o meio
ambiente. Em relação ao transporte coletivo até mesmo
“especialistas” burgueses reconhecem que o transporte sobre
trilho é muito mais barato e menos poluente. Também é preciso
redirecionar a produção automobilística do país para veículos que
garantam a produção de alimentos, como os tratores.
Só com essas mudanças como essas (que são mínimas) quantas
carretas poderiam deixar de circular e poluir com a adoção do
transporte de cargas para os trens? E quantos ônibus deixariam de
poluir e congestionar se adotássemos o transporte ferroviário como
prioritário? Quantas horas os trabalhadores poderiam se dedicar ao
lazer, ao estudo e a própria militância anti capitalista?
Se temos consciência de essas medidas são fundamentais também
sabemos que o capitalismo –pela sua própria lógica do lucro- não
pode realizar essas tarefas. Só a revolução socialista poderá
levar a frente essas tarefas. Por isso, viremos à esquerda.
CONCLUSãO
A opção do Estado pelo salvamento do mercado financeiro e sua
recusa a dar sequer os passos iniciais para combater o aquecimento
global não são meros equívocos dos governantes de turno, mas
evidências do papel de classe do Estado como garantidor da ordem
capitalista e suas iniqüidades. Num contexto de grave crise
econômica, o caráter de classe do Estado se acentua ainda mais, pois
todas as suas medidas, não apenas no plano ambiental, vão no sentido
de recuperar os lucros da burguesia através do aumento da
exploração sobre os trabalhadores. Inversamente, a solução dos
graves problemas ambientais atuais é inseparável da luta pela
superação do modo de produção capitalista como um todo, em
direção ao socialismo, no qual a cooperação da classe trabalhadora
internacional será capaz de tomar as medidas necessárias para
direcionar a produção para as necessidades humanas e reverter os
danos causados pelo capitalismo, restaurando o equilíbrio do
ecossistema global.
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