[Bancariosdebase] texto eleições jornal BdB

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Terça Março 29 19:41:13 UTC 2011


  Olá comp em s [1] do Bancários de Base
 Segue o rascunho do texto sobre o tema de eleições do sindicato
para o próximo jornal.
 Daniel
 "A sociedade que aboliu a aventura tornou a abolição dessa
sociedade a única aventura possível” 
 anônimo, pichado nos muros de Paris no maio de 1968

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	Em 2011 teremos eleições para a diretoria do Sindicato dos
Bancários de São Paulo, Osasco e Região. O processo se iniciou com
a assembléia de 30 de abril, que elegeu a comissão eleitoral,
responsável pela organização do pleito, e que deve anunciar em
breve o calendário para a inscrição de chapas, campanha e dias de
votação. 

	O ponto de partida para a discussão dessas eleições é o balanço
da atual diretoria. A Articulação Sindical (PT) está na diretoria
desde 1979 (na época essa corrente ainda não tinha o nome de
Articulação), quando um amplo processo de luta da classe
trabalhadora retirou os principais sindicatos do país, inclusive o
dos bancários, do controle dos pelegos indicados pela ditadura e
elegeu direções combativas, formando a base para a criação da CUT
em 1983. 

	Ao longo dessas três décadas esse grupo político, antes
combativo, se converteu numa burocracia com interesses próprios,
desligados, e mesmo opostos, aos dos trabalhadores. Acompanhando a
degeneração do PT, que deixou de ser um partido classista e passou a
aplicar nos governos uma série de políticas de interesse da
burguesia, a Articulação sindical colocou em prática o chamado
"sindicalismo cidadão", ou seja, substituiu a luta pela colaboração
com a patronal. 

	O PT, a CUT e as entidades sob seu controle incorporaram a ideologia
burguesa de que não há alternativa possível ao capitalismo. O
próprio partido passou a viver de mandatos no executivo e no
parlamento, cargos nas diretorias das estatais, fundos de pensão,
aparatos sindicais, etc. Mais do que apoiar este ou aquele governo de
plantão, a CUT se incorporou organicamente ao Estado burguês e à
defesa de políticas de interesse da burguesia, reproduzindo o
discurso de que "o que é bom para o capital é bom para o Brasil". Em
nome do crescimento, são assinados acordos lesivos aos trabalhadores,
que admitem demissões, rebaixam salários, retiram direitos e
degradam as condições de trabalho. 

	Nas campanhas salariais de bancários, a Articulação abandonou a
luta pela estabilidade no emprego para os trabalhadores de bancos
privados, a luta contra as metas e o assédio moral que afetam toda a
categoria, a reposição das perdas acumuladas nos bancos públicos,
além de uma série de reivindicações específicas, empurradas para
as mesas de negociação (enrolação) permanente. 

	As campanhas são conduzidas sem que haja participação real dos
bancários. As reuniões nos locais de trabalho, plenárias por banco
e por região, reuniões de delegados sindicais e representantes dos
locais de trabalho, assembléias preparatórias, foram substituídas
por uma pesquisa via internet (sobre cujo resultado não se tem o
menor controle), como método para definição das pautas. Não há
uma preparação real para a campanha salarial, com formas de
mobilização que preparem para a greve, como operação padrão,
"venda zero", paralisações de 24 horas, que levem a um acúmulo de
forças para a greve. 

	A greve surge então sem organização real na base, sem força para
dobrar a patronal. Os clientes são barrados na frente das agências,
mas os bancários continuam lá dentro fazendo negócios. O lucro dos
bancos não é afetado e a patronal não se vê obrigada a fazer
concessões.  

	As assembléias, quando acontecem, são ultra-burocráticas, pois
apenas a diretoria do sindicato fala, e quando se abrem falas, não se
permite fazer propostas, e quando se vai votar propostas, não se
permite a defesa daquelas opostas à diretoria, e quando uma proposta
da oposição vence, não é encaminhada pela diretoria, etc.  

	Para aprovar um acordo rebaixado, o sindicato realiza assembléias
à noite, fora do horário de trabalho, com a presença maciça de
gerentes e fura-greves. E ainda por cima, o item principal do acordo
deixou de ser o reajuste do salário (conquista permanente, que não
pode ser rebaixado e incide sobre todas as verbas) e passou a ser a
PLR, que faz com que o trabalhador acredite que seu ganho depende do
desempenho do banco, legitimando a cobrança por metas e a
superexploração. 

	Tudo isso faz com que ano a ano os bancários desacreditem no
sindicato e não se engajem na greve. Pode até haver boa adesão
numérica, com um grande número de bancários que não vão
trabalhar, em algum ano ou outro, mas não há participação real,
não há presença maciça nas assembléias e piquetes. Anos de
seguidas traições estão esvaziando a entidade sindical e deixando a
burocracia cada vez mais livre para manobrar como quiser. 

	Por todos esses motivos, tornou-se urgente uma mudança nos rumos do
nosso sindicato, que resgate a nossa entidade novamente para a luta,
tanto nas campanhas salariais como na resistência cotidiana nos
locais de trabalho. Essa mudança terá que ser mais profunda do que
uma simples troca da diretoria, pois precisará reformular o próprio
funcionamento da entidade, seu relacionamento com a base, a
organização nos locais de trabalho, etc. 

	Ao mesmo tempo, não é possível pensar na constituição de uma
chapa capaz de derrotar a atual diretoria sem realizar esse trabalho
prévio de organização nos locais de trabalho, fortalecimento da
participação e dos espaços democráticos. O sindicato não é a sua
diretoria, é o conjunto da categoria. 

	Nós do coletivo Bancários de Base estamos abertos a discutir o
processo de constituição de uma chapa de oposição, que para nós
deveria ter como método uma série de reuniões abertas a todos os
trabalhadores que queiram mudar os rumos da entidade, que discutam os
pontos de um programa para reconduzir o sindicato para a luta. 

	Mais do que isso, passada a campanha eleitoral, estando ou não na
chapa, ganhando ou perdendo a eleição, estamos dispostos a seguir
batalhando pelo programa de mudança nos rumos do nosso sindicato,
pelo resgate da nossa entidade para a luta nas campanhas salariais e
na resistência cotidiana, pela reformulação do funcionamento da
entidade, pela participação da base e organização nos locais de
trabalho, etc. Propomos para isso os seguintes pontos: 

	- Resgate das assembléias e fóruns de base como organismos
supremos de deliberação dos trabalhadores, contra a usurpação de
todas as decisões pelas cúpulas dirigentes. 

	- Proporcionalidade direta nas eleições para todos os fóruns,
como diretoria do sindicato, comando de campanha, comissões de
negociação, etc. 

	- Composição de chapas através de convenções abertas e prévias
eleitorais para escolha das candidaturas, por bancos e por região. 

	- Revogabilidade dos mandatos por meio de decisão em assembléia. 

	- Limitação do número de mandatos, com proibição de mais de
dois mandatos consecutivos e obrigatoriedade da renovação de pelo
menos metade da diretoria. 

	- Fim dos privilégios para dirigentes sindicais, que devem receber
o mesmo salário de antes da liberação, sem jetons, ajuda de custos,
etc. 

	- Escolha dos dirigentes liberados em assembléia, com controle das
tarefas e horários. 

	- Auditoria nas contas da Bancoop, Bangraf, Bancredi e outros
“empreendimentos” do sindicato. 

	- Transparência na gestão financeira e restação de contas
regular das finanças da entidade 

	- Decisões sobre contratações e despesas extraordinárias em
assembléias. 

	- Reuniões periódicas de delegados sindicais e representantes de
base com caráter deliberativo. 

	- Eleição da mesa dirigente das assembléias, plenárias,
congressos ou qualquer fórum no momento de sua instalação, com
proporcionalidade, bem como votação da pauta. 

	- Repúdio à contratação de seguranças para impedir a livre
manifestação dos trabalhadores nas assembléias, plenárias,
congressos ou qualquer fórum do movimento. 

	- Garantia do direito à palavra para qualquer trabalhador,
independentemente da sua filiação ou não a correntes políticas e
sindicais, em assembléias, plenárias, congressos ou qualquer fórum
do movimento. 

	- Garantia de espaço nas publicações dos sindicatos e entidades
para manifestação dos trabalhadores de base, independentemente da
sua filiação ou não a correntes políticas e sindicais. 

	- Suspensão dos pagamentos à CUT e plebiscito sobre desfiliação
da central. 
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