[Bancariosdebase] Breve relato da categoria bancária.

Márcio Cardoso marciocarsi em yahoo.com.br
Sábado Abril 20 04:17:45 UTC 2013


Segue aí um texto sobre a realidade dos bancários, provando que precisamos retomar a Frente com urgência. É de minha autoria.

Abraços

Márcio
>> 
>> A CRISE ECONÔMICA E A REALIDADE DOS BANCÁRIOS NOS BRASIL.
>> 
>>  
>> 
>> Desde o início da crise econômica mundial, o governo do PT e todos os seus asseclas no seio do movimento sindical se esforçam para dizer aos trabalhadores, e, no nosso caso, os bancários, de que o Brasil está imune à crise mundial. Todos os sindicatos, em especial, Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, controlado pelo PT, fica fazendo propaganda do governo federal, ao invés de armar os bancários para as dificuldades que já fazem parte do dia-dia dos trabalhadores das instituições financeiras, como a carestia dos alimentos e demais produtos de primeira necessidade, e o crescente endividamento dos trabalhadores dos bancos. Com este tipo de postura, o Sindicato dos Bancários de São Paulo é o maior garantidor da aplicação da política financeira e econômica nacional, pois  a atuação da entidade, que deveria defender os interesses gerais da categoria, está para garantir os interesses do governo e do capital financeiro a custas dos próprios bancários como veremos a seguir.
>> 
>> O governo do PT usou os bancos federais para salvar o capital da quebradeira geral da crise econômica internacional.
>> 
>> Durante a primeira década de 2000, os bancos anunciavam crescimento dos lucros líquidos em progressão geométrica. Porém, nos últimos quatro anos as instituições financeiras vem sofrendo diminuição do crescimento do lucro líquido.
>> 
>> A causa disso é a determinação do capital “produtivo” (empreiteiras, montadoras de automóveis) e a necessidade de financiamento de diversas obras da Copa, das Olimpíadas e aquecer o mercado imobiliário (por causa e da longa cadeia de produção com centenas de indústrias envolvidas); ou seja, os setores econômicos cujos trabalhadores produzem riqueza concreta e são empregados precariamente, com baixos salários com a participação de  sindicatos que tem como princípio o “diálogo e a negociação” para garantir que os trabalhadores destes setores não se levantem contra os seus respectivos patrões e nem questionem a atual lógica de consumo por meio da farra do crédito e do endividamento.
>> 
>> Mas para que isso fosse possível, foi necessário que a farra dos juros altos acabasse. Daí que em 2008 já começou o movimento do Banco Central em cortar os juros da taxa SELIC (que remunera os banqueiros que possuem títulos da divida pública) para forçar os bancos de varejo, sobretudo os públicos, a emprestar mais dinheiro a comprar títulos públicos. Como isso ainda não foi o suficiente para baixar os juros de mercado e diante da necessidade que fazer com que os trabalhadores continuassem  consumir, sem, no entanto ter aumento correspondente de salário, o governo interveio diretamente no mercado de crédito mudando toda a diretoria do Banco do Brasil colocando pessoas comprometidas com uma política econômica de “cidadania do crédito” (isto é, as pessoas só se tornam “gente” consumindo por ter oferta de credito barato e não pelo aumento dos salários), diminuindo os spreads em médio prazo. Evidente que o os governistas no meio sindical comemoraram tal política, mas, ao mesmo tempo, mente para os trabalhadores que o aumento do consumo tem origem nos “aumentos reais” de nossos salários e pelo “crescimento do emprego e renda”  dos trabalhadores.
>> 
>>  
>> 
>> No entanto, a realidade é bem diferente do que os neoliberais mensaleiros dizem:
>> 
>>  
>> 
>> A dura realidade dos trabalhadores bancários para continuar a garantir os altos lucros aos banqueiros e ao governo.
>> 
>> Como afirmamos acima, na primeira década de 2000, os bancos se fartaram com aumentos de lucros na ordem de 15, 20 e até 30%; ano, após ano. Hoje a realidade é bem diferente. Vejamos os números apresentados pelos 7 maiores bancos em relação ao ano 2011:
>> 
>> ·         BB : 0,65% (Fonte http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios de 21/02/2013)
>> 
>> ·         CEF: 17,1% (Fonte: Assessoria de Imprensa da Caixa Econômica Federa 19/02/2013)
>> 
>> ·         BRADESCO: 3,2% (fonte: UOL, em São Paulo 28/01/2013)
>> 
>> ·         ITAÚ: -5,13% (fonte:  Agência Estadão de 05/02/2013)
>> 
>> ·         SANTANDER:-24,32%    (Fonte:http://veja.abril.com.br/noticia/economia,de 31/01/2013)
>> 
>> ·         HSBC: -2,6% (Fonte : http://www.feebpr.org.br/lucroban.htm, de 06/03/2013)
>> 
>> Como vimos dos bancos privados, somente o BRADESCO teve aumento em seu lucro líquido. Todos os demais bancos tiveram diminuição no montante de seu lucro líquido. Ainda assim, 3,2% é um índice de lucro muito tímido em relação aos 21,2% de 2007. O mesmo pode-se dizer Do Banco do Brasil de 16,3% no mesmo ano.
>> 
>> Para tentar reverte esta situação, os bancos jogaram nas costas dos bancários a fatura na diminuição de seus lucros, ou na queda de sua lucratividade. Só em 2012, foram mais de 7000 demitidos nos bancos privados, dos quais 3000 só do “Satãder” (http://avantebancario.blogspot.com.br/01/04/2013). Em 2013 o Bradesco demitiu 1299 bancários, Santander demitiu 1128 trabalhadores.
>> 
>> Uma vez que os Sindicatos comprometidos como governo neoliberal de plantão não lutam pela estabilidade dos trabalhadores de banco privado; qualquer perturbação na lucratividade das instituições financeiras privadas os banqueiros resolvem isso pela demissão, fechamento de locais de trabalho e intensificando o assédio moral para os que permanecem, pois o bancário que sobreviveu ao “facão” do patrão deverá produzir pelo colega que foi demitido e por ele/ela que permaneceu. E as contratações que por acaso ocorrerem, os novos bancários ingressam com salários rebaixados em relação àqueles que foram mandados embora, isso sem falar  da interposição fraudulenta de mão de obra por meio do avanço da terceirização com salários ainda mais rebaixados e sem os direitos conquistados pela categoria bancária.
>> 
>> Mas os bancos estatais também estão sofrendo com  a baixa lucratividade num contexto de baixo spread e de uma crise econômica que os petistas teimam em dizer que não se instalou no país. A CEF só teve a excelente lucratividade  em 2012 por ter dado um grande salto no sentido de uma gestão de empresa privatizada. Ou seja: o lucro pelo lucro, em que os trabalhadores não terão  participação alguma, exceto pelo fato de pagarem os empréstimos contraídos junto a Caixa Econômica. Mas depois que estas medidas forem esgotadas (sobretudo na concessão de crédito imobiliário muito acima da capacidade de pagamento das pessoas em longo prazo), a Caixa Econômica Federal enfrentará o mesmo problema que o BB num futuro não tão distante. A “privatização” da Caixa de se deu pela fraude à jornada de 6 horas, em que o Sindicato de São Paulo, vinculado ao governo do PT, orientou os empregados a migrarem para o plano de contribuição definida para continuarem  a “serem lembrados” nos programas de ascensão profissional. Junto a isso ocorre a expulsão dos trabalhadores mais pauperizados das agências para serem atendidos nas lotéricas por profissionais que não bancários, e que, portanto, ganham muito menos; “empurrando produtos” que não interessam aos clientes que procuram a Caixa. Além de obstar o atendimento aos trabalhadores que necessitam de serviços exclusivos da CEF como FGTS e Seguro Desemprego; ou, o que é pior, condiciona o atendimento nestes casos à compra de algum “produto” da Caixa, como um seguro, ou um título de capitalização.
>> 
>> É evidente que os bancários não concordam com isso e lutam contra esta situação, apesar do sindicato. Um deles, o companheiro Messias Américo da Silva está sendo processado no sentido de ser demitido por justa causa, simplesmente por cumprir com a sua função de atender todos os trabalhadores que a ele procuraram, e de lutar por uma Caixa Econômica Federal estatal de fato, comprometido com os interesses dos trabalhadores em geral e não com os banqueiros de posse dos títulos da dívida pública brasileira recebendo metade do orçamento da União em Juros.
>> 
>> Ao Contrário da CEF, todas estas medidas já foram esgotadas no Banco do Brasil. De forma que a tentativa de se recompor a lucratividade no BB merece uma sessão à parte neste artigo.
>> 
>> Banco do Brasil – autoritarismo, terror, desinformação do governo, aliado ao sindicalismo petista como ferramentas para recompor a taxa de lucro.
>> 
>> O BB tem 2 grandes problemas que impedem a recomposição da taxa de lucro: o grande passivo trabalhista e uma organização institucional que, do ponto de vista do lucro pelo lucro, precisava ser reorganizado objetivando a redução de custos com pessoal. Em janeiro foi imposto ao funcionalismo um Novo Plano de Cargos  e Comissões que pretende acabar com o passivo trabalhista no Judiciário classificando as funções de confiança (com fidúcia especial e jornada de 8 horas) e as funções gratificadas (sem fidúcia especial e com jornada de 6 horas). Tudo isso acompanhado de redução e congelamento salarial para as pessoas que estão nas funções gratificadas. Uma vez que o Governo do PT reconhece que fraudava o direito da jornada de 6 horas do funcionalismo, assinou junto com a Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (CONTRAF-CUT) uma instituição de da Comissão de Conciliação Voluntária (CCV) para evitar que o bancário reclame no Judiciário o direito de reclamar o direito integral de receber a 7ª e 8ª hora acrescida de 50%, como hora-extra. Os bancários que lutam, ou questionam o novo plano são perseguido de diversas formas. Até o momento sabemos de 15 processados administrativamente e 3 demitidos.  Há ainda muito mais desdobramentos e elementos importantes que não serão desenvolvidos neste artigo. Mas o que é importante que o leitor saiba é que este maior ataque ao funcionalismo do BB desde 1998 não seria implatado se não houvesse o comprometimento dos dirigentes sindicais da CUT.
>> 
>> ESTATIZAÇÃO DO SISTEMA FIANANCEIRO, CONTRALADO PELOS TRABALHADORES E EM PROVEITO DOS TRABALHADORES.
>> 
>> De certa forma, o sistema financeiro está estatizado. Afinal, o governo federal distribui bilhões de reais para as grandes empresas e para os bancos, seja por meio do BNDES, pelo FAT, FGTS; pode ser, também, por meio do endividamento do Estado pela emissão de títulos públicos; ou ainda, por meio de isenção de tributos. A questão é se este sistema financeiro atende aos interesses dos trabalhadores em geral, ainda mais numa conjuntura de crise econômica que o mundo está atravessando. A de garantir o lucro das empresas por meio de endividamento dos trabalhadores não nos serve e já demonstrou ser desastroso, pois este foi o estopim da atual crise econômica que se iniciou na Europa e nos Estados Unidos, e que não há nenhum sinal de que vá acabar por meio desta lógica.
>> 
>> Os bancários não poderão mais tolerar que bancos que recebam dinheiro público, ou os distribuam cobrando juros dos trabalhadores demitam bancários, cassem direitos, diminuam salários ou encerrem suas atividades em qualquer localidade. Os trabalhadores não podem mais permitir a lógica de “privatização dos lucros e socialização dos prejuízos”.
>> 
>> É necessário que os trabalhadores, sobretudo os bancários, de forma coletiva e organizada, discutam  controle do sistema financeiro sob suas mãos. Que os recursos não sejam tdirecionados para garantir o lucro pelo lucro, e o consumo pelo consumo. É necessário que o resultado do trabalho social seja empregado para atendimento das necessidades humanas dos trabalhadores, como ampliação da rede ferroviária e metroviária, acabar com o déficit habitacional, fazer a reforma agrária, estruturar uma educação e saúde pública e de qualidade, ampliação e avanço da ciência e tecnologia, etc.
>> 
>> Mas para que isso seja possível, é necessário que os trabalhadores transformem a sociedade atual. Que acabem com o lucro e a propriedade privada calcada na exploração do homem pelo homem por meio da Revolução Socialista.
>> 
> <A CRISE ECONÔMICA E A REALIDADE DOS BANCÁRIOS NOS BRASIL.docx>


Mais detalhes sobre a lista de discussão Bancariosdebase